Coluna do Pedro Zambarda
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O show de horrores da votação que abafou as investigações de Temer

PSDB dividido. Deputados de ideologias opostas votando contra o arquivamento do processo que acusa Temer de corrupção passiva. Um show de horrores sem nenhum protesto em Brasília com uma maioria abafando as investigações.

O show de horrores da votação que abafou as investigações de Temer
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Um show de horrores foi transmitido pela TV Câmara e pela TV Globo no horário de suas novelas e do Jornal Nacional. Nesta quarta-feira, 2 de agosto de 2017, 263 deputados sob o regimento de Rodrigo Maia votaram pelo arquivamento de denúncias contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 227 deputados votaram pelo não arquivamento da denúncia, que poderia cassar Temer da presidência pela primeira vez na história da democracia pós-ditadura militar por acusação de corrupção. 19 estiveram ausentes. Foram mais duas abstenções, totalizando 492 deputados presentes. A sessão durou cerca de 11 horas.

Como votou cada deputado?

Para desfazer confusões, o que foi votado no dia 2 foi o relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) na CCJ que pediu o arquivamento da cassação da presidência de Temer após acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Procuradoria-Geral da República de Rodrigo Janot. Quem votou SIM, achou que as acusações não são suficientes para deliberar sobre o cargo de Michel Temer. Quem votou NÃO, quer que o presidente seja investigado por conta do conteúdo da delação premiada de Joesley Batista (J&F/JBS).

Confira a lista completa aqui.

Quem votou SIM:

O show de horrores da votação que abafou as investigações de Temer
O show de horrores da votação que abafou as investigações de Temer

Quem votou NÃO:

O show de horrores da votação que abafou as investigações de Temer
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Os argumentos de quem votou sim e consagrou o show de horrores

"Pela família", "por Deus" e "pela tradição" voltaram a elencar os argumentos, como foi no processo de impeachment contra Dilma Rousseff. A inovação mambembe da vez é o argumento de "pela estabilidade econômica". Os deputados viraram amigos do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles? Agora eles entendem as reais causas do desemprego e da recessão do PIB?

Seja como for, também entraram em cena os argumentos "pelo fim do comunismo" e "pelo PT fora do poder". Dilma Rousseff não é presidente há um ano. Lula foi condenado em primeira instância pelo juiz Moro.

Jean Wyllys e Bolsonaro: Curioso caso de ideologias opostas que votaram NÃO

O show de horrores da votação que abafou as investigações de Temer

Deputado de esquerda do PSOL, Jean Wyllys honrou sua ideologia votando pelo não-arquivamento da denúncia. Seu adversário político Jair Bolsonaro, agora no PEN (antigamente estava no PSC), também votou NÃO. Eduardo Bolsonaro seguiu o pai. Os dois reacionários viraram comunistas?

Não, diferente dos deputados comprados por Temer, Bolsonaro tem pretensões presidencialistas em 2018. Apoiar Michel Temer com a popularidade abaixo do 5% é suicídio político. Jair Bolsonaro também não tem problemas na Justiça como Paulo Maluf, que provavelmente deve aparecer em delações premiadas da Andrade Gutierrez na Lava Jato. Quem estava preocupado com reputação, votou contra Temer no show do Congresso.

Até o deputado Sérgio Reis, que recebeu dinheiro das emendas parlamentares de R$ 3,5 bi do governo e cantou na festa de um ano da gestão Temer, pulou fora canoa furada e votou NÃO. Se Rodrigo Janot conseguir consolidar outra denúncia antes de deixar a Procuradoria-Geral da República, as traições ao governo Temer podem se ampliar.

O show de horrores, no entanto, ficará na cabeça dos brasileiros, que foram enganados por todos os lados.  

Quem é Nik Ikeya, o cara que faz o Doria PrefeiTop no Facebook?

A coluna conseguiu uma entrevista com o criador da fanpage que conquistou seguidores graças às ironias e ao conteúdo informativo que ele faz a respeito do novo prefeito de São Paulo. O que ele pensa sobre política? E quais são os futuros planos? Confira a entrevista.

Quem é Nik Ikeya, o cara que faz o Doria PrefeiTop no Facebook?
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Nik Ikeya é publicitário e social media.  É responsável também pelo fenômeno com cerca de 60 mil curtidas no Facebook e interações entre 450 e mil curtidas por brincadeira. É dele a fanpage Doria PrefeiTop, uma sátira bem-humorada com o novo prefeito de direita de São Paulo - uma brincadeira óbvia com a gíria "top" dos círculos coxinhas de São Paulo.

Embora tenham tons completamente diferentes, o nível das brincadeiras da fanpage lembram bastante a página Haddad Tranquilão, que fazia memes com o ex-prefeito esquerdista. Ikeya também fala nesta entrevista sobre suas opiniões políticas pessoais e o que o novo prefeito poderia tirar de lições de quem tira sarro dele. "Não sou socialista de iPhone, sou só de iPhone", diz.

Quem é Nik Ikeya, o cara que faz o Doria PrefeiTop no Facebook?

Confira a entrevista.

Pedro Zambarda: Cara, como surgiu a ideia de fazer o Doria PrefeiTop? A ideia era uma fanpage tipo Haddad Tranquilão? Como você definiu o que queria fazer?

Nik Ikeya: Sinceramente? Não sei. Dois amigos criaram comigo, o Flávio Pucci e o João Chianca. Depois de algumas semanas eles me convidaram pra escrever também. Hoje em dia eu acabo tocando a maior parte, mas vira e mexe a gente discute algumas pautas. Eles são tipo "chairmen" da firma.

A página surgiu assim que o Doria declarou “guerra contra o grafite”, tanto que o nome era “Doria Grafiteiro”. Com o tempo, percebemos que surgiam várias questões, fora o Temer… fora o grafite e mudamos para “PrefeiTop”.

Nunca houve muita definição, tanto que quando me convidaram eu perguntei o que era pra escrever e eles falaram: “Sei lá, qualquer coisa”. No meio desse caminho eu vi que tinha gente com saco de ler textões e segui fazendo isso. Tipo um Morto Muito Louco, vamos andando conforme a música.

PZ: Nik Ikeya, quantos anos você tem? Qual é a sua profissão "regular"? Você pode contar um pouco sobre você?

NI: Tenho 32 anos, publicitário & classe média. De dia faço uns "deseinhos" que dizem “Olha como esse carro é legal!” e de noite uns posts questionando “Será que esse carro é tão legal mesmo?”. Tipo um Bruce Wayne pobre.

Minha cabeça é uma bagunça, então sempre gostei de colocar minhas ideias no papel ou na tela em forma de texto ou imagem, justamente para dar uma organizada. Saudades dos sites criados no Bloco de Notas. Aliás, ninguém perguntou, mas acho o Bloco de Notas - existe no Windows ainda? - e o TextEdit os melhores editores de texto já lançados.

PZ: Quais são os cinco maiores erros da gestão de João Doria Jr. até agora na sua opinião?

NI: Vou listar:

  1. Aumento do limite de velocidade nas marginais. Os dados preliminares, que apontam o aumento de acidentes, já mostram o quão errado isso é. Sem contar todos os estudos e movimentos das grandes cidades para baixar a velocidade nas vias.
  2. O modo como vem tratando a Cracolândia. Desde a operação tiro, porrada e bomba, até a campanha de mídia do combate ao crack. Um problema social e da área saúde, sendo tratado como problema de polícia.
  3. As PPPs, ainda não consigo ter um julgamento muito concreto - mesmo pq poucas foram concretizadas de fato - Mas sabendo do poder e influência que o CNPJ do Prefeito tem, me parece bastante perigoso. O que tenho visto não me agrada.
  4. Desprezo às ciclovias. Conquistamos tanto na gestão passada, em relação à infraestrutura e educação. Em sete meses já temos o aumento de acidentes envolvendo ciclistas - que não ocorria desde 2005 - e o sumiço de algumas ciclofaixas.
  5. Apoio à reforma trabalhista. Não é exatamente um erro de gestão, mas é uma questão pessoal. Sou totalmente contra.

PZ: E ele teve algum acerto? Quais?

NI: Não (silêncio). Brincadeira. O projeto para manter o Diário Oficial apenas digital e eliminar o impresso, eu acho bacana. A contratação da equipe de marketing e comunicação dele é muito acertada também - sem ironia. Eles sabem trabalhar com as mídias sociais.

PZ: Você se considera petista ou apenas um eleitor de esquerda? Quais são as suas ideologias pessoais?

NI: Hoje me considero um eleitor de esquerda, ou do que hoje é considerado “de esquerda”. Não, eu não sou comunista ou socialista de iPhone. Sou só de iPhone mesmo.

Como ideologia eu tenho uma coisa que parece meio banal, e talvez até seja: tenho bom senso e distância do radicalismo. Bom senso para sempre tentar ver o cenário macro, entender todos os lados e, principalmente, suas nuances, para chegar a alguma conclusão ponderada. O radicalismo, pra mim, é coisa de adolescente. Não, muito obrigado, já passei por isso.

Inclusive eu já fui “direitista aecista”, não por convicção, mais por osmose mesmo. Aproveitei essa onda de politização do brasileiro médio e acabei indo mais à esquerda. Estou longe de ser um sujeito super politizado. Na verdade eu confesso a minha ignorância política, embora a esquerda me mostre um lado muito mais humano.

PZ: Na sua opinião, Doria comete gafes por ter objetivos políticos grandes? Como se candidatar a presidente em 2018?

NI: Na minha opinião, ele comete gafes por ideologia mesmo, não por objetivos políticos muito grandes. Não vejo ele sendo diferente em suas ações, se suas chances de disputar o Planalto fossem nulas. Ok, tirando suas provocações quinta-série ao Lula e ao PT e o discurso de representante da nação nos vídeos que ele está em viagem. Mas não são ações efetivas de gestão na cidade.

Acho que ele e sua equipe estão fazendo um trabalho de comunicação pensando na presidência. O uso das redes sociais são imprescindíveis para isso. Doria já conseguiu projetar sua imagem a um âmbito nacional.

PZ: Se o Doria for presidenciável ano que vem, você promete aumentar as piadas? Quais são seus planos futuros?

NI: Se eu não for processado até lá, sim. #PresidenTop2018

Meu plano futuro é ser privatizado por algum PTralha e ganhar rios de dinheiros. 

Brincadeira. Em relação à página, não temos planos muito certos. Mortos Muito Loucos não planejam. Mas tenho uma certa vontade de fazer algum projeto que envolva comédia, sim. #MeContrataDuvivier.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.