Coluna do Pedro Zambarda
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Herdeira de banqueiros está certa por querer doar ao ex-presidente Lula

Roberta Luchsinger balançou o noticiário político ao anunciar que doaria um bom valor ao ex-presidente Lula depois de sua condenação em primeira instância. Mas o que está por trás da atitude da herdeira de banqueiros?

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(Foto: Arquivo Pessoal/Enviada pela entrevistada)

O PT, nos anos de Lula e Dilma, tornou-se aos poucos um partido de elite. Seu alcance, antes grande entre sindicalistas e classes mais populares, expandiu na classe média e entre os mais ricos. Mesmo enfrentando a maior crise em sua história, a legenda ainda inspira as mentes de quem tem um pensamento mais à esquerda na política, independente da sua situação social ou econômica.

No dia 11 de agosto de 2017, a jornalista Eliane Trindade do jornal Folha de S.Paulo publicou que a herdeira de banqueiros Roberta Luchsinger queria doar R$ 500 mil ao ex-presidente Lula depois do bloqueio de bens e da previdência privada dele pelas mãos do juiz Moro. "Enquanto eles acham graça da minha militância, eu aproveito para pedir que também colaborem com o 'bolsa Lula'. Afinal, todos eles ganharam muito dinheiro nos governos do PT", disse ela.

Roberta concedeu duas entrevistas a mim pelo Diário do Centro do Mundo sobre sua decisão de ajudá-lo. Para desfazer um equívoco que foi amplamente divulgado na imprensa, ela não é a "herdeira do Credit Suisse". Na verdade ela é neta de um ex-acionista do Credit Suisse, Peter Paul Arnold Luchsinger, e sobrinha de Roger Wright, alto executivo do mesmo banco no Brasil. O avô é suíço e uma parte de sua família morreu num acidente aéreo em 2009.

Ela foi casada com o ex-deputado pelo PCdoB Protógenes Queiroz, que encarou o caso Daniel Dantas na Operação Satiagraha. O ex-marido hoje tem asilo na Suíça e ela se filiou à legenda. Roberta Luchsinger também namorou Gustavo Reis, atual prefeito de Jaguariúna.

A intenção de Roberta Luchsinger é lançar-se deputada pelo PCdoB em 2018. 

As controvérsias

O juiz Felipe Albertini Nani Viaro, da 26ª Vara Cível de São Paulo, determinou que Roberta Luchsinger pague antes de doar para Lula uma dívida de R$ 62 mil. A dívida é de uma loja de decoração. O magistrado deferiu o pedido de execução imediata da dívida. Determinou ainda que ela deve “abster-se de qualquer ato de disposição graciosa dos bens” até que salde o débito. 

O advogado de Roberta Luchsinger, Paulo Guilherme de Mendonça Lopes, disse que a cliente encomendou móveis que ficaram “muito mal feitos” e saldou parte do serviço. Fora isso, há uma outra controvérsia.

A revista Veja e outros veículos publicaram que Roberta tem uma dívida de R$ 232 mil no seu condomínio de Higienópolis. Ela diz que é "mais um ataque" para tirar o foco de sua doação ao Lula. Ela diz que seus advogados vão dar a devida resposta no tempo correto.

A luta de classes

O impeachment de Dilma Rousseff foi claramente um golpe da elite política para tirar os direitos sociais, o Bolsa Família e os programas populares dos governos do PT aos pobres. Os governos Lula e Dilma, mesmo sendo questionados seus dados, tiraram cerca de 36 milhões de pessoas da linha da miséria.

Politicamente, as elites e a classe média se manifestaram primeiro pela mídia, que fomentou o antipetismo na direita, e depois sequestrando as manifestações populares de 2013 nos anos 2015 e 2016 para o impedimento presidencial.

Por isso, a manifestação de Roberta Luchsinger de ajudar Luiz Inácio Lula da Silva é uma pressão de uma classe rica de banqueiros por pautas sociais menos excludentes.

De acordo com Roberta, sua família sempre foi envolvida em trabalhos sociais. "Meu tio Roger Wright por exemplo, fez uma creche em Búzios quando minha tia Barbara morreu há 20 anos. Meu pai doou em Minas há mais de 30 anos um terreno para que fosse construída uma escola. Quando minha filha Valentina fez um ano, eu pedi que fosse feitas doações a Casa das Crianças de Mirai, em Minas Gerais. Aqui em São Paulo há muitos anos eu mantenho projetos sociais. A comunidade de Brasilândia me conhece bem, estou sempre atendendo aos pedidos que me chegam em prol da comunidade, sempre participando ativamente", explica.

É importante que mais gente rica como Roberta Luchsinger tenha consciência social. É uma forma de dar força aos mais pobres na luta de classes que existe claramente no Brasil.

Por este motivo, Roberta está correta na sua atitude politizada.

Como atos pró-ditadura brasileiros se parecem com neonazismo em Charlottesville

Breves considerações sobre os grupos de extrema-direita preconceituosos e pró-ditadura que ocuparam a Avenida Paulista ao lado de quem era antipetista e favorável ao combate da corrupção.

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(Fotos: Pedro Zambarda de Araújo)

O brasileiro tem um péssimo costume de achar que o gringo vive num mundo muito melhor do que o dele ou muito pior. Não há meio termo e, como um país que passou pelo subdesenvolvimento, muitos de seus cidadãos ainda não tiveram a oportunidade de pegar um avião e ver o que acontece lá fora. Se ele viajasse até os Estados Unidos, por exemplo, poderia verificar que muito do ódio político polarizado que existe no Brasil é cópia deles. Cópia do embate entre Partido Democrata e Republicano reproduzido no UFC que se tornou o PT contra o PSDB, enredados pelo esquema de corrupção que sempre existiu com o PMDB e partidos que atuam nos bastidores.

O Brasil viveu uma ditadura civil-militar entre 1º de abril de 1964 e 15 de março de 1985. O II Exército deu um golpe em 64 com tanques de guerra na rua para depôr o presidente João Goulart, acusado de ser "comunista" por se aproximar da China e de líderes de esquerda em plena Guerra Fria. Os militares foram ajudados por fragatas americanas que iriam bombardear o território brasileiro caso a operação não se concretizasse. A repressão política brasileira fez parte da Operação Condor norte-americana.

Como atos pró-ditadura brasileiros se parecem com neonazismo em Charlottesville

O Brasil viveu as Jornadas de Junho de 2013 com manifestações da esquerda contra o preço das passagens e a repressão da Polícia Militar em São Paulo e no Rio de Janeiro. Juntou-se com a multidão de rua uma massa de cidadãos apolíticos e alimentados pela grande mídia corporativa brasileira. Em pouco tempo, milhões de pessoas ocupando o espaço público por pautas sociais seriam sequestradas por grupos de direita alinhados ao discurso antipetista e contra os governos Lula e Dilma Rousseff.

Foram estes os protestos que dominaram entre 2015 e 2016, até que o impeachment de Dilma se concretizasse. Muitos dos grupos envolvidos eram neoliberais, pró-capitalismo e contra o inchaço estatal brasileiro, que é uma realidade. Mas muitas destas pessoas de classe média e alta não se solidarizaram com o fim dos programas sociais para pobres na maior recessão econômica pós-ditadura militar.

E há, entre todos os grupos da direita política, aqueles que são pró-golpe militar. Em 2017.

Como atos pró-ditadura brasileiros se parecem com neonazismo em Charlottesville

Perdi a conta de quantos protestos fui, como jornalista, ouvindo o carro de som dos militaristas pedindo por um golpe "constitucional" do Exército Brasileiro contra o governo federal. Segundo estes manifestantes de extrema-direita, autoritários e pouco propensos ao diálogo, há um dispositivo constitucional que validaria a queda do governo pelo poderio militar. Felizmente, lideranças como a do general Villas Boas, ativo no Twitter, já deixaram claro em mais de uma oportunidade que os milicos não tem o menor interesse de assumir o poder de novo.

Como atos pró-ditadura brasileiros se parecem com neonazismo em Charlottesville

Havia manifestantes SOS FFAA (sigla para "Socorro, Forças Armadas") pedindo abertamente na Avenida Paulista que degolassem e matassem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nem nas aglomerações mais socialistas e comunistas brasileiras eu ouvi algo semelhante envolvendo o presidente Temer. O que guia estes grupos é o ódio.

Charlottesville

Um protesto no dia 11 de agosto parece ter inflamado o debate político nos Estados Unidos governado por Donald Trump, um político de direita e crítico dos meios de comunicação oficiais. Ocorrido na cidade universitária de Charlottesville, no estado americano de Virgínia, a manifestação de cerca de mil pessoas foi caracterizada como uma mobilização para "unir a direita".

Munidos de tochas, o grupo ia contra políticas inclusivas de negros, pedindo a morte de militantes antifascistas e saudando uma estátua do general confederado Robert E. Lee pró-escravidão, que seria retirada da cidade.

No grito de guerra e na briga com grupos contrários, eles próprios se referiam a si mesmos como "nazistas". Um dos supremacistas brancos pegou um carro e atropelou uma das antifascistas que morreu no protesto.

Donald Trump primeiro chamou os neonazistas de Charlottesville de "extremistas" assim como os antifascistas. Depois, pressionado internacionalmente, o presidente americano condenou os grupos pró-brancos. Mas boa parte dos neonazistas se identifica como "alt-right", a extrema-direita que garantiu muitos votos a Trump nas eleições contra a democrata Hillary Clinton.

O que isso tem a ver com nossos pró-ditadura?

Embora a ditadura militar brasileira não tenha institucionalmente sido racista, o regime conduzido pelos generais Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo reconhecidamente matou mais de 400 pessoas identificadas como "comunistas". A matança pode ser descrita como sistemática e decorrente diretamente do poder do Estado.

O Brasil não tem um candidato declaradamente neonazista para 2018, mas o deputado Jair Bolsonaro já aparece com 15% das intenções de voto segundo os institutos Datafolha, DataPoder360 e outros.

Por este motivo, os atos pró-ditadura que já aconteceram e que ainda podem acontecer precisam ser vistos com lupa. 

O extremismo que tememos nos EUA com chancela do presidente Trump pode estar bem presente no Brasil de 2017, com chancela de um futuro candidato.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.