Coluna do Pedro Zambarda
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O que pode acontecer se Eduardo Cunha delatar?

Antonio Palocci já está negociando uma delação na Operação Lava Jato, enquanto o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, afirma que Lula destruiu as provas de que é dono do triplex. O que acontecerá se o ex-presidente da Câmara delatar?

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Eduardo Cosentino da Cunha foi preso em 19 de outubro de 2016 acusado de desvios de Fundo de Investimento do FGTS na Caixa, por sustentar conta no exterior num truste na Suíça, além de desvios em Furnas e navios-sonda da Petrobras. Ele e sua família teriam tentado fuga para o exterior e a Força-Tarefa da Lava Jato, junto ao juiz Sérgio Moro, colocou uma prisão preventiva em seus diferentes processos. Antes disso, Cunha teve o mandato de deputado cassado na Câmara.

Operador forte nos bastidores, sua prisão soava improvável justamente por contar com foro privilegiado no Supremo e uma rede de apoio entre os congressistas que acobertavam seus crimes. Foi desta forma que ele instaurou o impeachment contra Dilma Rousseff sem atropelos, aproveitando do regimento na Câmara após sofrer abandonos do PT em votações que ele considerava importantes.

Michel Temer posto no poder, os grupos leais ao presidente trataram de descartá-lo do cenário justamente por seu perigo. Chamado de "achacador" por Cid Gomes, ele arruma "encrencas" com carcereiros e é acusado em diferentes colunas do Painel do jornal Folha de S.Paulo de operar direto da cadeia.

Cunha agora ameaça negociar uma delação premiada. O que ele pode falar de fato, depois de ter operado por PC Farias e a Telerj nos anos 90, além de ter angariado eleitorado evangélico com Anthony Garotinho no Rio e ter articulado o golpe contra Dilma?

- Detonar uma nova Operação Carne Fraca da Polícia Federal: As denúncias no setor de carnes envolvem empresas que financiaram o atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, homem próximo a Cunha. Essas companhias foram acusadas de comercializar produtos estragados e com papelão. Para atingir Michel Temer, que o traiu, o ex-deputado pode apelar  denuncias envolvendo este segmento corporativo;

- Mercado financeiro: Assim como Antonio Palocci pelo PT, Eduardo Cunha pelo PMDB foi operador forte nas bolsas de valores. À Folha, ele teria dito que sua delação poderia "explodir o mundo empresarial". Ele pode se referir aos especuladores;

- Comprometer ainda mais Temer: O atual presidente da República tem uma imunidade temporária para não ser investigado por crimes de fora do seu mandato. Cunha pode denunciar novos crimes envolvendo Michel Temer como retaliação, passando dos R$ 30 milhões já delatados. Será o suficiente para provocar um segundo impeachment? 

- Delatar empresas privadas que estão tentando melar a Lava Jato: Cunha é suspeito em 2015 de ter contratado a companhia Kroll para comprometer as investigações a respeito do Petrolão. Será que ele pode estabelecer uma ligação do atual governo com estas manobras?

- Maior comprometimento de Moreira Franco e Eliseu Padilha: Colocados como novos operadores de Temer na Secretaria-Geral da Presidência e na Casa Civil, Eduardo Cunha pode retalhar ainda mais os aliados do ex-amigo em novas acusações;

- Por fim, ele pode trazer mais comprometimento a Aécio Neves: Apontado como operador em Furnas, a estatal de energia em Minas Gerais, Cunha pode detalhar mais operações do tucanato em um setor que cresceu nos governos Lula e Dilma, com laços na Petrobras e na corrupção sistêmica de construtoras como a Odebrecht.

Pesado, não?

PSOL, Lava Jato e a candidatura de 2018

Como o partido faz oposição de esquerda ao PT e tem uma simpatia à operação que investiga o Petrolão. Será que eles podem constituir um discurso consistente em 2018? E será que ele se converterá em votos?

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Luciana Genro, filha do petista Tasso, teve 1,6 milhão de votos em 2014 na disputa presidencial pelo PSOL. Ficou em quarto lugar, atrás de Marina Silva (22 milhões), Aécio Neves (51 milhões, em segundo turno) e Dilma Rousseff (54 milhões). Nos debates, Luciana bateu no financiamento de campanha dos adversários, hoje fonte de investigações na Operação Lava Jato.

Apelidou a tríade Marina, Aécio e Dilma de "gêmeos siameses" por receberem dinheiro de empreiteiras como Odebrecht e grandes empresas do setor de bens de consumo, como a Ambev. O partido dela, que milita pela esquerda e pela liberdade, em tese recusa o financiamento de grandes indústrias nacionais. Devota da crítica à desigualdade do economista Thomas Piketty, Luciana acredita num teto de financiamento de campanha, restrito a pessoas físicas.

Em 2014, Luciana Genro saiu gigante das eleições por fazer uma campanha propositiva. Entrevistei ela em duas ocasiões, além de acompanhar outras duas coletivas de imprensa. Seu único ponto fraco era não fazer o "discurso dos bancos" na economia, que o PT encampou no nível de fazer o governo de Aécio Neves com Dilma Rousseff. Ideologicamente, Luciana era coerente com o PSOL criado em 2004 das entranhas dos petistas indignados com o Mensalão.

A campanha à prefeitura de Porto Alegre em 2016 trouxe outra visão sobre Luciana Genro. Com apenas 12,06% dos votos, a socialista ficou em quinto lugar na disputa com 86 mil votos. A capital do seu estado natal rejeitou ela, muito provavelmente devido aos seus discursos mais recentes.

Em outubro de 2016, Luciana comemorou a prisão (inesperada) de Eduardo Cunha e deu "vivas" à Operação Lava Jato. Na ocasião da morte do juiz Teori Zavascki, em 2017, disse que a Lava Jato deveria ser defendida. Nenhuma ponderação de Luciana Genro sobre a parcialidade do juiz Sérgio Moro contra Lula foi conhecida.

E, desde a saída de Randolfe Rodrigues para a Rede de Marina Silva, a voz de Luciana Genro se intensificou dentro do PSOL, encontrando contrapontos somente com Jean Wyllys e Gilberto Maringoni, quadros mais próximos ao PT. 

No começo de abril, Luciana divulgou uma carta pedindo uma pré-candidatura urgente para o partido. "Diante das divergências é preciso escolher. Creio que o mais urgente é ter um nome do PSOL que faça o partido presente na disputa com a burguesia e o lulismo, para isso sugeri que o MES busque uma solução de compromisso. Como sei que Marcelo Freixo e outras lideranças querem Chico Alencar como candidato, sou da opinião de que este nome pode indicar um caminho de unidade. Somos sinceros em dizer que para nós o nome ideal é o de Marcelo Freixo, por sua representatividade social. Mas em política nem sempre o ideal é possível. E o mais grave é não ter candidatura já. Isso mataria o PSOL. Além disso, é preciso ser dito: respeitamos muito o nosso Deputado Chico Alencar. Ele tem uma posição sobre a Lava Jato muito próxima da minha. Tem uma trajetória de respeitabilidade, a qual tem como principal marca o compromisso ético e a recusa à lógica dominante da política de toma lá, dá cá. Por isso, foi escolhido diversas vezes como um dos melhores deputados federais. Teve papel muito importante contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos maiores corruptos do país, e nesta luta fortaleceu o PSOL. E sempre esteve entre os mais votados do partido no Rio".

Indicou, portanto, Marcelo Freixo e Chico Alencar para tentarem a presidência em seu lugar. Marcelo é um candidato de esquerda com expressão no Rio, embora tenha perdido a disputa na prefeitura. Chico, embora seja um bom parlamentar, foi visto na festa do jornalista Ricardo Noblat "beijando a mão" do tucano Aécio Neves.

Luciana Genro pode não ter falado, mas ela também é outra candidata possível pelo PSOL. Distancia-se, efetivamente, do discurso que Aécio usava para atacar o partido, de que ele era "linha auxiliar do PT". A postura de Luciana definitivamente a transforma numa opositora do Partido dos Trabalhadores e de Lula.

A questão é: Ela seria uma candidata consistente? Ela é um apoio consistente? 

A candidatura em Porto Alegre de 2016 fracassada depõe contra a força da trajetória de Luciana Genro para o ano que vem.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.