POLÍTICA

Alexandre Frota, ex-ator pornô que recorre às baixarias para moralizar a direita

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É surpreendente como ele foi uma das notícias principais da política nos últimos dias.

Alexandre Frota, ex-ator pornô que recorre às baixarias para moralizar a direita

(Foto: Reprodução/Instagram)

Se a política institucional está carente de candidatos, a militância dos movimentos sociais de direita é digna de piada. Ela enveredou do liberalismo para um moralismo vazio baseado no ódio.

O MAM foi palco de uma polêmica no mês de setembro. Uma exposição de arte com um homem nu envolvendo crianças menores de idade virou vidraça do Movimento Brasil Livre de Kim Kataguiri. Os militantes de extrema-direita, fãs de João Doria, chamaram a exposição de "pedofilia", mesmo que as crianças tenham participado com permissão dos pais e não tenham tocado nas genitálias do artista. Alexandre Frota, o ex-ator pornô que fez campanha pelo impeachment de Dilma, chegou a incentivar protestos agressivos na frente do museu.

Mas essa não foi a única peripécia recente de Frota. De acordo com uma reportagem do El País, um homem chamado Vinícius Aquino entrou com pedido no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para ficar com o logo do MBL originalmente de Kim Kataguiri. A criação de um novo movimento teria Alexandre Frota como vice-presidente. Ou seja, não bastasse ser um ex-ator pornô pregando moralismo, Frota também está curtindo dividir a direita para ganhar nome em cima dos outros.

Uma reportagem de dezembro de 2005 da Agência Estado apontou que Alexandre Frota foi indiciado por associação com tráfico de drogas e outra mais antiga, da Istoé Gente de 96, mostrou que ele não compareceu em audiências judiciais referentes à pensão do filho.

Mas a gota d'água do recente noticiário do ex-ator pornô envolveu sua ex-esposa e atriz global Cláudia Raia. No programa "Altas Horas", ela condenou os protestos contra  a exposição do MAM. Afirmou o seguinte: “quando eu comia a Claudia Raia ela era legal e se comportava como mulher. Foram cinco bons anos. Hoje é ela que come o marido então ficou assim”.

Depois, Frota se referiu a si mesmo como um preconceituoso e machista. No entanto afirmou que está acostumado a sofrer ataques.

No dia 10 de outubro, ele novamente quis chamar a atenção falando que cursava sociologia "sem bolsa" na Universidade Anhembi-Morumbi da Avenida Paulista, instituição que não leciona tal curso segundo os próprios alunos. Ele aproveitou o buzz da mídia para propagar suas ideias "liberais" e "capitalistas". Também tirou sarro da edição da revista Veja que criticou o pré-candidato Jair Bolsonaro, o seu nome para 2018.

Com a polêmica artística e seus casos particulares controversos que se tornaram públicos, mesmo que seja na mídia de fofoca, a direita se afunda ao redor do nome de uma personalidade que está mais preocupada com holofotes do que com a efetividade daquilo que diz.

Se a esquerda rendesse boas manchetes, Alexandre Frota já estaria louvando Che Guevara. Se o ex-ator pornô entendesse um pouco sobre política, não diria o que diz sem fazer alguma autocrítica. Nas palavras, Alexandre Frota quase diz que é um conservador preocupado com a moral e os bons costumes. Na vida privada e profissional, ele deixou o moralismo tradicionalista da direita de lado por muito tempo para pagar contas.

Mas Frota está mais preocupado em se manter "relevante" -  seja lá o que isso signifique.