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Na guerra aberta entre Major Olímpio e Alckmin, a luta é pelos policiais

O deputado federal do partido de Paulinho da Força tirou o governador paulista do sério. E chamou atenção para uma demanda antiga.

Na guerra aberta entre Major Olímpio e Alckmin, a luta é pelos policiais
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(Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados/Alexandre Carvalho/A2img/Fotos Públicas)

Ele foi candidato à prefeitura de São Paulo em 2016 e obteve somente 116.870 mil votos. Ficou conhecido por seu vozeirão, manifestou-se favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e condenou a nomeação de Lula para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Agora, ele protagoniza uma guerra aberta contra o governador de São Paulo.

O deputado federal Major Olímpio, apelido para o ex-PM Sérgio Olímpio Gomes, protagonizou dois episódios de franca guerra política aberta contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. E os fatos atingem o tucano em cheio nos dias em que ele leva facadas nas costas de seu pupilo, o prefeito João Doria Jr.

No dia 16 de setembro, Olímpio provocou Alckmin num evento em São Carlos. O deputado federal fez acusações em voz alta, com microfone e caixa de som, contra o secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, e o governador.

Major Olímpio gritou: "cadê o salário da polícia, secretário?". Aliados de Alckmin, o deputado federal Lobbe Neto, o deputado estadual Roberto Massafera (PSDB) e o prefeito de São Carlos, Airton Garcia, defenderam o governador.

"Quero fazer uma pergunta para vocês. Alguém aqui ganha R$ 50 mil do povo de São Paulo? É ele que está gritando. Ele ganha R$ 50 mil, devia ter vergonha, vergonha de vir aqui, R$ 50 mil do povo de São Paulo. Tenha vergonha, deputado. Não pode olhar no rosto dos brasileiros de São Paulo, R$ 50 mil por mês. Vergonha!", gritou Alckmin, revidando as acusações num tom bastante alterado.

A briga não parou ai. Na manhã de 22 de setembro de 2017, Major Olímpio tentou bloquear o carro de Geraldo Alckmin na saída de uma convenção de seu partido, o Solidariedade, liderado por Paulinho da Força no bairro da Liberdade, em São Paulo. O deputado repetiu a reivindicação de aumento salarial para policiais.

Uma reivindicação necessária

De acordo com Olímpio, os policiais militares não recebem aumento há três anos. O governador propôs aumento de 7% no salário de PMs, polícia civil e tecno-científica em 2013. Reajustes foram realizados em 2012 (11%) e 2011 (15%). Depois disso, não se tem notícia de mudança salarial numa carreira que corre perigo de vida com as taxas de criminalidade do estado.

O Estado, no entanto, quer aumentar a idade-limite de aposentadoria dos PMs neste ano. Hoje cabos e soldados são compulsoriamente reformados com 52 anos, enquanto que sargentos e subtenentes podem trabalhar até os 56. Juntos, esses postos e graduações correspondem a mais de 90% dos 93 mil PMs ativos em São Paulo. 

Pela proposta do governo, esse limite subirá para 60 anos para todos esses postos e graduações, como já ocorre com os coronéis, por exemplo. Como esse é o teto da idade ativa para os oficiais, os agentes que quiserem poderão aposentar-se antes, abrindo mão da aposentadoria integral, caso não tenham completado os 30 anos de contribuição.

Alckmin também quer que os agentes fora da ativa sejam recontratados para atuar em setores administrativos da corporação, uma espécie de "bico oficial". A proposta vai tramitar em regime de urgência e deve ser votada ainda neste semestre pelos deputados na Assembléia Legislativa.

O protesto de Olímpio no dia 16 estava lado a lado da manifestação da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), organização tradicionalmente de esquerda. Ou seja, embora muitos setores políticos progressistas critiquem a PM por sua militarização e práticas brutais, as pautas acabam se unindo quando o governo estadual precariza o funcionalismo público.

O ponto de Alckmin

Para a imprensa, o Major Olímpio admitiu receber mais de R$ 50 mil por mês, mas de renda bruta, não líquida, como deputado federal. Criticou Alckmin por suas declarações recentes e ressaltou que busca aumento para a categoria dos policiais e não para ele próprio. 

Olímpio diz que não pretende deixar o partido liderado por Paulinho, mas que não concorda com a proximidade do Solidariedade com o governo Geraldo Alckmin.

Por que ficar ao lado do policial?

Embora a esquerda seja muito crítica com a polícia e com a forma que ela se comporta sendo o braço armado de Alckmin, sobretudo contra suas pautas de igualdade social, é importante ver o policial como um trabalhador. Um proletário que sofre os mesmos problemas da gestão neoliberal do PSDB quanto qualquer outro profissional.

Por isso, além de mudar seus métodos, a polícia precisa ser bem paga, guarnecida com os melhores equipamentos e melhor treinada.

Nada disso acontece em São Paulo sob o governo Alckmin. 

Por isso, Major Olímpio tem total razão em seu protesto, com o governador gritando contra ou não.

A maioria dos empresários não sabe em quem votar, mas prefere Doria a Bolsonaro

A opinião do "PIB", embora não represente a maioria da população brasileira, interessa. E, aparentemente, Jair Bolsonaro espanta o empresariado.

A maioria dos empresários não sabe em quem votar, mas prefere Doria a Bolsonaro
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(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fernando Pereira/Secom/Fotos Públicas)

Enquanto a esquerda tem Lula como seu maior candidato, a direita tem um candidato com capacidade de crescimento e outros menores que variam muito de discurso. E isso pulveriza também as opiniões do alto setor corporativo do Brasil.

Uma pesquisa feita pela revista Exame Melhores e Maiores 2017 aponta que 39% dos maiores executivos brasileiros está indeciso quanto ao seu voto na corrida presidencial do ano que vem. No entanto, 35% dos empresários já declaram voto aberto em João Doria Jr., enquanto somente 10% apostam em Geraldo Alckmin, seu mentor. E, dentre os consultados, só 2% apoia Jair Bolsonaro. Cerca de duas mil pessoas foram consultadas no levantamento.

O que isso significa? Aparentemente o patamar de 20% do candidato de extrema-direita não está atraindo um eleitorado empreendedor. Enquanto Bolsonaro dispara nas pesquisas Datafolha, DataPoder360 e CNT/MDA, ele ainda performa mal com nichos mais influentes.

Segundo o Datafolha em abril, o "bolsominion" padrão é jovem entre 16 e 24 anos. Acima de 60, o percentual do ex-capitão do exército cai para 7%. Apesar de pegar os mais escolarizados, boa parte dos partidários de Jair Bolsonaro não viveu a ditadura militar. No mesmo levantamento, o mesmo instituto aponta que Lula atrai até 15% dos eleitores com mais de 60 anos e que só 47% estão com o petista até 34 anos, enquanto Bolsonaro chega a atrair 59%.

32% de mulheres se identificam com o ex-capitão contra 55% de potenciais eleitoras femininas de Lula. Já do lado dos homens, Bolsonaro emplaca 68% contra 45% do petista. Ou seja, os apoiadores do "mito" são mais jovens, predominantemente homens, escolarizados mas sem vivência histórica.

Coincidência?

A maquiagem dos indecisos

Apesar do bom número de 35% entre empresários, a estratégia de Doria pode virar fumaça frente aos 39% indecisos. E se eles apoiarem Bolsonaro e não têm coragem de afirmar na pesquisa. E se muitos deles preferem Lula aos nomes da direita?

O fato é que, se no começo de 2017 Lula disparava em desaprovação, agora é Aécio Neves que não é aceitável para 91% do eleitorado segundo o instituto Ipsos em agosto. Virtualmente, o presidenciável mineiro do tucanato está descartado.

Isso acendeu um sinal vermelho para Alckmin e Doria, que não saem dos 10% em pesquisas amplas dos institutos.

A falha de Bolsonaro para o empresariado

Embora o PSDB esteja derretendo, João Doria Jr. tem um discurso mais palatável para os executivos. Pelo menos da boca para fora, ele defende o Estado mínimo, ideias neoliberais e se vende como anti-político.

Bolsonaro não consegue se livrar da pecha de apoiador da ditadura militar em 2017. Fora nióbio, o metal natural que ele acredita que vai salvar o Brasil, Jair Bolsonaro diz com todas as letras que não entende de economia e que acha que o país está no buraco por causa dos técnicos que assumiram cargos públicos.

Ou seja, na prática o ex-capitão essencialmente não defende um projeto específico. Se ele permanecer dando corda para militaristas pró-ditadura militar, deveria enaltecer o Estado grande - o oposto da visão de João Doria hoje.

Isso certamente espanta o empresariado, que sempre reclama da alta taxa tributária e das dificuldades para abrir companhias e fazer negócios no Brasil.

O que for ruim economicamente pode ruir uma candidatura, visto o apoio empresarial ostensivo que presidenciáveis tiveram no passado. De forma oficial ou por caixa dois.  

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.