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Os rachas na direita depois do impeachment de Dilma

"Direita xucra"? MBL? Vem Pra Rua? O que aconteceu com os direitistas depois da queda da presidente do maior partido de esquerda no Brasil?

Os rachas na direita depois do impeachment de Dilma
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Milhões nas ruas em 2016 e, no mês de agosto, Dilma Rousseff estava removida do poder. Algumas destas figuras já estavam presentes nas eleições de 2014, nas manifestações de 2013 e até de períodos anteriores.

Cresci e militei no movimento estudantil sobretudo no grêmio do Instituto Federal de São Paulo. Nos anos 90 e 2000, era comum tirar sarro das brigas entre a extrema-esquerda e a centro-esquerda  nas inúmeras siglas partidárias. PSOL, PSTU, PCdoB e PCO. Alguns acreditavam em revolução, enquanto outros foram pelo caminho das reformas sociais. E todos os partidos à esquerda criticaram o PT no poder, pelo menos ideologicamente.A direita agora vive o seu momento de divisão com Michel Temer no poder. Liberais convivem com fascistas e exaltadores da ditadura militar, assim como social-democratas enfrentaram choques com socialistas, comunistas, anarquistas e defensores da ditadura do proletariado.

Chega a ser irônico isso acontecer justamente agora.

O MBL de Kim Kataguiri, muito próximo de Moreira Franco e do próprio Temer, lançou Rubinho Nunes vice-prefeito pelo PMDB em Vinhedo (que perdeu) e Fernando Holiday vereador pelo DEM em São Paulo (que ganhou). Com a Lista da Odebrecht sendo divulgada nas atuais etapas da Operação Lava Jato, o Movimento Brasil Livre se desmoralizou em suas ligações diretas e indiretas. Isso explica protestos que concentravam mais de um milhão de pessoas hoje reduzidos a cerca de 20 mil.

A ex-ativista Dani Schwery fez campanha para José Serra, tentou entrar no mundo da política e hoje se afastou do PSDB. Deu uma entrevista reveladora ao DCM falando que os senadores Aécio Neves e Ronaldo Caiado financiaram a divisão entre os grupos pró-impeachment. Afirmou que Rogerio Chequer do Vem Pra Rua é aliado "apolítico" dos tucanos e que a ativista Carla Zambelli, que chegou a se reunir com Temer, é amiga de Augusto Nunes. Eles não conversam mais com o MBL, enquanto Dani abandonou a direita, denuncia Aécio e não é também de esquerda. Está afastada.

Estes grupos liberais, que frequentemente são chamados de "direita xucra" pelo colunista Reinaldo Azevedo da Veja, Folha e Jovem Pan, convivem com ideologias totalitárias. Há um grupo que pediu abertamente na avenida Paulista a morte de Lula e o retorno das Forças Armadas ao poder federal e existem os defensores da volta da monarquia imperial do Brasil - sendo que a família de Dom Pedro II recebe subsídio do governo de Petrópolis no Rio.

A direita está surfando na onda da queda do petismo, mas sua ideologia antipetista está se esfacelando nos subgrupos. 

Passou do seu ápice, hoje vive princípio de decadência e autocrítica, uma vez que a população menos extremista politicamente tirou o apoio que dava nas ruas.

A briga do Catraca Livre com o MBL

Sobre o Jornalivre, sua vinculação com o Movimento Brasil Livre de Kim Kataguiri, uma briga de bairro e Gilberto Dimenstein.

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O jornalista Gilberto Dimenstein, dono do portal Catraca Livre, organiza uma festa de domingo chamada Armazém da Cidade. Fechando para carros a Rua Medeiros de Albuquerque, o encontro possui espetáculos de dança, artesanato, música e produção cultural entre 11hrs e 20hrs. Há venda de cerveja no local, autorizada apenas para maiores de 18 anos.

O caso virou uma briga de bairro com vizinhos que reclamam do barulho da festa. O publicitário Andre Kirkelis manifestou-se publicamente no Facebook neste começo de 2017 contra Dimenstein. A briga começou, segundo Kirkelis, quando ele tentou tirar "focos de dengue" de plantas colocadas pelo Armazém em pneus transformados em vasos de plástico.

A briga foi parar na política em fevereiro. Andre Kirkelis deu entrevista ao site de direita Antagonista, de Diogo Mainardi e Mario Sabino. Ele reclama que a rua na Vila Madalena é área residencial e que a festa deveria ser proibida.

Daquele dia em diante, Dimenstein resolveu responder aos ataques e diz que o Armazém está regular com a prefeitura..

O dono do Catraca Livre identificou, de maneira correta, que Kirkelis passou a entrar em contato com o vereador Fernando Holiday e o MBL. O braço de comunicação mais recente do Movimento Brasil Livre de Kim Kataguiri, após o site Folha Política e o canal de YouTube Ficha Social em 2015, é o Jornalivre.

Trata-se de um site de "notícias" sem assinatura que ataca os inimigos da direita. Chama todos que criticam seu espectro político de "extrema-esquerda", incluindo Diário do Centro do Mundo, Folha de S.Paulo e até o novo diretor de redação da revista Veja, André Petry.

Dimenstein levou alguns dias mas descobriu o nome da pessoa por trás do Jornalivre. Trata-se de Roger Roberto Dias Andre, militante do Instituto Liberal de Joinville, em Santa Catarina, e denunciado neste mês de abril.

Assinando como "Roger Scar", ele divulgou um editorial absurdo em que justifica o anonimato para se "proteger" porque o Brasil ia "virar uma Venezuela".

Além do delírio em seu texto, Scar fez mais de 20 postagens atacando diretamente a pessoa de Gilberto Dimenstein, chamando-o de ex-jornalista e louco.

O  dono do Catraca Livre também ligou para o gabinete do vereador Holiday, cobrando satisfações porque ele divulga um site de difamação sem assinatura. O político eleito pelo MBL tirou o corpo fora e não respondeu às perguntas.

Gilberto Dimenstein encaminhou uma denúncia à delegacia de crimes digitais do Deic da Polícia Civil e está denunciando outro site de direita que faz ataques, o Sul Connection. Segundo o delegado que apura o caso, José Mariano de Araújo Filho, políticos como Fernando Holiday podem ser enquadrados como co-autores se o crime for provado.

No jornalismo de política, existe um jogo justo que é assinar com seu nome suas opiniões mesmo que desagradem adversários ideológicos. Quando sites fazem isso sem assinar, frequentemente hospedando domínios fora do país para não cumprir penas no Brasil, eles prestam um desserviço ético e jurídico com sua profissão. Se são jornalistas, devem responder pelo que publicam.

Roger Scar não sairia das sombras se Dimenstein não estivesse brigando com o MBL e com os vizinhos que não gostam de sua festa. É Roger, também, que aparentemente ligou atacando e sem se identificar para a agência de publicidade VML, a mesma que fez a campanha da Amazon criticando o prefeito João Doria Jr.

Aparentemente as brigas de bairro estão mesmo saltando mesmo para a política nacional.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.