Coluna do Pedro Zambarda
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As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

A delação de Antonio Palocci tem um potencial explosivo para dinamitar o grande candidato da esquerda no ano que vem. Quem são os nomes que podem ocupar o lugar do ex-presidente.

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(Foto: Montagem/Fotos Públicas/Wikimedia Commons)

Antonio Palocci acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer um "pacto de sangue" com a Odebrecht de R$ 300 milhões e de ter recebido dinheiro em espécie, em propinas de R$ 30 mil até R$ 50 mil, além de quantias maiores de até R$ 4 milhões. As informações estão sendo protocoladas no acordo de delação premiada do ex-ministro da Fazenda com a Força-Tarefa da Operação Lava Jato.

As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas)

Com estes fatos, a candidatura presidencial de Lula está ameaçada. De acordo com os institutos Paraná Pesquisas, Datafolha e Vox Populi, as intenções de voto do ex-presidente chegam até 30%, o que o coloca na frente de todos os adversários no primeiro turno. Ele somente é ameaçado por Jair Bolsonaro e Marina Silva no segundo turno. No entanto, a desaprovação de Luiz Inácio Lula da Silva bate 40% dos eleitores.

A delação de Palocci tem o potencial de agravar a situação do candidato e uma condenação em segunda instância na Operação Lava Jato pode inviabilizar Lula. Ele já foi condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Fernando Moro.

O ex-presidente prestou seu segundo depoimento diante de Moro e acusou Antonio Palocci de ser mentiroso, além de "frio e calculista". Os dois, o delator e Lula, foram grandes aliados no governo entre 2003 e 2005, inclusive quando os petistas foram acusados de corrupção no escândalo do Mensalão.

A relação parece ter mudado. José Dirceu, outro aliado histórico de Lula, disse à jornalista Mônica Bergamo que preferia "morrer a delatar" como fez Palocci.

A queda de Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do maior partido de esquerda no Brasil, abre uma vaga para as eleições de 2018 se for concretizada. 

Conheça três alternativas reais ao ex-presidente no ano que vem.

Jacques Wagner

As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

(Foto: José Cruz/ Agência Brasil/Fotos Públicas)

De fala calma e habilidade política afiada nos bastidores, Jacques Wagner pode dar continuidade à forte campanha do PT no nordeste, sobretudo depois da caravana de 25 dias de Lula nos Estados. Ex-governador da Bahia, Wagner foi ministro-chefe da Casa Civil e titular da pasta de Defesa no segundo governo Dilma, além de ter sido ministro das Relações Institucionais e do Trabalho de Lula. Com 66 anos, ele é um quadro petista experiente e com nome para tentar a presidência.

O ruim é que os institutos de pesquisa não levam sua candidatura a sério e a influência nacional de Wagner ainda não foi mensurada. O jornalista e escritor Alberto Carlos Almeida (ex-Valor Econômico) defendeu no site Poder360 que ele será o candidato do PT, sob o seguinte argumento:

"A maior quantidade de baianos fora da Bahia está em São Paulo. Não bastasse isso, Jaques Wagner tem pele alva, olhos azuis e fala mansa, algo que agrada até os mais empedernidos eugenistas. No Nordeste ele é chamado de galego, apesar dos cabelos grisalhos que transmitem o equilíbrio e a experiência característicos de quem tem mais idade (...).  Ele tem a malemolência política de cariocas, baianos e de todo aquele que mergulha no velho sincretismo brasileiro. Que o diga o seu orixá: Oxalá. Como se vê, em tudo ele é o oposto de Dilma".

O que conta contra Wagner é a delação do ex-diretor da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, divulgada em dezembro de 2016. Ele teria recebido propina junto com Rodrigo Maia, o atual presidente da Câmara e deputado pelo DEM. Pelas contas de Cláudio, Jaques Wagner levou R$ 7,5 milhões em dez parcelas, pagas entre agosto de 2010 e março de 2011. O ex-governador também aparece em grampos telefônicos divulgados por Moro na Lava Jato, falando com Lula e Dilma.

Hoje ele é Secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico da Bahia do governo Rui Costa.

Fernando Haddad

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(Foto: Lula Marques/AGPT/Fotos Públicas)

Ele seria o segundo nome numa chapa com o PT na presidência, embora o partido não fale abertamente dele. Com 54 anos hoje, Fernando Haddad seria um candidato jovem e ousado para o clima polarizado de 2018. Apesar de ser mais novo, ele tem experiência em cargos públicos e gerindo a mais rica cidade do país.

Vindo do movimento estudantil da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da USP, Haddad foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico do município de São Paulo na gestão Marta Suplicy, em 2001. Tornou-se assessor especial no Ministério do Planejamento do governo Lula, em 2003, e foi promovido ao cargo de Secretário-Executivo do Ministério da Educação, na gestão de Tarso Genro no ano de 2004 . Lá ele desenvolveu então o Programa Universidade para Todos (ProUni).

Fernando Haddad assumiu o cargo de Ministro da Educação do Governo Lula em 29 de julho de 2005 e fez a pasta atuar da creche até a pós-gradução, mudando a prova do Enem e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Ao fim de sua gestão, o investimento público em educação de 3,9% para 5,1% do PIB.

Foi eleito prefeito em São Paulo no ano de 2012, em pleno julgamento televisionado do Mensalão. Fez uma gestão focada na humanização da cidade, colocando ciclovias e ciclofaixas, aumentando corredores de ônibus e alterando o Plano Diretor municipal. No entanto, perdeu a reeleição em primeiro turno para João Doria Jr. no ano passado.

Haddad nega que é candidato e reitera a intenção de Lula em disputar a presidência. O Ministério Público acusa Haddad de ter fraudado licitação em construção de ciclovia de 12,4 quilômetros no trecho Ceagesp-Ibirapuera que custou R$ 4,4 milhões por quilômetro quadrado. Ele também refuta as acusações.

Ciro Gomes

As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

(Foto: Murilo Silva/CAPOL/Wikimedia Commons)

Ciro já está em campanha. Ele tem uma performance de cerca de 5% nas intenções de votos segundo os institutos de pesquisa, como Datafolha. Ele não representa o PT, mas sim o PDT que anteriormente tinha Leonel Brizola como candidato.

Ele tem muita experiência como candidato à presidência, em 1998 e em 2002, perdendo na primeira vez para FHC e Lula e depois para Lula e José Serra. Sempre em terceiro lugar, acumulou formação em cargos nos governos. Foi ministro da Fazenda de Itamar Franco e da Integração Nacional de Luiz Inácio Lula da Silva.

Passou por diversos partidos e foi um dos fundadores do PSDB ao lado de Tasso Jereissati, abandonando os tucanos quando brigou com Fernando Henrique Cardoso e sua candidatura pós-Plano Real.

Ciro Gomes se expõe como um homem de centro-esquerda, o que poderia agradar o eleitorado petista, mas não se identifica com a agenda de minorias LGBT, movimento negro ou feminista. Mostra-se como um desenvolvimentista na economia e critica o neoliberalismo. Pela visão de Brasil, poderia ser um excelente backup à candidatura de Lula.

No entanto, ele recentemente tem falado muito mal do ex-presidente. “Muito petista prefere o Bolsonaro”, disse o pré-candidato durante evento com universitários no Rio de Janeiro em 14 de setembro de 2017, dentro da FGV.

E disparou diretamente contra Lula:

"O Lula sabe o que fez. E não dá para ter uma narrativa dizendo o seguinte: olha, eu sou um perseguido político pelos adversários da direta, a serviço dos tucanos, etc e tal (...). Essa narrativa não se sustenta.É como você falar o seguinte: houve um golpe de Estado no país. Estou de acordo, houve um golpe no país. Sucede daí que quem fez esse golpe foi o Senado, cujo presidente era o Renan Calheiros, cujo novo presidente é o Eunício Oliveira. O que faz o PT, agora? Vota no Eunício para presidente do Senado e o Lula chega a Alagoas, na visita que faz ao Nordeste, e se abraça com Renan Calheiros. Tá pensando que o povo é imbecil?".

O discurso de Ciro é coerente. Mas ele quer ter qual eleitor? O de João Doria Jr.? Porque sua crítica menospreza que a esquerda lulista nunca confrontou realmente as elites - e nem Ciro Gomes tem realmente um projeto concreto e focado nos pobres e desfavorecidos no Brasil.

O PT não teria tanta segurança nele caso não tenha candidato.

Concluindo

O diretório estadual do PT e diversos quadros afirmam que o único candidato é Lula. Mas o discurso pode ser mais político do que prático, para confrontar diretamente a Lava Jato e seus abusos jurídicos.

É cedo para dizer, mas é importante ter estes nomes no radar caso Lula caia em desgraça na Operação Lava Jato. O campo da centro-esquerda enfraquecido favorece tanto a centro-direita representadas por Doria e Alckmin quanto a extrema-direita de Jair Bolsonaro. A extrema-esquerda não tem representatividade eleitoral, especialmente considerando as campanhas caras e corruptas no Brasil.

Apesar das críticas de Ciro Gomes a Lula, ele veria com bons olhos Fernando Haddad como seu vice. "Seria o dream team", disse ao jornal El País em agosto.

Será que o PT topa abandonar a grande disputa e fazer um candidato do PDT o seu candidato? A queda de Lula torna 2018 obscuro com Jair Bolsonaro.

Todos contra Janot e Gilmar: duas faces da moeda da Justiça brasileira

Prestes a sair dos holofotes públicos ao deixar a Procuradoria-Geral da República, Rodrigo Janot protagoniza uma queda de braço com Gilmar Mendes, um dos mais poderosos ministros do STF. Saiba como eles são faces diferentes da mesma Justiça falha do Brasil.

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(Foto: José Cruz/EBC/Fotos Públicas)

Um é o rosto do Ministério Público Federal que hoje está desmoralizado. O outro é uma face do Supremo Tribunal que soa amoral, acelerando alguns processos, brecando os que não interessam e arquivando os que vão contra seus interesses.

Gilmar Ferreira Mendes foi advogado do presidente Fernando Collor em seu impeachment e tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal a partir de 2002, por indicação do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Rodrigo Janot Monteiro de Barros foi escolhido por Dilma Rousseff para ocupar o lugar de Rodrigo Gurgel na Procuradoria-Geral da República em 2013 e verá seu mandato acabar em 17 de setembro de 2017 para entrar em seu lugar Raquel Dodge, a segunda da lista dos procuradores selecionados, indicada por Michel Temer.

O que ambos têm em comum? Janot e Gilmar são duas faces de uma mesma moeda que é o Poder Judiciário brasileiro com sua reputação destroçada. Em vez de agirem com a autonomia exigida de seus cargos, os dois mostram que MPF e STF atendem a muitos interesses políticos que não estão claros para a população.

Falta-lhes a transparência que o cargo exige.

Escândalo no Mato Grosso e conexão tucana

Embora seja respeitado no meio acadêmico como constitucionalista, Gilmar carrega nas costas um escândalo recente no Mato Grosso, sua terra de origem. O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) fez uma confissão de crimes que foi classificada pelo ministro Luiz Fux como "monstruosa".

O depoimento envolve dezenas de esquemas de corrupção envolveu o ministro da Agricultura e ex-governador, Blairo Maggi (PP), o atual governador, Pedro Taques (PSDB), dois dos três senadores locais, deputados e ex-deputados federais, representante do tribunal de contas e todos os deputados estaduais da legislatura anterior, entre eles o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB).

Um dos episódios envolvendo o nome de Gilmar lembrado na semana passada foi o da inusitada aquisição por parte do governo Silval de uma faculdade particular criada pelo ministro, uma irmã e outros três sócios no fim dos anos 90. A União de Ensino Superior de Diamantino (Uned) foi montada no pequeno município de Diamantino, região central do Mato Grosso, cidade natal do magistrado e onde seu pai e um irmão já foram prefeitos.

Diamantino é a cidade natal de Gilmar Mendes.

Segundo uma reportagem da Agência Pública de Jornalismo em junho, a estatização da faculdade é alvo de inquérito civil no Ministério Público Estadual, que apura as circunstâncias da operação. Na época da criação, um dos parceiros de Gilmar na empreitada foi o pecuarista Marcos Antônio Tozzatti, ex-assessor e atual sócio do ministro Eliseu Padilha (PMDB) numa fazenda de gado e, junto com ele, alvo de investigação por crime ambiental.

Fora este escândalo local, Gilmar foi flagrado em encontros com José Serra, Aloysio Nunes e Aécio Neves nas circunstâncias do impeachment de Dilma Rousseff. Ele também teria abafado a Operação Satiagraha, dando habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, e teria concedido liberdade ao estuprador e ex-médico Roger Abdemassih.

A ligação política mais forte de Gilmar na política é com Serra, com quem manteve ligações telefônicas que chegaram a ser reveladas à imprensa. No caso da delação premiada do empresário Joesley Batista na Operação Lava Jato, o ministro é descrito como um "trem" em um dos grampos e é mencionado justamente por sua influência política.

A falsa isenção e a conversa de bar

Do outro lado, da acusação, o procurador-geral Rodrigo Janot tentou manter uma postura de isenção no cargo especialmente durante as apurações da Lava Jato. Mas ele nada fez para impedir o impeachment de Dilma Rousseff mesmo sem um crime de responsabilidade claro, fora as alegações de "pedaladas fiscais" da ex-presidente.

Em 2016, Janot entrou em atrito direto por pedir a prisão de Renan Calheiros (PMDB) pelos áudios vazados do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que tramou o processo de impedimento de Dilma com o senador Romero Jucá (PMDB). Renan ignorou a determinação da Justiça e permaneceu em liberdade por uma manobra política.

No mês de maio de 2017, após dar seguimento às delações da Odebrecht, Janot conduziu as acusações do empresário Joesley Batista da J&F/JBS numa delação premiada que atingia mais de 1800 políticos, incluindo o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves. Entretanto, neste mês de setembro, Rodrigo Janot colocou a delação em dúvida ao constatar que Joesley tentou assediar seu ex-procurador Marcelo Miller para obter benefícios volumosos no processo, incluindo a permanência fora da prisão.

Flagrado em Brasília num bar com o advogado de Joesley Batista, Janot pareceu influir diretamente nas decisões do processo. No dia seguinte, 10 de setembro, o empresário se entregou para as autoridades, cumprindo o mandado de prisão expedido pelo ministro Edson Fachin.

Para não sair arranhado do cargo, como se só quisesse atingir Temer, Rodrigo Janot também denunciou Lula e Dilma em diferentes processos, pelo áudio que sugere tentativa de obstrução de Justiça quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quase se tornou ministro-chefe da Casa Civil (o do 'Bessias'), e a gravação que evidencia que o ex-ministro Aloizio Mercadante tentou impedir Delcídio do Amaral de fazer delação premiada.

Os dois tiros do procurador perto de sua saída tentam mostrar que ele não foi "tão leve assim" com o PT.

No entanto, faltou-lhe coragem para admitir que Joesley Batista também tem provas contumazes contra o presidente Temer.

A Justiça nas sombras

As atuações de Gilmar Mendes e Rodrigo Janot suscitaram reportagens e mais reportagens na grande e na pequena mídia criticando suas atuações. Bonecos inflados foram exibidos em protestos de rua. O partidarismo jurídico também foi exposto por grupos adversários.

Mesmo assim, eles permanecem onde estão, blindados nas sombras. Porque é assim que juízes, promotores e procuradores agem na política brasileira.

Acusam quem querem, abafam o que for conveniente e não julgam conforme qualquer equilíbrio jurídico.

"Todos" estão contra eles. Mas se estes "todos" forem do governo Michel Temer e de aliados como o PSDB, eles podem mudar de opinião de acordo com as conveniências do momento.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.