MICHEL TEMER

Aliança Doria e Temer: é pra enterrar o PSDB em 2018?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Sobre a improvável aliança entre um quadro importante do PSDB e o presidente que atende aos interesses do PMDB. Será que a nova dupla quer enterrar a candidatura Alckmin? Será que João Doria Jr. vai trocar de partido? Como 2018 fica nesta mudança?

Aliança Doria e Temer: é pra enterrar o PSDB em 2018?

(Foto: Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

Esta é uma coluna sobre como um prefeito de São Paulo não para na própria cidade para fazer viagens que dão a entender que ele é mais candidato a presidência em 2018 do que gestor. E é um texto também sobre um presidente da República que, por cálculo dentro da crise que enfrenta, claramente sondou um nome do PSDB para cumprir favores ao seu partido, o PMDB.

No dia 7 de agosto, num evento dentro do Aeroporto de Marte, o presidente Michel Temer disse que o prefeito João Doria Jr. não tem visão "só municipalista, mas nacional". O encontro era pra tratar sobre a transferência de parte da área do aeroporto para a construção de um parque municipal, assinada pela Prefeitura de São Paulo.

Temer se derreteu em elogios na ocasião. "Tenho orgulho de me equiparar às atitudes de João Doria para que nós tomássemos atitudes que estavam paralisadas há muitíssimos anos [...] Isso é fruto da ideia porque tenho um parceiro e um companheiro. João não tem uma visão só municipalista, mas nacional", frisou.

A bajulação não parou naquele evento público, que não contou com presença de Geraldo Alckmin.

Em 10 de agosto, Michel Temer afirmou que o PMDB está de portas abertas para Doria. O DEM, partido do presidente da Câmara Rodrigo Maia, também cresceu o olho para uma candidatura do tucano. Ao jornal Estado de Minas, uma fonte que pediu sigilo afirma que João Doria não teria interesse em se desfiliar do PSDB ou da aliança que tem com Alckmin. Sua ideia seria pressionar o próprio partido a lançá-lo candidato.

Forças opostas

No mesmo mês, Geraldo Alckmin fez reuniões sigilosas com nomes do partido para tirar aliados do PSDB na votação do relatório que abafou as investigações de Temer na Lava Jato. O grupo de tucanos do estado de São Paulo parece estar alinhado com o governador, mas Doria alça voo solo.

Para remendar o mal-estar, João Doria gravou um vídeo de Facebook mostrando-se amigo do governador. "Eu quero, aqui, deixar muito clara a minha posição, a minha lealdade, estima e amizade com o governador Gerado Alckmin. Da minha relação de 37 anos, que não nasceu na politica, não depende da política. Hoje, circunstancialmente, estamos na política, mas essa relação nasceu fora da política e não há nada que vá nos dividir, nada que vá nos afastar, que vá no colocar em campos distintos. Eu gosto do governador Geraldo Alckmin, eu gosto do Geraldo. Como pai, como amigo, como católico, eu gosto de todas as boas qualidades que ele tem e que eu admiro".

De acordo com a coluna Radar, da revista Veja, Doria é o político mais influente e engajado no Facebook. Ele tem 23,5% de interações, contra 7,1% de Jair Bolsonaro e 4,8% do arqui-inimigo Lula. Alckmin aparece com apenas 0,13%. Ou seja, grandes chances do prefeito ter feito o que fez apenas para diminuir o marketing negativo das brigas dos tucanos.

O que importa é que João Doria parece ter encontrado um aliado firme com Temer, assim como Aécio Neves também protege o presidente. No entanto, com menos de 5% de aprovação, o governante do Brasil e do PMDB pode ser uma canoa furada para as eleições de 2018.

Parece que as brigas internas enfraquecem Alckmin de qualquer maneira. Portanto, o pacto Doria-Temer é pra realmente afogar os planos originais do PSDB para 2018.