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10 pontos sobre o texto de Fernando Haddad na Piauí

O ex-prefeito de São Paulo publicou um texto esclarecedor na revista Piauí de junho de 2017. Como o material é longo, separamos aqui os principais pontos.

10 pontos sobre o texto de Fernando Haddad na Piauí
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Fernando Haddad publicou um texto longo e complexo na edição de junho de 2017 da revista Piauí. Com o título "Vivi na pele o que aprendi nos livros", o ex-prefeito fala sobre o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff disfarçado de impeachment, critica a ex-presidente, descreve perseguição da mídia e ainda comenta sobre o papel golpista do PSDB nos últimos anos.

O texto é uma distribuição democrática de apontamentos duros, aproveitando que Haddad está afastado da vida política e dando aulas de ciência política na USP.

Separamos aqui os 10 melhores pontos sobre as críticas de Fernando Haddad.

1 - "Meu primeiro encontro de trabalho com Dilma mostrava que eu havia me equivocado. Ela encerrou a conversa, me acompanhou até a porta e disse uma frase de que não me esqueço: 'Espero que o nosso próximo encontro seja mais produtivo'. Sou filho do casamento de um comerciante libanês com uma normalista. Aprendi em casa a negociar e conversar, e tenho um temperamento em geral tranquilo, mesmo nas situações mais adversas. As pessoas confundem isso com frieza, mas não é. Choro até com propaganda de tevê. Mas costumo ser focado e dificilmente perco a cabeça. Meu corpo, no entanto, às vezes reage. É uma coisa neuromuscular, incontrolável. Na saída daquela audiência, quando entrei no carro com o secretário Marcos Cruz, essa reação corporal foi muito forte. Ele estranhou, achou que o contratempo na reunião não era para tanto. O que eu sentia ali era algo que já havia experimentado algumas outras vezes na vida: mais do que um mal-estar ou uma simples angústia, era uma espécie de intuição, a sensação nítida de que algo muito sério estava se passando, de que havia um risco real e iminente".

Haddad narra neste trecho inicial do seu artigo as dificuldades de negociação entre a prefeitura, quebrada em dívidas, e o governo federal. O ex-prefeito enfrentava pressão popular das ruas para barrar aumento das tarifas de transporte público e dependia de Dilma para que o aumento não afetasse os mais pobres. Fernando Haddad queria reatar os laços de São Paulo, mergulhado em políticas tucanas, com o Partido dos Trabalhadores, assunto que ele tratou com Lula. A falta de comunicação entre o prefeito e a presidente seria o prenúncio da crise política do PT, na sua visão.

2 - "A Comissão de Direitos Humanos da Câmara, acertadamente, aprovou uma emenda de bancada ao orçamento, designando recursos para um programa de combate à homofobia nas escolas. O Ministério Público questionou o MEC sobre a liberação da emenda. Só então o MEC entrou na história, solicitando a produção do material a uma ONG especializada. No exato momento em que o material foi entregue para avaliação, eclodiu a crise do 'kit gay'. Desde o início, quem lia as notícias imaginava que aquela era uma iniciativa do Executivo, quando na verdade a demanda havia sido do MP e do Legislativo. Também se sugeriu que o material estivesse pronto e já distribuído, quando sequer havia sido examinado. Expliquei tudo à imprensa e às bancadas evangélica e católica do Congresso, e o mal-entendido parecia desfeito. Despreocupado, viajei no dia 25 de maio a Fortaleza para receber o título de Cidadão Cearense. Então, durante a minha ausência de Brasília, um material de outro ministério, o da Saúde, foi apresentado como sendo o tal “kit gay” do MEC para as escolas. Esse outro material se destinava à prevenção de DST/Aids e tinha como público-alvo caminhoneiros e profissionais do sexo nas estradas de rodagem – com uma linguagem, portanto, direta e escancarada. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) exibiu em plenário a campanha do Ministério da Saúde dizendo que eu havia mentido no dia anterior e que as escolas de Campos dos Goytacazes, onde a mulher dele, Rosinha Garotinho, era prefeita, já dispunham de exemplares para distribuir aos estudantes. Aquilo virou um caldeirão. Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete da Presidência, me telefonou alarmado. Eu disse: 'Gilberto, pare dois segundos para pensar e se acalme. Isso não existe. O material para as escolas ainda está na minha mesa, não há chance de ele ter sido distribuído'".

O ex-prefeito desfaz confusões a respeito do suposto "kit gay" que teria sido distribuído na época em que era ministro da Educação do governo Lula. Haddad diz que a mentira teria sido difundida pelo jornal Folha de S.Paulo.

3 - "Em um artigo recente para a revista nova-iorquina Dissent, a filósofa norte-americana Nancy Fraser discutiu a eleição de Donald Trump e o que chamou de 'derrota do neoliberalismo progressista'. No texto, Fraser mostra como se constituiu nos Estados Unidos a disputa entre duas modalidades de direita: o neoliberalismo progressista dos governos Clinton e Obama e o protofascismo de Trump, com seu discurso protecionista na economia e seu conservadorismo regressivo em relação aos costumes e direitos civis. Pode-se discutir se é correto enquadrar Obama no campo neoliberal, mas o que importa preservar do argumento da autora, nesse embate, é que a grande vantagem do neoliberalismo americano, que era o diálogo com as minorias – LGBT, mulheres, negros e imigrantes –, se perdeu. O que vimos no Brasil dos últimos anos foi algo um pouco diferente: essas duas modalidades de direita em boa medida se fundiram, de modo que mesmo nossa direita neoliberal passou a cultivar a intolerância. A vitória socioeconômica do projeto do PT até 2013 foi tão acachapante – crescimento com distribuição de renda e ampliação de serviços públicos – que sobrou muito pouco para a versão civilizada da direita tucana. Ela não podia mais se dar ao luxo de ser neoliberal e progressista. Para enfrentar a nova realidade, os tucanos passaram a incorporar a seu discurso elementos do pior conservadorismo. Temas regressivos foram insuflados no debate nacional. A campanha de José Serra à Presidência em 2010 foi um momento importante dessa inflexão tucana. Embora talvez fosse o desejo íntimo de alguém como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o PSDB não conseguiu se transformar na versão brasileira da agenda democrata norte-americana. Pelo contrário, ao radicalizar o discurso conservador, o partido revolveu o campo político de onde floresceu a extrema direita no Brasil. Quem abriu a caixa de Pandora de onde saiu o presidenciável Jair Bolsonaro foi o tucanato. Embora essa agenda pudesse vir à tona em algum momento, foram os tucanos que a legitimaram. Um equívoco histórico. Quando, pela mudança de conjuntura, se tenta abdicar desse ideário, isso já não é mais possível, pois logo aparece alguém para ocupar o espaço criado. Foi exatamente o que aconteceu: a extrema direita desgarrou e agora quer tudo – a agenda tucana e muito mais".

Trecho interessantíssimo do artigo, nele Haddad elenca como o PSDB queria se tornar uma versão tupiniquim do Partido Democrata norte-americano e se tornou uma versão caricata dos republicanos. Para o ex-prefeito, foi FHC e os tucanos que abriram espaço político para figuras públicas pró-fascismo e ditadura militar como Jair Bolsonaro.

4 - "Um dos problemas do jornalismo no Brasil é a falta de regulação do mercado. Os meios de comunicação por aqui funcionam, do ponto de vista econômico, como oligopólio; e funcionam como monopólio do ponto de vista político. Chegaram a ponto de tentar tirar do ar, por via judicial, os portais de informação estrangeiros em língua portuguesa – como BBC Brasil, El País Brasil ou The Intercept Brasil –, invocando o artigo 222 da Constituição, que reserva aos brasileiros natos a propriedade de empresas jornalísticas. Os grandes grupos de comunicação são geridos por famílias que pensam da mesma forma e têm a mesma agenda para o país, com variações mínimas. Em momentos cruciais de nossa história, como em 1964 e 2016, atuam em bloco. Talvez a prova mais consistente de que esse oligopólio econômico funciona como monopólio político-ideológico seja o fato de que, à propriedade cruzada dos meios de comunicação, corresponde uma espécie de emprego cruzado no mundo do trabalho. Ou seja, os principais jornalistas do país, sobretudo aqueles que cumprem o papel de alter ego dos empregadores, podem estar – e rigorosamente estão – em qualquer lugar a qualquer tempo. Não se pode escapar da sua voz, imagem e comentários onipresentes".

Fernando Haddad então dá nome aos bois no debate público da imprensa e mostra como colunistas como Eliane Cantanhêde e outros representam grupos familiares que querem manter a hegemonia na mídia a todo custo. E isso se dá por propriedade cruzada, algo que é proibido em mercados como o norte-americano. No Brasil, donos de televisão são líderes de audiência na internet, nas revistas, nos jornais e até nas rádios. Formam, desta forma, oligopólios - e no caso da televisão aberta há o monopólio da Rede Globo.

5 - "Claro que há limites para o poder desse monopólio político-ideológico. Num ambiente de relativa liberdade, os indivíduos trocam impressões, questionam, firmam contrapontos. Até as Organizações Globo, com todo o seu poderio, têm dificuldades em derrotar uma boa ideia. O Programa Bolsa Família, por exemplo, existe, apesar da Globo. Tentou-se por todos os caminhos deslegitimá-lo, desconstruí-lo, mas essa iniciativa de caráter eminentemente liberal é hoje recomendada a outros países do mundo pelo Banco Mundial".

Neste ponto ele limita a ação dos grupos de comunicação contra o PT, mostrando que determinadas políticas dos governos Lula e Dilma sobreviveram apesar dos ataques.

6 - "O que se percebe muito rapidamente é que a esfera pública está contida na mídia em vez de envolvê-la. O Brasil tem pouco mais de cinquenta cidades com mais de 400 mil habitantes, número que corresponde, na média, ao de moradores de cada uma das 32 subprefeituras da cidade. Numa escala tão grande como essa, um político não consegue ser avaliado pela forma como se apresenta, mas pela forma como é apresentado. Isso confere à mídia um poder enorme: ela tanto pode impedir que boas iniciativas se colem à imagem de um gestor, condenando-o à invisibilidade, como obrigá-lo a compartilhar responsabilidades que recaem sobre outra esfera de governo, superexpondo-o indevidamente. Não bastassem os problemas estruturais de relacionamento da grande imprensa com qualquer governante de centro-esquerda, eu ainda tive problemas conjunturais com a segunda divisão dos meios de comunicação. Na minha percepção, foram muito mais danosos à imagem do governo do que os episódios até aqui narrados, porque impactaram diretamente a periferia da cidade. Nesses casos, a política transbordou para o pessoal".

Haddad segue na crítica de imprensa e coloca o papel do político como um "produto de marketing" na propagação de informação e não como um fazedor público. Ele colecionou 413 editoriais negativos do Estadão, problemas com o apresentador Datena na Bandeirantes (que depois tentou a prefeitura e desistiu), além de baixarias na Jovem Pan com Marco Antonio Villa.

7 - "O Brasil é um país fortemente estratificado: a desigualdade sempre foi a marca da nossa sociedade. Somos um misto de sociedade de 'castas' com meritocracia. O indivíduo pode, por esforço e talento próprios, mudar de casta sem reencarnar – mas a posição relativa das 'castas' há de ser mantida. Durante o governo Lula essa estrutura começou a se alterar e, aparentemente, gerou grande mal-estar: os ricos estavam se tornando mais ricos e os pobres, menos pobres. Por seu turno, as camadas médias tradicionais olhavam para a frente e viam os ricos se distanciarem; olhavam para trás e viam os pobres se aproximarem. Sua posição relativa se alterou desfavoravelmente. Se os rendimentos dessas camadas médias não perderam poder de compra medido em bens materiais, perderam-no quando medido em serviços".

Fernando Haddad então estuda como os protestos de 2013 surgiram através de um descontentamento das classes médias diante de mudanças sociais num país desigual per se.

8 - "Eis que entra em cena o 'comando da polícia', uma entidade desde sempre mais preocupada com a ordem pública do que com a segurança pública, mais preocupada com os deveres do cidadão do que com seus direitos. Na ocasião, a administração municipal se desgastava com a cúpula da Polícia Militar em função da readequação das regras de remuneração da chamada Operação Delegada, programa criado por Kassab mediante o qual o município repassava mais de 100 milhões de reais para a corporação por serviços de combate aos ambulantes ilegais. Atrito, aliás, que já havia se manifestado na primeira Virada Cultural sob nossa administração, quando arrastões aconteceram diante de olhos displicentes de alguns policiais, segundo diversos relatos da época. E se agravaria com o boicote explícito ao programa De Braços Abertos, com a transferência dos excelentes policiais militares que inibiam a ação do tráfico na região da Cracolândia. Em 13 de junho de 2013, a foto de um policial com o rosto coberto de sangue estampou a capa dos jornais. Ele havia sido agredido pelos manifestantes. Naquele dia eu voltava de uma viagem de trabalho com o governador Geraldo Alckmin e, até aquele momento, a situação nem de longe parecia fora de controle. Aquela foto, entretanto, me impeliu a dar um telefonema ao secretário de Segurança Pública do estado: era imprescindível um esforço para que não houvesse um revide da polícia. Mas ele veio. E então o país explodiu".

Haddad então dá nome e sobrenome do culpado por 2013: A PM de Alckmin.

9 - "A crise que se instalou depois da reeleição de Dilma faria o pesadelo de 2013 parecer um sonho erótico. No final de 2013, num encontro com o presidente Lula, com a discrição que o caso requeria, perguntei se ele, passados três anos desde que tinha deixado a Presidência, conseguiria projetar a situação do país dali a cinco anos. Ele me perguntou por que cinco anos. E eu lhe disse que esse era o tempo que ainda restaria a Dilma para governar o país no caso, que me parecia muito provável, de sua reeleição. Ele me respondeu com o corpo: cotovelos colados à cintura, palmas viradas para cima e uma expressão facial que indicava 'Não sei' ou, talvez, 'Quem é que sabe?'. Poucos meses depois, cruzei com João Roberto Marinho descendo as escadas do Instituto Lula. Cumprimentei-o e segui para o encontro com o presidente. Perguntei a ele o motivo daquela visita. Era uma sondagem para que Lula fosse o candidato à Presidência em 2014, no lugar de Dilma. Mais explícito foi o movimento feito por Marta Suplicy, que chegou a organizar um jantar de 'Volta, Lula'. O ex-presidente nunca mexeu um dedo, muito pelo contrário, nem por um terceiro mandato, nem pelo 'Volta, Lula'. Dilma quis ser e foi candidata à reeleição e venceu o pleito como previsto. E, a não ser pelos dois ou três dias que antecederam a eleição, quando mídia e redes sociais ferviam com denúncias e boatos de toda ordem, e fac-símiles de uma capa da revista Veja distribuídos por toda a periferia da cidade, não imaginei que a vitória pudesse estar em risco".

O ex-prefeito então diz que a Rede Globo, ao contrário do que se convenciona, queria que Lula fosse candidato a presidente em 2014, no lugar de Dilma. A reeleição dela, baseada num plano econômico que desagradou as elites e os rentistas, provocaria o PSDB a organizar o golpe com o PMDB de Michel Temer.

10 - "O que me surpreendeu foi a pós-eleição. As principais lideranças do PSDB se dividiram: Aécio começou a trabalhar por novas eleições; Serra, pelo impeachment; e Alckmin, grande vencedor do pleito de 2014, pela normalidade institucional até 2018, cenário que mais lhe favorecia. O movimento mais visível foi o de Aécio. Pediu recontagem dos votos, ação pela cassação da chapa Dilma–Temer por abuso de poder econômico, mobilizou todos os argumentos para que o resultado das urnas não fosse aceito. A tensão aumentava a cada dia. Convidei FHC para um almoço na prefeitura. Dias depois, fomos juntos ao Theatro Municipal. Queria entender melhor o que ele pensava. Concordamos sobre a gravidade da crise. Mas meu diagnóstico sobre seu desenrolar se mostrou totalmente errado. A certa altura do almoço, arrisquei: 'Ela não governa, mas vocês não a derrubam'. A unidade do PSDB a favor do impeachment foi construída com a participação de FHC. Alckmin, o último que resistia à ideia, finalmente foi enquadrado e a tese de Serra saiu vitoriosa".

Haddad encerra o texto dando o real autor da unificação do golpe em torno de Dilma Rousseff: Fernando Henrique Cardoso. Serra, derrotado em eleições, queria o impedimento e o PSDB no poder a todo custo. Aécio queria novas eleições. Alckmin, fenômeno eleitoral no governo do estado, preferia aguardar até 2018. FHC serviu como catalizador para patrocinar a loucura de derrubar uma presidente sem crime legítimo.

É, de fato, um denso e ácido texto este de Fernando Haddad.

10 fatos que mostram que House of Cards pode ensinar política real

O seriado da Netflix pode te ajudar a entender a atual situação do Brasil. E ensina política num geral.

10 fatos que mostram que House of Cards pode ensinar política real
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[O TEXTO CONTÉM SPOILERS DA QUINTA TEMPORADA DE HOUSE OF CARDS, ALÉM DAS DEMAIS. SE NÃO QUISER SABER DETALHES, NÃO LEIA]

Dividida em cinco temporadas, House of Cards é definitivamente a minha série favorita no sistema de streaming Netflix. Os últimos capítulos lidam com as eleições do casal Frank e Claire Underwood no ano de 2016, a relação com o poder do Congresso, a corrupção privada e o projeto de terem governos em 2020, 2024... perpetuamente.

A trama se desenvolve o suficiente para transformar inclusive Frank e Claire em potenciais antagonistas dentro do clã Underwood - fortemente inspirado no casal Hillary e Bill Clinton no Partido Democrata, embora ele tenha trejeitos de político republicano que é mais conservador.

10 fatos que mostram que House of Cards pode ensinar política real

Listamos aqui, então, 10 itens que mostram que House of Cards pode ensinar política de verdade. Não vamos especificar de qual temporada tiramos as informações. Vá à Netflix e prestigie o seriado.

1 - Embora democracias tenham poderes geralmente rachados entre Judiciário (juízes, Ministério Público e magistrados), Executivo (presidentes, governadores e prefeitos) e Legislativo (deputados e senadores), é na compra e venda de votos que se definem a esfera de poder de um governo, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil e outros regimes políticos. Em todas as temporadas, Frank Underwood enfrenta congressistas para aprovar reformas que ora prejudicam a população, ora eliminam seus adversários políticos da disputa. E ele diz, nitidamente, que o povo não sabe o que quer. Muitos políticos pensam desta forma.

2 - Presidentes da República podem "matar" para se manter no poder. Frank faz isso literalmente em alguns casos, enquanto em outros ele destrói a reputação de adversários na imprensa ou em outros espaços públicos. No Brasil, existem histórias de políticos que mataram para se manter politicamente, como é o caso Arnon de Mello (pai de Fernando Collor). Ele assassinou um colega em plena tribuna no mês de dezembro de 1963.

3 - A imprensa é utilizada para plantar informações políticas. A relação entre Zoe Barnes e Frank Underwood evidencia isso, bem como outros jornalistas no seriado.

4 - O verdadeiro poder político é privado, explorando o público. Para os entusiastas das privatizações, más notícias: House of Cards ensina que as empresas mandam na lógica dos políticos. Frank em determinado momento acha prudente renunciar ao poder presidencial para recorrer a aliados privados. Mesmo em economias altamente estatais, são os interesses de poucos empreendedores e dos donos dos meios de produção que dominam como uma verdadeira "casta".

5 - Guerra é uma boa ferramenta de marketing. Frank Underwood imita Margaret Thatcher e George W. Bush: se o governo estiver ruim, provoque um conflito armado e saia como herói da história.

6 - A verdadeira política é feita pelo "baixo clero". Doug Stamper é fiel a Frank e Claire e faz de tudo para mantê-los no governo, a ponto de sacrificar o seu próprio pescoço. E ele é apenas assessor parlamentar.

7 - O machismo domina a política. Isso provoca atritos no casal Claire e Frank, principalmente porque ela botou em suspenso qualquer interesse amoroso pela disputa de poder do casal.

8 - Políticos não se importam com corrupção e moralidade. A menos que isso pegue mal para eles em público, diante da imprensa, por exemplo. Frank Underwood só toma medidas quando vê a opinião pública contra ele, assim como muitos congressistas e presidentes brasileiros.

9 - Democracia é um sistema facilmente fraudável. As eleições na série, baseadas no colégio eleitoral norte-americano, evidenciam a fragilidade das relações de poder na eleição de um novo governante.

10 - Nenhum inimigo é pior do que um amigo. Alianças se fazem e se desfazem em House of Cards, na base de muita traição. Assim como é no seriado, a vida política brasileira e internacional funciona da mesma forma.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.