Coluna do Pedro Zambarda
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Guilherme Boulos é o líder da esquerda de hoje, enquanto Lula é passado

Entenda como o líder do MTST está se consolidando como uma liderança real de esquerda depois das Jornadas de Junho de 2013.

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Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) completa duas décadas neste ano. Surgiu originalmente em 1997, saindo do MST, e crescendo sobretudo na briga por moradia nas periferias de São Paulo. Tem ligação com movimentos estudantis e jovens anticapitalistas (RUA), esquerda marxista (muitas próximas do PT), PSOL e outras mobilizações. Reúne forças de cerca de 40 mil famílias nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Amazonas, Roraima, Ceará, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Sul, além de SP.

O rosto e a voz destas mobilizações é Guilherme Boulos, que tem 34 anos. Nascido em 1982, ele ingressou no curso de Filosofia da FFLCH-USP em 2000 e tornou-se membro do MTST dois anos depois.

Há dois perfis bons dele publicados na imprensa. O primeiro, mais antigo, é do meu colega Mauro Donato do DCM, no auge dos protestos de 2014. O segundo, recentíssimo, é da experiente e premiada repórter Andréa Dip (ex-Caros Amigos, atual Agência Pública),  que traça o perfil discreto de Boulos um mês após sua prisão por negociar auxílio a 700 pessoas removidas em janeiro de 2017.

Pacifista mas favorável à ação direta, Guilherme Boulos é um esquerdista com convicções claras e transparentes. Defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff no impeachment, da mesma forma que defendeu os protestos por moradia nas gestões petistas no governo federal e na prefeitura de Fernando Haddad. Repudiou sempre o apoio velado que Haddad deu para as ações policiais de Geraldo Alckmin no governo do estado.

Embora Boulos não goste de falar de si mesmo, sua formação de filósofo na USP com especialização em psicanálise ajuda a explicar sua gestão de massas nos protestos elencados pela esquerda em geral e pela frente Brasil Sem Medo, encabeçada por ele e anti-Temer por excelência. O líder do MTST é a favor da negociação, desde que não ceda nas pressões sociais para se chegar no resultado esperado.

É um líder conciliador como Luiz Inácio Lula da Silva, mas não recorre ao sindicalismo para formar a seu círculo político no carro de som. Numa sociedade pós-industrial, é a luta por moradia que define o caráter da luta de Boulos.

É colunista desde 2014 do jornal Folha de S.Paulo, onde faz uma oposição interessante ao líder de direita Kim Kataguiri, do MBL.

Mais velho e amadurecido nas ideias, Guilherme Boulos é uma liderança política que parece colocar em prática preceitos de esquerda refletidos por Vladimir Safatle, filósofo e político do PSOL. Ambos parecem refletir um esquerdismo e uma crítica ao capitalismo mais fresca e adaptada às demandas sociais do Brasil de 2017, que enfrentou o convulsionamento das ruas no lulismo.

Apesar de representar a esquerda do presente, Boulos ainda não tem cacife eleitoral para tentar as eleições presidenciais. Ao que tudo indica, Lula é o candidato das esquerdas em 2018. Mas cumpre este papel muito mais por um conservadorismo das esquerdas do que pelas necessidades reais do país. Lula é o candidato que surge contra a direita que se aproxima perigosamente das ideias fascistas de um Jair Bolsonaro.

No entanto, o presente e o futuro da esquerda é Guilherme Boulos. Lula, infelizmente, é passado.

Em 15 de fevereiro, o MTST iniciou uma ocupação pacífica na Avenida Paulista, no coração da maior metrópole brasileira.

A força de Boulos está ali.

O ataque de fãs do Bolsonaro à Socialista Morena no Facebook é o machismo online

Cynara Menezes foi jornalista da Folha de S.Paulo, Veja e Carta Capital, antes de transformar o blog Socialista Morena num negócio próprio. Além de qualquer crítica que você possa fazer às opiniões de Cynara, uma baixaria foi protagonizada por fãs do deputado Jair Bolsonaro. Isso nos leva a refletir que o machismo é um assunto recorrente na política, não interessa qual seja o espectro político.

O ataque de fãs do Bolsonaro à Socialista Morena no Facebook é o machismo online
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Escrevi há poucos dias que o ataque do colunista de extrema-direita Reinaldo Azevedo contra Joice Hasselmann era uma demonstração explícita de machismo na internet. O caso que envolve a fanpage do site Socialista Morena no dia 26 de fevereiro tem diferenças, mas traz o mesmo padrão preconceituoso nos ataques.

O ataque de fãs do Bolsonaro à Socialista Morena no Facebook é o machismo online

Com mais de 400 mil curtidas no Facebook, o blog da jornalista Cynara Menezes é um fenômeno. Mas ele não tem tal audiência à toa. Ex-repórter do jornal Folha de S.Paulo, Cynara cobriu momentos políticos importantes dos anos 90. Na revista Veja, ela acompanhou a campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo em 2004. Ela também fez importantes reportagens na Carta Capital em Brasília.

A direita, e sobretudo a extrema-direita apoiadora de Jair Bolsonaro, constantemente acusa Cynara Menezes de ser apenas uma militante política e não a jornalista experiente que é. Por isso não surpreende 100% o ataque deles ao tomar conta da fanpage.

Eles colocaram dizeres como "100% BOLSONARO 2018"  montagens pornôs do deputado fazendo sexo com o político pró-direitos LGBT Jean Wyllys. A infantilidade dos ataques é risível, mas expõe um problema mais fundo e mais sério.

O ataque de fãs do Bolsonaro à Socialista Morena no Facebook é o machismo online

Cynara é uma repórter com carreira. Seus textos sobre o movimento de esquerda Libelu e a então candidata Luciana Genro em 2014 são exemplos de bom jornalismo com informação. Provavelmente os bolsonaristas desconhecem tais textos.

Eles não atacam Cynara Menezes por ela ser de esquerda. Curiosamente começaram os ataques por uma mulher, o que é covardemente mais fácil. A tal da "mulher socialista", cujo título do blog é apenas uma brincadeira com uma expressão do intelectual Darcy Ribeiro.

Analfabetos funcionais e políticos, muitos dos militantes de direita na internet não tem sequer a educação de entenderem que o machismo depõe contra a causa deles. A esquerda merece sim críticas da direita, desde que sejam bem fundamentadas, para dizer no mínimo.

Os fãs do Bolsonaro preferem partir para a ignorância pura e simples. Como se a truculência e o escárnio tivessem algum efeito.

O ataque de fãs do Bolsonaro à Socialista Morena no Facebook é o machismo online

Depois, se Lula ganhar as eleições, não reclamem. Ok? 

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.