Coluna do Pedro Zambarda
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A Lista de Fachin acabou com a "inocência" do PSDB

Sobre a lista explosiva divulgada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, os nomes delatados, o PT e o falso moralismo do PSDB. Como um partido tão delatado permaneceu sem consequências por tanto tempo? E a mídia?

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Antes da Páscoa, o ministro Edson Fachin abriu uma das principais caixas-pretas da Operação Lava Jato, mantida em segredo desde a morte de Teori Zavascki em Paraty. A coluna do jornalista Fausto Macedo, do Estado de S.Paulo, divulgou a Lista de Fachin às 16hrs do dia 11 de abril de 2017. 

Pelo menos 13 políticos da investigação do STF foram às ruas "contra a corrupção" e pediram o impeachment de Dilma Rousseff. São, ao todo 108 nomes de todas as colorações ideológicas que você possa imaginar. 

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, PT tem 25 pessoas ligadas ao partido, PMDB 21, PSDB 16, PP nove, DEM oito, PSD cinco, PSB quatro, PCdoB quatro, PR três, PRB três, PTB duas e PPS duas. PSOL tem um integrante na lista de Fachin: No inquérito que investiga o pagamento de propina de R$ 16 milhões a Eduardo Paes por obras das Olimpíadas, Fachin afirma que há menções a pagamentos também a Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, e a Leonel Brizola Neto, neto de Brizola. Leonel Brizola Neto foi do PDT, mas atualmente está no PSOL. É vereador na Câmara do Rio.

Ou seja, 100 políticos de 500 congressistas, além dos ex-presidentes da República.

Lula enfrenta graves acusações. Ele teria solicitado R$ 40 milhões para apoio político, as reformas do sítio em Atibaia, time de futebol americano do filho Lulinha, ajudas da Brasken a Antonio Palocci, mesada para o irmão conhecido como "Tio Chico", irregularidades em negócios em Angola, na África, além da construção de uma suposta nova sede do Instituto Lula. São pelo menos seis inquéritos. Eles foram direcionados a Curitiba.

Dilma teria consciência dos negócios espúrios da Petrobras com o PMDB, passando pela ciência da ex-presidente da petroleira, Graça Foster. Os dois ex-presidentes petistas tem acusações que envolvem seus ex-ministros da Fazenda: Guido Mantega e Antonio Palocci.

Mas a grande surpresa da lista toda é a enorme quantidade de tucanos envolvidos nas acusações de corrupção. Justo os políticos que recebem apoio político dos grupos Globo, Folha, Abril e Estado.

Os senadores Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, e Romero Jucá (RR), presidente do PMDB, são os políticos com o maior número de inquéritos a serem abertos: Cinco, cada. Na lista, consta que o cunhado do governador Geraldo Alckmin recebia propina da Odebrecht no Incor, de acordo com apuração do DCM. Adhemar César Ribeiro, irmão de Lu Alckmin, recebeu R$ 2 milhões “a pretexto de contribuição eleitoral” na eleição de 2010. Já em 2014, quando Alckmin disputou a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, o governador levou outros 8,3 milhões de reais da empreiteira.

O ex-governador José Serra recebeu, através do lobista conhecido como "Paulo Preto, R$ 2,2 milhões em favor da offshore Circle Technical Company Inc, que pertenceria a Amaro Ramos, conhecido operador do PSDB. No mesmo esquema, o atual senador Aloysio Nunes, então chefe da Casa Civil do Governo de São Paulo, teria recebido R$ 500 mil de maneira indevida para beneficiar a Odebrecht em relação à Dersa. Tal valor teria ajudado Nunes na campanha ao Senado.

Não bastasse tanta gente, além dos depoimentos de Marcelo Odebrecht, o patriarca e atual presidente da empresa, Emílio, relatou pagamentos de caixa dois às campanhas do grão-tucano Fernando Henrique Cardoso em 1993 e 1997. E emendou: "Se todo mundo sabia de tudo, por que só agora as coisas apareceram?". 

É uma boa pergunta. As figuras do PSDB precisam ser investigadas. Mas, aparentemente, os escândalos do Mensalão e do Petrolão deram uma bela blindagem de imprensa aos tucanos.

Na Lista de Fachin, sobra pouco da política brasileira. Mas os tucanos tem peso dois.

Marcos, cultura do estupro e a falta de responsabilidade da Globo

Sobre a expulsão do BBB e o motivo que leva a gigante TV Globo a explorar audiência sem nenhuma responsabilidade na agressão de Marcos contra Emilly.

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O médico Marcos Harter apontou o dedo na direção de Emilly Araújo, apoiado na boca dela, para calá-la. Não foi a primeira vez que fez isso. Aumentou o volume de voz e mandou que ela ficasse calada, logo após uma festa no Big Brother Brasil. Em outras imagens, ele ficou com o corpo em cima do dela, num sofá da casa e aconteceu isso por duas vezes. As agressões verbais foram claras, ocorrendo abuso psicológico. Emilly se queixa, em uma das brigas, de agressão física. A violência aconteceu narrada pelo apresentador Tiago Leifert e a TV Globo não tomou medidas para sua expulsão imediata. Alegou que cabia a Emilly interpretar o acontecimento como abuso ou não.

No paredão daquele domingo (9), Marcos ficou na casa e Marinalva foi eliminada. O público que assiste BBB e vota nos participantes do reality show aparentemente não ligou pra situação de abuso explícita e manteve o acusado.

O caso da Globo foi corretamente caracterizado pelo jornalista Maurício Stycer como "covarde". Mas o problema da maior emissora de TV aberta não acaba aí.

Em determinados momentos da agressão registrada pelas câmeras, a impressão que se teve é que Marcos infringiu ou chegou perto de infringir a lei Nº 12.015, que define estupro e crime de liberdade sexual. A letra fria da legislação coloca que o delito é "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso". No momento em que Marcos coloca o próprio corpo sobre o da parceira e imobiliza ela, Emilly poderia denunciar uma agressão mais grave do que abuso físico ou psicológico.

A socióloga Ana Paula Portella, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Violência, Criminalidade e Políticas Públicas de Segurança da UFPE, definiu o caso como abuso em reportagem do Diário do Pernambuco que também aponta o favorecimento do casal no reality. Na mesma linha, a deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB) colocou que a agressão entraria na Lei Maria da Penha.

Lembrando da lei Nº 11.340, no artigo sétimo: "I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação".

Dito e feito. Na tarde desta segunda-feira (10), a delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Jacarepaguá, Viviane da Costa, esteve nos estúdios da Rede Globo para pedir as imagens das discussões entre Marcos e Emilly. A policial conversou com a produção e foi instaurado inquérito de investigação. Marcos Harter, em seguida, foi expulso do programa, enquanto Emilly se submeteu a um exame para verificar lesões corporais.

A falta de responsabilidade da Globo

Não foi o apresentador Tiago Leifert individualmente e nem seu texto. O caso evidencia que Boninho e a direção do Big Brother Brasil exploraram uma agressão verbal e física de um homem contra uma mulher para ter audiência. E uma agressão que poderia ter resultado em mais crimes além do abuso. A TV Globo teve culpa nos acontecimentos recentes.

Marinalva, a eliminada no paredão com Marcos, reclamou no programa da apresentadora Ana Maria Braga que temeu discutir com o ex-BBB na cozinha quando ele estava próximo de facas.

Seguindo a receita das edições anteriores, a Globo apelou apenas para o sensacionalismo barato envolvendo os participantes do jogo e não tomou precauções jurídicas e éticas caso a brincadeira fugisse do controle. Numa TV aberta com audiência decadente, cada ponto no Ibope aparentemente é uma vitória para manter a sua estrutura cara de subsistência.

Da publicidade estatal, principalmente do governo federal, a TV aberta chegou a corresponder abocanhar 59% nos anos Lula e Dilma, maior do que 49% na era FHC. Só para a Globo chegou mais de R$ 6,2 bilhões, o que dá mais de sete vezes a publicidade da revista Veja no período completo. A Rede Globo faz entretenimento, jornalismo e programação cultural, sendo considerada uma das maiores televisões do mundo e o maior oligopólio de comunicação brasileira. Sem leis como a americana para frear propriedade cruzada, tem TV, jornal, revista e diferentes formatos e subsidiárias sem nenhum freio.

Além do dinheiro público abundante, a Globo também se beneficia de um mecanismo privado chamado BV.  A Bonificação por Volume dá uma verba adicional para agências de publicidade fecharem patrocínios com aquela empresa, concentrando as campanhas num veículo gigantesco e cruzado que desfavorece concorrentes menores ou mais especializados.

Dito isso, uma gigante destas, sustentada com o dinheiro público e muita verba privada concentrada, rodou imagens de um abuso criminoso no seu maior programa de entretenimento televisivo e tentou encobrir o caso. Felizmente a polícia ficou em cima e, com a comoção social na internet, tomou as devidas providências de investigação.

Reclamar do BBB, desligar a sua TV ou nunca mais consumir Globo não resolve o problema. Mudanças acontecem se deixarem de anunciar ou botar dinheiro público na emissora, porque ela tem poder político efetivo.

A coisa dói no bolso.

A cultura do estupro

Sou homem, hétero, cis e gozo de privilégios sociais que muitas das mulheres indignadas com o caso de Emilly Araújo não possuem. Por isso, a discussão sobre o crime no BBB é política, midiática e precisa envolver uma das expressões-chave do feminismo.

A cultura do estupro é uma expressão difundida por movimentos feministas em 1970 para caracterizar ambientes propícios ao abuso sexual e crimes do mesmo segmento. Trata-se de uma série de características próprias do machismo que instigam a agressividade masculina a ponto de objetificar a mulher, transformar sexo numa relação de poder sem consentimento e perpetuar abusos que cercam estas questões.

Marcos Harter cometeu atos que merecem investigação da polícia para se constatar estupro ou não. Mas o abuso físico e psicológico está flagrante nas imagens registradas. E é bom ouvir as mulheres vítimas de casos similares para entender a gravidade do que aconteceu e da irresponsabilidade da Globo no caso. Foi apologia ao crime.

O maior grupo de comunicação brasileiro usou crimes abjetos para conquistar audiência diante dos nossos olhos. Na edição passada do BBB, uma acusação grave de estupro foi abafada.

É bom a gente parar de falar apenas "ah, isso é só BBB" e entender que os limites legais foram quebrados de maneira grave no caso Marcos x Emilly.

A Rede Globo precisa responder pelo que fez. E isso não envolve só expulsar o brother.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.