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Estadão diz que Bolsonaro é de esquerda: faz sentido?

Breves considerações sobre o texto do jornal que faz comparações rasteiras que podem confundir o leitor desavisado sobre as reais intenções de Jair Bolsonaro caso chegue ao poder em 2018.

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(Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados/Fotos Públicas)

O grande jornal de São Paulo começa a se preocupar com o pré-candidato de extrema-direita. Será que suas ideias são retrógradas demais? O que há de equivocado no texto? E quais pontos ressaltam o medo que a própria direita tem de Bolsonaro.

O deputado Jair Bolsonaro foi tema de um texto do jornalista Gilberto Amendola do jornal O Estado de S.Paulo. Com o título "O antipetista com ideias de esquerda", a reportagem defende que o congressista de extrema-direita pode ser uma ameaça à direita neoliberal se for realmente candidato ao cargo de presidente da República em 2018.

Ele tem ideias de esquerda mesmo?

Estatismo como vertente de esquerda

O Estadão é taxativo no começo do texto, afirmando com todas as letras que Bolsonaro apoia um governo forte e intervencionista quando o próprio pré-candidato é contraditório em entrevistas, ora apoiando privatizações, ora falando no nacional-desenvolvimentismo. A confusão é óbvia porque Jair Bolsonaro se diz fã dos ditadores e generais da ditadura, como Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo. E nenhum deles apoiou uma economia liberal, apostando na reserva de mercado e no Estado grande como prerrogativas sociais.

Em seguida, o jornal se vale de declarações dos cientistas políticos Bolívar Lamourier e Christian Lohbauer. Entre os dois, Lamourier faz parte do círculo de intelectuais que orbitam ao redor do PSDB e são extremamente críticos ao PT. No entanto, ele parece não concordar com um candidato fora do círculo tucano, como é o caso de Bolsonaro, embora diga que o partido de direita "perdeu a identidade e beira o surrealismo".

Analistas das corretoras Gradual e XP Investimentos, também consultadas pelo Estadão, também afirmam que Bolsonaro trará insegurança ao mercado financeiro se frear as reformas encabeçadas por Michel Temer. O professor da FGV Joelson Sampaio endossa as mesmas teses.

Por que estes intelectuais pensam desta maneira? Porque eles ainda separam esquerda e direita pela presença estatal na economia, o que é uma falácia. Desde a Revolução Francesa de 1789, o conceito de esquerda se desenvolveu em torno de uma pauta de maior igualdade social, enquanto a direita defende direitos individuais e, portanto, os mecanismos de lucro do capital. O Estado forte tem mais a ver com governos mais ou menos autoritários.

O Estadão, portanto, reduz a opinião de especialistas para apontar, de maneira controversa, que Jair Bolsonaro teria alguma familiaridade com as pautas de Lula e de Dilma com a maior presença do governo na economia. Isso não é verdade. O Estado brasileiro, para o ex-capitão Bolsonaro, serve como órgãos repressor e, portanto, de segurança nacional. Os ex-presidentes petistas pensam no governo e nos organismos estatais como mecanismos de distribuição social. O PT nunca se opôs à pauta liberal, desde que ela não impedisse a transformação das classes sociais em seus governos.

Mas vamos às declarações em si

Bolívar Lamourier disse ao jornal Estadão: “Com ele [Bolsonaro], o País caminharia, sem dúvida, para a velha tradição populista e nacional-desenvolvimentista, cujo último exemplo foi o governo de Dilma Rousseff. O contrário do que, no meu entender, do que o Brasil precisa”.

Christian Lohbauer vai na mesma linha e amplia a crítica mais simpática aos tucanos, que adotaram Geraldo Alckmin como candidato em 2018: “Ele se ampara na burocracia militar-desenvolvimentista. Não fala sobre concorrência e representa um nacionalismo de proteção. Não fala em integração comercial, das cadeias produtivas, não fala em inserir a economia nas cadeias internacionais...”.

André Perfeito, economista da Gradual, solta o seguinte: “[Bolsonaro] tem um modelo nacional-desenvolvimentista, um pouco antimercado”.

Qual a prova de que Jair Bolsonaro rejeita o mercado financeiro? Ficamos sem a resposta no texto. O pré-candidato responde que técnicos em economia são os mesmos que "levaram o Brasil ao buraco", e reforça que é oposição à esquerda.

Ele próprio não é claro em suas ideias, de acordo com as declarações públicas. Mas o Estadão, ainda assim, tascou na manchete que Bolsonaro pode ser meio esquerdista.

Dá pra entender?

Doria é cortejado por quatro partidos: o antipetismo o fará seu candidato?

Durante sua viagem na França, o prefeito João Doria Jr. dá resposta vaga ao Estadão afirmando que é cortejado por outros partidos, embora dispense prévias dentro do PSDB contra Alckmin, seu padrinho político. O antipetismo, sozinho, vai erguer o seu candidato menos extremista?

Doria é cortejado por quatro partidos: o antipetismo o fará seu candidato?
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(Foto: @jdoriajr/Fotos Públicas)

Jair Bolsonaro já é o candidato de extrema-direita baseado no pensamento antipetista e pró-militarismo, atraindo simpatizantes da finada ditadura militar. Será que João Doria Jr. se consolida como a liderança de centro-direita que vai erguer a bandeira do antipetismo contra Lula ou qualquer candidato de esquerda? Pelas declarações recentes à imprensa, parece que Doria vai tentar mesmo se isso for de encontro aos interesses de seu partido.

O jornalista Pedro Venceslau, do jornal O Estado de S.Paulo, fez uma entrevista com o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., sobre sua possível candidatura à Presidência em 2018. "O senhor esteve com o presidente da França, Emannuel Macron, que foi eleito após criar uma novo partido. É, segundo disse, uma referência. Falando francamente: após receber convites do PMDB e DEM, descarta a possibilidade de deixar o PSDB?", perguntou o repórter.

A resposta do prefeito foi vaga, mas esclarece muito bem quais são as suas intenções para o ano que vem.

"A política traz sempre ares, tempestades e fatos que não estão dentro do seu prognóstico. Isso se aprende rápido na vida política. Estou na política, mas não sou político. Não tenho intenção de mudar de partido, mas é sempre bom ouvir de outros partidos que você é bem-vindo. Não é só o PMDB e o DEM. Outros dois partidos tiveram a gentileza e a delicadeza de abrir as portas caso necessário. Agradeci. Estou no PSDB desde 2001, muito antes de pensar em ser candidato. Não entrei por conveniência. Pretendo continuar no PSDB, até que alguma circunstância me impeça disso. Em relação ao futuro, cabe a Deus indicar, iluminar e definir qual é o destino".

E ele também disse que não disputará prévias dentro do PSDB contra Geraldo Alckmin, seu mentor político, embora os dois tenham discordâncias. Um partido que quer Doria é o PMDB e o outro é o DEM, de Rodrigo Maia, que almeja ocupar o espaço da legenda de Temer no "centrão" do Congresso. Quem serão os outros dois? Partido NOVO e Rede, sendo o último de Marina Silva?

Traição de Doria para Alckmin à vista, numa eventual troca partidária?

O traidor e sua cria

Doria é cortejado por quatro partidos: o antipetismo o fará seu candidato?

(Foto: Ciete Silvério/A2img/Fotos Públicas)

Não é só 2018 que cria rachaduras no relacionamento entre Doria e Alckmin. O governador de São Paulo quer o senador Tasso Jereissati, tucano histórico, para ocupar a presidência do partido no lugar de Aécio Neves, que é acusado de corrupção na delação de Joesley Batista dentro da Operação Lava Jato.

Doria prefere o governador de Goiás, Marconi Perrillo, que esteve envolvido com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e chegou a ser investigado na Operação Monte Carlo da Polícia Federal.

Há quem enxergue traços de outros tucanos na possível candidatura João Doria Jr. Numa visita a Campina Grande, na Paraíba, o colunista de política Augusto Nunes afirmou que o prefeito poderia estar se aproximando de Cássio Cunha Lima, senador do Estado. Ele é aliado político histórico de Aécio e, portanto, não tem vínculo nenhum com Geraldo Alckmin.

Entre a cruz e a espada

Dentro ou fora do PSDB, Doria pode ser candidato a presidente sob o discurso de que é gestor e não político, que cada vez convence menos gente. Além disso, pode dobrar a aposta no antipetismo, produzindo com a grande imprensa capaz como a da revista ISTOÉ apontando-o como o "Anti-Lula".

No entanto, para o bem do tucanato, a melhor coisa que João Doria faria para não perder a amizade de Alckmin seria ficar quieto governando sua cidade. Coisa que ele não parece inclinado a fazer, aumentando ainda mais o racha no parque da direita política.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.