Coluna do Pedro Zambarda
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O que representa José Dirceu para o PT em 2017?

Líder histórico do PT, condenado no Mensalão e processado no Petrolão, Dirceu foi solto no dia 2 de maio de 2017 após um ano e nove meses preso no Paraná. O que ele ainda representa hoje?

O que representa José Dirceu para o PT em 2017?
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José Dirceu de Oliveira Silva tem 71 anos, completados no dia 16 de março. É, ainda, uma das personalidades mais instigantes, inspiradoras, detestadas e conhecidas da política nacional. É o líder do PT que surgiu do movimento estudantil da PUC e da USP, foi exilado em Cuba, treinou na guerrilha, mudou de identidade e assumiu uma linha ideológica dentro do partido - antagonizando nos primeiros anos com o peleguismo pragmático de Lula.

O que representa José Dirceu para o PT em 2017?

A troca pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, que culminou em sua deportação para o México e depois para o território cubano, mudou Dirceu. Em parte porque se construiu um mito em torno de sua pessoa. Em parte porque ele próprio construiu uma disciplina política diferente de seus pares.

O que representa José Dirceu para o PT em 2017?

José Dirceu tornou-se presidente do PT em 1995 até 2002, depois de Lula, Olívio Dutra, Luiz Gushiken e Rui Falcão (que reassumiria o partido em 2011). O cargo marcou uma pacificação dentro da legenda. Por discordar das alianças e da postura de Luiz Inácio Lula da Silva dentro do PT, eram quase conhecidos nos bastidores as brigas entre os dois na mídia. Com Dirceu presidente do partido, pavimentou-se o caminho para a bem-sucedida campanha de Lula contra José Serra.

O que representa José Dirceu para o PT em 2017?

Ele tornou-se ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula e era considerado o homem mais provável para a sucessão do presidente, embora agisse nos bastidores. Foi graças a atuação de Dirceu que o caixa dois do PT foi consolidado - chamado erroneamente de "Mensalão", segundo o jornalista Paulo Moreira Leite. A atuação do publicitário Marcos Valério e outras articulações colocaram Luiz Inácio Lula da Silva no poder. Dirceu atuou inclusive no exterior, formando alianças com o governo norte-americano de George W. Bush.

O que representa José Dirceu para o PT em 2017?

E a atuação de José Dirceu veio com um preço, que lhe tirou quilos do corpo e a aparência mais jovial dos anos no governo: A denúncia de Roberto Jefferson que resultou em seu processo e condenação. Os dois foram condenados por participarem de crimes de corrupção, junto com José Genoíno, Delúbio Soares (tesoureiro do PT), João Paulo Cunha e outros importantes quadros petistas - exceto Lula. Jefferson foi condenado também por não ter provado como funcionava a suposta mesada ao Partido dos Trabalhadores - e por ter participado da mesma.

Dirceu foi condenado a sete anos e 11 meses de prisão no julgamento do Mensalão pelo crime de corrupção ativa. O ex-ministro de Lula foi preso em novembro daquele ano e foi para o regime domiciliar em novembro de 2014. O processo correu no transitado em julgado, após todos os recursos disponíveis.

Permaneceu em prisão na sua casa até ser detido pela Lava Jato em agosto de 2015.

Em 2016, Dirceu foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva, pertinência (participação) à organização criminosa e lavagem de dinheiro por seu envolvimento nos esquemas investigados pela Lava Jato no Petrolão. No mês de março de 2017, o juiz Sergio Moro condenou José Dirceu a 11 anos e três meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no esquema de corrupção na Petrobras. O ex-ministro foi condenado por ele e seu grupo terem recebido em propinas para favorecer a contratação da empresa Apolo Tubulars pela estatal por meio da R$ 2,1 milhões na diretoria de Serviços.

As condenações no Petrolão, esquema maior do que o Mensalão de propinas, foram em primeira instância, área que Moro atua. José Dirceu estava em prisão temporária e, caso seja condenado novamente, pode ser preso de novo - diminuindo um pouco o alarmismo dos grupos antipetistas. Há, portanto, recursos possíveis no processo judicial.

Ele foi liberado porque, ao analisar a prisão preventiva, três dos cinco ministros da Segunda Turma do STF – Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes – consideraram que o tempo de 1 ano e 9 meses na cadeia reduziu a capacidade de periculosidade de Dirceu. Mesmo se for liberto, os juízes avaliaram que é difícil ele  voltar a cometer crimes, porque o grupo político sobre o qual tinha influência (o PT) já está fora do poder.

Na cadeia em Curitiba, José Dirceu não cogitou a delação premiada. Não cogitou entregar a cabeça de Lula ou de qualquer desafeto político.

Viu os filhos Zeca e Joana em São Paulo e rumou para sua prisão domiciliar em Brasília, com a esposa Simone e sua filha mais nova Antonia, de seis anos. Foi recebido com hostilidade por militantes antipetistas.

O que Dirceu representa ao Partido dos Trabalhadores em 2017?

Embora os petistas mais eufóricos acreditem que ele defende o fim da TV Globo e o combate contra todas as injustiças sociais, Dirceu parece ser um democrata e um resistente do PT. Um homem que não se dobra diante de injustiças e da própria Justiça.

E é uma pessoa com coerência ideológica aparentemente notável. A ponto de não entregar seus próprios companheiros em troca de benefícios das delações premiadas.

Sua posição é muito distante de baixezas da República, como Eduardo Cunha e boa parte de políticos e delatores da Lava Jato, que deduram parceiros em crimes para não sofrerem penas maiores.

Como advogado formado pela PUCSP, Dirceu poderia recorrer aos subterfúgios jurídicos.

Não o fez. Resistiu e tomou todas as penas que lhe foram imputadas. Incluindo o crime de ousar criticar a grande mídia, que o enquadrou como um verdadeiro "vilão". Ele é, para boa parte da imprensa brasileira, o "verdadeiro e único" corrupto.

Para o PT de 2017, José Dirceu ainda representa uma coerência ideológica diante de tempos difíceis e decadentes do partido. Pagando por todos os crimes que cometeu e pelos que foram imputados talvez de maneira injusta.

Um ano de golpe: Como o discurso do impeachment não se sustentou

Eduardo Cunha. Romero Jucá. Michel Temer. O Supremo. Dilma Rousseff. Lula. Aécio Neves, Geraldo Alckmin. José Serra. Fernando Henrique Cardoso. A Operação Lava Jato. Um xadrez de nomes, diria Luis Nassif.

Um ano de golpe: Como o discurso do impeachment não se sustentou
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"Que Deus tenha misericórdia desta Nação", disse o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff no dia 17 de abril de 2016. Hoje preso pela Lava Jato e cassado, os efeitos do processo conduzido por Cunha ainda são sentidos por todo o Brasil.

O título deste artigo faz uma brincadeira necessária. A direita frequentemente chama a tese do golpe branco, formulada pelas esquerdas, de "narrativa". Em menos de um ano, a narrativa do impeachment "regular" ruiu.

Conduzido por Eduardo Cunha, o processo de impeachment acatado foi a tese dos juristas Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale de que as pedaladas fiscais da ex-presidente Dilma Rousseff consistiam em crime de responsabilidade. Ela foi afastada, seus 54 milhões de votos foram cassados e o seu partido, o PT, foi tirado do governo federal após 13 anos sem ser pelas urnas.

Temer empossado, vazaram áudios do seu líder no PMDB e então ministro, Romero Jucá, negociando um abafamento da Operação Lava Jato que apura a corrupção na Petrobras e em empresas privadas correlatas com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Era um acordo englobando o Supremo Tribunal Federal, a Câmara, o Senado e o povo para abafar escândalos de Lula, de Aécio Neves e de todos os políticos em atividade.

Vieram as delações premiadas e, com a Lista do ministro Edson Fachin, ficou exposto que não somente o PT se aproveitou de propinas e de caixa dois. A tese do antipetismo, embora a mídia ainda faça coro, perdeu sentido quando tucanos como José Serra e Geraldo Alckmin negociaram propinas entre R$ 10 milhões e R$ 25 mi. O modelo de financiamento da Nova República pós-Ditadura Militar se mostrou corroído pelo dinheiro não contabilizado e pela troca de favores bilionária com empreiteiras como a Odebrecht.

Os escândalos foram muito além do uso indevido de dinheiro público de estatais ou empresas de capital misto como Petrobras e Sabesp. As delações, embora as do PSDB não resultem em condenações, escancararam que a propinagem privada decidiu como Lula e Dilma escolheram ministros e como a oposição se manteve pouco ameaçadora mesmo com o estouro do Mensalão.

O impeachment foi um golpe branco, um golpe praticado por parlamentares que enxergaram no PT um perigo para os seus privilégios. E porque Dilma deixou Sérgio Moro na primeira instância e Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República condenarem políticos do seu próprio partido e do PMDB. Michel Temer ascendeu para abafar o caso, erguer a economia e dar um "rumo" ao país.

Temer conseguiu apenas que as contas do governo tivessem o pior mês de março desde 1997. O déficit primário foi de R$ 11,061 bilhões no mês de acordo com o Tesouro Nacional. O único índice que Michel Temer reduziu de fato foi o da inflação, que pode fechar o ano em 4%. Mas o Produto Interno Bruto (PIB), no entanto, não tem projeção de crescimento nem de 1%.

Muitos da direita ainda atribuem a culpa pela maior crise econômica na história recente brasileira a Dilma. Como Temer era sua base de sustentação, a hipótese é muito manca.

O vice de Dilma Rousseff fez de tudo para se blindar nas ocasiões. Em seu governo, quando Eduardo Cunha começou a achacá-lo para se manter vivo politicamente, ele deixou que o Ministério Público e a Polícia Federal o prendessem. Ao ver que o desempenho da gestão naufragou, Renan Calheiros, um dos maiores aliados do novo presidente, deixou o barco e flerta com a possibilidade de firmar alianças com Luiz Inácio Lula da Silva, restaurando aliança com o PT.

Os rachas entre políticos e o jogo em torno da economia escancaram a natureza do golpe que aconteceu e segue em curso. A flexibilização dos direitos trabalhistas e da Previdência dão a entender que a população será diretamente afetada. E, como resposta, sindicalistas e diversos setores farão uma Greve Geral neste dia 28 de abril de 2017.

Um ano depois, o golpe que muitos duvidavam virou golpe de verdade.

E, como diria Cunha, "que Deus tenha misericórdia desta Nação".

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.