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Lula está certo sobre Palocci: três casos de delações controversas na Lava Jato

O ex-presidente quer evidentemente diminuir os argumentos da acusação da Força-Tarefa da Operação Lava Jato. No entanto, Luiz Inácio Lula da Silva tem um ponto quando questiona a legitimidade da instituição da delação premiada.

Lula está certo sobre Palocci: três casos de delações controversas na Lava Jato
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(Foto: Agência Brasil)

No dia 13 de setembro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou um depoimento diante do juiz Sérgio Fernando Moro. O segundo encontro dos dois aconteceu depois do depoimento de Antonio Palocci no dia 6. Naquela ocasião, Palocci disse que seu ex-chefe recebeu R$ 4 milhões em dinheiro vivo e fez um "pacto de sangue" com Emílio Odebrecht. Ao longo da semana, o ex-ministro da Fazenda afirmou ainda que o ex-presidente recebeu propinas menores, entre R$ 30 mil e R$ 50 mil.

Em Curitiba, Lula fez críticas duras e diretas ao seu ex-aliado Palocci. Chamou-o de "mentiroso, frio e calculista" e disse que ele falou o que falou sobre o ex-presidente para recuperar parte do dinheiro bloqueado por decisões judiciais de Sérgio Moro. Afirmou também que Antonio Palocci quer fazer delação premiada para reduzir parte de sua pena em primeira instância de 12 anos.

E Luiz Inácio Lula da Silva diz o seguinte, em depoimento a Moro, sobre as delações premiadas: "já disse aqui que a desgraça de quem conta a primeira mentira é passar o resto da vida mentindo para justificar a primeira mentira. E aquele Power Point feito [e divulgado por Deltan Dallagnol] chamando o PT de organização criminosa, que o Lula por ser a pessoa mais importante é o chefe e, portanto, que o governo do Lula foi feito para roubar, sabe, mereceria um processo contra quem escreveu aquilo a serviço da opinião pública".

Depois ele critica diretamente o possível delator: "o Palocci veio aqui e o senhor sabe que eu tenho uma profunda amizade com o Palocci, há mais de 30 anos. Não é uma coisa de um dia. O Palocci foi meu ministro da Fazenda e prestou um grande serviço a este país (...). Eu vi atentamente o depoimento do Palocci. Foi uma coisa quase cinematográfica, feita por um roteirista da Globo. Você vai dizer tais coisas, os leads são esses e ele foi dizendo, lendo algumas coisas (...). Nada ali é verdadeiro. A única coisa de verdadeira ali é que ele quer os benefícios da delação [premiada]".

A crítica do ex-presidente se direciona especialmente ao juiz Sérgio Moro, que popularizou as delações a partir do escândalo do Banestado, nos últimos anos do governo FHC, a partir dos depoimentos do doleiro Alberto Youssef. Diminuindo o tempo de cadeia de um criminoso confesso, o juiz de primeira instância criou um sistema muito parecido com o norte-americano para quem um dedure o outro em grandes casos de corrupção, sem haver uma investigação real da Polícia Federal para embasar os depoimentos.

Os métodos de Moro, neste aspecto, são mesmo controversos é há pelo menos três casos problemáticos dentro da Lava Jato. Você pode não concordar com Lula e nem pressupor que ele seja inocente, mas ele estava certo ao criticar o instituto da delação premiada.

Fernando Moura

Em maio de 2016, o lobista e amigo do ex-ministro José Dirceu foi o primeiro acordo de delação premiada da Lava Jato que teve a quebra oficializada pelo juiz Moro Sergio Moro. Ao depor ao juiz Moro, Fernando Moura negou que Dirceu tivesse sido responsável pela indicação de Renato Duque para o cargo de diretor de Serviços da Petrobras e também negou ter dito que o ex-ministro o orientou a deixar o Brasil durante o processo de julgamento do mensalão.

As duas afirmações constavam da delação firmada com o Ministério Público. Porém, diante da ameaça de ter sua colaboração anulada pelo recuo, Moura deu uma nova versão, e voltou a incriminar Dirceu. Ele disse que o ex-petista recebia propina de construtoras proveniente de desvios de recursos de contratos com a Petrobras.

A pressão para entregar quadros petistas fez com que o acordo fosse anulado. Moura estava em prisão domiciliar em Vinhedo e voltou a ser preso. O lobista foi condenado a 16 anos e dois meses de prisão por organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Delcídio do Amaral

Considerada uma das delações mais explosivas no final do governo Dilma, o depoimento do ex-senador petista Delcídio do Amaral ficou em xeque no mês de setembro de 2017. O Ministério Público Federal pediu que o ex-congressista perca os benefícios assegurados no acordo de colaboração premiada.

A Procuradoria da República afirma que o ex-parlamentar mentiu sobre fatos que levaram à abertura de ação penal contra sete pessoas. Se o pedido for aceito, em caso de condenação, o ex-senador poderá ter de cumprir integralmente as penas pelos crimes de obstrução à Justiça e patrocínio infiel. Ele foi preso em novembro de 2015 acusado de dificultar a delação de Nestor Cerveró.

Para o procurador e o MP, ao contrário do que afirmou Delcídio do Amaral, tanto na colaboração quanto no depoimento dado à Justiça, o silêncio de Cerveró não foi encomendado ou interessava a Lula, mas sim ao próprio senador. A procuradoria reconstitui a forma como, segundo as provas dos autos, ocorreu o fato que gerou a denúncia: o pagamento de R$ 250 mil para que Cerveró não firmasse acordo de colaboração premiada com o MPF ou que, em o fazendo, protegesse Delcídio do Amaral. A narrativa foi construída a partir das provas reunidas no processo.

Joesley Batista

Apesar da delação da JBS não ter sido cancelada, a proximidade entre o empresário Joesley Batista e o ex-procurador Marcelo Miller, que trabalhou no mesmo grupo do procurador-geral Rodrigo Janot, colocou em dúvida a denúncia contra o presidente Michel Temer. Na acusação, Joesley e diretores da J&F/JBS acusam Temer de tentar comprar o silêncio de Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro com uma mesada de R$ 500 mil por 20 anos.

As acusações ainda não perderam validade, mas no dia 10 de setembro Joesley e o diretor Ricardo Saud foram presos preventivamente. O ex-procurador Miller também é investigado. Portanto, mesmo a delação da JBS que é repleta de gravações envolvendo diretamente e indiretamente Temer também está em xeque.

Conflito entre a possível delação de Palocci e a da Odebrecht

Preso por mais um ano, Marcelo Odebrecht entregou uma lista de políticos que se beneficiavam de propinas da empreiteira. Diretores da empresa delataram e seu pai, Emílio Alves Odebrecht, também prestou depoimento. Emílio disse que nunca tratou de valores com Lula.

No depoimento de Antonio Palocci, o ex-ministro diz que o ex-presidente fez um "pacto de sangue" com Emílio Odebrecht. Quem está mentindo? Palocci ou Emílio?

Vamos visualizar a verdade nos próximos capítulos.

Mas considerando os exemplos anteriores, a mentira já foi utilizada para tentativas de redução de pena na Justiça.

As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

A delação de Antonio Palocci tem um potencial explosivo para dinamitar o grande candidato da esquerda no ano que vem. Quem são os nomes que podem ocupar o lugar do ex-presidente.

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(Foto: Montagem/Fotos Públicas/Wikimedia Commons)

Antonio Palocci acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer um "pacto de sangue" com a Odebrecht de R$ 300 milhões e de ter recebido dinheiro em espécie, em propinas de R$ 30 mil até R$ 50 mil, além de quantias maiores de até R$ 4 milhões. As informações estão sendo protocoladas no acordo de delação premiada do ex-ministro da Fazenda com a Força-Tarefa da Operação Lava Jato.

As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas)

Com estes fatos, a candidatura presidencial de Lula está ameaçada. De acordo com os institutos Paraná Pesquisas, Datafolha e Vox Populi, as intenções de voto do ex-presidente chegam até 30%, o que o coloca na frente de todos os adversários no primeiro turno. Ele somente é ameaçado por Jair Bolsonaro e Marina Silva no segundo turno. No entanto, a desaprovação de Luiz Inácio Lula da Silva bate 40% dos eleitores.

A delação de Palocci tem o potencial de agravar a situação do candidato e uma condenação em segunda instância na Operação Lava Jato pode inviabilizar Lula. Ele já foi condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Fernando Moro.

O ex-presidente prestou seu segundo depoimento diante de Moro e acusou Antonio Palocci de ser mentiroso, além de "frio e calculista". Os dois, o delator e Lula, foram grandes aliados no governo entre 2003 e 2005, inclusive quando os petistas foram acusados de corrupção no escândalo do Mensalão.

A relação parece ter mudado. José Dirceu, outro aliado histórico de Lula, disse à jornalista Mônica Bergamo que preferia "morrer a delatar" como fez Palocci.

A queda de Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do maior partido de esquerda no Brasil, abre uma vaga para as eleições de 2018 se for concretizada. 

Conheça três alternativas reais ao ex-presidente no ano que vem.

Jacques Wagner

As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

(Foto: José Cruz/ Agência Brasil/Fotos Públicas)

De fala calma e habilidade política afiada nos bastidores, Jacques Wagner pode dar continuidade à forte campanha do PT no nordeste, sobretudo depois da caravana de 25 dias de Lula nos Estados. Ex-governador da Bahia, Wagner foi ministro-chefe da Casa Civil e titular da pasta de Defesa no segundo governo Dilma, além de ter sido ministro das Relações Institucionais e do Trabalho de Lula. Com 66 anos, ele é um quadro petista experiente e com nome para tentar a presidência.

O ruim é que os institutos de pesquisa não levam sua candidatura a sério e a influência nacional de Wagner ainda não foi mensurada. O jornalista e escritor Alberto Carlos Almeida (ex-Valor Econômico) defendeu no site Poder360 que ele será o candidato do PT, sob o seguinte argumento:

"A maior quantidade de baianos fora da Bahia está em São Paulo. Não bastasse isso, Jaques Wagner tem pele alva, olhos azuis e fala mansa, algo que agrada até os mais empedernidos eugenistas. No Nordeste ele é chamado de galego, apesar dos cabelos grisalhos que transmitem o equilíbrio e a experiência característicos de quem tem mais idade (...).  Ele tem a malemolência política de cariocas, baianos e de todo aquele que mergulha no velho sincretismo brasileiro. Que o diga o seu orixá: Oxalá. Como se vê, em tudo ele é o oposto de Dilma".

O que conta contra Wagner é a delação do ex-diretor da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, divulgada em dezembro de 2016. Ele teria recebido propina junto com Rodrigo Maia, o atual presidente da Câmara e deputado pelo DEM. Pelas contas de Cláudio, Jaques Wagner levou R$ 7,5 milhões em dez parcelas, pagas entre agosto de 2010 e março de 2011. O ex-governador também aparece em grampos telefônicos divulgados por Moro na Lava Jato, falando com Lula e Dilma.

Hoje ele é Secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico da Bahia do governo Rui Costa.

Fernando Haddad

As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

(Foto: Lula Marques/AGPT/Fotos Públicas)

Ele seria o segundo nome numa chapa com o PT na presidência, embora o partido não fale abertamente dele. Com 54 anos hoje, Fernando Haddad seria um candidato jovem e ousado para o clima polarizado de 2018. Apesar de ser mais novo, ele tem experiência em cargos públicos e gerindo a mais rica cidade do país.

Vindo do movimento estudantil da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da USP, Haddad foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico do município de São Paulo na gestão Marta Suplicy, em 2001. Tornou-se assessor especial no Ministério do Planejamento do governo Lula, em 2003, e foi promovido ao cargo de Secretário-Executivo do Ministério da Educação, na gestão de Tarso Genro no ano de 2004 . Lá ele desenvolveu então o Programa Universidade para Todos (ProUni).

Fernando Haddad assumiu o cargo de Ministro da Educação do Governo Lula em 29 de julho de 2005 e fez a pasta atuar da creche até a pós-gradução, mudando a prova do Enem e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Ao fim de sua gestão, o investimento público em educação de 3,9% para 5,1% do PIB.

Foi eleito prefeito em São Paulo no ano de 2012, em pleno julgamento televisionado do Mensalão. Fez uma gestão focada na humanização da cidade, colocando ciclovias e ciclofaixas, aumentando corredores de ônibus e alterando o Plano Diretor municipal. No entanto, perdeu a reeleição em primeiro turno para João Doria Jr. no ano passado.

Haddad nega que é candidato e reitera a intenção de Lula em disputar a presidência. O Ministério Público acusa Haddad de ter fraudado licitação em construção de ciclovia de 12,4 quilômetros no trecho Ceagesp-Ibirapuera que custou R$ 4,4 milhões por quilômetro quadrado. Ele também refuta as acusações.

Ciro Gomes

As três alternativas do PT para 2018, se Lula for mesmo inviável

(Foto: Murilo Silva/CAPOL/Wikimedia Commons)

Ciro já está em campanha. Ele tem uma performance de cerca de 5% nas intenções de votos segundo os institutos de pesquisa, como Datafolha. Ele não representa o PT, mas sim o PDT que anteriormente tinha Leonel Brizola como candidato.

Ele tem muita experiência como candidato à presidência, em 1998 e em 2002, perdendo na primeira vez para FHC e Lula e depois para Lula e José Serra. Sempre em terceiro lugar, acumulou formação em cargos nos governos. Foi ministro da Fazenda de Itamar Franco e da Integração Nacional de Luiz Inácio Lula da Silva.

Passou por diversos partidos e foi um dos fundadores do PSDB ao lado de Tasso Jereissati, abandonando os tucanos quando brigou com Fernando Henrique Cardoso e sua candidatura pós-Plano Real.

Ciro Gomes se expõe como um homem de centro-esquerda, o que poderia agradar o eleitorado petista, mas não se identifica com a agenda de minorias LGBT, movimento negro ou feminista. Mostra-se como um desenvolvimentista na economia e critica o neoliberalismo. Pela visão de Brasil, poderia ser um excelente backup à candidatura de Lula.

No entanto, ele recentemente tem falado muito mal do ex-presidente. “Muito petista prefere o Bolsonaro”, disse o pré-candidato durante evento com universitários no Rio de Janeiro em 14 de setembro de 2017, dentro da FGV.

E disparou diretamente contra Lula:

"O Lula sabe o que fez. E não dá para ter uma narrativa dizendo o seguinte: olha, eu sou um perseguido político pelos adversários da direta, a serviço dos tucanos, etc e tal (...). Essa narrativa não se sustenta.É como você falar o seguinte: houve um golpe de Estado no país. Estou de acordo, houve um golpe no país. Sucede daí que quem fez esse golpe foi o Senado, cujo presidente era o Renan Calheiros, cujo novo presidente é o Eunício Oliveira. O que faz o PT, agora? Vota no Eunício para presidente do Senado e o Lula chega a Alagoas, na visita que faz ao Nordeste, e se abraça com Renan Calheiros. Tá pensando que o povo é imbecil?".

O discurso de Ciro é coerente. Mas ele quer ter qual eleitor? O de João Doria Jr.? Porque sua crítica menospreza que a esquerda lulista nunca confrontou realmente as elites - e nem Ciro Gomes tem realmente um projeto concreto e focado nos pobres e desfavorecidos no Brasil.

O PT não teria tanta segurança nele caso não tenha candidato.

Concluindo

O diretório estadual do PT e diversos quadros afirmam que o único candidato é Lula. Mas o discurso pode ser mais político do que prático, para confrontar diretamente a Lava Jato e seus abusos jurídicos.

É cedo para dizer, mas é importante ter estes nomes no radar caso Lula caia em desgraça na Operação Lava Jato. O campo da centro-esquerda enfraquecido favorece tanto a centro-direita representadas por Doria e Alckmin quanto a extrema-direita de Jair Bolsonaro. A extrema-esquerda não tem representatividade eleitoral, especialmente considerando as campanhas caras e corruptas no Brasil.

Apesar das críticas de Ciro Gomes a Lula, ele veria com bons olhos Fernando Haddad como seu vice. "Seria o dream team", disse ao jornal El País em agosto.

Será que o PT topa abandonar a grande disputa e fazer um candidato do PDT o seu candidato? A queda de Lula torna 2018 obscuro com Jair Bolsonaro.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.