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O furo de Lauro Jardim pode ser o "Watergate brasileiro"?

Uma análise sobre os bastidores reportagem exclusiva sobre a delação premiada de Joesley Batista e a JBS.

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Lauro Jardim é um repórter experiente e deu o furo no dia 17 de maio envolvendo Joesley Batista e sua delação premiada representando a JBS na Operação Lava Jato. "Furo" é a expressão que nós, jornalistas, utilizamos para uma informação exclusiva. Lauro deu os detalhes, primeiro por escrito e depois com os vídeos liberados pela Procuradoria-Geral da República, dos grampos que Joesley fez de contatos com o presidente Michel Temer e com o senador Aécio Neves, além do transporte de malas de dinheiro de propina que foi rastreado.

Lauro explicou seu próprio trabalho numa entrevista ao próprio jornal O Globo, onde trabalha, e ao programa do apresentador Pedro Bial na TV Globo. Assista o último abaixo.

Watergate é considerado o maior furo de jornalismo político na história dos Estados Unidos. O caso trata de cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no Comitê do Partido Democrata. Foi capa do jornal Washington Post em 18 de junho de 1972.

A informação foi levantada por dois repórteres chamados Bob Woodward e Carl Bernstein, que ficaram por muitos meses rastreando as ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício de Watergate. Um informante chamada Deepthroat revelou que o presidente republicano Richard Nixon, do partido rival, sabia das operações ilegais.

Em 24 de julho de 1974, Nixon foi julgado pela Suprema Corte dos Estados Unidos e obrigado, por veredicto unânime, a apresentar as gravações originais, que comprovaram seu envolvimento na ação criminosa contra a sede do Comitê Nacional Democrata. O jornalismo do Post provocou a abertura de um processo de impeachment. Depois de 16 dias, em 9 de agosto, Richard Nixon renunciou à presidência e foi substituído pelo vice Gerald Ford, que assinou uma anistia tirando responsabilidades legais de qualquer infração.

Voltando ao Brasil, Lauro Jardim é um jornalista experiente que começou no próprio Globo no Rio, trabalhou na revista EXAME sob chefia de Paulo Nogueira (hoje no Diário do Centro do Mundo) e depois assumiu a coluna Radar da revista Veja. A especialidade de Lauro são as informações exclusivas.

Ele já cometeu barrigadas e erros de dados, sobretudo envolvendo o ex-presidente Lula, mas acertou desta vez ao obter indícios claros de irregularidades.

De fato o furo dado por Lauro com Guilherme Amado no Globo pode ser comparado ao Watergate. E, mais próximo disso, a denúncia dele se assemelha com as entrevistas de Pedro Collor à Veja, em 1992, e o depoimento do motorista Eriberto França à ISTOÉ. Ambas provocaram o impeachment de Fernando Collor de Mello. O impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff não ocorreu por uma reportagem jornalística, mas por uma conjuntura política que a derrubou.

Lauro explica que manteve contato com duas fontes para conseguir informar sobre a delação da JBS. Não diz quem é, mas é de se supor que as informações tenham vindo da própria PGR, o que significa um controle quase absoluto da Justiça e do Ministério Público em cima das informações. Isso é diferente, por exemplo, do grampo que o jornalista Fernando Rodrigues (ex-Folha, atual Poder360) colocou em deputados para denunciar a compra de votos da reeleição de FHC em 1997. Lauro Jardim recebeu as informações desde o final do mês de abril de 2017 e repassou quando a delação foi homologada pelo ministro do STF, Edson Fachin.

O furo de Lauro Jardim pode, efetivamente, derrubar o presidente Michel Temer. Os veículos de comunicação brasileiros, da pequena mídia até a Globo, já pressionam o presidente.

Temer resiste. Mas basta mais uma mudança na conjuntura para o inevitável acontecer, após a explicitação dos crimes de corrupção.

A Rede Globo está favorável à renúncia de Michel Temer?

Uma análise do posicionamento editorial da rede de comunicação da família Marinho frente às denúncias da JBS.

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Você tem alguma dúvida sobre a pergunta do título envolvendo a Globo e suas empresas? Considere estas informações.

- O jornal O Globo deu o furo, no dia 17 de maio, da delação premiada de Joesley Batista da JBS através de reportagem feita em três semanas do colunista Lauro Jardim. No mesmo dia, a publicação soltou um editorial chamado "A renúncia do presidente", afirmando: "um presidente da República aceita receber a visita de um megaempresário alvo de cinco operações da Polícia Federal que apuram o pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às 11 horas da noite na residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo".

- No mesmo dia 17, O Globo posiciona todos os seus principais colunistas para criticarem Temer: Ricardo Noblat, Merval Pereira, Míriam Leitão e o próprio Lauro Jardim (que aprofunda a reportagem com áudios). Noblat chega a afirmar que Temer vai renunciar no discurso do dia seguinte. Ele erra e dá uma barrigada.

- Toda a cobertura de O Globo é repercutida quase que imediatamente pelo Jornal Nacional.

- Repercussões mais comedidas e com contrapontos são apresentadas nos outros veículos da casa, como revista Época e jornal Extra. Mas todos os veículos seguem a orientação do editorial de O Globo, que normalmente é escrito por João Roberto Marinho, o "pai editorial" do grupo após a morte de Roberto Marinho.

- William Bonner quase chama Michel Temer de ex-presidente no Jornal Nacional.

- Numa coluna na Folha de S.Paulo, Marcelo Coelho, jornalista do time editorial e próximo de Otávio Frias Filho, critica a cobertura da Rede Globo sem contrapontos na delação da JBS. Ali Kamel, o chefe de jornalismo da rede, responde a Coelho chamando-o de "mentiroso" quando ele menciona equívocos da Globo na cobertura das Diretas Já ou mesmo na eleição entre Collor e Lula. Diz que a empresa "não tem lados".

- A Globo fechou 2016 com R$ 6 bilhões de lucro e R$ 15,3 bi de faturamento, segundo o G1. A rede é uma máquina de consumo de dinheiro público com suas filiadas e recebeu R$ 6,7 bilhões dos governos Lula e Dilma, que diminuíram o financiamento nos últimos anos. Mesmo que Michel Temer esteja injetando dinheiro e mídia para minimizar críticas, a Rede Globo tem mais capital para bater num governo até derrubá-lo do que os jornais Folha de S.Paulo e Estadão, que estão ou endividados em crise, ou já falidos do ponto de vista da saúde financeira.

Considerando todos estes fatores e respondendo de forma curta e grossa: sim, a Globo quer que Michel Temer renuncie. 

Ela só não é favorável às Diretas Já e quer que as reformas que Temer começou, tirando direitos trabalhistas e aposentadoria, continuem para atenuar efeitos da crise econômica iniciada por Dilma Rousseff. 

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.