Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Lula é a perfeita distração para as denúncias de Aécio e Temer

O ex-presidente está no centro de tiro da delação do ex-ministro Antonio Palocci. Isso contribui para abafar a denúncia contra o presidente da República em exercício e a manobra do Senado para proteger o nome tucano.

Lula é a perfeita distração para as denúncias de Aécio e Temer
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

(Foto: Arquivo/José Cruz/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Líder petista está no centro do furacão da Lava Jato e das especulações eleitorais de 2018. No entanto, como foi no seu governo e na sucessora Dilma Rousseff, ele serve também como distração política para o que realmente acontece com o PMDB e com o PSDB no mês de setembro de 2017. Para deixar isso claro, é necessário falar de três fatos.

Lula foi atingido neste mês em cheio pela delação premiada do seu ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Com auxilio dos seus advogados, Palocci divulgou no dia 26 de setembro de 2017 anunciando seu rompimento com o PT mirando num acordo de delação premiada diante do juiz Sérgio Moro. O ex-ministro foi chamado de traidor por nomes como o de José Dirceu e o próprio ex-presidente.

"Tenho certeza que, cedo ou tarde, o próprio Lula irá confirmar tudo isso, como chegou a fazer no Mensalão, quando, numa importante entrevista concedida na França, esclareceu que as eleições no Brasil eram todas realizadas sob o égide do caixa dois, e que era assim em todos os partidos. Naquela oportunidade ele parou por aí, mas hoje sabemos que é preciso avançar na abertura da caixa preta dos partidos e dos governos, pelo futuro do país", disparou.

E ainda complementou, colocando os dois ex-presidentes no mesmo balaio: "tive a honra de servir aos governos Lula e Dilma. Enfrentei como ministro da Fazenda uma das mais duras crises econômicas da nossa história, mas a competência dos meus assessores permitiu um trabalho com fortes e duradouros resultados. Nunca supus que o governo tenha desandado com minha saída em 2006. Na verdade, o caminho até a crise de 2008 foi, do ponto de vista do projeto de desenvolvimento, de grande sucesso. Mas, como o ovo da serpente, já se via, naqueles melhores anos, a peçonha da corrupção se criando para depois tomar o cenário todo".

Palocci foi condenado em primeira instância a 12 anos. O objetivo de sua delação premiada é reduzir sua pena e buscar a liberdade. Lula criticou a traição do seu ex-ministro. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, diz que Antonio Palocci "desistiu de se defender". Ele acusa o ex-presidente de ter feito "pacto de sangue" com o empreiteiro Emílio Odebrecht em troca de R$ 300 milhões para o partido e as eleições da ex-presidente Dilma Rousseff.

O ex-ministro afirma que Lula levou R$ 4 milhões em dinheiro vivo e teria recebido propinas entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. Diz que ouviu do próprio ex-presidente e que executou ordens de propinas para a Petrobras, para o Instituto Lula e para a aquisição tanto do triplex no Guarujá quanto para o sítio em Atibaia.

As acusações que Palocci tornou públicas são graves, mas ofuscam denúncias ainda piores que correram também em setembro.

Lula é a perfeita distração para as denúncias de Aécio e Temer

(Foto: Beto Barata/PR/Fotos Públicas)

No dia 25 de setembro, a leitura da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer não foi realizada porque o Congresso estava vazio. A tramitação só aconteceu no dia seguinte. As denúncias foram solicitadas pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, antes dele ser substituído por Raquel Dodge, escolhida pelo próprio Temer para lidar com as investigações da Lava Jato no Supremo.

A segunda-secretária da Câmara, deputada Mariana Carvalho do PSDB, iniciou a leitura da segunda denúncia contra o presidente da República pelos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça. A leitura em Plenário é uma das fases iniciais da tramitação da Solicitação de Instauração de Processo. A primeira denúncia foi abafada pelo relatório do também tucano deputado Abi-Ackel, que afirmou que as alegações da PGR "careciam de objetividade".

Na nova denúncia, Temer e políticos do PMDB, entre eles os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), foram acusados pela Procuradoria-Geral da República de participar de um suposto esquema com objetivo de obter vantagens indevidas em órgãos da administração pública. O Palácio do Planalto rechaçou as acusações. O presidente da República também tenta aprovar emendas no valor de R$ 1 bilhão para que congressistas não deem seguimento à denúncia.

A rebelião do chamado "Centrão" e da presidência da Câmara, sob Rodrigo Maia, provoca medo nos bastidores do governo Temer. Isso acontece porque o DEM, partido de Maia, tem dado sinais de uma conduta mais independente do Planalto, se aproximando de legendas como PCdoB e se afastando do PSDB.

A oposição petista faz pressão para que a denúncia se encaminhe, junto com partidos como o PSOL. Fazem essa pressão porque alegam que Temer deu um golpe parlamentar contra Dilma Rousseff.

Lula é a perfeita distração para as denúncias de Aécio e Temer

(Foto: Lula Marques/AGPT/Fotos Públicas)

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por três votos a dois, afastar do senador mineiro Aécio Neves para que ele fique em “recolhimento noturno”. A decisão envolvendo o político do PSDB foi tomada pelos votos dos ministros Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux.

Originalmente, o pedido da Procuradoria-Geral da República era para prender Aécio, sob alegação de que o tucano seria o destinatário de recursos de R$ 2 milhões repassados pela J&F/JBS a um primo do senador, Fred, e a um auxiliar parlamentar. A informação surgiu na delação premiada de Joesley Batista e a prisão foi negada pelos ministros.

O pedido da PGR foi classificado como “urgente” pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele pediu em três momentos diferentes a prisão de Aécio Neves, destacando a gravidade dos fatos e afirmando que havia um estado de flagrância quando o pedido foi feito. “Muito se elogia por ter saído da presidência do partido. Ele (Aécio) seria mais elogiado se tivesse se despedido ali do mandato. Se ele não teve esse gesto de grandeza, nós vamos auxiliá-lo”, disse Fux na decisão.

Por incrível que pareça, a decisão foi criticada pelo PMDB, aliado do PSDB no governo, e até pelo PT, que é oposição aos tucanos. 

"Aécio Neves é um dos maiores responsáveis pela crise política e econômica do país e pela desestabilização da democracia brasileira. Derrotado nas urnas, insurgiu-se contra a soberania popular e liderou o PSDB e as forças mais reacionárias da política e da mídia numa campanha de ódio e mentiras, que levou ao golpe do impeachment e à instalação de uma quadrilha no governo (...). Aécio Neves defronta-se hoje com o monstro que ajudou a criar. Não tem autoridade moral para colocar-se na posição de vítima (...). Mas a resposta da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a este anseio de Justiça foi uma condenação esdrúxula, sem previsão constitucional, que não pode ser aceita por um poder soberano como é o Senado Federal", afirmou a Executiva Nacional do PT em nota.

O senador petista Jorge Viana, durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), defendeu que os congressistas reajam à decisão do Supremo. Aécio, portanto, está sendo protegido pelo mesmo PT que o chama de "golpista".

Cavalo de Troia vermelho

Condenando Lula pelo triplex no Guarujá em segunda instância impede sua candidatura à presidência, mesmo com ele performando 30% nas pesquisas eleitorais. O petista também está rodeado de acusações na Lava Jato. Muitos petistas dão corda para uma narrativa de que Luiz Inácio Lula da Silva é uma vítima de perseguição político-midiática-judiciária. Mas fica cada vez mais difícil que isso cole.

No entanto, destruir juridicamente Lula pode se revelar um verdadeiro Cavalo de Troia vermelho. Ou seja, um presente de grego. Entorpecidos pela grande mídia que ainda embala o antipetismo, as denúncias que afetam Temer e Aécio passam batido.

Os casos de José Serra, Geraldo Alckmin ou mesmo as antigas denúncias de Fernando Henrique Cardoso sequer são relembrados.

Lula, portanto, é a perfeita distração para as pesadas denúncias de figurões do PMDB, seu antigo aliado, e do PSDB, partido que é tradicional opositor político.

Na guerra aberta entre Major Olímpio e Alckmin, a luta é pelos policiais

O deputado federal do partido de Paulinho da Força tirou o governador paulista do sério. E chamou atenção para uma demanda antiga.

Na guerra aberta entre Major Olímpio e Alckmin, a luta é pelos policiais
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

(Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados/Alexandre Carvalho/A2img/Fotos Públicas)

Ele foi candidato à prefeitura de São Paulo em 2016 e obteve somente 116.870 mil votos. Ficou conhecido por seu vozeirão, manifestou-se favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e condenou a nomeação de Lula para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Agora, ele protagoniza uma guerra aberta contra o governador de São Paulo.

O deputado federal Major Olímpio, apelido para o ex-PM Sérgio Olímpio Gomes, protagonizou dois episódios de franca guerra política aberta contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. E os fatos atingem o tucano em cheio nos dias em que ele leva facadas nas costas de seu pupilo, o prefeito João Doria Jr.

No dia 16 de setembro, Olímpio provocou Alckmin num evento em São Carlos. O deputado federal fez acusações em voz alta, com microfone e caixa de som, contra o secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, e o governador.

Major Olímpio gritou: "cadê o salário da polícia, secretário?". Aliados de Alckmin, o deputado federal Lobbe Neto, o deputado estadual Roberto Massafera (PSDB) e o prefeito de São Carlos, Airton Garcia, defenderam o governador.

"Quero fazer uma pergunta para vocês. Alguém aqui ganha R$ 50 mil do povo de São Paulo? É ele que está gritando. Ele ganha R$ 50 mil, devia ter vergonha, vergonha de vir aqui, R$ 50 mil do povo de São Paulo. Tenha vergonha, deputado. Não pode olhar no rosto dos brasileiros de São Paulo, R$ 50 mil por mês. Vergonha!", gritou Alckmin, revidando as acusações num tom bastante alterado.

A briga não parou ai. Na manhã de 22 de setembro de 2017, Major Olímpio tentou bloquear o carro de Geraldo Alckmin na saída de uma convenção de seu partido, o Solidariedade, liderado por Paulinho da Força no bairro da Liberdade, em São Paulo. O deputado repetiu a reivindicação de aumento salarial para policiais.

Uma reivindicação necessária

De acordo com Olímpio, os policiais militares não recebem aumento há três anos. O governador propôs aumento de 7% no salário de PMs, polícia civil e tecno-científica em 2013. Reajustes foram realizados em 2012 (11%) e 2011 (15%). Depois disso, não se tem notícia de mudança salarial numa carreira que corre perigo de vida com as taxas de criminalidade do estado.

O Estado, no entanto, quer aumentar a idade-limite de aposentadoria dos PMs neste ano. Hoje cabos e soldados são compulsoriamente reformados com 52 anos, enquanto que sargentos e subtenentes podem trabalhar até os 56. Juntos, esses postos e graduações correspondem a mais de 90% dos 93 mil PMs ativos em São Paulo. 

Pela proposta do governo, esse limite subirá para 60 anos para todos esses postos e graduações, como já ocorre com os coronéis, por exemplo. Como esse é o teto da idade ativa para os oficiais, os agentes que quiserem poderão aposentar-se antes, abrindo mão da aposentadoria integral, caso não tenham completado os 30 anos de contribuição.

Alckmin também quer que os agentes fora da ativa sejam recontratados para atuar em setores administrativos da corporação, uma espécie de "bico oficial". A proposta vai tramitar em regime de urgência e deve ser votada ainda neste semestre pelos deputados na Assembléia Legislativa.

O protesto de Olímpio no dia 16 estava lado a lado da manifestação da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), organização tradicionalmente de esquerda. Ou seja, embora muitos setores políticos progressistas critiquem a PM por sua militarização e práticas brutais, as pautas acabam se unindo quando o governo estadual precariza o funcionalismo público.

O ponto de Alckmin

Para a imprensa, o Major Olímpio admitiu receber mais de R$ 50 mil por mês, mas de renda bruta, não líquida, como deputado federal. Criticou Alckmin por suas declarações recentes e ressaltou que busca aumento para a categoria dos policiais e não para ele próprio. 

Olímpio diz que não pretende deixar o partido liderado por Paulinho, mas que não concorda com a proximidade do Solidariedade com o governo Geraldo Alckmin.

Por que ficar ao lado do policial?

Embora a esquerda seja muito crítica com a polícia e com a forma que ela se comporta sendo o braço armado de Alckmin, sobretudo contra suas pautas de igualdade social, é importante ver o policial como um trabalhador. Um proletário que sofre os mesmos problemas da gestão neoliberal do PSDB quanto qualquer outro profissional.

Por isso, além de mudar seus métodos, a polícia precisa ser bem paga, guarnecida com os melhores equipamentos e melhor treinada.

Nada disso acontece em São Paulo sob o governo Alckmin. 

Por isso, Major Olímpio tem total razão em seu protesto, com o governador gritando contra ou não.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.