Coluna do Pedro Zambarda
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Não, Michel Temer não é "chefe de quadrilha". Nem Lula ou FHC

Considerações sobre a reportagem de capa da revista Época com entrevista de Joesley Batista.

Não, Michel Temer não é "chefe de quadrilha". Nem Lula ou FHC
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O editor-chefe da revista Época, da Editora Globo, Diego Escosteguy, conseguiu uma entrevista exclusiva com o delator e presidente da J&F, holding da JBS, Joesley Batista. O depoimento foi dado antes do empresário prestar novo depoimento à Polícia Federal, incriminando ainda mais o presidente Michel Temer e chamando-o de "chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil".

A reportagem tem 12 páginas e alguns trechos emblemáticos

Diz Joesley: "A pessoa a qual o Eduardo [Cunha] se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio [o operador Lúcio Funaro]. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel".

No Código Penal Brasileiro, o crime de Formação de Quadrilha é especificado da seguinte forma no artigo 288:

"Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes".

Os crimes de Michel Temer que constam nas acusações dadas em entrevista à revista Época e em sua delação premiada enquadram perfeitamente no delito descrito. Mas a publicidade do "chefe de quadrilha" decorre de outro fator. Dois políticos do PT foram acusados de formação de quadrilha e um deles foi condenado no Mensalão: Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu.

A publicidade dada na imprensa mostra que a exposição do político por Joesley obedece o mesmo modus operandi dos ataques ao Partido dos Trabalhadores. E por que falo em ataques?

O crime de formação de quadrilha é amplo e pode abarcar uma série de ações continuadas - uma quadrilha que faz assaltos a bancos, por exemplo. A corrupção no governo federal, no Congresso, no Senado, nos governos estaduais e nas prefeituras tornou-se um método de gestão, algo mais sofisticado do que os delitos que constam nas leis. Enquadra-se, sim, como organização criminosa. Mas tratar Michel Temer como o chefe da ORCRIM (organização criminosa) mais "perigosa" do país é um reducionismo da questão, cujo valor é temporário.

Joesley Batista relata achaques feitos por Eduardo Cunha, ações autônomas do ex-presidente da Câmara que hoje está preso e o respeito a uma hierarquia cujo chefe é Temer na época do impeachment.  O empresário também explica que o ex-ministro Geddel Vieira Lima tornou-se seu interlocutor quando Cunha foi preso. Depois as questões foram tratadas com Moreira Franco e com Michel Temer.

No entanto, reduzir o presidente da República a um chefão de uma quadrilha é pouco.

É como chamar Lula de chefão do Mensalão e do Petrolão. E é como os petistas adoram chamar Fernando Henrique Cardoso do chefão dos crimes do PSDB. Tudo isso é muito pouco. E todos estes políticos conversam entre si, possuem operadores para determinadas ações ilegais e tomam de assalto o dinheiro público para perpetuação no poder.

A discussão sobre os crimes dos nossos chefes de Estado precisa sair apenas das designações legais de seus processos jurídicos.

Temer é golpista e participante da corrupção do PMDB. Chefe de quadrinha é pouco para ele.

Por que precisamos desconstruir o discurso de quem apoia Bolsonaro?

Algumas considerações sobre quem apóia o deputado carioca pró-militar e que quer ser presidente da República.

Por que precisamos desconstruir o discurso de quem apoia Bolsonaro?
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No final de maio de 2017, o deputado Jair Bolsonaro passou nervoso na rádio Jovem Pan. Num debate com o historiador Marco Antonio Villa, ele não conseguiu explicar por que recebeu R$ 200 mil da JBS-Friboi na sua campanha eleitoral pelo PP (partido mais investigado na Operação Lava Jato). No bate-boca, ele admitiu: "mas qual partido não recebe propina?".

Bolsonaro, em suma, confessa que esteve de acordo com práticas de corrupção do PP. Villa também mostra que ele desconhece história sobre a ditadura, sobre economia e sobre diferentes campos do conhecimento. Considerando tudo isso em conta, convido o leitor a desconstruir o candidato que promete ser o "mito" de muitos reacionários e da direita em 2018.

Por que precisamos desconstruir o discurso de quem apoia Jair Bolsonaro? Possíveis respostas abaixo:

- A sua defesa fascista, sem respeito a opiniões divergentes, vem do Macartismo. Trata-se de uma corrente norte-americana encabeçada pelo senador Joseph McCarthy entre 1950 e 1957. Ela perseguiu esquerdistas nos Estados Unidos e Bolsonaro apoia o mesmo no Brasil, contra uma suposta "ameaça vermelha". Pena que os apoiadores dele não sabem que os governos Lula e Dilma apoiaram políticas neoliberais de concessões públicas, entre outras.

- Bolsonaro já fez um atentado a bomba quando era capitão na cidade de Resende, no Rio de Janeiro. O objetivo era protestar por aumento salarial e o assunto rendeu uma entrevista do militar à revista Veja. Hoje ele se arrepende do episódio, mas é apenas uma das demonstrações do seu visível desequilíbrio emocional.

- Tudo o que Jair Bolsonaro sabe falar sobre economia é nióbio, grafeno e "riquezas do Vale do Ribeira".  O conhecimento do deputado rasteja em macroeconomia ou mesmo microeconomia. E ele não contrata um assessor capaz de integrar em sua chapa com propostas.

- Na votação do impeachment de Dilma Rousseff, Bolsonaro exaltou um torturador da ditadura militar: Carlos Alberto Brilhante Ustra, que teria sido o "terror" da presidente no DOI-Codi.

- Bolsonaro foi um dos maiores propagadores de mentiras a respeito do "kit gay" na Câmara, que foi pauta nos governos Lula e Dilma, inclusive quando o ex-prefeito Fernando Haddad era ministro da Educação.

- Por fim, Jair Bolsonaro defende o combate à corrupção dentro do PT e do PSDB, mas não consegue responder perguntas simples sobre o financiamento de sua própria campanha. Se fosse seriamente investigado, estaria tão enrascado quanto os demais.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.