Coluna do Pedro Zambarda
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Como Antonio Palocci, homem forte de Lula, traiu seu mentor

Independente do que você pense a respeito de Palocci ou de Lula, uma grave traição está em curso. O motivo é realmente a corrupção do PT ou será um desejo de se livrar da cadeia imposta pelas penas de Sérgio Moro?

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(Foto: Marcello Casal Júnior/Agência Brasil)

A economia foi um grande trunfo dos anos de Lula no poder. Agora, com a Lava Jato avançando sobre seus homens fortes, um esquema de propinas pode colocar o legado do crescimento em seus anos a perder. O que Palocci poderá falar? E o que ele deixará de falar?

Como Antonio Palocci, homem forte de Lula, traiu seu mentor

(Foto: Agência Brasil/EBC)

No livro "Sobre formigas e cigarras", publicado em 2007, Antonio Palocci diz o seguinte sobre a sua indicação ao Ministério da Fazenda, o pico da sua carreira política: "o presidente eleito definiu os primeiros nomes para o ministério - o da Fazenda abriu fila. No início do encontro, Aloizio Mercadante fez uma longa exposição para explicar  por que não poderia trocar o Legislativo pelo Executivo. Ele sentia que precisava cumprir pelo menos um período do mandato recém-conquistado para, só então, se sentir condições de aceitar um eventual convite para ir para o governo. Se dependesse só dele, escolheria permanecer no Senado. Deixou claro, no entanto, que não se furtaria a atender uma convocação do presidente da República. Lula concordou com os argumentos de Mercadante e, na mesma hora, fez sua escolha: - Palocci: é você! - ele anunciou, olhando-me nos olhos. Já não cabiam mais firulas".

Passados quase 15 anos daquela escolha, será que Palocci se arrepende de ter dito "ok, senhor presidente, conte comigo"?

No dia 6 de setembro de 2017, num depoimento diante do juiz Sérgio Moro, parece que Antonio Palocci dá sinais de arrependimento. O fato é que sua aliança com Lula terminou quando seu pescoço ficou exposto.

Trotskista na juventude e fenômeno político

Antonio Palocci Filho tem 56 anos e é médico formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Militou na Libelu, Liberdade e Luta, corrente trotskista com quadros que se filiaram ao PT. Dizem que os esquerdistas desta vertente divergem do autoritarismo dos stalinistas e muitos dos colunistas de extrema-direita da imprensa, como Reinaldo Azevedo, foram militantes trotskistas na juventude.

Tornou-se vereador em 1988 em Ribeirão e venceu as eleições pra prefeitura da cidade em 92. Ganhou os prêmios "Criança e Paz", da Unicef e do Fundo das Nações Unidas, por defender seus direitos como gestor público em 1995. Também foi vencedor do prêmio Juscelino Kubitschek por trabalhos com pequenas e médias empresas em 96.

Não tinha experiência nenhuma com economia e relutou para aceitar o convite de Lula no governo. Ao ingressar, foi o arquiteto, ao lado de Henrique Meirelles, da "Carta ao Povo Brasileiro", que reafirmou os compromissos liberais do PT no governo federal e acalmou os mercados. Seu governo foi elogiado pela direita política e ele deixou a situação fiscal equilibrada para o sucessor no ministério da Fazenda, Guido Mantega, saindo ileso inclusive do escândalo do Mensalão.

No dia 25 de fevereiro de 2008, a Procuradoria-Geral da República denunciou Palocci ao Supremo Tribunal Federal por quebra de sigilo bancário no episódio envolvendo o caseiro Francenildo Costa. Também foram denunciados o ex-presidente da Caixa, Jorge Mattoso, o ex-assessor de imprensa de Palocci e o jornalista da revista Época, Marcelo Netto. Com essa denúncia, o deputado Palocci passou a réu na acusação de ter ordenado a quebra de sigilo bancário do caseiro ao Mattoso.

Ele foi julgado pelo STF e correu o risco de perder seus direitos políticos e a possibilidade de candidatura a mandatos futuros. O julgamento ocorreu em agosto de 2009 e Palocci foi inocentado.

Foi cogitado para ser candidato no lugar de Dilma Rousseff, em 2010, mas preferiu agir nos bastidores, tornando-se o ministro-chefe da Casa Civil de seu governo. Acusado de enriquecimento ilícito, no dia 7 de junho de 2011 Palocci pediu demissão do cargo que ocupava no governo. Renunciou também ao cargo de conselheiro da Petrobras.

Uma reportagem de Thiago Bronzatto publicada na revista EXAME deu a entender que Palocci realmente enriqueceu atuando na iniciativa privada. Ele teria atuado como consultor do falecido empresário Edson de Godoy Bueno, da Amil, e teria faturado R$ 20,5 milhões só em 2010. 

O ex-ministro forte dos governos do PT também firmava contratos de longo prazo ganhando entre R$ 300  mil a R$ 400 mil por ano com sua empresa Projeto, com sede que fica perto da avenida Paulista em São Paulo.

Prisão e condenação na Lava Jato

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(Foto: Reprodução/YouTube)

No ano de 2015, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar Antônio Palocci pelo recebimento de R$ 2 milhões para campanha de Dilma Rousseff do ano de 2010. A medida foi tomada por ordem do juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato em Curitiba. Em 26 de setembro de 2016, ele foi preso pela PF na 35ª fase da Lava Jato, batizada de "Omertà". Também foram presos seus ex-assessores Juscelino Dourado e Branislav Kontic, que atuavam como operadores e laranjas.

A mesma operação a Justiça Federal decretou o bloqueio de R$ 128 milhões em contas bancárias do ex-ministro, mas foram localizados aproximadamente R$ 61,7 milhões, sendo R$ 30 milhões da empresa Projeto Consultoria Empresarial Financeira, que pertence ao ex-ministro, e os outros 31 milhões em contas de investimento.

Em 5 de outubro de 2016, o ministro Félix Fischer do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou liberdade ao ex-ministro Antonio Palocci, mantendo a decisão do juiz Sérgio Moro, de prisão preventiva. No dia 26 de junho de 2017, foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos de prisão.

Pacto de sangue e traição de Lula

Se a condenação for mantida ou aumentar em instâncias superiores, Antonio Palocci provavelmente terá que cumprir entre dois a três anos em regime fechado. Pensando nisso, e visando reduzir sua pena, ele trocou o time de advogados e resolveu fazer uma delação premiada.

Inicialmente falou sobre o sistema bancário em depoimento a Moro e fontes vazaram que ele poderia falar da sonegação fiscal do grupo Globo. Mas, aparentemente, isso não foi suficiente para o juiz de Curitiba. Então ele resolveu entregar o "chefe".

Interrogado por Moro, o ex-ministro confessou delitos e revelou a existência de um "pacto de sangue" entre Lula e o empresário Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, que previa repasse de R$ 300 milhões da empreiteira para o PT.

Palocci disse não estar presente nas reuniões, mas afirma que ouviu isso da boca do presidente nas datas posteriores aos encontros. Ele também denunciou que Lula recebeu, pessoalmente, R$ 4 milhões em espécie. As informações foram dadas por seus advogados e os procuradores do Ministério Público informaram ao advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin Martins, que estão estudando um acordo de delação premiada com o ex-ministro.

Antonio Palocci terá que provar as informações que concedeu às autoridades, mas elas imediatamente mancham a reputação de Lula, que acabou de retornar de uma caravana de 25 dias no nordeste. E figuras-chave do PT receberam muito mal as novas informações do ex-companheiro.

De "cachorro" a traidor declarado

O jornalista Breno Altman, próximo de José Dirceu, afirmou em texto que Palocci se comportou como os "cachorros" da ditadura militar, que denunciavam seus companheiros de esquerda quando torturados. Em conversas nos bastidores, o PT já defende um plano B para 2018, lançando o governador da Bahia, Jacques Wagner, ou o ex-prefeito Fernando Haddad para a disputa eleitoral. A segunda opção é cogitada também como vice da candidatura de Ciro Gomes.

Dirceu disse à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que prefere "morrer a perder a dignidade como Palocci". “Só luta por uma causa quem tem valor. Os que brigam por interesse têm preço. Não que não me custe dor, sofrimento, medo e às vezes pânico. Mas prefiro morrer que rastejar e perder a dignidade”, disse.

No governo Lula, havia três homens poderosos na sustentação política e econômica da iniciativa de centro-esquerda: José Dirceu, Antonio Palocci e Guido Mantega. Dirceu foi preso no Mensalão e no Petrolão e não delatou. Palocci foi acusado no Mensalão, mas só foi preso no Petrolão e promete delatar. Mantega chegou a ter o pedido de prisão decretado, mas foi posto em liberdade por estar com sua esposa doente. A delação de Guido Mantega pode não afetar tanto Lula, mas pode exibir as entranhas da compra fraudulenta de Pasadena, que teve participação de Dilma Rousseff no board da Petrobras.

Independente de simpatizar ou não com Palocci, sua trajetória política fica em xeque e sua traição é visível.

Lula diz que está "decepcionado" com o velho amigo que indicou ao ministério da Fazenda. Mas o ex-presidente mantém sua agenda de militância política, de olho para 2018.

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

Enquanto rola a delação premiada de Antonio Palocci implicando o ex-presidente Lula, o governo Michel Temer se safa da sua pior crise política. Saiba como o presidente desmontou uma visão independente do Brasil na era PT, transformando a nação num espaço dependente.

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer
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(Fotos: Beto Barata/PR/Fotos Públicas)

O presidente Michel Temer, depois de uma viagem pela China, assistiu o desfile tradicional de 7 de setembro em Brasília com a família. Marcela e Michelzinho lhe fizeram companhia, assim como ministro e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira. No ano anterior, foi para esta festividade com a faixa presidencial depois do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2017 o presidente estava num ar maior de descontração.

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

O governo de Michel Temer continua empenhado no desmonte de políticas públicas que fizeram sucesso no passado. E algumas delas tornaram o Brasil verdadeiramente independente internacionalmente entre 2003 e 2016. Temer está no jogando de volta à dependência econômica.

Isso foi tema de capa da revista Carta Capital, publicação de esquerda, nesta semana.

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

(Foto: Reprodução/CartaCapital)

Vamos elencar alguns fatos sobre o país dependente de Michel Temer neste feriado da Independência do Brasil.

O Brasil independente

O documentarista Maurício Costa lançou no dia 6 o filme "EraDosGigantes" buscando responder uma pergunta: A política externa no Brasil foi partidarizada ou defendeu os interesses do Brasil na era Lula? O longa pode ser assistido por R$ 7 na internet.

O material mostra a relação amistosa entre o ex-presidente norte-americano George W. Bush e Lula, mesmo quando o governante brasileiro se recusou apoiar a Guerra do Iraque em prol da "luta pelos pobres". E o filme também realça como o nosso ex-presidente conversou com países latino-americanos como Bolívia, Venezuela e outros, ampliando a posição de destaque do Brasil. "A União Europeia é muito forte, os Estados Unidos são muito poderosos, mas o mundo não é só isso", afirma Luiz Inácio Lula da Silva no registro.

Países fortes economicamente defendem posturas internacionais mais ousadas e fazem acordos que não dependem necessariamente de nações mais ricas. Este era o Brasil da era Lula, um "gigante" segundo o filme. O documentarista entrevistou, além do ex-presidente, figuras como o ex-chanceler Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, Rubens Barbosa, Luiz Felipe Lampreia, Matias Spektor, Sergio Leo, o ex-ministro Cristovam Buarque, o jornalista Mino Carta e Oliver Stuenkel.

E o Brasil dependente

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Desde quando assumiu o governo, em 2016, Michel Temer dedicou-se a diminuir o país que encontrou. E fez isso sobretudo na política externa.

Enquanto o período lulista pensou de forma esquerdista, mas sem deixar de dialogar com grandes nações capitalista, o período de Temer tornou-se de direita e extremamente subserviente aos interesses externos. 

O atual governo desmontou as estruturas internacionais, pediu pela saída da Venezuela do Mercosul, aumentando as rixas externas com o regime autoritário de Nicolás Maduro, e aproximou-se da gestão neoliberal de Maurício Macri na Argentina. O presidente argentino foi apontado por Temer como um exemplo a ser seguido mesmo com a inflação em alta, desemprego e aumento de impostos. 

O Brasil também perdeu posição de protagonismo para criticar internacionalmente o governo Donald Trump e também pagou mico em reuniões na Noruega e em países da Escandinávia, com o presidente da República confundindo o governo com a Suécia.

A nação brasileira retomou negociações com a China, mas deixou de ter bom trânsito com a Rússia como era no governo Dilma e com diversos países menos desenvolvidos que contribuíam para nossa economia. Temer também fez questão de demonizar e afastar relacionamentos consistentes com Cuba, sobretudo com a posse de seu novo chanceler Aloysio Nunes.

Praga ideológica contra o pragmatismo diplomático

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

O Dia da Independência do Brasil nos convida a refletir: a vocação do nosso país é ser mesmo capacho dos Estados Unidos? Vale a pena privatizar tudo quando temos um escândalo de bilhões de reais e milhares de dólares envolvendo figuras-chave do PMDB e o presidente? Nascemos para ser dependentes? Uma colônia para sempre?

É difícil ter memória detalhada dos eventos quando temos a praga ideológica da direita cegando boa parte do país. O pragmatismo diplomático e o pensamento fora da caixa tornavam os brasileiros mais ricos e desenvolvidos.

Este sonho democrático e menos servil ainda pode voltar a existir. Mas não existe sob Temer.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.