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10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

A "Revolução de Outubro" chega ao seu centenário. Saiba quais livros para entender a revolução que deu origem à URSS.

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos
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(Fotos: Wikimedia Commons)

Lênin. Stálin. Trótski. Quem foram as principais personalidades da revolução que se propunha criar uma sociedade comunista e gerou uma ditadura? Quais foram os eventos que enferveceram a "Mãe Rússia"?

A Revolução Russa de 1917 completa seu centenário em 2017. Desenvolvida em dois estágios, a revolução ocorreu em fevereiro e em outubro, no famoso "Outubro Vermelho". Derrubando a monarquia totalitarista dos czares, os proletários e os trabalhadores do campo deram poder aos bolcheviques, que criaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Em tempos de Brasil polarizado, é altamente recomendável que você leia biografias  sobre o tema para compreender o maior e mais influente Estado totalitário de esquerda que surgiu no século 20. Separamos 10 livros para você compreender o período revolucionário que completa 100 anos.

1. O Túmulo de Lênin: Os últimos dias do Império Soviético, de David Rennick

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

(Fotos: Divulgação/Livraria Cultura)

Escrito por um jornalista que hoje dirige a New Yorker, a biografia retrata os últimos dias da União Soviética. David Rennick foi correspondente do Washington Post na região entre os anos de 1985 e 1991. O repórter visitou minas de carvão e andou pelos subúrbios russos para ver a derrubada de um governo burocrático para a construção de uma democracia turbulenta, em suas próprias palavras.

Rennick ganhou Prêmio Pulitzer pela cobertura. O livro está disponível aqui.

2. O Estado e a Revolução, de Vládimir Lênin

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

Publicado originalmente em setembro de 1917, este foi o livro de Lênin nas vésperas de sua revolução que iria inflamar o mundo. Tratam-se de reflexões do primeiro grande líder soviético sobre a queda do Antigo Regime e a ascensão do governo dos bolcheviques. A edição da Boitempo é de 2017  e é traduzida diretamente do russo por Paula Almeida, com uma longa apresentação assinada pelo cientista político Marcos Del Roio, e posfácio de Angélica Borges, além de texto de orelha de Marly Vianna.

O texto inclui um esboço do último capítulo, jamais finalizado. O livro está disponível aqui.

3. Stálin, Volume 1 - Paradoxos do Poder, de Stephen Kotkin

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Stephen Kotkin investigou os arquivos russos para traçar um perfil Josef Stálin, o maior líder totalitarista da União Soviética. Neste primeiro e longo volume, o autor desconstrói mentiras propagadas pelo adversário político de Stálin, Trótski, que contribuíram para a construção da sua imagem.

O líder soviético é descrito muito mais como um frio estrategista do que como um presidente sanguinário. Ele não se envolvia nos assassinatos de ex-companheiros, mas dominava com mão de ferro a estrutura burocratizada do Estado. O livro da Editora Objetiva, lançado neste ano, está disponível aqui.

4. O Jovem Stálin, de Simon Sebag Montefiore

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

Tido como um líder político improvável, o jovem Josef Stálin passou por dificuldades quando era jovem que quase o impediram de se tornar braço direito de Vládimir Lênin. Simon Sebag Montefiore mergulha nos documentos que se tornaram públicos depois do fim da União Soviética, traçando um perfil rico sobre este personagem histórico.

A edição é de 2008 da Companhia das Letras. O livro está disponível aqui.

5. Morte de Stálin - Uma Histórica Soviética Real, de Fabien Nury

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

O derrame que ceifou a vida do líder Stálin em março de 1953 marcou para sempre a história da União Soviética, criada pela Revolução Russa.  A sucessão do ditador, arquitetada por Lavrenti Béria e Nikita Kruschev, promoveu uma exibição dos abusos do stalinismo.

A obra de Fabien Nury com ilustrações de Robin Thierry é da Editora Três Estrelas numa edição de 2015. O livro está disponível aqui.

6. Trotski - Uma Biografia, de Robert Service

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

Service pesquisou arquivos de Moscou e da Instituição Hoover, acessou diários e cartas, recuperou jornais e panfletos, para traçar um perfil mais imparcial de Léon Trótski, um dos principais líderes da Revolução de Outubro e opositor de Stálin. Ele ressalta as virtudes e falhas do líder soviético, que foi perseguido e assassinado no México.

O autor ressalta o caráter intelectual de Trótski e sua incompetência em se lançar como sucessor de Lênin. Mostra como ele sobreviveu nos anos de Stálin no poder escrevendo para jornais e publicações diversas, tentando internacionalizar a esquerda política e criando sucessores fora da União Soviética.

A edição é da Editora Record, de 2017. O livro está disponível aqui.

7. Trótski e a Luta das Mulheres

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

O livro é uma compilação de textos de Trótski na época em que era dirigente revolucionário do bolchevique de Petrogrado (atual São Petesburgo). A edição da Edições Iskra de 2016 e traz um apêndice com um texto de Lênin em 1919. Os dois tratam sobre moral, costumes e o papel da mulher na Revolução Russa.

Ele custa e está disponível aqui.

8. Outubro: A História da Revolução Russa, de China Miéville

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

O historiador Miéville apura nas cidades São Petesburgo, Moscou e no interior russo para entender o movimento que tentou criar o primeiro Estado proletário da história. Como uma revolução de trabalhadores se transformou numa ditadura a partir de Outubro de 1917?

A edição é da Boitempo e foi lançada em 2017. O livro está disponível aqui.

9. História Concisa da Revolução Russa, de Richard Pipes

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

Focado mais no assassinato da família real Romanov, Pipes traça um perfil do antes e do depois da sociedade russa com a revolução que deu origem à União Soviética. A edição da Best Bolso, lançada em 2008, também se preocupa em mostrar como esses movimentos afetaram o século 20.

O livro está disponível aqui.

10. As Revoluções Russas e o Socialismo Soviético, de Daniel Aarão Reis Filho

10 livros para compreender a Revolução Russa, que completa 100 anos

Historiador sintonizado com o atual momento do petismo e do lulismo no Brasil, Daniel Aarão Reis Filho escreveu uma obra didática sobre a Revolução Russa. Lançado pela Editora UNESP em 2004, ele lida com os impactos revolucionários na concepção de socialismo e comunismo no mundo.

O livro está disponível aqui.

Voltar para a ditadura de 64 tem mais apoio no Brasil do que votar em Bolsonaro

Parece que temos mais brasileiros fãs de um regime retrógrado do que do candidato retrógrado da vez.

Voltar para a ditadura de 64 tem mais apoio no Brasil do que votar em Bolsonaro
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(Foto: Creative Commons/FGV/CPDOC)

Crescem os apoios para um golpe militar que supostamente seria "constitucional". No entanto, a saudade do passado parece maior do que o candidato que representa essas aspirações. E a democracia brasileira segue fragilizada.

A pesquisa Datafolha divulgada neste começo de outubro mostrou recuo no apoio à democracia no Brasil. O levantamento sobre a questão é feito desde 1989. 21% dos eleitores concordam com a ideia de que em certas circunstâncias uma ditadura é melhor do que um regime democrático. Em dezembro de 2014, pensavam dessa forma 15% dos eleitores. Outros 17% se disseram indiferentes à forma de governo do país. No começo de 2014, 12% achavam isso. 

Na mesma pesquisa, só 56% concordam que a democracia é a melhor forma de governo, sendo que no final de 2014 o percentual era de 66%. Segundo o Datafolha, em setembro de 1989 somente 42% da população acreditava no regime democrático. O percentual cresceu sobretudo nos governos Lula e Dilma, com uma queda do índice para 56% durante a crise do Mensalão. Mas o regime democrático ficou por vários anos acima de 60% de aprovação da população.

O que aconteceu?

Desconhecimento histórico

A grande mídia brasileira, sempre conservadora e liberal, apoiou o golpe militar de 1964 chamando-o de "revolução". Os jornais O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo chegaram a dar apoio ao regime, mesmo sofrendo censura dentro das redações. A Rede Globo se ergueu como o maior grupo de comunicação nacional graças ao dinheiro da ditadura. Poucas oposições midiáticas existiram contra o regime na revista Veja, da Editora Abril, e na chamada "imprensa nanica", em publicações como O Pasquim.

Isso produziu um efeito dominó na precária educação pública brasileira. As classes média e alta, com acesso aos dados das torturas e da história real sobre a ditadura, ainda debatem o tema. Mas o regime militar não produziu a crítica necessária aos defensores da democracia.

Conforme a crise econômica se aprofundou no período Dilma-Temer, a população passou a pensar em alternativas ao atual regime democrático e corrupto. Por isso, grupos reacionários e pró-golpe militar ganharam voz nos protestos do impeachment de 2015 até hoje. Sob o slogan "SOS Forças Armadas", grupos de extrema-direita começaram a se articular nos movimentos de rua.

E eles defendem um suposto "golpe militar constitucional" baseado no artigo 142 da Constituição. O trecho da lei brasileira afirma que "as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

Em momento algum a Constituição Federal defende golpe, mas essas pessoas defendem um regime ditatorial do século passado.

Uma alento: o enfraquecimento de Bolsonaro

Voltar para a ditadura de 64 tem mais apoio no Brasil do que votar em Bolsonaro

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Muitas pesquisas mostraram neste ano que o candidato que mais agrada os militaristas, Jair Messias Bolsonaro, estava com cerca de 20% das intenções de voto. O Datafolha de outubro de 2017 mostrou um enfraquecimento de sua candidatura.

Bolsonaro oscila no levantamento entre 16% e 17%, Ele aparece empatado com Marina Silva, que varia entre 13% e 14% nas intenções de voto.

Voltar para a ditadura de 64 tem mais apoio no Brasil do que votar em Bolsonaro

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Lula, condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro e atingido pela delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, lidera em todos os cenários em que participa, com pelo menos 35% das intenções de voto. A taxa de rejeição ao ex-presidente caiu nos últimos três meses, de 46% para 42%.

Sem Lula na disputa, quem herda a maioria dos votos do petista descontando brancos e nulos é Marina Silva, oscilando entre 22% e 23%.

O Datafolha fez 2.772 entrevistas em 194 cidades. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 

A disparada do percentual de brasileiros desejando uma ditadura no lugar do nosso frágil regime democrático merece toda a nossa atenção. E explica o fenômeno Jair Bolsonaro, que pode ser um candidato presidencial fraco no ano que vem.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.