Coluna do Pedro Zambarda
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Mamãefalei, Corrupção Brasileira Memes e os braços de comunicação do MBL

YouTubers nas ocupações da escola. Tática de ridicularização da oposição. Como o MBL faz uma comunicação jovem que contagia massas da direita.

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O que é o FGTS? Como funciona? Ele tira direitos do trabalhador? Os protestos contra aumentos de tarifa vão provocar mais impostos? Qual é o problema das privatizações?

Arthur Moledo do Val é o autor do canal de YouTube MamãeFalei, que tem mais de 400 mil inscritos e vídeos com centenas de milhares de pageviews. Arthur faz as perguntas de uma maneira agressiva e com deboche envolvendo esquerdistas. E capricha na edição, que visa ridicularizar puramente a esquerda.

Sou repórter de um site de esquerda e mesmo quando fiz entrevistas com pessoas de direito e ironizei na edição, eu não faço o trabalho com a mesma agressividade de Arthur. No primeiro protesto do Movimento Passe Livre em 2017, em São Paulo, o vlogueiro chegou a pedir ajuda da Polícia Militar depois de provocar uma confusão com sua agressividade nas perguntas.

Arthur chegou a pedir dinheiro para sua audiência por uma campanha de crowdfunding. Acumulou R$ 19 mil. Na verdade, Arthur Moledo do Val é braço de comunicação do Movimento Brasil Livre (MBL), movimento de direita de Kim Kataguiri. Não esconde isso e falou em diferentes entrevistas, inclusive na Rádio Jovem Pan. Ele é mais uma das engrenagens do MBL nas redes sociais.

O MBL utiliza sites supostamente noticiosos para confirmar suas teses e fidelizar sua audiência numa fanpage de Facebook com 1,8 milhão de likes. Jornalivre, Implicante, Ceticismo Político e Folha Política são redes de sites que cozinham notas dos jornais Folha de S.Paulo, Estadão e outras fontes mais neutras para montar o seu noticiário parcial. O próprio Kim Kataguiri apresentava vídeos no canal Ficha Social, vinculado com a Folha Política.

Mamãefalei, Corrupção Brasileira Memes e os braços de comunicação do MBL

De acordo com diferentes fontes que falaram com o autor que vos fala na condição de anonimato, o administrador da fanpage Corrupção Brasileira Memes é amigo de Fernando Holiday, vereador pelo DEM e braço direito de Kim no MBL. Eles chegaram a fazer concursos culturais com o Movimento Brasil Livre, embora passem desapercebidos em muitas de suas postagens.

Corrupção Brasileira Memes passa a impressão que é imparcial. E não é.

Mamãefalei, Corrupção Brasileira Memes e os braços de comunicação do MBL

O site Spotniks, outro representante do novo liberalismo brasileiro desta direita, chegou a fazer um texto elogioso ao Corrupção Brasileira Memes no dia 5 de janeiro de 2017. O MBL também é querido por Reinaldo Azevedo na Veja e em suas colunas na Folha de S.Paulo. Apesar da grande quantidade de páginas sem muita credibilidade jornalística e memes, é possível apontar o movimento do Kim como um dos principais influenciadores políticos brasileiros no Facebook.

Fica pau a pau com Mídia Ninja, que cobre protestos de rua e tem viés esquerdista desde 2013.

É importante identificar os braços de comunicação do MBL para entender seus argumentos no cenário político. 

Com vereadores eleitos, eles são a nova oposição de direita no cenário, além de terem deturpado os propósito inicial das Jornadas de Junho de 2013 nas ruas.

2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?

O que aconteceu na rua em quatro anos? Depois do impeachment, não há mais força política? O aumento de tarifas não importa mais? Fomos massa de manobra?

2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?
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Todo repórter que cobre rua tem histórias diferentes pra contar. Em 2013, minhas opiniões eram mais centristas, embora eu tivesse um flerte com a esquerda que se manifestou contra a crise americana desde 2008. Eu fui em poucos protestos naquele ano. Mas vi a coisa ganhar um corpo descomunal quando a repórter Giuliana Vallone (Folha de S.Paulo) e o fotógrafo Sérgio Silva foram acertados por balas de borracha no exercício da sua profissão. O ataque a esmo da Polícia Militar de São Paulo, que reprimia de maneira indiscriminada os protestos de esquerda e anarquistas contra o aumento das passagem, atingiu a grande mídia e incendiou o país.

2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?

Esquerda e direita tomaram as ruas, numa união preocupante mas contagiante. Um texto da jornalista Ana Paula Freitas exclamava "não é apenas por 20 centavos [de aumento]". Os black blocs, que utilizavam táticas mais agressivas contra a PM e as agências bancárias, foram perdendo espaço e sendo estigmatizados pela imprensa, à parte dos demais. Deram espaço para o "manifestante verde e amarelo", apolítico, cético e pouco educado politicamente.

2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?
2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?

500 mil pessoas, um milhão de pessoas, dois milhões. Era este o montante da população que tomava as ruas naquela época e não dava sinais de que iria parar.

2014 foi um baque. A esquerda tem uma relação contraditória com o PT e só parte dela protestou contra as obras superfaturadas da Copa do Mundo. A direita foi gritar gol e chamar Dilma Rousseff de vagabunda. A Copa aconteceu e o 7x1 da Alemanha no Brasil rolou. Fomos humilhados no campo, a corrupção estatal e privada comeu solta, mas o maior evento futebolístico do mundo aconteceu no nosso país. Os protestos das Jornadas de Junho de 2013 perderam força.

2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?

No final daquele ano, surgiu o MBL de Kim Kataguiri, Renan Santos e Rubinho Nunes. De Vinhedo até São Paulo, eles se venderam como um movimento "apartidário". Foram o Movimento Brasil Livre que, ao lado do Vem Pra Rua e dos Revoltados On-Line, transformaram os protestos pela redução das passagens e da Copa numa mobilização contra o PT, contra Lula e contra Dilma. Em 2015, eles marcharam de São Paulo até Brasília, cumprimentaram Eduardo Cunha, Jair e Eduardo Bolsonaro. Falaram com a bancada da bala, da bíblia e do boi no Congresso. Enfraqueceram no final de 2015.

2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?

Embalados no começo de 2016 pela grande mídia, concentraram milhões de pessoas na Avenida Paulista e em cidades do Brasil inteiro. Contra eles, o próprio ex-presidente Lula começou a andar pelo país. Esquerda e direita retomaram até as ruas, mas num clima de polarização extremada. Dilma caiu, golpeada por um impeachment, e Temer assumiu para adotar um programa econômico de cortes no Bolsa Família, na aposentadoria e nos direitos de trabalhadores, favorecendo os ricos na maior crise econômica do Brasil democrático.

Em 2017 chegamos em frangalhos. A esquerda tenta mobilizar as rua e as redes sociais, enquanto a direita, sobretudo o MBL, emplaca candidatos por partidos de base de Michel Temer, como DEM, PMDB e PSDB. Metaforseando manifestações legítimas numa onda antipetista que tomou os grandes meios de comunicação, os protestos de rua foram manipulados e esvaziados em oito anos. Até os viúvos da ditadura militar se juntaram com a marcha.

2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?

Nas lideranças de movimentos de defesa de moradia, o líder do MTST Guilherme Boulos chegou a ser preso neste ano. O Movimento Passe Livre, que surgiu em Porto Alegre e ganhou força em 2013, não consegue reunir um terço da sua cópia à direita MBL.

O que acontecerá na política brasileira na era Temer? Olhe para a rua.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.