Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

A Rede Globo está favorável à renúncia de Michel Temer?

Uma análise do posicionamento editorial da rede de comunicação da família Marinho frente às denúncias da JBS.

A Rede Globo está favorável à renúncia de Michel Temer?
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Você tem alguma dúvida sobre a pergunta do título envolvendo a Globo e suas empresas? Considere estas informações.

- O jornal O Globo deu o furo, no dia 17 de maio, da delação premiada de Joesley Batista da JBS através de reportagem feita em três semanas do colunista Lauro Jardim. No mesmo dia, a publicação soltou um editorial chamado "A renúncia do presidente", afirmando: "um presidente da República aceita receber a visita de um megaempresário alvo de cinco operações da Polícia Federal que apuram o pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às 11 horas da noite na residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo".

- No mesmo dia 17, O Globo posiciona todos os seus principais colunistas para criticarem Temer: Ricardo Noblat, Merval Pereira, Míriam Leitão e o próprio Lauro Jardim (que aprofunda a reportagem com áudios). Noblat chega a afirmar que Temer vai renunciar no discurso do dia seguinte. Ele erra e dá uma barrigada.

- Toda a cobertura de O Globo é repercutida quase que imediatamente pelo Jornal Nacional.

- Repercussões mais comedidas e com contrapontos são apresentadas nos outros veículos da casa, como revista Época e jornal Extra. Mas todos os veículos seguem a orientação do editorial de O Globo, que normalmente é escrito por João Roberto Marinho, o "pai editorial" do grupo após a morte de Roberto Marinho.

- William Bonner quase chama Michel Temer de ex-presidente no Jornal Nacional.

- Numa coluna na Folha de S.Paulo, Marcelo Coelho, jornalista do time editorial e próximo de Otávio Frias Filho, critica a cobertura da Rede Globo sem contrapontos na delação da JBS. Ali Kamel, o chefe de jornalismo da rede, responde a Coelho chamando-o de "mentiroso" quando ele menciona equívocos da Globo na cobertura das Diretas Já ou mesmo na eleição entre Collor e Lula. Diz que a empresa "não tem lados".

- A Globo fechou 2016 com R$ 6 bilhões de lucro e R$ 15,3 bi de faturamento, segundo o G1. A rede é uma máquina de consumo de dinheiro público com suas filiadas e recebeu R$ 6,7 bilhões dos governos Lula e Dilma, que diminuíram o financiamento nos últimos anos. Mesmo que Michel Temer esteja injetando dinheiro e mídia para minimizar críticas, a Rede Globo tem mais capital para bater num governo até derrubá-lo do que os jornais Folha de S.Paulo e Estadão, que estão ou endividados em crise, ou já falidos do ponto de vista da saúde financeira.

Considerando todos estes fatores e respondendo de forma curta e grossa: sim, a Globo quer que Michel Temer renuncie. 

Ela só não é favorável às Diretas Já e quer que as reformas que Temer começou, tirando direitos trabalhistas e aposentadoria, continuem para atenuar efeitos da crise econômica iniciada por Dilma Rousseff. 

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

Em 24 de maio de 2017, milhares de pessoas protestaram em Brasília por Diretas Já e pelo Fora Temer. Entenda como isso foi relevante.

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

No dia 24 de maio de 2017, Brasília literalmente pegou fogo. Protestos organizados pela CUT, CTB e outras centrais sindicais, com apoio do MST e do MTST de Guilherme Boulos, tomaram a capital brasileira. A mobilização aconteceu depois da divulgação da delação premiada da JBS, que incrimina o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves e 1829 políticos de 29 partidos.

Elencamos neste texto 10 itens que mostram a relevância do protesto do dia 24.

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

1 - Cerca de 100 mil pessoas compareceram no ato. As estatísticas divergem, mas aparentemente as centrais sindicais tiveram sucesso em reagir diante das denúncias envolvendo Temer. A Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal afirmou que apenas 25 mil foram. A Agência Brasil divulgou 45 mil. O protesto foi maior do que os atos pulverizado em diferentes cidades brasileiras, de São Paulo até Porto Alegre, Rio de Janeiro e Recife, que reuniram entre cinco mil e 50 mil manifestantes.

2. Dois ministérios foram incendiados. Longe de defender depredação de patrimônio público, esta coluna enxerga estes atos sim como a legítima desobediência civil. A JBS, só nos esquemas de Michel Temer, desviou R$ 500 milhões misturando dinheiro público e privado. O prejuízo das depredações é menos de R$ 1,4 milhão, diz o governo.

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

3. A polícia deu tiros com balas reais na população. A atitude representou um risco de vida na população, o que gerou 49 feridos e oito detidos, no entanto escancarou o autoritarismo despreparado do governo Michel Temer.

4. Temer convocou o Exército pra proteger Brasília e foi dispensado pelo general Eduardo da Costa Villas Bôas. Isso evidenciou que o presidente não tem pulso e corre mesmo o risco de cair.

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

5. A PEC das Diretas Já começou a andar. Tem baixas chances de ser aprovada, mas a pressão popular foi ouvida. Se mais protestos acontecem, os deputados podem ser pressionados a votá-la.

6. ONU criticou o desempenho da polícia protegendo o governo Temer. O que contribui mais para a queda de credibilidade da gestão.

7. Mais de 100 deputados foram constrangidos no dia. Acho que é o mínimo que estes congressistas merecem, não?

8. Temer não tem 5% de aprovação segundo pesquisa interna. Se houver um levantamento mais sério, capaz que não tenha nem isso.

9. Todos os veículos internacionais deram imagens do protesto como indícios da fraqueza do governo Temer. E só pesquisar na internet.

10. O Guardian, jornal inglês, defendeu abertamente eleições diretas no Brasil. Basta ler aqui.

10 dados que mostram a relevância do ato contra Temer em Brasília

Considerações finais desta coluna: protesto não serve pra ser passeata ordeira e pacífica por ser pacífica. Entendo que é controverso defender depredações, mas a tática black bloc e os protestos anarquistas tem completa razão de se manifestar num país onde autoridades políticas não tem o menor respeito com os direitos públicos da população.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.