Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Folha, a jararaca cresceu ou não?

Sobre o posicionamento do jornal Folha de S.Paulo e a candidatura de Lula para 2018.

Folha, a jararaca cresceu ou não?
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Elio Gaspari é um dos jornalistas mais reconhecidos e consagrados no meio político. Foi diretor-adjunto da revista Veja e passou pelo Jornal do Brasil no seu período de ouro. Possui uma coluna que é reproduzida nos jornais Folha de S.Paulo e O Globo.

Desde dezembro do ano passado, Elio monitora as pesquisas do Datafolha e deu uma nota sobre a CNT/MDA de março. São pelo menos três textos falando sobre a "jararaca", que é apelido que o ex-presidente Lula deu a si mesmo na condução coercitiva em 2016.

Em todas as colunas, Elio diz que "a jararaca está viva". Suas opiniões e análises estão alinhados com os veículos que ele trabalha, da dita grande mídia.

Eis que a mesma Folha publica neste dia 28 de fevereiro uma reportagem com o título "Pelo prazo médio da Lava Jato, Lula pode ficar inelegível durante eleição". O texto, assinado por Estelita Carazzai, analisa cinco processos judiciais contra o ex-presidente.

Dois são ligados ao Instituto Lula e ao triplex do Guarujá e tramitam em Curitiba. Três estão fora das mãos do juiz Sérgio Moro. A Folha teria analisado seis ações julgadas em segunda instância, o que seria suficiente para barrar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva às eleições.

Em média, os processos demoram um ano e 10 meses. No entanto, o jornal detectou casos que demoram apenas 10 meses. O prazo mais longo seria de dois anos e sete meses. Se for considerar a média, Lula poderá ser barrado nas eleições.

O colunista Elio Gaspari publicou que o ex-presidente tem poucas chances de ser barrado na Lava Jato. Na pesquisa CNT, Lula domina o primeiro e o segundo turno, enquanto Datafolha aponta vitória de Marina Silva no segundo. "A jararaca está viva e engordou"

Quem está certo? A Folha dá espaço para as duas análises.

A esquerda acha que a Folha de S.Paulo está dando seu "tradicional golpe" e apoiando o antipetismo de maneira velada.

Afinal, Folha, a jararaca cresceu ou não?

A importância da tal "narrativa do golpe" nas eleições de 2018

2018 está aí. Lula virtualmente é o candidato - a menos que seja preso pela Lava Jato. Jair Bolsonaro já é virtualmente o candidato das direitas. Aécio Neves parece liquidado. Geraldo Alckmin parece ser a última esperança do PSDB. Em meio a tantas especulações, onde entra a questão do golpe contra Dilma?

A importância da tal "narrativa do golpe" nas eleições de 2018
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Fui convidado na Semana de Jornalismo da Cásper Líbero, em 2016, para falar sobre impeachment e golpe. Na palestra, dividi falas com João Gabriel de Lima (diretor de redação da revista Época), Rose Nogueira (ex-TV Brasil e TV Globo) e o advogado Márcio Cammarosano. O debate foi civilizado e não houve grande bate-boca.

Foi bom para os alunos e calouros que nos assistiam.

Lembro da minha fala: "Não falo que é um golpe de uma maneira ideológica. Analisando o processo de impeachment de Dilma Rousseff com certo distanciamento, e sem defender a presidente, nota-se fatos estranhos na Operação Lava Jato. Posso começar falando sobre a investigação centrada em Curitiba e a publicidade excessiva com as prisões de políticos do PT. Ao apurar as denúncias do Rio de Janeiro e sobretudo as acusações envolvendo Eduardo Cunha, a população vai perceber a real culpa do PMDB na corrupção da Petrobras".

Não sou vidente, não acho a esquerda imune a críticas e nem acredito que minha análise seja imune a erros. Dito e feito, seis meses depois de tomar posse definitiva e um ano após a presidência interina, Michel Temer está imerso em escândalos de corrupção. Nas minhas análises pessoais e em reportagens publicadas, eu errei apenas na questão envolvendo Cunha. Dada a sua blindagem no Congresso, eu duvidei que ele fosse preso ou achei que isso só aconteceria após o encarceramento de figuras como Romero Jucá e Wellington Moreira Franco.

Cunha foi preso - mas ainda opera encarcerado.

Por diferentes elementos, é possível afirmar com segurança que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe parlamentar para barrar investigações da Lava Jato, "estancando a sangria" no PT. Na época, o jornalista João Gabriel de Lima disse que a operação era uma "força impossível de se parar". Hoje, eu sinceramente tenho dúvidas.

Frequentemente as figuras da direita debocharam do golpismo de Temer e do PMDB. Chamavam o discurso de "narrativa do golpe da esquerda". Queriam emplacar a ideia que o impeachment aconteceu numa absoluta ordem democrática.

Dilma não foi uma simples "vítima" do processo, mas é fácil averiguar que sua participação na corrupção da Petrobras era, no mínimo, limitada.

Por esta razão, há uma função específica de se dizer que o impeachment foi golpe nas eleições de 2018.

Muito se fala de Lula como candidato do PT, ou Jair Bolsonaro como um representante da direita para a presidência.

Esqueça por um momento a presidência da República.

Vamos eleger um governador do estado e deputados estaduais e federais. São três cargos fundamentais que envolvem os Poderes Executivo e Legislativo.

Ao que tudo indica, foi o Poder Legislativo que deu o golpe para tentar barrar a Lava Jato.

Na hora de votar na urna, relembre os deputados golpistas que depuseram Dilma para continuar roubando dinheiro público. Muitos deles são do PMDB.

Muitos votaram "em nome da minha filha". E um do PP votou em nome do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

A tal da "narrativa do golpe" é a única possível para sanear o país de maneira honesta através do voto.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.