Coluna do Pedro Zambarda
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A vergonhosa postura do PT no caso entre o STF e Aécio Neves

Inimigo político do partido desde as eleições, Aécio Neves foi vítima de um Judiciário que não respeita o Legislativo. No entanto, o senador contou com uma solidariedade "republicana" do PT em nome da Constituição. Um verdadeiro tiro no pé.

A vergonhosa postura do PT no caso entre o STF e Aécio Neves
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(Foto: Lula Marques/AGPT/Fotos Públicas)

O PT ainda chama o impeachment de Dilma Rousseff de "golpe". No entanto, o partido tem posturas ambíguas, como se a normalidade democrática fosse uma prerrogativa do governo Temer ou mesmo como se alianças políticas por interesses não fossem prejudicá-lo. A legenda parece ignorar a onda anti-esquerda vigente na mídia e na política.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu no dia 26 de setembro, por três votos a dois, afastar do senador mineiro Aécio Neves e mantê-lo em “recolhimento noturno”. A decisão do STF foi tomada pelos votos dos ministros Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux.

O afastamento ocorreu em decorrência do pedido da Procuradoria-Geral da República para prender Aécio, sob alegação de que o tucano seria o destinatário de recursos de R$ 2 milhões repassados pela J&F/JBS de acordo com a delação premiada de Joesley Batista. O site do Senado retirou o nome do parlamentar tucano.

Apesar das penalidades, nos bastidores de Brasília rodou a notícia que todos os partidos dentro do Senado articularam para ignorar a decisão do STF. E, entre todos os partidos, o PT assumiu uma postura politicamente vergonhosa em relação ao parlamentar do PSDB.

Na nota pública da Executiva Nacional o Partido dos Trabalhadores afirmou que Aécio “é um dos maiores responsáveis pela crise política”, mas classifica a decisão do STF de “esdrúxula”. "Não existe a figura do afastamento do mandato por determinação judicial. A decisão de ontem é mais um sintoma da hipertrofia do Judiciário, que vem se estabelecendo como um poder acima dos demais e, em alguns casos, até mesmo acima da Constituição. O Senado Federal precisa repelir essa violação de sua autonomia, sob pena de fragilizar ainda mais as instituições oriundas do voto popular. E precisa também levar Aécio Neves ao Conselho de Ética, por ter desonrado o mandato e a instituição. Não temos nenhuma razão para defender Aécio Neves, mas temos todos os motivos para defender a democracia e a Constituição", afirma o partido.

Do ponto de vista constitucional, o PT defendeu o Senado. Mas politicamente a ação mancha a figura da legenda perante à esquerda. Como defender Aécio, um "golpista" nas palavras do próprio partido? Por que o Poder Judiciário comete abusos?

E os abusos jurídicos com o próprio PT? O PSDB e o PMDB já se posicionaram contra?

O Senado e a Comissão de Ética

Na articulação política para manter o mandato de Aécio Neves, um dos parlamentares envolvidos seria o petista Jorge Vianna. O senador do PT criticou a decisão do STF e, durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), defendeu que a Casa reaja contra uma cassação sem amparo constitucional.

Somente no dia 28 de setembro, o senador petista Humberto Costa afirmou que o PT representaria contra Aécio Neves na Comissão de Ética. No mesmo dia, por 43 votos a nove, o Senado adiou para 3 de outubro a votação sobre a decisão da primeira câmara do Supremo Tribunal Federal sobre Aécio Neves. 

A proposta de adiamento foi feita por um senador do PSDB, Paulo Bauer, sob o argumento de que a matéria deveria ser votado com um quórum maior de senadores. Os 43 votos pelo adiamento, interpretados como favoráveis à rejeição da decisão do Supremo e, portanto, favoráveis a Aécio, seriam suficientes para livrar o senador de Minas Gerais. 

Os aliados do tucano não quiseram correr o risco de votar a matéria na semana que o Supremo pediu o afastamento. A mesma decisão não teve tamanha demora no caso do deputado Eduardo Cunha, que foi cassado depois do impeachment.

O PT vai continuar contribuindo para as manobras que blindam Aécio Neves desde maio, quando as gravações de Joesley se tornaram públicas, ou fará pressão legitima pela cassação?

Não sabemos. Mas a postura do partido sobre os opositores que "provocaram a crise democrática" hoje é, no mínimo, vergonhosa.

Qual é a real importância das pesquisas eleitorais de 2018?

Datafolha. Ibope. Paraná Pesquisas. DataPoder360. CNT/MDA. Vox Populi. O que são os institutos de pesquisa que abordam as intenções de voto em 2018? E até que ponto eles são realmente preocupantes para os políticos ou para a população que os elege?

Qual é a real importância das pesquisas eleitorais de 2018?
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(Imagem: Reprodução/Homepage do Datafolha)

Lula ou Bolsonaro na Presidência? Quem é o favorito na disputa eleitoral? Como anda a reprovação do governo Michel Temer? Quantas pessoas foram consultadas? Qual é a margem de erro?

Essas são as perguntas que envolvem os institutos de pesquisa que dominam o noticiário político hoje. Até que ponto as estatísticas que eles publicam representam de fato os anseios da população brasileira, que hoje soma mais de 200 milhões de pessoas? E os institutos em si? Eles atendem a interesses políticos ou econômicos?

Num momento de polarização política forte, com muitas pesquisas de opinião sendo divulgadas, é necessário entender a função dos institutos especificamente para as eleições do ano que vem.

Qual é a dinâmica entre as pesquisas e os veículos de comunicação?

Em julho de 2016, o jornalista americano Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, chamou de "fraude" a pesquisa Datafolha publicada no jornal Folha de S.Paulo apontando que 50% dos entrevistados queriam que Michel Temer sozinho terminasse na presidência no lugar de Dilma Rousseff. De acordo com Greenwald, a publicação ignorou que, no mesmo levantamento, 60% dos consultados queriam a cassação da chapa Dilma/Temer.

Naquela ocasião, eu entrevistei a socióloga Fátima Pacheco Jordão para o Diário do Centro do Mundo (DCM), que é especialista em pesquisas. Fátima é conselheira do Instituto Patrícia Galvão e diretora da Instituição D’Fatto, além de ter assessorado o setor de pesquisas da TV Cultura no passado.

A especialista explicou que o Datafolha e o jornal, embora tenham nomes similares, são instituições diferentes. A Folha de S.Paulo pode solicitar dados específicos para suas pesquisas e a responsabilidade do instituto é levantar os dados. O posicionamento editorial do jornal pode ter o viés que for conveniente aos seus donos, enquanto a competência da pesquisa é apenas apresentar amostras de dados que confirmem ou refutem as informações das reportagens.

"Nate Cohn do New York Times fez um texto sobre as pesquisas contraditórias a respeito da corrida entre Hillary Clinton e Donald Trump. Cada publicação pode destacar o que for conveniente para os seus interesses. Huffington Post fez isso, entre outros. O problema é justamente o Datafolha fornecer informações apenas a um jornal", frisou a socióloga em entrevista ao DCM.

Vários institutos contribuem para dados mais diferentes e amplos sobre a opinião dos brasileiros sobre a política. Fátima Pacheco Jordão também ressalta que as pesquisas podem ser "estimuladas", com perguntas pré-estabelecidas e fechadas (Lula ou Bolsonaro na Presidência, por exemplo), ou espontâneas.

A especialista elogia institutos – como o Ibope – que atendem diferentes publicações, desde o jornal O Estado de S.Paulo até a Rede Globo. "O Estadão tem mais jornalistas capacitados a lidar com pesquisas, ao menos na minha percepção, na geração do (colunista) José Roberto de Toledo. Apesar de serem repórteres que divulgam os dados do Ibope, é a edição do Toledo (José Roberto de Toledo, especialista em análise de dados) que faz a diferença na amostragem dos dados. A relação do Datafolha com a Folha, embora façam pesquisas há anos com metodologia própria com grandes amostragens e na rua, é fechada. O instituto é um fornecedor da Folha de S.Paulo. Datafolha tem pouca autonomia em relação ao Ibope, que tem dezenas de clientes", ressalta a socióloga.

Além do Ibope e do Datafolha, há levantamentos feitos pela Vox Populi, empresa mineira criada em 1984 e hoje vinculada com a revista Carta Capital e a Rede Bandeirantes. Os dois primeiros são mais vinculados com a grande imprensa, enquanto o Vox Populi já fez mais pesquisas com a esquerda em parceria com a CUT.

E os novos institutos de pesquisa?

Para as eleições presidenciais de 2018, a novidade é a entrada de institutos como o Paraná Pesquisas, CNT/MDA e DataPoder360.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) realiza pesquisas de opinão no Brasil em parceria com o MDA desde 2013. Os levantamentos do instituto incluem política, economia, emprego, renda, saúde, educação e segurança pública.

Paraná Pesquisas ganhou fama nas eleições presidenciais de 2014 por ser o único instituto que apontou vitória de Aécio Neves com 54% das intenções de voto. O tucano terminou com 48%, perdendo para Dilma com 51%. Apesar de ter 25 anos de atuação e mais de mil levantamentos de mercado, o instituto só apareceu mesmo na política a partir destas eleições.

DataPoder360 surgiu com o site de notícias do jornalista Fernando Rodrigues (ex-Folha), fundado em novembro de 2016. Com um grupo de repórteres em Brasília, Rodrigues passou a publicar levantamentos tanto de intenções de voto para 2018 quanto sobre os humores da capital federal sobre o governo Michel Temer.

Como confiar numa pesquisa de intenções de voto?

Pesquisas são ferramentas humanas que podem ser falhas e nem sempre correspondem à realidade dos fatos. As intenções de voto dos cidadãos podem mudar na frente da urna ou mesmo depois de um escândalo de corrupção inesperado na semana seguinte, embora a maioria de nós esteja anestesiado com tantas informações do meio político.

Para saber se você pode confiar numa pesquisa de intenções de voto, deve-se levar em consideração que os profissionais dos institutos fazem perguntas para um número limitado de cidadãos e as respostas coletadas possuem uma margem de erro em levantamentos qualitativos, que vaira de 2% até 3%. O Datafolha tem como critério, além de divulgar a margem de erro, consultar indivíduos de diferentes classes sociais e bairros, para garantir uma resposta mais heterogênea.

Em geral, as pesquisas de intenção de voto consultam no prazo de algumas semanas cerca de três mil pessoas com idades variadas. A pesquisa representa toda a sociedade brasileira? Não, ela é apenas um recorte de amostragem do povo.

"A diferença entre resultados de pesquisas políticas não é erro. E isso é uma coisa que precisa ser discutida mais abertamente no Brasil", afirma Fátima Pacheco Jordão. A socióloga defende que o nosso país precisa ter mais institutos publicando pesquisas para novas comparações. E ela complementa: "precisa existir um aperfeiçoamento no trabalho jornalístico para transmitir uma noção mais aprofundada do que é a política brasileira, e como ela não se reduz apenas aos partidos".

Nos Estados Unidos, Donald Trump venceu mesmo com praticamente todos os institutos de pesquisa apontando a vitória de Hillary Clinton. A realidade, portanto, não correspondeu de maneira uniforme às amostragens.

Por isso, antes de gritar vitória do pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva ou ovacionar o "mito" Jair Bolsonaro nas pesquisas, saiba que ser influenciado apenas por elas é uma compreensão muito superficial do que acontece.

As pesquisas eleitorais são retratos limitados em determinados indivíduos para dar um panorama de como o país está pensando nos seus políticos para discutir um novo governo. A sua real importância está nisso. Quem vence a eleição é quem, para além das pesquisas, vence a queda de braço da campanha na disputa pelo Palácio do Planalto.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.