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Daenerys e Cersei em Game of Thrones: como elas abordam a luta de classes?

Um conceito de esquerda muito presente em duas personagens femininas centrais da sétima temporada. Como isso afeta a narrativa de uma saga que se aproxima do fim? E como isso é apresentado ao telespectador? CONTÉM SPOILERS ABAIXO.

Daenerys e Cersei em Game of Thrones: como elas abordam a luta de classes?
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(Fotos: Reprodução/HBO GO)

[CONTÉM SPOILERS]

O conceito de luta de classes nasce com diferentes autores, incluindo Mikhail Bakunin, do anarquismo, afirmando que a repressão da burguesia com sua propriedade privada tirava o poder dos operários privando-os dos meios de produção. A Revolução Francesa e Industrial tiraram a Europa do feudalismo e deram poder aos capitalistas mercantilistas, criando o socialismo e a esquerda política como críticos deste sistema econômico. Além de Bakunin, David Ricardo, Pierre-Joseph Proudhon, Karl Marx e Friederich Engels desenvolveram a ideia  deste conflito em suas próprias obras teóricas. A ideia se popularizou no Manifesto Comunista de Marx, publicado em 1848.

O seriado da HBO Game of Thrones trouxe o conceito de luta de classes brevemente no episódio "Eastwatch", o quinto da sétima temporada que foi exibido no dia 13 de agosto. Embora tenha sido exibido muito superficialmente, é importante dizer que este tipo de conflito está presente nas rainhas Daenerys Targaryen e Cersei Lannister, protagonistas das intrigas mais recentes.

Daenerys e Cersei em Game of Thrones: como elas abordam a luta de classes?

Vamos esmiuçar estes conceitos.

O discurso de Daenerys, a rainha dos dragões

Na abertura do episódio, antes de executar os Tarly com o dragão Drogon, incinerando-os, a rainha filha do Rei Louco faz um discurso que dá o tom da sua ideologia como governante. Mesmo fazendo parte de uma casa tradicional, Daenerys Targaryen carrega conceitos que destoam da aristocracia dos sete reinos imaginados por George R. R. Martin para os livros que geraram o seriado.

"Eu sei o que Cersei disse a vocês que eu vim para destruir suas cidades, queimar seus lares, matar vocês e deixar suas crianças órfãs. Esta é Cersei Lannister, não eu. Não estou aqui para matar e a única coisa que quero destruir é a roda que rola entre ricos e pobres, que beneficia ninguém menos que as Cerseis Lannisters do mundo. Ofereço uma escolha. Fiquem de joelhos e juntem-se a mim. Juntos vamos fazer do mundo um local melhor do que aquele que conhecemos. Ou então recusem... e morram", diz ela.

Daenerys e Cersei em Game of Thrones: como elas abordam a luta de classes?

No minuto seguinte, Drogon intimida toda a tropa dos Tarly, que apoiaram a rainha Cersei de Porto Real.

Casa de Daenerys, os Targaryen dominaram os sete reinos por aproximadamente 300 anos e não representam exatamente o que poderíamos dizer que é a esquerda política. O pai dela, Aerys II Targaryen, ficou conhecido como o "Rei Louco" por incinerar inimigos e terminou morto por Sir Jaime Lannister, seu braço direito. Por conta disso, Daenerys Targaryen fugiu do continente de Westeros para não ser morta pelo novo rei, Robert Baratheon, foi praticamente vendida para o líder Khal Drogo, num casamento arranjado, da tribo dos Dothraki e começou a fazer política efetivamente fora dos palácios. O marido morreu por uma bruxaria, mas ela passou a dominar povos fora de Porto Real com seus três dragões: Drogon, Rhaegal e Viserion.

No deserto de Meereen, a rainha dos dragões libertou os escravos, dominou os Dothraki e construiu um exército para declarar guerra a Cersei Lannister, que assumiu o trono após a morte de seus filhos Jeoffrey, Tommen e Myrcella Baratheon. Apoiada pelo irmão de Cersei, o anão Tyrion, Daenerys carrega o discurso de que fará diferente quando assumir o trono.

Daenerys e Cersei em Game of Thrones: como elas abordam a luta de classes?

Ela vai acabar com a roda dos aristocratas que castigam a população em guerras para fazer um governo em que ex-escravos são escutados e têm posições de comando com a rainha. No entanto, apesar deste viés progressista e revolucionário, pouco conectado com o dinheiro, Daenerys Targaryen é bastante autoritária e tem um gosto por execuções parecido com o de seu pai.

Lannisters, os burgueses do seriado

Daenerys e Cersei em Game of Thrones: como elas abordam a luta de classes?

Filha do rico Tywin Lannister e de sua esposa Joanna, Cersei é a mais velha, gêmea de Jaime, com quem mantém um relacionamento incestuoso, e nascida um pouco antes dele. Assim como o pai, ela compartilha uma obsessão pelo poder em Westeros, tanto dos reis quanto de articuladores políticos nos bastidores. Dono de Casterly Rock, Tywin, o pai, tornou-se muito rico com minas de ouro. Assim ele construiu um imenso exército que deixou de herança para Cersei e Jaime Lannister.

Descrita pelo criador dos livros "As Crônicas de Gelo e Fogo" como uma personagem "sociopata" e "narcisista", Tywin Lannister tentou arranjar o casamento de sua filha Cersei com Rhaegar Targaryen. Rhaegar casou-se com Elia Martell e capturou Lyanna Stark, a prometida de Robert Baratheon, provocando uma revolta que causaria ruína à sua família.

Robert declarou guerra e, com apoio do ouro e dos exércitos de Tyrwin Lannister, venceu o Aerys II Targaryen, que foi morto pelas costas pelo ex-aliado Jaime Lannister, que era a "Mão do Rei" - uma espécie de conselheiro militar. Lyanna Stark morreu durante a guerra. Sua morte é cercada de mistérios nos livros, mas no seriado ela morre após dar a luz ao seu filho Jon Snow. Cersei acabou casando-se com o novo monarca Baratheon. Teve Jeoffrey, Myrcella e Tommen como filhos, mas a rainha não os teve com Roberto Baratheon e sim com sir Jaime.

Na guerra dos tronos, Joffrey e Myrcella Baratheon foram envenenados e Tommen cometeu suicídio quando Cersei salvou a vida de sua família matando inimigos dentro da corte. Com os filhos mortos, ela tomou posse como única rainha dos sete reinos, declarando guerra ao mundo.

Cersei Lannister, assim como o pai, nunca manifestou apreço nenhum ao povo de Westeros e prefere agir nos bastidores. Não é uma líder popular, e populista, como Daenerys Targaryen é, ao lado dos dragões que misturam ordem e opressão. A posição de Cersei, desta forma, é muito mais burguesa e aristocrática.

E a luta de classes da esquerda marxista se manifesta suavemente nas diferenças entre as duas rainhas de Game of Thrones. 

Não é apenas a ameaça dos mortos White Walkers que norteia o seriado fantasioso, mas sim o conflito entre visões diferentes de mundo que fazem muita política.

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

Embora moralmente reprovável, o nepotismo existe na política nacional brasileira e norteia as relações de poder entre figuras tradicionais e novos nomes. Conheça cinco pais que dominam e dominaram o nosso cenário.

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira
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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Fotos Públicas)

O Dia dos Pais em 2017 cai no dia 13 de agosto e a política é repleta deles. Num país onde as relações de poder se entrelaçam com as relações familiares, a corrupção floresce. E muito pai protege os seus herdeiros com o mau uso de dinheiro público.

Por isso separamos cinco histórias de dinastias que dominam a política brasileira.

1. José Sarney

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Fotos Públicas)

Pai de Roseana, José Sarney de Araújo Costa tem 87 anos e, mesmo sem exercer cargo público, ainda tem poder político. Foi o primeiro presidente do Brasil pós-ditadura militar numa eleição indireta, ao assumir com a morte de Tancredo Neves. Preparou a filha Roseana Sarney como candidata à presidência em 2002 depois de repassar o governo do Maranhão, o que se transformou num fracasso. Mesmo assim, o coronel José Sarney domina o seu estado através de subsidiárias da TV Globo e de sua longa carreira política, que fez apoiando o regime militar. A filha Roseana saiu do governo em 2014, com acusações de corrupção, deixando Arnaldo Melo. O clã Sarney foi derrotado por Flávio Dino, do PCdoB, em 2016, acabando com décadas de PMDB no poder de um estado com educação sucateada.

2. Renan Calheiros

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Jonas Pereira/Agência Senado/Fotos Públicas)

Pai de Renan Filho, Calheiros é um sobrevivente na política. Foi defensor de Fernando Collor de Mello no seu processo de impeachment e depois pulou para uma aliança com o PT de Lula a partir de 2006, que colocou Michel Temer como vice de Dilma Rousseff. Defendeu a presidente como pode, mas votou pelo seu impeachment. Com Temer no poder e uma proximidade grande com José Sarney, seu mentor no Senado, tornou-se crítico do presidente e forte aliado de Luiz Inácio Lula da Silva em 2017. Criou Renan Filho na política e o fez vencer para o governo de Alagoas em 2015, não sem antes torná-lo prefeito de Murici e deputado federal no estado onde ele é coronel.

3. Antônio Carlos Magalhães

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Wikimedia Commons)

Coronel na Bahia e avô de ACM Neto, Antônio Carlos foi homem forte da ditadura militar e do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi governador três vezes da Bahia, chegou a ser ameaçado a tiros na Câmara dos Deputados e era um homem que conhecia como ninguém as entranhas do poder. Ele fez parte do ARENA, PDS, PFL e morreu em 2007 no DEM, aos 79 anos. Preparou ACM Neto antes de falecer para a política. Seu sucessor político se tornou prefeito em Salvador no ano de 2013, depois de tê-lo eleito deputado federal 10 anos antes. ACM Neto é filho de Antônio Carlos Filho, que foi senador e é diretor da Rede Bahia de mídia, herdeiro do coronel ACM, o original.

4. Arnon de Melo

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Wikimedia Commons)

Pai do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Arnon Afonso de Farias Melo morreu em 29 de setembro de 1983, aos 72 anos. Entrou na política pela UDN antivarguista como suplente de deputado federal em 1945. Tornou-se deputado e governador, simultaneamente, por Alagoas em 1951. Além de político, era jornalista e advogado, o que firmou laços íntimos com a Gazeta de Alagoas e com a Rede Globo local com sua família. O episódio mais conhecido de Arnon de Melo envolve um crime. No dia 4 de dezembro de 1963, Arnon disparou três tiros contra o senador Silvestre Péricles, seu inimigo político, dentro do Senado. O senador Péricles estava na tribuna, a cinco metros de distância, e não foi atingido, mas ele acertou erroneamente um tiro no peito do senador José Kairala, do Acre, que morreu em seu último dia de trabalho. Apesar do assassinato na presença de inúmeras autoridades, Arnon de Melo não teve seu mandato cassado nem qualquer punição imposta pela Mesa. Os dois senadores foram presos em flagrante, mas ficaram presos pouco tempo e foram inocentados pelo Tribunal do Júri de Brasília. O filho Fernando Collor foi eleito presidente da República em 1989 e sofreu impeachment sob acusação de crime de responsabilidade por ter seu ex-tesoureiro de campanha, PC Farias, como testa-de-ferro de operações fraudulentas. Collor foi inocentado pelo STF, mas renunciou com abertura do processo de impedimento.

5. Roberto Jefferson

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(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Fotos Públicas)

Pai de Cristiane Brasil, ele é o homem-bomba do Mensalão. Roberto Jefferson denunciou em 2005 o esquema de caixa dois do PT e de suposta compra de votos no Congresso no governo Lula, arquitetada pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Antes de ser denunciante como deputado federal do PDT, foi defensor do governo Fernando Collor de Mello em pleno impeachment. Por não conseguir comprovar o Mensalão e por ser acusado de ajudar o esquema criminoso, foi condenado a sete anos e 14 dias de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. Passou para o semiaberto em 2015 e quitou suas pendências com a Justiça em 2016. Desenvolveu a filha Cristiane Brasil primeiro como vereadora no Rio de Janeiro, em 2005, e depois como deputada federal, eleita em 2015.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.