Coluna do Pedro Zambarda
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10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

Em 24 de maio de 2017, milhares de pessoas protestaram em Brasília por Diretas Já e pelo Fora Temer. Entenda como isso foi relevante.

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No dia 24 de maio de 2017, Brasília literalmente pegou fogo. Protestos organizados pela CUT, CTB e outras centrais sindicais, com apoio do MST e do MTST de Guilherme Boulos, tomaram a capital brasileira. A mobilização aconteceu depois da divulgação da delação premiada da JBS, que incrimina o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves e 1829 políticos de 29 partidos.

Elencamos neste texto 10 itens que mostram a relevância do protesto do dia 24.

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

1 - Cerca de 100 mil pessoas compareceram no ato. As estatísticas divergem, mas aparentemente as centrais sindicais tiveram sucesso em reagir diante das denúncias envolvendo Temer. A Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal afirmou que apenas 25 mil foram. A Agência Brasil divulgou 45 mil. O protesto foi maior do que os atos pulverizado em diferentes cidades brasileiras, de São Paulo até Porto Alegre, Rio de Janeiro e Recife, que reuniram entre cinco mil e 50 mil manifestantes.

2. Dois ministérios foram incendiados. Longe de defender depredação de patrimônio público, esta coluna enxerga estes atos sim como a legítima desobediência civil. A JBS, só nos esquemas de Michel Temer, desviou R$ 500 milhões misturando dinheiro público e privado. O prejuízo das depredações é menos de R$ 1,4 milhão, diz o governo.

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

3. A polícia deu tiros com balas reais na população. A atitude representou um risco de vida na população, o que gerou 49 feridos e oito detidos, no entanto escancarou o autoritarismo despreparado do governo Michel Temer.

4. Temer convocou o Exército pra proteger Brasília e foi dispensado pelo general Eduardo da Costa Villas Bôas. Isso evidenciou que o presidente não tem pulso e corre mesmo o risco de cair.

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5. A PEC das Diretas Já começou a andar. Tem baixas chances de ser aprovada, mas a pressão popular foi ouvida. Se mais protestos acontecem, os deputados podem ser pressionados a votá-la.

6. ONU criticou o desempenho da polícia protegendo o governo Temer. O que contribui mais para a queda de credibilidade da gestão.

7. Mais de 100 deputados foram constrangidos no dia. Acho que é o mínimo que estes congressistas merecem, não?

8. Temer não tem 5% de aprovação segundo pesquisa interna. Se houver um levantamento mais sério, capaz que não tenha nem isso.

9. Todos os veículos internacionais deram imagens do protesto como indícios da fraqueza do governo Temer. E só pesquisar na internet.

10. O Guardian, jornal inglês, defendeu abertamente eleições diretas no Brasil. Basta ler aqui.

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

Considerações finais desta coluna: protesto não serve pra ser passeata ordeira e pacífica por ser pacífica. Entendo que é controverso defender depredações, mas a tática black bloc e os protestos anarquistas tem completa razão de se manifestar num país onde autoridades políticas não tem o menor respeito com os direitos públicos da população.

Tio Rei caiu da revista Veja. Vida longa ao Rei!

Sobre o caso do jornalista Reinaldo Azevedo no grampo vazado pela PGR e pela Polícia Federal.

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Antes de tudo, vale dizer: Reinaldo Azevedo passa bem. É o novo contratado da Rádio BandNews do grupo Bandeirantes. Acumula este trabalho com sua coluna semanal no jornal Folha de S.Paulo e no programa "Pela Ordem" na RedeTV, que agora terá streaming pelo Facebook.

Reinaldão, no entanto, perdeu seu emprego na Jovem Pan, no programa "Pingos nos Is", e, mais importante, no site da revista Veja

A semana de um dos maiores colunistas da direita foi movimentada.

No dia 23 de maio, o site BuzzFeed Brasil divulgou que a Procuradoria-Geral da República anexou, conforme investigações da Polícia Federal, um grampo de uma conversa entre Reinaldo e a irmã de Aécio Neves, Andrea, que atualmente está presa. O diálogo ocorreu em 13 de abril, na semana que Veja deu uma capa desfavorável a Aécio.

Na ocasião, Reinaldo Azevedo chama a capa da Veja de "nojenta" e pede informações a Andrea Neves para criticar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que coordena as investigações da Lava Jato no Ministério Público no âmbito federal. No entanto, além de críticas e uma passagem em que declama poesias para Andrea, Reinaldo não comete nenhum crime e não é cúmplice de nenhum desvio de conduta da assessora de Aécio Neves.

O grampo, por isso mesmo, infringe o inciso XIV do artigo quinto da Constituição Federal, que garante o sigilo de fonte entre jornalista e fonte. É o caso da conversa entre Reinaldo e Andrea. O presente colunista possui fontes sigilosas que precisam permanecer secretas para sua própria segurança. Reinaldão deve ter o mesmo direito no seu trabalho.

No momento em que a PGR não destrói este tipo de gravação e um veículo como o BuzzFeed divulga, isso provoca danos na carreira de um jornalista. No caso de Reinaldo Azevedo foi imediato: ele pediu demissão na Veja por falta de "clima" dentro da revista e na Jovem Pan por questões contratuais.

A PGR, criticada no episódio, diz que a culpa é da Polícia Federal. O BuzzFeed não respondeu posteriormente pela divulgação do grampo.

O Portal Comunique-se, de maneira correta, afirmou que a imprensa toda se uniu à favor de Reinaldo Azevedo no episódio, tanto à esquerda quanto à direita. Intercept Brasil num texto de Glenn Greenwald e Erick Dau afirmou que a divulgação da gravação é um "grave ataque à liberdade de imprensa". Rodrigo Constantino, Rodrigo Vianna (Revista Fórum) e Leonardo Sakamoto prestaram solidariedade ao ex-colunista da Veja, mostrando que a união da classe dos jornalistas não tem ideologia, assim como os Jornalistas Livres de Laura Capriglione. O Diário do Centro do Mundo, através do diretor Kiko Nogueira, classificou o episódio como "Estado de exceção". Alguns poucos divergentes lembraram que Reinaldão foi condescendente no caso dos grampos ilegais envolvendo Dilma Rousseff e Lula em 2016, quando a ex-presidente quase o transformou em ministro.

Em editorial, a Veja lamentou o episódio com seu ex-colunista, chamando a Lava Jato e as investigações de Sérgio Moro, ele antes visto como uma "esperança", de "Estado policial".

Muita gente já criticou pesadamente Reinaldo Azevedo, incluindo este escriba. Muitos, inclusive, reclamavam dos holofotes que ele tinha dentro da revista Veja, a maior do país, para propagar mensagens de ódio antipetista e não informações. No entanto, há um consenso que o episódio de sua demissão foi uma grave violação do Estado Democrático de Direito. E soa apenas como um ataque a sua pessoa.

Por isso, encerro esta coluna com:

Tio Rei caiu da Veja. Vida longa ao Rei!

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.