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Como o ataque de Temer à Amazônia aumenta opositores ao governo

A redução de reservas ecológicas na região da Amazônia amplia os inimigos do governo federal. A revolta com as recentes medidas extrapola os limites da esquerda.

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(Foto: Neil Palmer/CIAT - Flickr/Wikimedia Commons)

Ecologia parece ser um assunto que unifica diferentes vertentes políticas. Ataques à maior reserva natural do mundo fazem parte de uma gestão governamental que privilegia o agronegócio e a mineração. Michel Temer sinalizou um reforço neste sentido.

Como o ataque de Temer à Amazônia aumenta opositores ao governo

(Foto: Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

No dia 23 de agostogoverno Temer acabou, por decreto, com a exploração exclusivamente estatal da Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados (Renca), uma área com alto potencial de ouro e outros metais preciosos que fica entre o Pará e o Amapá e tem 46450 mil km quadrados, pouco maior que a Dinamarca e localizado na Amazônia

Este decreto determinou, no final da ditadura militar, que somente a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), uma empresa pública pertencente ao Ministério de Minas e Energia, podia fazer pesquisa geológica para avaliar as ocorrências de minérios na área. A lei era de 1984 e sua mudança fez com que grandes empresas se interessem em explorar o potencial minério da área. 

A política é uma continuação da destruição da biodiversidade que já eram promovidos nos governos Lula e Dilma. A construção da usina hidrelétrica de Belo Monte contribuiu para aumentar a intervenção estatal no meio ambiente, além dos latifúndios de cultivo de soja e outras políticas pró-agronegócio e extração de recursos naturais que agradam grupos empresariais e não contribuem para a ecologia global.

A ação de Michel Temer, no entanto, gerou repercussão internacional. Sobretudo diante de veículos internacionais e entre a classe artística.

Classe artística e intelectual unida

Caetano Velloso, Fafá de Belém, Victor Fasano, Gretchen, Gisele Bündchen, Ivente Sangalo, Marcos Palmeira, Bela Gil e outros artistas, que inclusive foram favoráveis ao impeachment de Dilma, criaram o grupo 342Amazônia contra a medida de Temer. Abaixo-assinados eletrônicos foram criados e divulgados em redes como o Facebook e Avaaz.

Na mobilização, pouco importou as convicções políticas dos envolvidos. À esquerda e à direita, o governo Temer parece estar amontoando desafetos.

Repercussão internacional

A ONG Amazon Watch afirmou que a medida de Michel Temer é "pacote de ameaças". WWF Brasil condenou a falta de transparência da decisão. 

A emissora norte-americana CNN ressaltou que a reserva tem duas vezes o tamanho de Nova Jersey, enquanto o jornal britânico The Guardian repercutiu a declaração do senador Randolfe Rodrigues (Rede) de que este é "o maior ataque à Amazônia nos últimos 50 anos". A revista alemã Der Spiegel afirmou que a decisão deixou ambientalistas "alarmados".

Para o Financial Times, do Reino Unido, Temer está "trocando árvores por votos" do Congresso. 

O recuo

No dia 28 de agosto, antes de embarcar para a China, Michel Temer anunciou, em reunião com ministros, que ainda vai detalhar a exploração da área da reserva. A ação teria garantias ambientais e indígenas.

A quem Temer quer enganar fazendo isso? No entanto, o recuo do presidente da República acionou o sinal vermelho: o governo está aumentando e unificando seus opositores, por diferentes pautas. Da pauta ideológica até a ambiental, o presidente terá muita dor de cabeça até 2018.

Como o governo Temer está desmontando a ciência e as faculdades

Michel Temer está em guerra contra o ensino superior brasileiro? Em poucas palavras: sim. E se você é estudante, deveria estar preocupado com isso.

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(Foto: Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

O governo federal fez um novo inimigo além das esquerdas: os professores e estudantes de pós-graduação. Danificando seriamente a ciência, o presidente que emergiu do golpe pode provocar prejuízos no Brasil a longo prazo.

Michel Temer cortou 44% do orçamento na área de ciência e tecnologia em 2017, de R$ 5,8 bilhões para R$ 3,2 bilhões. A revista internacional Nature afirmou que os cientistas brasileiros estavam "horrorizados". E com razão.

O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é o titular da pasta da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Ele sucedeu Celso Pansera, que cuidou do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e André Figueiredo, que ocupou o Ministério das Comunicações.

Se Kassab ocupou a vaga de dois ministros, significa que Temer cortou muita verba dos cargos para achatar os investimentos públicos.

A lista de cortes

Em março de 2017, o Ministério da Educação sofreu bloqueio de R$ 4,3 bilhões no orçamento. A verba da pasta pro ano, que havia sido definida pelo Congresso em R$ 35,74 bilhões, foi reduzida para R$ 31,43 bilhões.

O achatamento está num corte maior de R$ 42,1 bilhões em gastos para cobrir rombo no orçamento. Defesa, Transportes e Cidades também sofreram cortes significativos. A mudança foi arquitetada pelo ministro José Mendonça Bezerra Filho, do DEM, foi qualificada como "grave retrocesso". Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), afirmou que “educação não é gasto. É investimento”.

Neste contexto, a pasta de Kassab anunciou cortes na ciência em abril. Os cortes já existiam, mas programas para graduação e pós-graduação como Ciências Sem Fronteiras (CSF) ainda eram mantidos. O corte no Ministério de Ciência e Tecnologia é o menor orçamento desde 2005.

O orçamento da ciência chegava próximo a 1% do PIB. Entre os 15 países que mais investem no segmento do mundo, a maioria deles coloca mais de 2% do Produto Interno Bruto em pesquisas acadêmicas e científicas.

A mudança provocada por Temer jogou o Brasil na 100º posição, entre 138 países, no quesito inovação do relatório global de competitividade 2016-2017 elaborado pelo World Economic Forum. No relatório, países da América do Sul, com economias menores do que a do Brasil, superam no quesito de inovação. São os casos de Chile (63º), Colômbia (79º), Argentina (81º) e Uruguai (83º). Com a maior economia do continente, estamos numa posição vergonhosamente pior.

Prejuízo a longo prazo

A canetada do presidente e de seus ministros representa redução de bolsas do CNPq, FAPESP e outros fundos que realizavam a maioria das pesquisas de grande porte no país. Se estudantes quiserem se graduar, o governo praticamente incentiva o ensino privado. Com a baixa qualidade da formação nestas instituições, estamos fadados ao fracasso. Não há, por exemplo, nenhuma universidade brasileira, fora a USP, com grande presença nos rakings internacionais. E ela é uma das poucas instituições com cerca de 100 mil alunos.

É verdade que Dilma, progressivamente, já vinha efetuando estes cortes diante de uma crise econômica aguda. No entanto, os retrocessos que estamos vendo com Michel Temer são realmente sem precedentes para as futuras gerações.

Desmonte é a expressão precisa sobre o que está acontecendo com a educação e a ciência no Brasil.

O protesto contra o desmonte

Está marcada a Segunda Marcha pela Ciência em São Paulo. Marcada para ocorrer às 15hrs deste sábado (2), a manifestação tem cerca de 2,5 mil interessados no evento do Facebook.

Parece bastante gente, mas é pouco frente às pesquisas brasileiras que podem se perder no governo Michel Temer. 

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.