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Argentina dá exemplo para o Brasil em protestos contra reformas neoliberais

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Milhões marcham contra as reformas do governo Maurício Macri. Quando faremos o mesmo no Brasil contra o governo Michel Temer?

Argentina dá exemplo para o Brasil em protestos contra reformas neoliberais

(Foto: Reprodução/YouTube)

A esquerda brasileira, especialmente aquela que foi desarticulada nos governos Lula, Dilma e Temer, deveria entender que a resposta política para um governo de oposição agressivo com os pobres deve vir da rua. A grande resposta democrática para qualquer medida de repressão é sempre popular.

A Argentina deu um exemplo neste mês de dezembro de 2017. O congresso argentino aprovou uma controversa reforma da previdência neste último dia 19 e o governo Maurício Macri está promovendo arrocho salarial com viés neoliberal. Com o modelo de austeridade europeu, presidentes alinhados com a elite estão cortando benefícios dos mais pobres. Macri faz isso e Michel Temer tanta fazer o mesmo no Brasil, revivendo políticas que faziam mais sucesso nos anos 90 e antes da crise econômica mundial que tomou os países em 2008.

128 deputados votaram a favor da reforma, 116 contra e ocorreram duas abstenções após 17 horas de sessão. As informações são do jornal O Clarín. Os manifestantes estavam fazendo greve geral de 24 horas, afetando sobretudo os transportes segundo a CNN espanhola.

A reforma afeta cerca de 17 milhões de aposentados, pobres e deficientes, entre outros, em uma população de 42 milhões. Por este motivo, assim como no Brasil, organizações sindicais e movimentações de esquerda tentaram evitar a aprovação da reforma.

A política reprimiu manifestantes. Os protestos resultaram em pelo menos 109 feridos, entre civis e policiais, de acordo com um balanço divulgado pelo Sistema de Atenção Médica de Emergências da capital Buenos Aires. O jornal La Nación fez um balanço maior de 162 feridos, sendo 88 policiais. O Ministério de Segurança da Cidade informou que 60 pessoas foram detidas.

O protesto foi seguido por panelaços. As mobilizações foram as maiores desde 2001, no auge da crise econômica argentina, quando Fernando de la Rua renunciou mediante pressão popular.

Macri promete entrar na Justiça contra protestos que ele diz que foram "orquestrados". No Brasil, a esquerda não fez o mesmo barulho.

Na greve geral brasileira, o número de feridos não chegou a uma centena, apesar de dois ministérios tenham sido queimados em Brasília. Os protestos mais fortes também só se concentraram na primeira metade de 2017. Atualmente, a impressão que se tem é que as eleições de 2018 desarticularam os movimentos e os sindicatos, que foram afetados pelos cortes de Temer e se reúnem ao redor da possível candidatura de Lula no ano que vem.

A Argentina deu um exemplo neste final de 2017. Quando a esquerda vai se organizar novamente? Assista vídeos das manifestações argentinas feitos por agências, logo abaixo.