Coluna do Pedro Zambarda
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Do Tea Party ao Alt-Right: O fascismo ressurgiu nos Estados Unidos?

A eleição de Donald Trump levantou as orelhas de muita gente: Discurso de ódio voltou? É normal ver um presidente em sua primeira semana de mandato afirmando que a CNN é uma emissora "fake news"? E quem é a base de sustentação de Trump? Vamos entender um pouco sobre isso através de dois grupos.

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Nascido em 2009 e ganhando força em 2011 com a candidata a vice-presidência Sarah Palin, o Tea Party se inspirou em movimentos revolucionários em 1773 contra a taxação do governo britânico colonial nos Estados Unidos. A ideia deste grupo de extrema-direita era ir contra o plano de saúde pública de Barack Obama e qualquer iniciativa estatizante da centro-esquerda americana.

Palin concorreu com o moderado John McCain e perdeu para Obama. Tornou-se governadora da região do Alasca e personagem folclórica dos EUA. Mas as sementes ideológicas dela do radicalismo do Partido Republicano contra os democratas estavam plantadas.

O supremacista branco Richard Spencer deu origem ao Alt-Right em 2010. Ele é autor de livros e cuida de publicações. Com a força da propaganda, espalhou a ideia de fazer uma "limpeza étnica pacífica". O discurso dele se aproxima de maneira perigosa do neonazismo europeu e mundial.

Mesmo com ideias que parecem com as de Hitler, Spencer ainda é entrevistado pela imprensa e é visto com bons olhos pelo americano médio, caipira e reacionário. Isso rendeu memes com dois socos que ele sofreu de Black Blocs durante reportagens.

Ele, no entanto, reivindica um papel relevante a vitória de Donald Trump contra Hillary Clinton. "Hail Trump, hail our people, hail victory", diz Richard Spencer num vídeo aberto do YouTube.

A sua ideia é proteger a "sua gente" - branca, hétero e classe média (sendo que muitos deles perderam emprego na era Obama).

Isso abre espaço para defender a eliminação do outro, física ou ideologicamente. O Alt-Right hoje é xenofóbico, anti-Movimentos Negros, homofóbico e dá todo o respaldo para as políticas de Trump nos dias atuais agradarem o americano braco prejudicado na recessão econômica.

Tea Party não é a mesma coisa que Alt-Right. Alt-Right não é a mesma coisa que Donald Trump. Mas os três mostram uma linha de evolução natural de uma extrema-direita nos Estados Unidos, que chama qualquer esquerdismo ou política pública de "extrema-esquerda". Ou "comunismo".

Benito Mussolini criou o Partido Fascista em 1919 em Milão. A ideia era um nacionalismo inconsequente e um louvor da cultura romana, típica da Itália.

Mussolini deu as bases para o hitlerismo alemão.

Estamos vendo isso acontecer de novo nos Estados Unidos?

Sobre o machismo explícito de Reinaldo Azevedo contra Joice Hasselmann

A discussão sobre direita e esquerda, e sobretudo agora dentro das direitas, descambou para uma baixaria dentro do colunismo político brasileiro. Criticado por suas posturas depois do controverso impeachment de Dilma Rousseff, Reinaldo Azevedo resolveu deferir ataques sem sentido a uma ex-colega do site da revista Veja. Desespero? Talvez. Os números mostram que Reinaldão não anda no seu melhor momento.

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No dia 16 de fevereiro de 2017, a jornalista e ex-apresentadora da Veja, Joice Hasselmann, gravou um vídeo questionando, de maneira respeitosa até, se o polemista de extrema-direita Reinaldo Azevedo não estava vacilando em suas críticas ao juiz Sérgio Moro e à Operação Lava Jato. Desde sua saída da publicação, Joice assumiu que defende as atuações da Polícia Federal no caso, numa postura claramente antipetista.

O que surpreendeu na ocasião não foi o questionamento de Joice Hasselmann, normal inclusive no espectro das esquerdas (olá Paulo Henrique Amorim e Leonardo Attuch, tudo bem?), mas sim a resposta raivosa de Reinaldão.

Reinaldo Azevedo utilizou seu canal na Rádio Jovem Pan, do programa Os Pingos nos Is de 17 de fevereiro, para falar durante mais de 24 minutos (!) sobre Joice. No meio do palavreado todo, "Tio Rei" exalta o fato de ter cinco empregos, ser o colunista que é e aproveita a oportunidade para deferir ataques baixos à vlogueira.

Diz que Joice Hasselmann "não sabe de nada", "é burra", "é a loira do banheiro", "não leu Machado de Assis" e insinua em diferentes momento que ela tem "exuberância" física.

O pico da baixaria é quando Reinaldão fala para Joice, abertamente e sem provas, que "dormir com pessoas não nos deixa mais inteligentes, nem que seja Schopenhauer".

Reinaldo Azevedo também relembra as acusações de 65 plágios contra Joice Hasselmann formulada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindijor-PR), que foi a público em junho de 2015.

Ele também aponta erros de crase e de vírgulas nos texto de Joice. E diz que teria demitido ela ou nem a teria contratado para trabalhar na Veja.

A jornalista respondeu com mais dois vídeos afirmando que "Reinaldo Azevedo pensa que é Deus". "Desculpe, Reinaldo. Lamento dizer. Você não é Deus", complementa ela mesma.

Joice Hasselmann está correta e Reinaldo está decadente.

A jornalista do Paraná falou em apenas três vídeos sobre o assunto. Reinaldão falou por 24 minutos na Pan, mas fez histeria nas redes de todos os locais onde trabalha. Gravou três vídeos ao todo (incluindo Veja) e escreveu pelo menos dois textos intermináveis em seu blog, chamando-a de "apedeuta" - o apelido ignorante que ele reservava para Lula. Chamou Joice também de "direita xucra" por apoiar Jair Bolsonaro, como se os seus leitores não concentrassem também os fãs do defensor da ditadura militar.

Com as críticas da internet, Reinaldão adotou um comportamento padrão muito bem descrito pelo jornalista Paulo Nogueira no site Diário do Centro do Mundo: Diz que não lê textos dos adversários, tenta desqualificar e parte para agressões de baixo nível. Além disso, Reinaldo Azevedo fechou os comentários no vídeo da Jovem Pan.

Este comportamento já repercute em sua audiência de direita.

O jornalista Pedro Burgos criou um observatório de repercussões das mídias de esquerda e direita no Facebook, analisando compartilhamentos, alcance e fãs. Dá pra ler aqui - http://media.pburgos.com/

Reinaldão está abaixo de Bolsonaro, Rodrigo Constantino (que defendeu Joice Hasselmann), Antagonista, MBL, Implicante... e está na frente somente do site Reaçonaria.

Pelo visto ser de direita e machista para gerar polêmica não está dando muito certo.

Reinaldo Azevedo diz que tem empregos na revista Veja, no jornal Folha de S.Paulo, na Rádio Jovem Pan e na RedeTV. Diz que vai ter mais locais para trabalhar. Se ele foi um dos maiores colunistas políticos entre 2008 e 2012, sucedendo Diogo Mainardi na Veja, hoje ele já não tem mais a mesma influência.

O autor deste texto não tem afinidade ideológica nenhuma com Joice Hasselmann, mas é flagrante como o debate político perde com tamanha baixaria vinda de um suposto conservador.

Reinaldo Azevedo atacou Joice porque ela é mulher. 

E porque ele pensa mesmo que é Deus.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.