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Michel Temer pode cair pela "Carne Fraca" da JBS

Sobre a delação de Joesley Batista e o seu irmão Wesley, da JBS, que pode explodir o governo Temer nos próximos dias.

Michel Temer pode cair pela "Carne Fraca" da JBS
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A Operação Carne Fraca da Polícia Federal foi deflagrada em 17 de março de 2017 e trouxe resultados controversos, apurando comida estragada de empresas como JBS e a Brasil Foods (BRF). As empresas são doadoras de partidos como PT e PMDB e os efeitos da apreensão de algumas carnes provocaram uma perda na escala de milhões de reais, além das suspeitas de ligações com a Lava Jato. O jornalista Luís Nassif explica as implicações desta operação no vídeo abaixo.

Na época, escrevi que rondaram boatos na imprensa de que Eduardo Cunha estava por trás da operação da PF direto da prisão, o que evidenciava os conflitos internos do PMDB. Me baseei em informações publicadas na Folha de S.Paulo e em outros veículos.

Eis que o jornal O Globo, no dia 17 de maio, e na coluna de Lauro Jardim (com Guilherme Amado), vieram com uma denúncia que dinamita Michel Temer, Eduardo Cunha, políticos do PMDB e, até, Aécio Neves. O escândalo foi divulgado em conjunto com o Jornal Nacional na TV Globo.

Na tarde de 10 de maio, Joesley e seu irmão Wesley Batista entraram apressados no Supremo Tribunal Federal (STF) e seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin. Eles são os donos da JBS, a maior produtora de proteína animal do planeta e envolvida na Operação Carne Fraca, como já descrevemos.

O Globo afirma que a dupla estava acompanhada de mais cinco pessoas, sendo todas do frigorífico. Deixaram diante de Fachin uma delação premiada, que pode ser homologada, por livre e espontânea vontade, sem coação.

E quais são as denúncias?

Governo Temer a um passo de cair

Eis os pontos do escândalo:

- O presidente Michel Temer foi gravado em um diálogo embaraçoso pelo dono da JBS. Na presença de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) para resolver um assunto da J&F, empresa holding que controla a JBS. Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados pelo dono do frigorífico. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?".

- Joesley também teria feito pagamentos de R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão. O valor seria referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária, dentro do setor de frango.

- Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, Frederico Pacheco de Medeiros, conhecido como Fred. Ele foi presidente da Cemig e foi flagrado numa filmagem pela Polícia Federal. Aécio disse que delegou a atividade a Fred porque poderia "matá-lo" antes dele delatar. A PF chipou (rastreou) o caminho do dinheiro. As verdinhas foram depositadas na empresa do senador Zezé Perrella, o mesmo do escândalo de meia tonelada de pasta base de cocaína num helicóptero em Minas Gerais, o Helicoca (assista o documentário do DCM abaixo para entender).

- Segundo a delação, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega era contato do PT com a JBS. Ele negociou dinheiro de propina de Dilma e Lula para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

A denúncia foi levada do Supremo para a Procuradoria-Geral da República. Para que as conversas não vazassem, a PGR adotou um procedimento incomum com Joesley entrando na garagem da sede dirigindo o próprio carro sem ser identificado, assim como os outros delatores.

Delação incomum na Lava Jato

A denúncia é a primeira de "ações controladas" com filmagem. Os registros são do mês de abril, o que implica diretamente o governo Michel Temer no exercício de mandato, o que cabe impeachment ou uma ação de cassação do seu cargo.

Se a delação da Odebrecht foi negociada durante dez meses e a da OAS se arrasta por mais de um ano, a da JBS foi feita em tempo recorde. No final de março, se iniciaram as conversas. Os depoimentos começaram em abril e na primeira semana de maio já haviam terminado. 

A JBS contratou o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe para tentar um acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), além da Justiça brasileira. A empresa tem 56 fábricas nos EUA, onde lidera o mercado de suínos, frangos e o de bovinos. Pelo que foi homologado por Fachin, os sete delatores não serão presos e nem usarão tornozeleiras eletrônicas. 

Da empresa será cobrada uma multa de R$ 225 milhões para livrá-los das operações Greenfield e LavaJato que investigam a JBS há dois anos. Essa conta pode aumentar na Justiça americana.

O papel da Globo

Nas redes sociais, militantes de direita, apoiadores do golpe contra Dilma e outras figuras acharam que a Rede Globo mostrou "neutralidade" ao dar o furo na coluna de Lauro Jardim. A estes, sugiro um exercício simples de lógica.

Se a reportagem exclusiva sobre a JBS saísse primeiro na Carta Capital ou no DCM, ou no Luís Nassif, ou no Renato Rovai (Revista Fórum), ou no Paulo Henrique Amorim, ou no Brasil247 seria tratado como "exagero da mídia petista". É infelizmente o preço que a imprensa de esquerda paga por se engajar por pautas sociais que contam com simpatia do PT.

Detalhe que estes sites citados já denunciaram outros diversos crimes fora da esfera esquerdista, o que é importante. Eles cobrem as denúncias envolvendo os trens em São Paulo e o PSDB, fora a Zelotes e outros escândalos fiscais de tucanos e peemedebistas.

No entanto, os delatores e as autoridades pensaram além da esquerda e focado no brasileiro médio que vê a grande mídia. A JBS, o STF e a PGR foram espertos em acionar a empresa dos Marinhos, que apoiou o governo Temer contra Dilma. Com essa bomba da delação voluntária, deram as informações diretamente pro jornalista Lauro Jardim do Globo. Se Lauro não publicasse, seria cúmplice dos crimes de Michel Temer. 

A Globo não fez isso de bom grado. Fez porque não tinha saída.

O governo Temer vai cair?

Não dá pra prever. Temer nega as acusações, apesar de confirmar o encontro com Joesley Batista. Aécio nega as acusações. Os senadores petistas Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann defendem uma PEC para antecipar as eleições de 2018 no mês de outubro de 2017.

Na linha sucessória, se Michel Temer for cassado ou impedido, há o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e a presidente do STF, Cármen Lúcia.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Brasília, militantes de esquerda e cidadãos insatisfeitos já pedem o Fora Temer com mais força. Podem repetir o MBL contra Dilma.

Como está o processo de Joice Hasselmann contra Reinaldo Azevedo?

Sobre a briga judicial entre a ex-apresentadora da TVeja e do colunista da Veja, Jovem Pan, Folha de S.Paulo e RedeTV.

Como está o processo de Joice Hasselmann contra Reinaldo Azevedo?
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Em fevereiro de 2017, publiquei que a YouTuber e ex-apresentadora da TVeja, Joice Hasselmann, foi vítima de "machismo explícito" do colunista de política Reinaldo Azevedo. Na época, a apresentadora anunciou que abriria um processo judicial contra Reinaldo, principalmente por seu vídeo de 24 minutos em que ele apela baixarias e chama explicitamente ela de "burra". O jornalista fala impropérios sobretudo por Joice ser uma mulher no meio político.

E ainda complementa que, para Joice, "dormir com pessoas não nos deixa mais inteligentes, nem que seja Schopenhauer". Em diferentes momentos do vídeo, Reinaldo diz que Joice Hasselmann é muito "visual", que suas opiniões são "xucras" e chama ela também de "grosseira". O ataque não se limita ao debate de ideias, mas sim ao famoso ad hominem - expressão em latim que Reinaldo Azevedo adora usar em textos e significa "ataque às pessoas", e não aos ideais que defendem.

Pois bem. Esta coluna teve acesso a fontes que estão acompanhando o processo judicial próximas a Joice Hasselmann. Ela entrou com uma ação por calúnia e difamação contra três envolvidos.

O primeiro é o próprio Reinaldo Azevedo, pessoa física. Além dele, Joice está processando a Rádio Jovem Pan, que permitiu a gravação do vídeo de 24 minutos, e a revista Veja, que permitiu o prolongamento dos ataques de Reinaldo em texto. Antes de acionar a Pan, Joice Hasselmann entrou em contato com o empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, dono da emissora. Ele teria se comprometido a publicar um direito de resposta da YouTuber no mês de abril para evitar o envolvimento da rádio, o que não aconteceu.

Agora, Joice Hasselmann deve levar em frente seu processo contra os dois veículos e Reinaldo Azevedo, sobretudo pelos ataques que foram dirigidos a sua pessoa - enquadrando nos chamados "crimes contra a honra". Joice e Reinaldo foram colegas de programa na Veja por mais de um ano, entre agosto de 2014 e novembro de 2015.

O incrível no processo em si é a própria omissão dos veículos de comunicação. Não tenho nenhuma afinidade ideológica com Joice Hasselmann - sou de esquerda e ela é parte da direita que inclusive vê Jair Bolsonaro como seu representante. Somos adversários politicamente. 

Mas nada disso tira o fato que um colunista de política, que ainda pensa que é o maior do Brasil, a agrediu em vídeo por ela ser mulher, sem manter o mínimo de decoro ou respeito. 

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.