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O AVC da esposa de Lula e o esgoto dos comentários na internet brasileira

Dona Marisa Letícia foi internada no Hospital Sírio-Libanês. Esposa do ex-presidente Lula, era esperada uma reação da internet. Até onde chegamos? E por que permitimos que o antipetismo chegasse neste ponto?

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Marisa Letícia Lula da Silva foi internada em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) no dia 24 de janeiro de 2017, uma terça-feira. Passou por um exame de tomografia no Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo, e entrou na UTI do Sírio-Libanês, hospital de ponta em São Paulo. Sob os cuidados do doutor Roberto Kalil, entrou em coma sodado no dia 26 e é mantida desta forma depois de uma arteriografia cerebral para estancar a hemorragia.

Logo após a internação, a tomografia tirada no SBC foi vazada ao jornalista Claudio Tognolli, biógrafo do músico Lobão e notório antipetista. O vazamento rompe o Código de Ética Médica. Tentei apurar essa história. O Hospital Assunção apura o caso e afastou os médicos. O Sírio-Libanês disse por nota que sua equipe não vazou documentos do hospital. Uma gravação circulou entre jornalistas e supostamente seria da equipe de Kalil. Mas a história permaneceu mal-explicada.

Não bastassem os problemas com a divulgação de notícias sobre dona Marisa, desrespeitando a família e descumprindo protocolos de divulgação médica supostamente "porque Lula será preso" (argumento de Tognolli), outro show de baixarias foram os comentários na internet.

Acostumados a uma leitora sem crítica da revista Veja, da Rede Globo e dos jornais brasileiros, os leitores de mídia aproveitam qualquer notícia ruim envolvendo o PT para comemorar. Leia alguns abaixo.

"Se é hemorrágico, ao contrário do isquêmico caso sobreviva a sequela é sempre maior. Valeu a pena roubar tanto, arruinar a vida de milhões de brasileiros, destroçar o futuro do Brasil, para ficar com pressão arterial na estratosfera e sofrer AVC?"

"Mais uma manobra dos advogados para se livra depois da cadeia!!! ate ja passa bem!!! e o povo enganado mais uma vez com essa mutreta de doença!!! ta igual esses Pastores !!! mas nao muito profissional".

"Tomara que essa desgraçada morra à míngua. Bem lentamente e dolorido. Igual essa família de ladrões fizeram com o povo brasileiro. Ou, pelo menos, passe o resto da vida em uma cadeira de rodas. E você 9 dedos desgraçado aguarde… O satã vai te buscar…"

"O cachaceiro vai usar a doença da mulher para se livrar da Lava Jato. Ele usou a mulher e os filhos para receber propinas".

Todo este esgoto saiu de um texto na Veja. Nem chequei o G1. Aqui - http://veja.abril.com.br/politica/marisa-leticia-e-internada-com-suspeita-de-avc/

A baixaria foi tanta que Reinaldo Azevedo, direitista extremo e insuspeito de ter simpatia por Lula, fechou a caixa de comentários do seu blog, desejando melhoras para dona Marisa.

Quando falamos que o antipetismo foi longe demais, nos chamavam de "governistas".

Quando o filho do governador Geraldo Alckmin faleceu, mandei minhas condolências à família. Nunca maltratei ninguém do PSDB, embora seja um jornalista assumidamente de oposição ao partido e à direita que os tucanos abraçaram.

O PT não está mais no governo federal. Quando este ódio vai sumir?

Por que ler "As Ideias Conservadoras", de João Pereira Coutinho?

Por que ler ideias que discordamos? E o que existe por trás de todo o conservador? Conservador é sinônimo de reacionário? De onde vem o conservadorismo moderno? É fundamental ler para entender as ideologias vigentes.

Por que ler "As Ideias Conservadoras", de João Pereira Coutinho?
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José João Freitas Barbosa Pereira Coutinho tem 40 anos e é colunista dos jornais Correio da Manhã (Portugal) e Folha de S. Paulo (Brasil). Queridinho da grande imprensa brasileira,  teve um livro lançado em 2014 pela editora Três Estrelas e com orelha do colunista de extrema-direita Reinaldo Azevedo. "Há muito não se publicava um pequeno grande livro como este (...). Edmund Burke é o Virgílio de Coutinho, o personagem que o conduz pelos círculos, fossos e vales em que se tentou exilar o pensamento conservador, confundido ora com reacionarismo, ora com anacronismo", elogia Reinaldão.

O colunista do site da revista Veja está certo e o livro é de fato muito interessante. Seu ponto de partida é certo sobretudo nos pressupostos teóricos. Professor de ciência política na Universidade Católica Portuguesa, Coutinho inicia o manuscrito insistindo na ideia que não existe um único conservadorismo, mas "conservadorismos" de diferentes raízes. E traça o início do conservador moderno com o irlandês Edmund Burke, que foi um dos maiores críticos da Revolução Francesa.

João Pereira Coutinho então percorre Alexis de Tocqueville, James Mackintosh e Anthony Quinton. Entre os três, há o reconhecimento das falhas do pensamento revolucionário, a sensibilidade de entender que existe uma justificativa naturalista sobre o conservadorismo e que uma de suas raízes mais fortes vem da noção que todos os homens "são imperfeitos".

Por que ler "As Ideias Conservadoras", de João Pereira Coutinho?

A ontologia é bem desenvolvida nos oito capítulos. E quando falo em ontologia, falo do exame filosófico dos elementos que constroem o argumento conservador.

Num outro texto, abordei que a esquerda tende a ser dialética, trazendo teses e antíteses para resultar numa síntese, a tese transformada. O conservadorismo faz a trajetória oposta e conserva uma tese, se ele acredita que aquele costume faz parte da natureza humana. O conservadorismo é naturalista per se.

Ao mesmo tempo, a esquerda tende a torná-lo equivalente ao comportamento reacionário. Reacionário vem de reação. E ele não é meramente conservar características, mas reagir contra mudanças, sejam elas revolucionárias ou não.

Baseado em Burke e em diferentes pensadores, Coutinho presta um grande serviço ao pensamento conservador no texto deste livro. E para críticos do conservadorismo, como eu próprio, é uma boa obra de referência para "entender o inimigo".

Que fique claro que eu próprio sou um pouco conservador em algumas das minhas posições. É por isso que sou de centro-esquerda.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.