Coluna do Pedro Zambarda
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As relações politicamente comprometedoras entre Doria e o MBL

O prefeito de São Paulo está se aproximando do maior grupo pró-impeachment de Dilma Rousseff? E esses jovens? Não eram apartidários? Como pensar em vantagem política enquanto o MBL censura publicamente exposições no Santander e no MAM?

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(Foto: Divulgação/Fanpage de Kim Kataguiri no Facebook)

Os nomes para 2018 começam a ser formados aos poucos. Muita gente aposta que Geraldo Alckmin será o candidato forte do PSDB à Presidência da República. Mas o prefeito de São Paulo tem outros planos.

João Doria Jr. compareceu ao lançamento do livro "Quem é esse moleque para estar na Folha", do militante Kim Kataguiri com prefácio da jurista Janaína Paschoal. O evento foi num domingo, dia 24 de setembro, na Fnac da Avenida Paulista. Kim fez uma dedicatória para o "futuro presidente da República".

No mesmo encontro foram Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo pelo PSDB, o deputado Marco Feliciano do PSC e o vereador Fernando Holiday do DEM, também integrante do MBL liderado por Kim Kataguiri. Na ocasião, o Movimento Brasil Livre manifestou abertamente apoio a Doria na Presidência da República. O prefeito nega que está disputando a vaga que seria do seu mentor, Geraldo Alckmin. Nega também que exista uma crise dentro do PSDB.

Mas essa conversa não vem de hoje.

O episódio dos pichadores

No começo de seu mandato, João Doria começou uma verdadeira guerra contra pichadores e grafiteiros em São Paulo ao endurecer multas e penas. Na ocasião, o MBL condenou os artistas de rua engrossando o coro de "vandalismo". Um militante de Kim Kataguiri, Cauê Del Valle, repintou o muro da casa do prefeito que havia sido pichada.

Duas semanas depois da ação, Cauê foi contratado pela prefeitura regional de Pinheiros. A informação só virou notícia em setembro, quando ficou claro que a gestão de Doria contratou este militante do MBL e outro, chamado Eric Balbino de Abreu, conhecido como Balbinus. Ele é dono de um blog de extrema-direita chamado O Reacionário. Os sites de esquerda apontaram que ele atualiza o conteúdo do site durante o expediente, o que é ilegal para um funcionário público. Eric está na prefeitura regional da Sé. O órgão afirma que ele "dialoga com artistas".

O MBL tem vereadores e deputados do DEM e do PSDB eleitos. A proximidade com Doria é uma oportunidade de conseguir cargos no governos e, quem sabe, lançar Kim Kataguiri como deputado federal em 2018.

A afinidade ideológica

Em 25 de agosto, o próprio Doria deu uma entrevista ao canal oficial do MBL. Foi recebido pelo Kim em pessoa com o YouTuber Arthur do Val do "MamãeFalei" para um "teste do sofá". João Doria Jr. falou de como o PT defende Nicolás Maduro. "O impeachment tirou o Brasil do rumo da Venezuela", diz o prefeito.

Doria também reclamou das ovadas que recebeu no nordeste e falou dos males do "bolivarianismo". Disse que todos da esquerda "invadem casas". Compartilhou com os militantes do MBL a atual histeria da direita.

Na pesquisa Datafolha que mostra Lula na frente em primeiro e segundo turno, divulgada neste mês de outubro, Doria e o PSDB aparecem com apenas 8%. O MBL de Kim Kataguiri, por sua vez, foi muito criticado por apoiar o governo Michel Temer e não criticá-lo nas delações premiadas que colocaram o presidente na atual crise política.

Apesar de ter 2,4 milhões de curtidas no Facebook, o Movimento Brasil Livre de Kim protagonizou um fiasco no protesto de 26 de março. Apesar de não apoiarem Jair Bolsonaro, o MBL dividiu a Avenida Paulista com entusiastas da ditadura militar.

Imposto é roubo e outros chavões não serão suficientes para impulsionar uma candidatura João Doria Jr. E, ao que tudo indica, o prefeito fez um abraço dos afogados com o grupo de Kim Kataguiri.

Doria é um oportunista político dentro do tucanato.

Conversa com Michel Temer. Conversa com Rodrigo Maia. Flerta com outros partidos, como PMDB, DEM e Partido NOVO, mas por enquanto só fez alianças comprometedoras com o MBL.

A possível delação de Eduardo Cunha versus a de Lúcio Funaro

Com dificuldades em fechar delação premiada, Cunha começa a falar o muito que sabe. No entanto, de acordo com a reportagem da revista Época, o delator caminha para proteger Michel Temer. Ele está falando a verdade ou protegendo os seus?

A possível delação de Eduardo Cunha versus a de Lúcio Funaro
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(Foto: Divulgação/Editora Globo)

A revista Época, a mesma que estampou que Michel Temer é "chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil" segundo Joesley Batista, agora dá pleno espaço ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Preso há cerca de um ano, o ex-deputado parece dar pistas ao jornalista Diego Escosteguy do que pretende delatar.

As notícias são boas para Temer e péssimas para Lúcio Funaro, Joesley Batista e Rodrigo Janot, o ex-procurador-geral da PGR. Cunha parece ter se conformado a melar a delação da JBS. Será uma manobra para atenuar seus crimes?

O que diz Funaro?

O operador de Cunha disse em setembro que ele e Michel Temer "confabulavam diariamente" para "tramar" o impeachment de Dilma Rousseff. Funaro, que atuou como doleiro do PMDB, detalhou pagamentos de propinas e a dinâmica dos peemedebistas em seus esquemas de corrupção, durante os governos do PT e hoje independentes dos petistas.

O delator fala de uma conta de Eduardo Cunha no Banco Northern Trust Bank, em Nova York. Remessas de propina teriam sido enviadas supostamente entre 2003 e 2006. A conta foi batizada de “Glorieta LLP” e está em nome de uma offshore da Oceania. Cunha teria também dinheiro na Suíça e ele se defende afirmando que é apenas "usufrutuário" das contas.

Para participar do esquema, Funaro diz que Cunha recebeu R$ 56,9 milhões depois da Lava Jato ter sido deflagrada em março de 2014. Do valor, R$ 1,3 milhão foram entregues por Lúcio Funaro quando Eduardo Cunha era o presidente da Câmara dos Deputados em 2015.  Os documentos, segundo a Polícia Federal, mostram pagamentos de Funaro para Cunha desde 2011. Até 2015 há anotações de pagamentos de R$ 89 milhões para Cunha, incluídos cerca de R$ 7 milhões pagos a outros políticos. A conta inclui R$ 30 milhões que Funaro recebeu de Joesley Batista para repassar a políticos nas eleições de 2014.

Esses pagamentos iam tanto para o bolso de Cunha quanto para o de aliados. A imprensa publicou que Funaro delatou a "bancada do Eduardo Cunha" que era "comprada" na base da propina. O dinheiro deu benefícios milionários para pelo menos 25 deputados. Sandro Mabel, Marcelo Castro, Soraya Santos, Alexandre Santos e Sérgio Souza são alguns dos congressistas citados.

Lúcio Funaro diz que nunca conversou sobre dinheiro diretamente com o presidente Michel Temer, “pois essa interface era feita por Eduardo Cunha”. O delator, no entanto, garante no roteiro da delação premiada que Temer “sempre soube” de todos os esquemas tocados pelo ex-deputado. 

De forma resumida, Funaro alega que os acordos funcionaram com intermédio de Cunha antes do impeachment e depois com auxílio de Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Moreira Franco com Temer no governo.

O que diz Cunha?

"Estou pronto para revelar tudo o que sei, com provas, datas, fatos, testemunhas, indicações de meios para corroborar o que posso dizer. Assinei um acordo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República, de negociação de colaboração, que ainda está válido. Estou disposto a conversar com a nova procuradora-geral. Tenho histórias quilométricas para contar, desde que haja boa-fé na negociação", diz Cunha na abertura da reportagem da revista Época. E ele dispara contra o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, alegando que ele sempre quis derrubar o presidente Michel Temer.

E ele afirma: "Janot queria que eu colocasse mentiras na delação para derrubar o Michel Temer. Se vão derrubar ou não o Michel Temer, se ele fez algo de errado ou não, é uma outra história. Mas não vão me usar para confirmar algo que não fiz, para atender aos interesses políticos do Janot. Ele operou politicamente esse processo de delações". Eduardo Cunha alega que o ex-procurador-geral queria ter um terceiro mandato com seu vice na PGR, Nicolao Dino. O PMDB resistiu. Sobre Joesley Batista, Cunha diz que ele poupou o PT em sua delação premiada.

"Há omissões graves na delação dele. O Joesley poupou muito o PT. Escondeu que nos reunimos, eu e Joesley, quatro horas com o Lula, na véspera do impeachment. O Lula estava tentando me convencer a parar o impeachment. Isso é só um pequeno exemplo. Eu traria muitos fatos que tornariam inviável a delação da JBS. Tenho conhecimento de omissões graves. Essa é uma das razões pelas quais minha delação não poderia sair com o Janot", afirmou, envolvendo diretamente o ex-presidente.

O delator também afirma que o Ministério Público e o juiz Sérgio Moro queriam troféus políticos "dos dois lados", o que culminaria em sua prisão. "Nós temos um juiz que se acha salvador da pátria. Ele quis montar uma operação Mãos Limpas no Brasil – uma operação com objetivo político. Queria destruir o establishment, a elite política. E conseguiu", diz na reportagem sobre Moro. 

Delação apenas para se blindar?

O que Cunha traz de fatos novos sobre o PT? Uma reunião nas vésperas do impeachment? Bom, Dilma Rousseff conversou, junto com José Eduardo Cardozo, com Aécio Neves no Senado. Isso constitui crime? Não necessariamente.

A entrevista de Eduardo Cunha soa como uma proteção ao presidente Michel Temer e sobretudo a si próprio. Se Funaro delatou uma bancada de deputados toda financiada por ele, é muito claro que ele não produzirá provas contra si mesmo. No entanto, isso não significa que ele vai, necessariamente, mentir.

Delação contra delação, Cunha está tentando se libertar da prisão preventiva e se blindar.

Eduardo Cosentino da Cunha já foi o homem mais poderoso do Brasil no governo Dilma. Esta parece ser a sua tentativa de voltar a ter algum poder.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.