Coluna do Pedro Zambarda
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Moro "Batman", Karnal "Robin" e a irrelevância de uma foto

Leandro Karnal é o filósofo pop da vez, dotado de ideias progressistas e de centro. No último sábado (11), ele resolveu postar uma foto com o juiz Sergio Moro. O caso repercutiu e dominou o noticiário, em plena delação da Odebrecht.

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Leandro Karnal é professor da Unicamp e um dos colunistas mais lidos do jornal O Estado de S.Paulo. Vendedor de livros best-seller, arrisca comentários sobre generalidades na TV Cultura e na grande mídia. Seu ritmo de palestras e entrevistas diz que é tão intenso que até agora ele não atendeu meu telefonema pedindo por uma entrevista. É o cara da vez.

Ou talvez não seja mais. Neste último sábado, ele resolveu postar uma foto com o juiz Sérgio Moro, o terror dos esquerdistas e o herói dos antipetistas. Deu ruim. E deu bem ruim.

Nada acontece sem contexto. É preciso explicar por que há tanta comoção em torno de uma foto.

Recentemente, dentro do próprio Estadão, Karnal repeliu leitores anti-PT e anticomunistas em geral. Recomendou que lessem Karl Marx. Em vídeos no YouTube, ele diz que a "cadela do fascismo está a solta", referindo-se ao deputado Jair Bolsonaro.

Suas ideias pareciam plenamente conscientes. E até acredito que ainda sejam. O problema é que ele achou que a informação também funcionaria ao contrário, como qualquer centrista que acha que o modus operandi da direita é o mesmo.

Foi lá e tirou uma fotografia com Moro. E falou que vai fazer novos projetos com o magistrado. Uma pós-graduação juntos. Um livro? Não sabemos, mas é provável. Moro é best-seller de política nas mãos de jornalistas.

Historiador de formação, talvez Karnal não tenha analisado o contexto. Arrependido, hoje tirou a foto do ar.

E os sites esquerdistas e figuras de esquerda trataram de repreendê-lo pelo ato, assim como mostrar que Sérgio Moro está decadente depois de três anos de Operação Lava Jato, que pune com velocidade alguns políticos e poupa outros.

No entanto, o que me salta aos olhos neste caso é que ainda estamos na lógica do "Batman Joaquim Barbosa" que dominou o debate político em 2012, quando ocorreu o julgamento do Mensalão e Fernando Haddad ganhou para prefeito em São Paulo pelo PT. Não evoluímos. A direita analfabeta política tenta defender Moro. A esquerda está sedenta por inimigos.

Moro "Batman", Karnal "Robin" e a irrelevância de uma foto

No fundo, a foto do "Batman Moro" com o "Robin Karnal" é só uma futilidade das fofocas de política. O foco deveria ser a lista da Odebrecht que, ao que tudo indica, veio pra ferrar de vez o PMDB e o PSDB.

E o acordo pra "estancar a sangria da Lava Jato" e manter a "suruba do governo Temer".

Falta-nos foco. E Karnal precisa parar de tirar fotos depois de beber umas taças de vinho.

PS: Mas leiam Leandro Karnal e não Olavo de Carvalho. Por gentileza.

Renan Calheiros deu o mapa da corrupção do governo Temer

Como o ex-presidente do Senado vê o atual governo? Por que a visão dele é importante no momento em que os detalhes da delação da Odebrecht vem a público?

Renan Calheiros deu o mapa da corrupção do governo Temer
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O inquérito que investiga senador Renan Calheiros na Operação Lava Jato foi desmembrado pelo Supremo Tribunal Federal a pedido do ministro Edson Fachin, que assumiu no lugar do falecido Teori Zavascki. Na semana, porém, Calheiros deu depoimentos interessantes sobre a própria divisão que existe dentro do governo Michel Temer.

Atualmente líder do PMDB no Senado, Renan afirmou categoricamente que o ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) atua no governo do presidente Michel Temer mesmo de dentro da cadeia, onde está desde setembro. A declaração ocorreu após almoço com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

Ele sugeriu que Temer está sendo chantageado por Cunha e apontou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, como o porta-voz do ex-presidente da Câmara no Palácio do Planalto.

“Esse grupo originário que tem como líder e chefe o Eduardo Cunha, que as pessoas vão a Curitiba para saber o que ele orienta, o que ele recomenda, o governo não pode ficar exposto a isso. Não pode ficar exposto a isso, e o PMDB não concordará que o governo continue a ser influenciado por Eduardo Cunha”.

"Os últimos sinais emitidos pelo governo com as nomeações mostram que há uma disputa entre o PSDB e o núcleo da Câmara ligado a Eduardo Cunha pelo comando do governo. Os sinais são, de um lado, o fortalecimento do PSDB, que é legítimo porque faz uma sustentação importante no governo, e o fortalecimento do grupo originário da Câmara ligado a Cunha”.

As aspas são de Renan ao longo da semana. Sem tirar e nem colocar palavras.

A divisão do governo Temer se dá, então, em três partes: O antigo "Centrão" de Eduardo Cunha, composto por políticos que atuavam nos bastidores e fizeram repasses dentro do Petrolão; o PMDB de Michel Temer, que tinha Renan como um dos principais aliados; e o PSDB de Aécio Neves, Aloysio Nunes e José Serra, que conseguiram cargos no governo novo e oscilam entre o apoio e a chantagem, porque terão candidato em 2018.

Este é o governo das pessoas que deram o golpe em Dilma Rousseff, criadores da crônica de que o PT é o "partido mais corrupto do Brasil".

Fiquemos atentos aos próximos capítulos.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.