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FHC agora é o ex-presidente "contra a direita"?

Sobre uma coluna recentemente publicada por Fernando Henrique no jornal O Estado de S.Paulo.

FHC agora é o ex-presidente "contra a direita"?
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(Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Durante discurso na Associação Comercial do Pará, onde recebeu o título de cidadão belenense no dia 6 de outubro, o prefeito João Doria Jr. disse que não se classifica como de direita. A declaração ocorreu na mesma semana que o extremista Jair Bolsonaro tenta abraçar os direitistas. O que acontece com a direita brasileira?

No dia 8 de outubro, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso publicou no Estado de S.Paulo um texto de opinião chamado "Quais os rumos do País?". O material, publicado no jornal na mesma semana em que a revista Veja bate em Jair Bolsonaro, parece finalmente se livrar do antipetismo típico do PSDB e apontar algumas preocupações políticas legítimas.

Diz FHC no texto: "Se não organizarmos rapidamente um polo democrático (contra a direita política, que mostra suas garras), que não insista em 'utopias regressivas' (como faz boa parte das esquerdas), que entenda que o mundo contemporâneo tem base técnico-científica em crescimento exponencial e exige, portanto, educação de qualidade, que seja popular, e não populista, que fale de forma simples e direta dos assuntos da vida cotidiana das pessoas, corremos o risco de ver no poder quem dele não sabe fazer uso ou o faz para proveito próprio".

Fernando Henrique abusa de clichês na publicação, falando do mundo pós-Guerra Fria, embora aponte corretamente que a antiga China comunista se impôs ao mundo pela economia e não mais pela agressividade das guerras, enquanto os Estados Unidos aprenderam a conviver com ela. Afirma que, quando ocupava a Presidência da República, repetia que o Brasil precisava de "rumos" e que ele "tratava de apontá-los". Emenda que o atual governo Michel Temer pode estar perdendo oportunidades históricas, bem como o futuro presidente. E também diz que as esquerdas (representadas por Lula, talvez) encamparam as "utopias regressivas". Praticamente é um sinônimo de que "praticaram corrupção".

Mas o texto surpreende sobretudo por FHC se colocar no oposto ao espectro da direita. Justamente ele, o ex-presidente que mais praticou privatizações sem a correta fiscalização e que aprovou a controversa emenda da reeleição. Justamente ele, o ex-presidente que governou com o PFL e com Antônio Carlos Magalhães. Com esse passado, Fernando Henrique tem muito pouco a mostrar de melhor comparando com o governo de coalizão entre Lula, Dilma e Michel Temer, que geraram animais corruptos como Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha e outros.

Seria Fernando Henrique Cardoso outro ex-presidente "contra a direita"? Será que Bolsonaro amedronta tanto a ponto das principais figuras do país o abandonarem em seus extremismos justamente com a direita? Vale a pena abraçar o centro e a esquerda pela própria salvação?

As ideologias de muitas figuras públicas variam conforme a ocasião. Fernando Henrique era visto como um sociólogo esquerdista quando foi perseguido pela ditadura e como líder liberal quando assumiu a Presidência, conivente inclusive com a corrupção que ele tanto repele. Quando assumiu o cargo no Palácio do Planalto, FHC pediu: "esqueçam o que eu escrevi".

Será que o ex-presidente vai falar agora: "esqueçam o que eu representei?".

Palestra de Obama no Brasil: ele pode e Lula não?

O presidente americano pode ganhar US$ 400 mil por palestra? E por que o ex-presidente Lula é investigado pelas mesmas práticas com seu instituto?

Palestra de Obama no Brasil: ele pode e Lula não?
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(Foto: Obama Foundation/Fanpage do Facebook)

O ex-presidente americano está em eventos na cidade de São Paulo pela Obama Foundation. No dia 5 de outubro, ele discursou no Fórum Cidadão Global, promovido pelo jornal Valor Econômico em São Paulo. No dia seguinte encontrou-se com jovens líderes para falar de empreendedorismo na capital paulistana.

Barack Obama fez palestras no nosso Brasil. Embora seja sem-fins lucrativos, a entidade criada pelo ex-presidente dos Estados Unidos tem custos próprios para promover ações pelo mundo todo e, muito provavelmente, o grupo Globo, dono do jornal Valor, remunerou o político em sua ação.

Na palestra, Obama exaltou o jornalismo independente, disse que é fundamental ficar próximo dos jovens e criticou posicionamentos do presidente Donald Trump, especialmente de agressão com a Coreia do Norte. Para melhorar o mundo, Barack Obama credita que é fundamental cinco fatores: "garantir que os novos modelos econômicos funcionem para todas as nações; prosseguir com as cooperações globais; combater Estados rebeldes e redes de terrorismo; manter um senso de abertura em relação a pessoas de culturas diferentes e que não se parecem conosco; e reconhecer que a tecnologia muda a forma com que as pessoas consomem a informação".

Em setembro deste ano, a Bloomberg publicou que Barack Obama recebe US$ 400 mil por palestras de uma hora em bancos de investimento vinculados com Wall Street, ou US$ 6,6 mil por minuto. No seu governo, uma das empresas que mais recebeu investimentos públicos foi o Facebook, o que explica sua fala alinhada com as empresas de tecnologia no Brasil. A economista italiana Mariana Mazzucato publicou estudos sobre o "Estado empreendedor" que é comum nos Estados Unidos, ao contrário do que prega a turma do "governo mínimo".

O que o ex-presidente americano fez é promover boas ações e fazer lobby para empresas e iniciativas. Soa familiar? O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a mesma coisa. E é investigado na Operação Lava Jato por isso.

O Instituto Lula

O ex-presidente petista afirmou que cobrou US$ 200 mil por palestras "igual ao Bill Clinton". O Instituto Lula, que surgiu em 2011 a partir do seu antigo Instituto Cidadania, encaminha boa parte das ações privadas dele e agora é investigada pela Operação Lava Jato.

No dia 6 de novembro de 2015, durante a 19ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal encontrou indícios que o Instituto Lula, o Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) e a empresa LILS, responsável por organizar as palestras do ex-presidente, teriam recebido cerca de R$ 4 milhões em recursos da Odebrecht. De acordo com o laudo, o iFHC recebeu R$ 975 mil da Odebrecht, entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012, enquanto os pagamentos para as duas entidades ligadas ao petista totalizaram R$ 3,97 milhões, pagos entre 2011 e 2014.  Em 22 de fevereiro do ano passado, na 23ª fase da Lava Jato, o Instituto Lula voltou a ser alvo de investigações, após indícios de que R$ 12,4 milhões da Odebrecht foram utilizados ilicitamente para obras no mesmo. O instituto nega as acusações

Em 4 de março de 2016, na 24ª fase da operação Lava Jato, expediram-se mandados de busca e apreensão, um deles no Instituto Lula, e mandados de condução coercitiva para o presidente da entidade Paulo Okamotto e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Objetos pessoais de Clara Ant, diretora do instituto, foram apreendidos e as autoridades não devolveram.  No dia 31 de agosto de 2016, a Receita Federal retirou o direito a isenção tributária, particular de organizações sem fins lucrativos, por 'desvio de finalidade' e cobra multa. 

Outra das principais irregularidades apontada é o repasse de R$ 1,3 milhão para a empresa G4 Entretenimento, que tem como donos Fábio Luís, filho do ex-presidente, e Fernando Bittar, proprietário do sítio em Atibaia investigado por pertencer a Lula no âmbito da Lava Jato. No dia 14 de setembro de 2016, o Ministério Público Federal apresentou formalmente denúncia contra Paulo Okamotto, presidente do instituto que foi acusado de usar contratos falsos de armazenagem do acervo pessoal do ex-presidente Lula e dissimulação da origem do dinheiro proveniente de crimes.

Em 9 de maio deste ano, a Justiça Federal determinou a suspensão das atividades do Instituto Lula. No dia 17 de maio de 2017, as atividades do Instituto Lula foram reabertas. O desembargador Néviton Guedes derrubou ordem de primeiro grau e autorizou retorno imediato das atividades da entidade ligada ao ex-presidente.

Lula é investigado por suas relações com a Odebrecht e a empresa do filho em seu instituto. Fernando Henrique Cardoso não sofreu nenhuma sanção. E Barack Obama faz exatamente o mesmo tipo de palestras do ex-presidente pelo mundo.

Por que alguns políticos podem ganhar dinheiro com palestras e outros merecem ser alvo de investigação criminal? Isso é um mistério.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.