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A maioria dos empresários não sabe em quem votar, mas prefere Doria a Bolsonaro

A opinião do "PIB", embora não represente a maioria da população brasileira, interessa. E, aparentemente, Jair Bolsonaro espanta o empresariado.

A maioria dos empresários não sabe em quem votar, mas prefere Doria a Bolsonaro
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(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fernando Pereira/Secom/Fotos Públicas)

Enquanto a esquerda tem Lula como seu maior candidato, a direita tem um candidato com capacidade de crescimento e outros menores que variam muito de discurso. E isso pulveriza também as opiniões do alto setor corporativo do Brasil.

Uma pesquisa feita pela revista Exame Melhores e Maiores 2017 aponta que 39% dos maiores executivos brasileiros está indeciso quanto ao seu voto na corrida presidencial do ano que vem. No entanto, 35% dos empresários já declaram voto aberto em João Doria Jr., enquanto somente 10% apostam em Geraldo Alckmin, seu mentor. E, dentre os consultados, só 2% apoia Jair Bolsonaro. Cerca de duas mil pessoas foram consultadas no levantamento.

O que isso significa? Aparentemente o patamar de 20% do candidato de extrema-direita não está atraindo um eleitorado empreendedor. Enquanto Bolsonaro dispara nas pesquisas Datafolha, DataPoder360 e CNT/MDA, ele ainda performa mal com nichos mais influentes.

Segundo o Datafolha em abril, o "bolsominion" padrão é jovem entre 16 e 24 anos. Acima de 60, o percentual do ex-capitão do exército cai para 7%. Apesar de pegar os mais escolarizados, boa parte dos partidários de Jair Bolsonaro não viveu a ditadura militar. No mesmo levantamento, o mesmo instituto aponta que Lula atrai até 15% dos eleitores com mais de 60 anos e que só 47% estão com o petista até 34 anos, enquanto Bolsonaro chega a atrair 59%.

32% de mulheres se identificam com o ex-capitão contra 55% de potenciais eleitoras femininas de Lula. Já do lado dos homens, Bolsonaro emplaca 68% contra 45% do petista. Ou seja, os apoiadores do "mito" são mais jovens, predominantemente homens, escolarizados mas sem vivência histórica.

Coincidência?

A maquiagem dos indecisos

Apesar do bom número de 35% entre empresários, a estratégia de Doria pode virar fumaça frente aos 39% indecisos. E se eles apoiarem Bolsonaro e não têm coragem de afirmar na pesquisa. E se muitos deles preferem Lula aos nomes da direita?

O fato é que, se no começo de 2017 Lula disparava em desaprovação, agora é Aécio Neves que não é aceitável para 91% do eleitorado segundo o instituto Ipsos em agosto. Virtualmente, o presidenciável mineiro do tucanato está descartado.

Isso acendeu um sinal vermelho para Alckmin e Doria, que não saem dos 10% em pesquisas amplas dos institutos.

A falha de Bolsonaro para o empresariado

Embora o PSDB esteja derretendo, João Doria Jr. tem um discurso mais palatável para os executivos. Pelo menos da boca para fora, ele defende o Estado mínimo, ideias neoliberais e se vende como anti-político.

Bolsonaro não consegue se livrar da pecha de apoiador da ditadura militar em 2017. Fora nióbio, o metal natural que ele acredita que vai salvar o Brasil, Jair Bolsonaro diz com todas as letras que não entende de economia e que acha que o país está no buraco por causa dos técnicos que assumiram cargos públicos.

Ou seja, na prática o ex-capitão essencialmente não defende um projeto específico. Se ele permanecer dando corda para militaristas pró-ditadura militar, deveria enaltecer o Estado grande - o oposto da visão de João Doria hoje.

Isso certamente espanta o empresariado, que sempre reclama da alta taxa tributária e das dificuldades para abrir companhias e fazer negócios no Brasil.

O que for ruim economicamente pode ruir uma candidatura, visto o apoio empresarial ostensivo que presidenciáveis tiveram no passado. De forma oficial ou por caixa dois.  

Contradições de Ciro Gomes com Lula: ele apoia o petista ou não?

Pré-candidato de centro-esquerda pelo PDT, Ciro não se decide a respeito do PT. Ele respeita a candidatura do ex-presidente ou não? E mais: vale para a centro-esquerda fora do petismo bater em seu maior símbolo?

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(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas)

Temperamento explosivo e profundo conhecedor do sistema partidário brasileiro, o pré-candidato do PDT é a opção de muitos que têm simpatia pelas pautas sociais e não se identificam mais com o petismo. Mas será que a estratégia dele está correta?

Ciro Ferreira Gomes se define como um possível nome da centro-esquerda para 2018. Os institutos de pesquisa, no entanto, o apontam com menos de 10% das intenções de voto. No levantamento do DataPoder360, feito pelo jornalista Fernando Rodrigues, Ciro oscila entre 5% e 6%. CNT/MDA de setembro aponta que o pré-candidato está entre 4,6% e 5,2%, dependendo do tucano na disputa. CUT/Vox Populi aponta Alckmin empatado com Ciro Gomes em 4%. Já o Paraná Pesquisas, conhecido por ser pró-PSDB (que apostou em ampla vitória de Aécio Neves em 2014), deu 4,5% para Ciro.

A pré-candidatura parece não sair do chão, mesmo com Lula, o maior nome da centro-esquerda, condenado pelo processo do triplex e com diversas acusações dentro da Operação Lava Jato.

O que será que acontece com Ciro Gomes? Será a ambiguidade de alguns de seus posicionamentos?

A postura contraditória com Lula

Entre 2015 e 2017, Ciro estava relutante em se apresentar como pré-candidato. Primeiro deu uma entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, afirmando que "Lula gosta de brincar de Deus", mas disse que não iria competir caso ele fosse candidato.

Manteve a mesma postura até setembro deste ano, quando resolveu partir para a ofensiva à medida que a Lava Jato endureceu com Luiz Inácio Lula da Silva. Antes disso, não perdeu uma única oportunidade de aparecer na imprensa. A este que vos escreve, ele deu uma entrevista em maio do ano passado antevendo a prisão de Eduardo Cunha no DCM.

Mas algo mudou. Aparentemente Ciro viu uma oportunidade de captar eleitores parcialmente pelo antipetismo. Ligou a sua famosa "metralhadora giratória", como dizem alguns de seus inimigos e fãs.

Em maio de 2016, quando ainda estava de bem com Lula, Ciro Gomes disse ao programa do DCM na TVT que "sequestraria o ex-presidente e o levaria para uma embaixada" caso ele fosse injustiçado pela Operação Lava Jato.

No dia 10 de agosto deste ano, ele afirmou ao jornal El País que seria o "dream team" ter Fernando Haddad do PT como vice de sua chapa. Mas Ciro falou isso criticando a indicação de Michel Temer como vice de Dilma. "Haddad representa o que há de melhor no PT e não carrega o estigma que é, em parte, injusto", frisou o pré-candidato.

A coluna de Lauro Jardim deu no dia 14 de setembro de 2017, citando Ciro Gomes: “Lula tá pensando que o povo é imbecil?”. E continuou: "O Lula sabe o que fez. E não dá para ter uma narrativa dizendo o seguinte: olha, eu sou um perseguido político pelos adversários da direta, a serviço dos tucanos, etc e tal, quando seu parceiro de dois, oito, vinte, trinta anos, é quem assume a titularidade de uma denúncia como essa. Essa narrativa não se sustenta". As palavras foram ditas numa palestra da FGV do Rio de Janeiro.

Aparentemente arrependido da declaração anterior, Ciro deu uma entrevista mais tranquila no programa da jornalista Mariana Godoy, da RedeTV, e ao UOL.  “O Lula foi uma pessoa que fez muito bem a muita gente no Brasil. Foi um presidente que fez muito bem ao Brasil. A minha responsabilização ao Lula não é nesse plano penal, policial, de Lava Jato. A minha responsabilização ao Lula é política. Porque aí não dá para se afastar da ideia de que foi ele quem pôs, por exemplo, o Michel Temer como vice-presidente”, disse no dia 23 de setembro de 2017.

Bate e abafa

Ciro Gomes não tem obrigação de apoiar Lula. Pode, como Luciana Genro fez no PSOL, engatar no antipetismo à esquerda e apoiar a Lava Jato. No entanto, sua postura contradiz o seu próprio discurso político e econômico.

Ciro enfraquece a própria crítica ao PMDB centrando fogo na figura de Lula e do PT. Questionado em debates, ele se refere a si mesmo como um "desenvolvimentista" e diz que apoiou o projeto de Belo Monte, que foi criticado por ambientalistas como obra dos governos petistas.

Ciro Gomes também chama o ambientalismo da pré-candidata Marina Silva de "difuso", pouco claro. Nestes momentos, ele parece se posicionar perfeitamente como um apoiador de Lula e do PT.

No entanto, quando declara independência do petismo, os números das intenções de voto não se movem. O único instituto que aponta algo positivo é o Paraná Pesquisas, mas não em intenções de voto.

A entidade diz que 15% dos eleitores petistas migrariam seus votos de Lula para Ciro Gomes, um índice maior do que 10% de Jacques Wagner e somente 5% de Fernando Haddad.

Mas se Ciro insistir na ofensiva contra Luiz Inácio Lula da Silva, pode enfraquecer seu próprio eleitorado numa mudança de eventos. E ele não é visto como um antilulista clássico, como Geraldo Alckmin ou Marina, e nem como os mais odientos, como João Doria Jr. ou Jair Messias Bolsonaro.

Ciro Gomes precisa se decidir sobre suas contradições a respeito de Lula. Precisa agir sem ser por impulso. Para o bem de seu próprio desempenho eleitoral.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.