Coluna do Pedro Zambarda
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10 fatos que indicam que você é de esquerda (ou progressista)

Foice e o martelo? Revolução comunista? Karl Marx? Saiba se você é mais um petralha na parada.

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E ai, companheiro? Vamos liquidar alguns burgueses? Pronto para a revolução proletária? É idealista? Senta aqui, vamos conversar um pouco.

A esquerda mudou muito desde suas origens, na Revolução Francesa, em 1789. Foi autoritária (China, URSS, Cuba e Coreia do Norte), foi incorporada ao Estado do Bem-Estar Social (Escandinávia), tornou-se movimento dos trabalhadores (Inglaterra, Estados Unidos e Brasil, com o PT) e adotou uma nomenclatura ainda mais moderna do que o socialismo (sistema alternativo ao capitalismo) e o comunismo (regime do governo do trabalhador): Progressismo (ideias de esquerda na atual sociedade). O seu firmamento é a luta pela igualdade das oportunidades, enquanto os liberais/capitalistas são defensores maiores da liberdade.

Para além das cartilhas partidárias e dos discursos de sindicato, elencamos aqui 10 fatos que indicam que você é de esquerda. Ou progressista, no mínimo.

1. Defende maior distribuição de renda

Os mais radicais defendem o fim da economia nos moldes capitalistas e monetários. Os mais moderados ou centristas defendem ações que diminuam a concentração de renda nas mãos de bilionários ou de governos ineficientes. Se você acredita que boa parte dos problemas sociais moram na falta de oportunidades, esquerdista é o seu pensamento. Entram aqui também os críticos ao "self-made man" do modo de vida norte-americano.

2. É crítico ao capitalismo

Se você não confunde capitalismo com democracia e acredita que o capitalismo é um sistema problemático depois da colonização das Américas, da África e duas depressões internacionais (1930 e 2008), a esquerda também é a sua casa.

3. Defende educação e saúde públicas

Isso vem da Revolução Francesa e da "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão". Gosta de universidade de graça? De escolas públicas? E defende impostos que sustentem um sistema público de saúde? Sua morada é aqui.

4. Defende atividades científicas acadêmicas - com retorno para população

Você pode defender os estudos universitários acadêmicos e ser crítico com a burocracia dos mesmos. Mas uma coisa é inquestionável: Quando a lógica do lucro impera, a tendência é produzir produtos e não aplicações contra problemas. Fazer ciência requer dinheiro e isso flui melhor por impostos que sejam repassados de fato para a educação. Quem é que não vai defender um programa de bolsas de intercâmbio no exterior? Bom, tem maluco pra tudo.

5. Acredita no funcionalismo público

No Brasil, o funcionário público enfrenta problemas. Ou ele é mal pago, ou é bem pago e não desempenha satisfatoriamente sua atribuição. No entanto, defender apenas a iniciativa privada num país como o nosso menospreza as suas necessidades de atividades voltadas para o grande público. A esquerda acredita que funcionários voltados para o bem-estar do Estado são de grande utilidade. E isso não significa ser contra a iniciativa privada necessariamente.

10 fatos que indicam que você é de esquerda (ou progressista)

Seu petralha! Diz o sabichão do Reinaldo Azevedo sobre este texto.

6. Defende os direitos do trabalhador

Este item te transforma exatamente num "petralha" segundo a definição do blogueiro de direita Reinaldo Azevedo. Mas a ideia é justamente esta: Ir contra abusos dentro da iniciativa privada e pública que afetam os trabalhadores. Não é apenas defender a CLT ou o 13º salário, mas direitos essenciais contra os riscos dos diferentes empregos. É defender a formação de sindicatos no caso de redes globais como o Uber, que não treinam corretamente seus motoristas ou remuneram de acordo com sua atividade, apesar de ser uma alternativa digital ao táxi.

10 fatos que indicam que você é de esquerda (ou progressista)

7. Acredita no pensamento dialético

A maioria dos conservadores não explica bem esta ideia, mas ela é presente na maioria dos pensamentos de esquerda. Trata-se de acreditar numa tese, na sua antítese e na sua síntese. O pensamento conservador vai na contramão da dialética. Ele busca manter a tese depois de uma antítese, na ideia de conservá-la (daí vem o nome, e dos antirrevolucionários franceses). A dialética busca transformar as teses através de suas críticas. A esquerda surgiu como uma crítica à burguesia para aperfeiçoar a sociedade. É esta a ideia. A dialética é mais antiga do que a esquerda em si, mas faz parte do seu viés filosófico.

8. Acredita no embate entre classes

A Guerra Fria tentou sepultar este conceito de Karl Marx, mas o duelo entre classes ainda existe. Quem faz parte do Clube do Jockey não se mistura com favelado.  Quem é da favela cria uma sociedade à parte. Europeus não gostam de imigrantes do Oriente Médio. Brancos possuem preconceitos com negros. Muito além de propagar a ideia da sociedade fraturada, o esquerdista reconhecem suas fraturas expostas.

10 fatos que indicam que você é de esquerda (ou progressista)

9. Acredita nos direitos humanos e das minorias

Encarado como uma luta menor pela esquerda clássica, o feminismo, o movimento negro e das trans é cada vez mais uma face esquerdista mais moderna. Se você acredita num mundo de oportunidades iguais entre homens e mulheres, independente de cor de pele e gênero, este é um dos espaços que mais cresce na esquerda.

10 fatos que indicam que você é de esquerda (ou progressista)

10. Acredita no governo popular

A direita taxa a esquerda como estatista, autoritária e incapaz de se organizar. O pensamento esquerdista precisa acreditar, acima de tudo, no povo. É o poder popular que autoriza mudanças e é o poder popular que é democrático. 

Portanto, se você acredita na igualdade, ela obrigatoriamente passa pelos anseios da população e do movimento legítimo de massa.

Por que criticar o protecionismo de Donald Trump não me torna neoliberal?

Muro na fronteira do México. Novos impostos. Fim de acordos transnacionais. Para onde Donald Trump vai nos levar? E por que parte da esquerda ainda o acha melhor do que Obama?

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Eu sei. Não precisa repetir para mim. 

Barack Obama bombardeou a Síria e a ameaçou o Irã. Obama fez também um primeiro mandato ruim, não conseguindo controlar os efeitos da maior crise econômica do século 21 até o momento, iniciada em 2008 dentro do mercado financeiro e da especulação em torno dos imóveis. Obama também não criou políticas consistentes para negros e pobres. Foi medíocre em muitos aspectos, além de ter deixado surgir o Estado Islâmico e não ter retirado as tropas do Oriente Médio, uma promessa de campanha traída. Hillary Clinton, sua sucessora pelo Partido Democrata, continuaria estas políticas mortíferas e abriria espaço para outras, considerando sua proximidade com Israel.

Não ganhou ela, e sim Donald Trump. E a alternativa pelo Estado do Bem-Estar Social ou "socialismo", Bernie Sanders, foi descartada.

Com Trump, eu previ o desastre. O sociólogo esloveno Slavoj Žižek soltou que Trump poderia ser "uma piora antes de uma melhora" nas eleições. Balela.

Donald Trump está empenhado em acabar com acordos internacionais do governo Obama em torno de uma promessa de trazer novos empregos aos norte-americanos. Fez campanha para agradar o redneck (caipira) dos Estados Unidos, sendo que muitos deles apenas olham o seu país e não o restante do mundo. É possível prever Trump seguir um caminho similar ao de George W. Bush, ignorando posições da ONU. Por que não provocar outra guerra, além do Afeganistão e do Iraque, se isso trouxer mais emprego e dinheiro?

Os democratas não se comportam diferente de republicanos no que se refere a conflitos armados, mas é importante lembrar que Bush provocou as maiores guerras no Oriente Médio desde o fim da Guerra Fria, com endividamento bilionário e expansão de tropas mercenárias. Tudo isso está documentado no livro Blackwater, do jornalista Jeremy Scahill - que fundou o Intercept com Glenn Greenwald.

Mas o foco do texto não é este e sim a nova política de impostos de Donald Trump. Postei no dia 25 de janeiro uma tradução do site americano Polygon na minha página Drops de Jogos. Na nota, afirmava que uma fonte anônima disse ao Polygon que Trump poderia elevar o preço dos jogos de videogame com uma tarifa entre 5% e 10%. No DJ, especulei que a medida do novo governo poderia causar um retrocesso na indústria, aumentando os custos de importação nos EUA e o preço final, tanto em solo americano quanto brasileiro.

E boom.

O post gerou cerca de 150 comentários, entre grupos de Facebook e reações diretas à postagem. A direita fiel à Trump repetiu que eu era tão "fake news" quanto a emissora CNN que Trump repudia. Alguns da esquerda afirmaram que soei "neoliberal" por defender impostos baixos.

Explico aqui porque não sou neoliberal no caso dos games e de economias globalizadas.

O mercado americano de games gera emprego no mundo todo. Na China e no Brasil, inclusive. Mercados integrados desta forma, o que ultrapassa as barreiras territoriais, não devem ser taxados ou devem ter taxas que rendam contrapartidas à população mais pobre. Trump promete que entregará empregos ao americano menos favorecido. Mas quem garante isso?

E por que colocar impostos nos games? Não há outros mercados que podem ser taxados? E Wall Street? Pode ser taxada?

Não se trata aqui de ser "neoliberal" ou pró "Estado forte". Mas o populismo de direita de Trump pode levar o mundo aos piores retrocessos por um protecionismo burro e uma taxação que obviamente só o beneficiará.

E eu não entrei nem no assunto do muro e do populismo em si.

Isso fica pra próxima coluna.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.