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Doria volta a falar com FHC: o prefeito agora é candidato presidencial do PSDB?

O PSDB está praticamente fechado com a candidatura Geraldo Alckmin. Será que o "príncipe dos sociólogos" vai mudar a ideia do seu partido sobre quem deveria ser o nome para emplacar 2018?

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(Foto: Reprodução/Instagram/João Doria Jr.)

O PSDB aos poucos se torna notoriamente conhecido como um partido formado por políticos que traem uns aos outros. E nada simboliza isso melhor do que a briga nos bastidores entre Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo, e João Doria Jr., o prefeito e seu pupilo político.

Há uma história conhecida dos tempos da criação do Plano Real que é contada por Ciro Gomes sobre Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati. Nos anos 90, FHC reuniu, após decidir o plano econômico do governo Itamar Franco, os possíveis presidenciáveis num restaurante. Tasso estava com Ciro, Fernando Henrique e Mário Covas. Ele era o candidato à presidência na opinião de Ciro Gomes. FHC atropelou todos os presentes para se declarar o homem do PSDB na corrida. Covas e Tasso acataram a decisão, mas Ciro protestou contra. Desde então, Ciro Gomes rompeu com Fernando Henrique, que usou o Plano Real para se promover como presidente da República.

No dia 25 de agosto de 2017, Fernando Henrique parece ter feito a mesma coisa com João Doria Jr. Jantou com o prefeito de São Paulo e prometeu que faria uma palestra no Lide, seu grupo empresarial que funciona como uma base informal do seu governo e promove encontros.

Em junho, FHC disse que Doria "não mudou nada de São Paulo e só faz sucesso no celular". Como ele mudou de opinião em apenas dois meses?

Isso é compreensivo se você verificar o próprio posicionamento de Tasso Jereissati hoje, uma vez que ele assumiu a presidência interina do PSDB depois da delação de Joesley Batista ter atingido seu antigo líder, Aécio Neves, com acusações graves de corrupção. Tasso, ex-governador do Ceará, disse que "Alckmin é o primeiro da fila" para disputar a presidência da República.

No partido, havia um consenso sobre o nome do governador de São Paulo. Em um relato publicado na revista Piauí em junho, o ex-prefeito petista Fernando Haddad afirmou que Geraldo Alckmin não apoiou o impeachment de Dilma Rousseff porque sabia que a legenda o indicaria para a disputa de presidente em 2018. Ele temia os impulsos de José Serra, que perdeu a eleição em 2010, e do próprio Aécio, que era candidato em 2014 e pediu recontagem de votos.

A certeza de Alckmin candidato fez Doria flertar com outros partidos. Foi chamado de parceiro por Michel Temer num encontro em São Paulo no mês de agosto. Mas a conversa não se restringiu ao PMDB. O DEM de Rodrigo Maia era outra possibilidade para João Doria Jr. fora do PSDB. O fato é que, com tantas viagens para fora de São Paulo e para fora do país, Doria faz mais marketing do que governo municipal. Por ele, seria presidenciável amanhã. E, para isso, ele precisa de apoio dos caciques. O mesmo tipo de ajuda que teve para ganhar de Haddad no primeiro turno.

Ou seja, numa repetição do que aconteceu em 1994, Fernando Henrique dá um passa pra lá nas declarações públicas de Tasso Jereissati e pode se aproximar de João Doria para torná-lo o seu candidato. Desde o final de seu governo, FHC está órfão de um sucessor e não fez, como Lula, Dilma presidente em 2010 e em 2014.

O problema é que o ex-presidente terá que oficializar a traição de Doria com seu criador político: Geraldo Alckmin. Por isso, ergue-se a dúvida.

Será que João Doria Jr. é mesmo o candidato? É sério mesmo?

Lula e a aliança vergonhosa com Renan Calheiros são espólios do PMDB rachado

O senador traiu o PT e voltou pelo impeachment de Dilma Rousseff. Agora Renan aparece dividindo palanque com Lula. O que ele pretende? E Lula? Vai voltar a fazer alianças com as velhas raposas da política, sabotando a esquerda?

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(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas)

O PT, mesmo golpeado, parece não ter se liberado dos velhos vícios. A autocrítica se faz necessária num momento decisivo da pré-campanha presidencial. O homem que pode ser o futuro do partido pode colocar tudo a perder neste aperto de mãos. Mas existem razões para o acontecimento.

Em 22 de agosto de 2017, Lula estava em pré-campanha presidencial passando por Alagoas. O ex-presidente chegou até a cidade de barco, numa jornada registrada ao vivo em suas redes sociais, especialmente no Facebook e no Twitter. Até então estava tudo certo nas aparições públicas de Luiz Inácio Lula da Silva.

Eis que Lula sobe ao palanque com o governador do estado, Renan Filho, e seu pai, o senador Renan Calheiros do PMDB. Renan, animal antigo da política nacional, aproveitou o evento para capitalizar sua audiência com o ex-presidente.

O que aconteceu para o presidente mais popular da história brasileira recente aparecer com coronéis do nordeste?

Os espólios

Há um ditado comum no jornalismo que diz "na dúvida, siga o dinheiro". Renan Calheiros foi o homem que protegeu Fernando Collor de Mello enquanto pôde do impeachment nos anos 90, Livrou-se, em 2007, de denúncias que vieram de uma reportagem de capa da revista Veja. Na ocasião, a empreiteira Mendes Júnior pagava R$ 12 mil por mês à jornalista Mônica Veloso, sua amante, por trocas de favores. Renan foi absolvido das acusações, numa manobra que contou com a ajuda de seu padrinho político, José Sarney.

Quando Sarney saiu da presidência do Senado, no governo Dilma Rousseff, Renan assumiu seu posto e defendeu o quanto pôde a ex-presidente eleita. No processo de impeachment arquitetado por Eduardo Cunha, as pressões políticas do próprio PMDB e de Michel Temer forçaram Renan Calheiros a mudar seu voto sobre o impedimento.

O golpe parlamentar, no entanto, não foi total. Apesar de condenar Dilma sem crime de responsabilidade claro, Renan votou com o senador Randolfe Rodrigues (Rede) para manter os direitos políticos da ex-presidente.

Depois da deposição, Renan Calheiros parecia ser mais um aliado de Temer. No entanto, a ação do STF de dar seguimento às investigações da Operação Lava Jato o levou a mudar de direcionamento político. Renan chegou a recusar o pedido de afastamento da presidência do Senado pedido pelo Supremo. Simplesmente não recebeu a documentação que a Justiça queria obrigá-lo a receber.

Numa habilidade política pouco vista no cenário nacional, dobrou o Poder Judiciário e saiu da presidência do Senado sem ser cassado. Seu cargo foi ocupado por Eunício Oliveira, homem forte de Michel Temer. E, desde o episódio, Renan Calheiros virou oposição.

E virou petista desde criancinha, falando abertamente que apoia a candidatura do ex-presidente Lula, seu antigo aliado. Com a crise econômica aprofundada por um crescimento que não chega a 1% do PIB, o PMDB literalmente rachou entre Renan e Temer. Eduardo Cunha, o grande catalisador do processo, foi preso pela Lava Jato. E cada um dos congressistas teme uma judicialização generalizada.

Portanto, mais do que antigos vícios, o que interessa ao PT numa aliança com Renan Calheiros são os espólios desta disputa. Por sua vez, o que interessa em Lula para Renan é a recuperação de seu capital político depois de tantas manobras para se livrar da cadeia.

Lula declarou, em sua conta oficial no Twitter, no dia 25 de agosto: "Eu estou convencido que a aliança política continua necessária. O Renan pode ter todos defeitos, mas me ajudou a governar esse país".

O que está em jogo nesta disputa suja é uma pauta comum de sobrevivência política.

Unidos pela crítica à Lava Jato

No entanto, apesar das alianças baseadas em propinas entre PMDB e PT, há uma motivação digna nesta união mostrada em Alagoas. Com exceção das investigações feitas por Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República baseadas na delação premiada de Joesley Batista e da JBS, nenhuma outra linha de apuração da Lava Jato atinge Michel Temer.

Temer se beneficiou com as denúncias do juiz Sérgio Moro afetarem principalmente partidos como PP e PT, sem tocar em seus homens fortes, como Romero Jucá e Geddel Vieira Lima. Quando Eduardo Cunha ameaçou delatar o presidente da República em exercício, Moro não considerou suas declarações. O temor de Renan, com a blindagem de Michel Temer, é justamente todos os inimigos deste governo serem investigados.

É o que Temer fará se Raquel Dodge cumprir sua função de afundar os avanços que Rodrigo Janot fez nas investigações de seu grupo governamental.

O apoio político a Lula seria, portanto, uma aposta redobrada de que a crítica à Operação Lava Jato é o que vai prevalecer. E seria uma resposta de uma classe política unida contra os abusos do judiciário.

Corretos ou não, o ex-presidente e o senador golpista têm suas razões para trocarem abraços e apertos de mão numa aliança vergonhosa.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.