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O ovo e o vexame de Doria podem brecar seu antipetismo

Atingido na cabeça durante uma visita em Salvador, o prefeito de São Paulo pode ter encontrado um teto para o seu ódio antipetista. O que será que ele vai fazer sem poder odiar Lula nas redes sociais? Será que João Doria vai ter que trabalhar?

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(Foto: Divulgação/ISTOÉ/Montagem/Jornalistas Livres)

Na segunda semana de agosto, a revista ISTOÉ deu capa ao prefeito João Doria Jr. Numa imagem muito inspirada na fotografia de Bill Clinton na Esquire americana, a publicação fez um perfil muito favorável ao político tucano, que parece querer concorrer à presidência da República em 2018 no lugar do seu guru Geraldo Alckmin.

E o discurso de Doria é ser o "Anti-Lula". O pré-candidato petista é francamente favorito nas pesquisas Datafolha, Ibope, Vox Populi e Paraná Pesquisas, com cerca de 30% das intenções de votos. O prefeito coxinha aparece com apenas 13%, mas ainda assim parece ser o nome mais poderoso do PSDB para o ano que vem.

A sorte de Doria, no entanto, pareceu virar.

O prefeito paulistano foi atingido por um ovo quando chegava à Câmara Municipal de Salvador na noite desta segunda-feira (7). Lá ele recebeu o título de cidadão soteropolitano. Ele estava na companhia de ACM Neto, do DEM, que também foi atingido.

Na terça (8), Doria respondeu em seu Facebook: "cada agressão que sofro mais me fortalece e me inflama na defesa da democracia. Nenhum tipo de violência me intimidará. Não à violência, não ao autoritarismo e não às ditaduras. Sim à democracia, a um país unido e de paz. Quem tem propósitos discute ideias, não agride".

O cara, que se vendia como "Anti-Lula" agora quer emplacar nas redes sociais a hashtag #BRUnido e fala em democracia ao chamar de companheiro um homem como Michel Temer.

As duas faces do discurso do ódio

Apoiado pela grande mídia, sobretudo os grupos Estado, Folha, Globo e Abril, o antipetismo se ergueu na sociedade como uma reação à popularidade dos governos Lula e Dilma do PT. Politicamente, é ele que se coloca no cenário como a real direita política, segundo o professor Pablo Ortellado da USP que fez pesquisas no Facebook e de campo sobre o tema. Baseado no ódio à esquerda e às pautas populares, que diminuem a riqueza da classe mais rica, o fenômeno anti-PT se sustenta neste cenário.

Doria pega no embalo deste discurso porque, para uma eleição que promete polarizar novamente com Lula, esta pode ser uma oportunidade de tomar votos de Bolsonaro, Marina Silva e outros candidatos que se alimentam do mesmo ódio. No entanto, o prefeito insiste na proposta de não apresentar um projeto de país ao abraçar o populismo de direita.

E atrai para si o mesmo ódio, sobretudo de setores da sociedade que se identificam com a esquerda e com as demandas populares num país economicamente desigual.

O vexame da ovada

Ao ser acertado por um ovo, assim como as figuras públicas de Margaret Thatcher, David Cameron, Ruth Kelly, Arnold Schwarzenegger (sim, o Exterminador do Futuro), Nick Griffin, Simon Cowell, Mário Covas e Paulo Maluf, João Doria foi ridicularizado diante de todos. E sua coragem contra o PT acaba quando ele está desmoralizado.

Páginas de esquerda como os Jornalistas Livres e um game chamado Doria Ovacionado já atingiram milhões de pessoas com memes do prefeito nas redes sociais. O jogo já foi apreciado mais de 43 mil vezes.

E como João Doria Jr. responde a isso? Brecando seu antipetismo. O discurso de ódio do prefeito é fraco e corresponde ao período em que vivemos: como Michel Temer tomou o poder na rasteira de Dilma Rousseff e do PT, está acabando desmoralizado pela própria sociedade que ignorou no processo.

Se Doria fosse mais esperto, brecaria sua campanha de ódio. Ainda dá tempo.

Alckmin está tirando o PSDB do governo Temer?

Breves considerações sobre a atuação do governador paulista nos bastidores. Seria ele o nome tucano por trás de tantas traições na votação do processo que poderia investigar Michel Temer? Por que o partido não sai de cima do muro?

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(Foto: Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

Autor do relatório que abafou as investigações de Temer na PGR, o PSDB é o partido sob análise política mais aguda dos recentes eventos fora o presidente e o PMDB. A leitura que se faz é que a legenda subiu em cima do muro. Enquanto alguns defendem abertamente o governo na esperança de manter ministérios e o controle do "Centrão" no Congresso Nacional, outros cogitam que abandonar Michel Temer depois dos grampos de Joesley Batista e da JBS seria a melhor escolha do momento.

E a atuação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pode ser enquadrada como, no mínimo, peculiar.

A coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, noticiou no dia 3 de agosto: Ricardo Trípoli, deputado tucano que votou NÃO para que a denúncia investigasse Temer, teria se reunido três vezes com Alckmin. No mesmo texto da reportagem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, teria chorado ao dizer que tem "caráter" mas que poderia agir para derrubar o presidente na votação.

No dia 8 deste mês, a repórter Thaís Bilenky informa na mesma Folha que Geraldo Alckmin teria encontros fora da agenda com Maia e com Eunício Oliveira, o atual presidente do Senado. Além das aproximações com o PMDB, Alckmin faz o possível para minar João Doria Jr., seu pupilo que fuzilou Fernando Haddad na prefeitura e que está se aproximando de Michel Temer. O mesmo Doria que, nesta semana, levou um ovo na cabeça ao visitar Salvador para receber o título de cidadão soteropolitano.

Ligue os pontos.

Sua vez na corrida do Planalto

O clima interno do PSDB é de caos. Alckmin articulou com Aécio Neves a permanência de Tasso Jereissati na presidência do partido desde a delação premiada de Joesley. O empresário da J&F/JBS apontou que Aécio recebeu pelo menos R$ 2 milhões e propinas de suas dívidas de campanha em troca de emendas. Isso pulverizou o rival do governador.

José Serra, antigo no tucanato, ainda quer ser presidente mas não teve saúde para ser ministro das Relações Exteriores de Temer. Saiu do cargo por problemas na coluna e os bastidores sobre sua vida particular não são bons. Passou recentemente pelo Sírio-Libanês após os problemas que o tiraram do governo.

Aécio, com a irmã e operadora de propinas que foi presa e depois solta, Andrea Neves, se viu obrigado a abortar planos para 2018. Num grande texto à revista Piauí no mês de junho, o ex-prefeito Fernando Haddad diz que conheceu Alckmin de perto e afirmou que, entre ele, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e José Serra, o governador foi o único que não quis o impeachment de Dilma Rousseff.

Geraldo Alckmin teria o direito, como concorreu em 2006 contra Lula, de encará-lo novamente no ano que vem, assim como Serra encarou o ex-presidente em 2002 e Dilma em 2010. Estaria articulando nos bastidores apenas para barrar traições e a força de Aécio Neves, que era grande dentro do PSDB e ainda teria uma segunda chance.

Sua maior pedra no calcanhar é Doria, que parece ter traído ele pelo apoio Michel Temer para se tornar um presidenciável pela primeira vez.

O placar da votação

Alckmin está tirando o PSDB do governo Temer? Cedo para dizer. Mas algumas pistas estão no ar. Uma delas é o placar da votação sobre o requerimento que abafou as investigações do presidente da República.

Liderados por Trípoli, que falou com o governador, foram 21 votos SIM (pelo arquivamento da denúncia) contra 23 votos NÃO (pela investigação de Temer). O que teria provocado tanta traição de tucanos ao PMDB?

Não se sabe exatamente, mas muitos dos que querem ver o presidente investigado são do grupo de São Paulo. Enquanto isso, Doria vê qual é a melhor oportunidade pra sair do PSDB e talvez lançar outra candidatura. Tem que fazer isso antes de Serra, que também não suporta mais o partido.

Alckmin permanece calado em público. Mais uma vez: ligue os pontos.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.