Coluna do Pedro Zambarda
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João Doria Jr. é o político do antipetismo

Respostas ríspidas. Jeito de "gestor". Antipolítico. Presidenciável ou não? Fazedor de marketing. "Jornalista". Protegido pela elite paulista. Adota linguagem populista mesmo que suas ações não correspondam à prática. Seria Doria um dos produtos do antipetismo?

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O PT assumiu o governo federal em 2003 e são mais de 13 anos de antipetismo na imprensa. Antes mesmo da eleição de Lula, a rejeição à esquerda já existia como produto da ditadura militar. Um ex-metalúrgico no posto de maior poder do país revoltou as elites. Enquanto o PIB crescia estava tudo bem. Quando a situação mudou, Dilma Rousseff caiu do governo e Michel Temer ascendeu para cumprir os desejos desta elite: Cortes na Bolsa Família, Previdência Social, Saúde, Educação e desonerações fiscais sem controle. Uma diminuição do Estado a todo custo e sem nenhuma inteligência.

Neste contexto, surge João Doria Jr. como candidato à prefeitura de São Paulo contra Fernando Haddad do PT. Jeito de empresário, muito marketing com empresas na órbita do PSDB, seu partido, Doria vence em primeiro turno com uma votação esmagadora de três milhões de votos.

Na campanha, Doria ressaltou em muitas falas como ele é contra ciclovias, projetos sociais e "iniciativas do PT". Na cadeira de prefeito, está executando o script de maneira organizada.

Paralisou a política de ciclovias, cortou medicamentos em postos de saúde e cobriu grafites com tinta cinza. No Carnaval, provocado por uma pessoa na rua, xingou o adversário de "seu Lula". Disse que o ex-presidente gostaria de visitar os "amigos em Curitiba". E manda quem apoiar o PT ir pra cadeia em bate-boca.

Vestiu-se de gari, de pedreiro, de cadeirante e de jardineiro para simular uma aproximação com a população. Sua gestão, no entanto, não responde às reclamações.

O PSDB o vê como esperança de presidenciável em 2018 contra Lula, a despeito da pré-campanha de Geraldo Alckmin. Doria nega as intenções, mas todo mundo duvida.

João Doria Jr. não sai das notícias. Doria é midiático e publicável porque é o produto legítimo do antipetismo. Não está envolvido em falcatruas da Odebrecht, mas negocia parcerias privadas com Ultrafarma, Microsoft, Multilaser e outras empresas "sem contrapartidas". Uma investigação de corrupção nesta falta de transparência pode estar aí.

Quando uma companhia gigante como a Amazon provoca o prefeito numa propaganda e ele a chama de "oportunista", ele comprova que não tem equilíbrio para lidar com a publicidade do próprio cargo.

A mesma demonstração segue para o artigo do colunista da Folha de S.Paulo, André Singer, que recebeu outra resposta malcriada do prefeito. O vereador do PT, Antonio Donato, levantou documentos que apontavam uma dívida de R$ 90 mil de IPTU do prefeito, que se arrastou desde 2002. João Doria Jr. demorou mais de 10 anos para quitar a dívida, embora seus fãs achem isso comum. 

Doria está com a bola toda porque ele é o produto do antipetismo. 

É o coxinha do momento.

A Veja vai se transformar numa revista de centro-direita?

Depois da guinada extremamente conservadora com Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, a revista Veja dá sinais de mudança editorial? Seria a gestão André Petry? Seria uma consequência da situação do governo Temer? E o PSDB, como fica nisso?

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Neste começo do mês de abril, não se fala de outro assunto no meio político. Depois de defender o senador tucano Aécio Neves em 2010 e em 2014, a revista Veja o "jogou aos leões". Na capa "A vez de Aécio", uma reportagem de Renato Onofre diz que o ex-presidenciável do PSDB recebeu propina numa conta de Nova York atribuída a sua irmã, Andrea Neves. Ela seria a operadora do esquema, assim como é acusada de operar no escândalo da Lista de Furnas.

Aécio diz que a revista é "mentirosa". Andrea gravou um vídeo chorando e afirmando ser inocente. A paulada da Veja em um dos principais quadros do PSDB é inédita, mas não é a primeira.

Em novembro de 2016, quando a delação da Odebrecht começou a dar sinais de surgir diante da Operação Lava Jato, a revista deu capa para as denúncias envolvendo Michel Temer, Geddel Vieira, Eliseu Padilha e Moreira Franco, os nomes fortes do governo que deu o golpe em Dilma. Nas duas chamadas superiores, mais duas pauladas em Geraldo Alckmin e José Serra. PMDB e PSDB não foram poupados. "Como a Odebrecht operava a propina de Serra na Suíça" e "O 'santo' nas planilhas da empreiteira é ele mesmo: Alckmin" foram duas manchetes que marcaram uma mudança de posicionamento da publicação.

No entanto, em março de 2017, a revista apostou em suas reportagens que as denúncias da Odebrecht vão atingir tanto Dilma quanto Temer. Numa outra capa, de dezembro de 2016, Veja bajula a primeira-dama Marcela Temer, apontando-a como "a aposta do governo" de seu marido.

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A história da revista Veja

A Veja é um instrumento de política e não esconde isso, muito além do jornalismo factual.

Nasceu em 1968 nas mãos de Mino Carta e Roberto Civita. Sua inspiração era a revista Time norte-americana, uma das referências na educação de Roberto. Com a esquerdização de Mino e a morte de Vladimir Herzog, o antigo líder se demitiu da equipe e Roberto Civita cresceu em poder. A revista, no entanto, estava quebrada nos primeiros anos.

Roberto colocou José Roberto Guzzo e Elio Gaspari, uma dupla que subiu a tiragem da publicação de 100 mil para praticamente um milhão de exemplares. Mario Sergio Conti,  nos anos 90, subiu ainda mais as vendas e contribuiu para a queda do governo Fernando Collor. A participação no episódio político fez Roberto Civita se envolver profundamente com a política nacional, sobretudo próximo a Fernando Henrique Cardoso e fazendo oposição aos petistas. 

O diretor de redação Tales Alvarenga deu ares de autoajuda para a revista e deu as bases do antipetismo que seriam desenvolvidas por seu sucessor, Eurípedes Alcântara, que promoveu uma verdadeira caçada editorial a Lula e ao PT. Roberto Civita, o chefe deles, morreu em 2013.

O conservador Eurípedes criou os colunistas Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. Dado o impeachment de Dilma, foi substituído em 24 de fevereiro de 2016 por André Petry, que é um jornalista mais centrista. Na época de Lula, Petry foi um dos que defendeu "voto nulo" em uma de suas colunas políticas.

No início da gestão, o diretor seguiu a linha de Eurípedes Alcântara. Mas isso foi mudando aos poucos. Uma pesquisa interna da editora Abril apontou que Veja, sua revista mais importante, só atrai leitores "velhos e reacionários".

Publicamente, Reinaldo Azevedo está tentando se soltar de leitores que louvam defensores da ditadura militar, como Jair Bolsonaro.

Ao que tudo indica, Veja está mudando para algo que era no passado. Sua mudança pode influenciar concorrentes que a copiam editorialmente, como ISTOÉ (que foi da esquerda para direita) e Época (que acentuou sua posição direitista).

Mas será que irá mesmo pra centro-direita?

A ver.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.