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10 declarações vergonhosas de Temer

O "vice decorativo" de Dilma virou um excelente "presidente decorativo".

10 declarações vergonhosas de Temer
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Michel Temer está nas piores semanas do seu mandato presidencial, sem dúvidas. A CCJ da Câmara dos Deputados votou pela admissão do seu processo por corrupção passiva e obstrução de Justiça. Se o processo se efetuar, talvez até setembro Temer não seja mais presidente e Rodrigo Maia, presidente da Câmara, entraria no seu lugar.

Antes que seja tarde, vale relembrar agora 10 declarações vergonhosas do nosso atual presidente, que ajudaram a melar ainda mais a reputação do Brasil, dentro e fora de seu território.

1. "Crise econômica no Brasil não existe. Pode levantar os dados e você verá que estamos crescendo no emprego, estamos crescendo na indústria, estamos crescendo no agronegócio".
Temer disse isso na reunião do G20 em 8 de julho de 2017.

2. "Mais uma vez, quero agradecer à vossa excelência e a todo o povo norueguês a gentileza e a delicadeza com que nos recebem. Embora voltando hoje [sexta] ao Brasil, desde já, com a reunião que tivemos ontem [quinta] com os empresários e da reunião que tivemos agora com vossa excelência e, mais adiante, com o parlamento brasileiro e, um pouco mais adiante, com sua majestade, o rei da Suécia, eu já tenho a mais firme convicção de que, embora muita rápida nossa visita, ela estreita cada vez mais os laços do Brasil com a Noruega".
Temer à primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, no dia 23 de junho de 2017.

3. "Estive agora recentemente em Moscou, na Rússia, e depois na Noruega, e verifiquei o interesse extraordinário dos empreendimentos soviéticos, o deputado Perondi lá esteve em nossa comitiva, e nós pudemos verificar o interesse extraordinário de empresários soviéticos e noruegueses, no nosso país. pelo que está acontecendo no país".
Temer falou no dia 26 de junho de 2017, após voltar de viagem da Rússia e da Noruega.

4. "Cada país fez um relato daquilo que está fazendo no seu país, como eu pude fazer um relato daquilo que nós estamos fazendo no Brasil, gerando exatamente inflação baixa, reduzindo os juros, fazendo voltar o desemprego e combatendo a recessão".
Temer mandando mal no G20, ao se vangloriar do "desemprego". Informação divulgada na imprensa no dia 7 de julho de 2017.

5. "Na economia também a mulher tem grande participação. Ninguém é mais capaz de indicar os desajustes de preço no supermercado do que a mulher. Ninguém é capaz de melhor detectar as flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico".
Temer no discurso de Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2017.

6. “O que o Ricardo Barros fez na saúde foi uma coisa extraordinária. Ele começou a impedir tais ralos pelos quais saem recursos e, em pouquíssimo tempo, fizemos uma solenidade no Planalto, onde ele anunciou a economia de 800 milhões de cruzeiros, que significam novas UPAs e novas UBSs (unidades de saúde)”.
Temer na entrega de ambulâncias no Rio Grande do Sul em 9 de janeiro de 2017. O dinheiro citado pelo presidente deixou de circular em 1993.

7. "Obrigado a vocês por mais essa propaganda".
Temer aos apresentadores do Roda Viva, programa jornalístico da TV Cultura, em vídeo dos bastidores. De novembro de 2016.

8. "Hoje, graças a Deus, as mulheres tem possibilidade de empregabilidade que não tinha no ano passado. Com a queda da inflação, dos juros, significa que também, além de cuidar dos afazeres domésticos, terá um caminho cada vez mais longo para o emprego".
Temer falando mais besteiras no Dia Internacional da Mulher.

9. "Tenho convicção do quanto a mulher, pela minha criação, pela Marcela, faz pela casa, pelo lar, pelos filhos. Se a sociedade vai bem, se os filhos crescem, é porque tiveram adequada formação em suas casas e, seguramente, quem faz isso não é o homem, é a mulher".
Temer reforçando o machismo contra mulheres.

10. "As instituições funcionam com regularidade extraordinária e liberdade”.
Mais uma gafe de Temer diante de autoridades da Noruega, depois de confundir o país com a Suécia e ser confrontado com péssimos dados do Brasil.

Reduzir Lula ao populismo emperra o debate para 2018

Frequentemente associado ao populismo de esquerda, o possível candidato Luiz Inácio Lula da Silva traz muito mais atributos do que aparenta.

Reduzir Lula ao populismo emperra o debate para 2018
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Lula é um político habilidoso e esta é uma verdade inegável, admitida até por seus maiores críticos na imprensa. Na ativa desde o final dos anos 70, ele organizou greves, perdeu muitas eleições presidenciais e transformou o PT ao assumir a presidência da República. Transformou o Partido dos Trabalhadores no maior da América Latina e estabeleceu laços para além do país, com legendas que comungam das mesmas ideias e até figuras públicas que nunca tiveram qualquer vínculo esquerdista, como foi o caso do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Saído do novo sindicalismo pós-ditadura militar, Luiz Inácio Lula da Silva provavelmente é o maior nome da ideologia centro-esquerda no Brasil. Eleito presidente por duas vezes, aliou as políticas de privatizações e liberalizações da era FHC com incentivos públicos de consumo interno, bolsas para combater desigualdade social e aperfeiçoamento da pesquisa e do ensino superior. Deu as bases para a economia saltar até 7,6% em 2010, antes que a gastança pública e as desonerações promovidas por sua sucessora Dilma Rousseff jogassem o país na pior recessão pós-ditadura. Michel Temer, o vice que aplicou um golpe parlamentar travestido de impeachment, aprofundou o caos social dos anos finais de governos petistas ininterruptos.

Não bastassem estas informações mais generalistas sobre seu governo, Lula ainda sobreviveu aos maiores escândalos de corrupção conhecidos na história brasileira mais recente: o Mensalão (embora exista controvérsias em comparação ao Banestado e à compra de votos da reeleição de Fernando Henrique Cardoso) e o Petrolão. Figuras políticas importantes, como José Dirceu e José Genoino, além de tesoureiros e outras personalidades foram condenados por crimes desde formação de quadrilha até lavagem de dinheiro. O ex-presidente, até o momento, segue intacto.

O principal discurso contra Lula candidato em 2018, além da não-renovação do PT, traz uma carga fortemente moralista. Parte dos opositores acredita piamente em sua condenação na Justiça e não leva em consideração a presunção de inocência.

Outra parte, que vem da direita e até de setores do centro, considera que ele é apenas um "populista de esquerda". Argumento vazio e vago.

É verdade também que Lula faz comícios com a população pobre. É verdade que Lula faz campanha andando pelo nordeste.

Mas considerando oito anos de governo, entre 2003 e 2010, reduzi-lo a um político que beija a cabeça de crianças e bate nas costas da população é um reducionismo tosco. André Singer, cientista político, ex-secretário de redação da Folha de S.Paulo, ex-editor de revistas da Abril e ex-secretário de comunicação de Lula, tem uma tese correta de que os governos do ex-presidente trouxeram um "reformismo fraco".

No entanto, é na "fraqueza" que está a força de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 10 de março de 2017, Singer publicou a coluna "Cenário de 2018 só estabiliza com Lula" e explicou:

 "Lula terá que empunhar a bandeira óbvia da retomada do crescimento, que, aliás, provavelmente já estará em curso. Não creio que se proponha a revogar o que tiver sido aprovado por Temer. A diferença entre a sua candidatura e a do PSDB —hoje provavelmente representada por Alckmin— seria relativa ao papel do Estado e dos programas sociais na aceleração de um crescimento bem baixo. Embora em visível ascensão, o nome de Bolsonaro não parece vocacionado a estar rapidamente entre os maiores. No segundo cenário, o Partido da Justiça (PJ), a mídia, os capitalistas e a classe média recusam-se a 'salvar a política' em nome de serem fieis à narrativa de que é preciso ir até o fim no combate à corrupção. Nesse caso, o PJ teria que disponibilizar um quadro para concorrer, pois os partidos tradicionais estarão aniquilados. Joaquim Barbosa, Sergio Moro, Cármen Lúcia, Ayres Britto? Como falta ao PJ um programa abrangente para os problemas brasileiros, se chegar à Presidência, vai prolongar a instabilidade. Combater a corrupção não é suficiente para responder aos desafios brasileiros. Um terceiro cenário em que se condenam todos, salvando-se apenas o PSDB, tampouco estabiliza o quadro. Sem um partido popular competitivo, as instituições brasileiras ficam mancas".

A fraqueza do reformismo lulista, abordado no livro "Os sentidos do Lulismo" (2012), de André Singer, está no seu pacto com as elites. No entanto, é no diálogo com a direita que a esquerda do PT se consolida como establishment. Jogar o país numa terceira via por um candidato ungido pela Lava Jato e pelo Poder Judiciário seria aniquilar de vez a classe política sob uma narrativa que perde adeptos, a do "combate à corrupção" que demorou décadas para detectar crimes do PSDB, a legenda das elites brasileiras.

Os tucanos, por sua vez, não conseguem sair do pedestal e conversar com o povo. O melhor político deles foi Fernando Henrique Cardoso, que não consegue simplesmente dar um programa popular a sucessores como José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves ou mesmo ao novato João Doria Jr. Lula conseguiu por algum tempo manter seus programas com Dilma Rousseff e agora volta a concorrer para lutar por eles.

Chamar Luiz Inácio Lula da Silva de populista é apenas parte da real história - e é uma designação que emperra o real debate das eleições de 2018. Ele é, na verdade, o político mais habilidoso atuante no nosso cenário nacional. Com 71 anos, nenhuma figura pública efetuou tantas mudanças quanto ele na presidência da República e nenhuma possui tanto poder de articulação diante da população, por mais que a grande mídia o demonize.

Por isso mesmo ele já chega nas eleições com 30% das intenções de voto, mesmo tendo até 40% de rejeição segundo o Datafolha. 

E conforme Michel Temer afunda, Lula cresce se aproximando do centro e das elites.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.