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Palestra de Obama no Brasil: ele pode e Lula não?

O presidente americano pode ganhar US$ 400 mil por palestra? E por que o ex-presidente Lula é investigado pelas mesmas práticas com seu instituto?

Palestra de Obama no Brasil: ele pode e Lula não?
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(Foto: Obama Foundation/Fanpage do Facebook)

O ex-presidente americano está em eventos na cidade de São Paulo pela Obama Foundation. No dia 5 de outubro, ele discursou no Fórum Cidadão Global, promovido pelo jornal Valor Econômico em São Paulo. No dia seguinte encontrou-se com jovens líderes para falar de empreendedorismo na capital paulistana.

Barack Obama fez palestras no nosso Brasil. Embora seja sem-fins lucrativos, a entidade criada pelo ex-presidente dos Estados Unidos tem custos próprios para promover ações pelo mundo todo e, muito provavelmente, o grupo Globo, dono do jornal Valor, remunerou o político em sua ação.

Na palestra, Obama exaltou o jornalismo independente, disse que é fundamental ficar próximo dos jovens e criticou posicionamentos do presidente Donald Trump, especialmente de agressão com a Coreia do Norte. Para melhorar o mundo, Barack Obama credita que é fundamental cinco fatores: "garantir que os novos modelos econômicos funcionem para todas as nações; prosseguir com as cooperações globais; combater Estados rebeldes e redes de terrorismo; manter um senso de abertura em relação a pessoas de culturas diferentes e que não se parecem conosco; e reconhecer que a tecnologia muda a forma com que as pessoas consomem a informação".

Em setembro deste ano, a Bloomberg publicou que Barack Obama recebe US$ 400 mil por palestras de uma hora em bancos de investimento vinculados com Wall Street, ou US$ 6,6 mil por minuto. No seu governo, uma das empresas que mais recebeu investimentos públicos foi o Facebook, o que explica sua fala alinhada com as empresas de tecnologia no Brasil. A economista italiana Mariana Mazzucato publicou estudos sobre o "Estado empreendedor" que é comum nos Estados Unidos, ao contrário do que prega a turma do "governo mínimo".

O que o ex-presidente americano fez é promover boas ações e fazer lobby para empresas e iniciativas. Soa familiar? O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a mesma coisa. E é investigado na Operação Lava Jato por isso.

O Instituto Lula

O ex-presidente petista afirmou que cobrou US$ 200 mil por palestras "igual ao Bill Clinton". O Instituto Lula, que surgiu em 2011 a partir do seu antigo Instituto Cidadania, encaminha boa parte das ações privadas dele e agora é investigada pela Operação Lava Jato.

No dia 6 de novembro de 2015, durante a 19ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal encontrou indícios que o Instituto Lula, o Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) e a empresa LILS, responsável por organizar as palestras do ex-presidente, teriam recebido cerca de R$ 4 milhões em recursos da Odebrecht. De acordo com o laudo, o iFHC recebeu R$ 975 mil da Odebrecht, entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012, enquanto os pagamentos para as duas entidades ligadas ao petista totalizaram R$ 3,97 milhões, pagos entre 2011 e 2014.  Em 22 de fevereiro do ano passado, na 23ª fase da Lava Jato, o Instituto Lula voltou a ser alvo de investigações, após indícios de que R$ 12,4 milhões da Odebrecht foram utilizados ilicitamente para obras no mesmo. O instituto nega as acusações

Em 4 de março de 2016, na 24ª fase da operação Lava Jato, expediram-se mandados de busca e apreensão, um deles no Instituto Lula, e mandados de condução coercitiva para o presidente da entidade Paulo Okamotto e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Objetos pessoais de Clara Ant, diretora do instituto, foram apreendidos e as autoridades não devolveram.  No dia 31 de agosto de 2016, a Receita Federal retirou o direito a isenção tributária, particular de organizações sem fins lucrativos, por 'desvio de finalidade' e cobra multa. 

Outra das principais irregularidades apontada é o repasse de R$ 1,3 milhão para a empresa G4 Entretenimento, que tem como donos Fábio Luís, filho do ex-presidente, e Fernando Bittar, proprietário do sítio em Atibaia investigado por pertencer a Lula no âmbito da Lava Jato. No dia 14 de setembro de 2016, o Ministério Público Federal apresentou formalmente denúncia contra Paulo Okamotto, presidente do instituto que foi acusado de usar contratos falsos de armazenagem do acervo pessoal do ex-presidente Lula e dissimulação da origem do dinheiro proveniente de crimes.

Em 9 de maio deste ano, a Justiça Federal determinou a suspensão das atividades do Instituto Lula. No dia 17 de maio de 2017, as atividades do Instituto Lula foram reabertas. O desembargador Néviton Guedes derrubou ordem de primeiro grau e autorizou retorno imediato das atividades da entidade ligada ao ex-presidente.

Lula é investigado por suas relações com a Odebrecht e a empresa do filho em seu instituto. Fernando Henrique Cardoso não sofreu nenhuma sanção. E Barack Obama faz exatamente o mesmo tipo de palestras do ex-presidente pelo mundo.

Por que alguns políticos podem ganhar dinheiro com palestras e outros merecem ser alvo de investigação criminal? Isso é um mistério.

Como os políticos querem censurar indivíduos e a mídia durante as eleições

Na surdina da madrugada, um projeto tenta censurar conteúdo na internet no período eleitoral de 2018. Delírios autoritaristas dos nossos congressistas?

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(Foto: Wikimedia Commons)

Não bastasse a crise econômica que fragiliza a sociedade brasileira, os deputados e os senadores quase deram um profundo golpe na população neste mês de outubro. E fizeram isso sem que a maioria das pessoas se dessem conta da gravidade da mendida.

Na madrugada entre os dias 4 e 5 de outubro, uma emenda foi inserida para votação de uma reforma política na Câmara e no Senado. O texto é de autoria do deputado Aureo, do Solidariedade, e permite a qualquer usuário obter a remoção de conteúdo “de discurso de ódio, disseminação de informações falsas ou ofensa em desfavor de partido ou candidato” sem a necessidade de ordem judicial durante o período eleitoral de 2018.

De acordo com o projeto, plataformas como Google, Facebook ou Twitter serão obrigadas a derrubar o conteúdo com base numa simples notificação. As empresas ainda serão obrigadas a fazer a “identificação pessoal do usuário que a publicou”. Diz a emenda: “A denúncia de discurso de ódio, disseminação de informações falsas, ou ofensa em desfavor de partido, coligação, candidato ou de habilitado conforme o art. 5 c, feita pelo usuário de aplicativo ou rede social na intenet, por meio do canal disponibilizado para esse fim no próprio provedor, implicará suspensão, em no máximo 24 horas, da publicação denunciada até que o provedor certifique-se da identificação pessoal do usuário que a publicou, sem fornecimento de qualquer dado do denunciado ao denunciante, salvo por ordem judicial”.

Depois da madrugada, o projeto foi aprovada na tarde do dia 5 no Senado e foi para sanção presidencial, na mesa de Michel Temer. No dia 6 de outubro, o deputado Aureo recuou na proposta e pediu para o presidente da República vetar a emenda para discuti-la em outro momento.

Na prática, a reforma política aprova a ampla censura na internet, afetando o jornalismo que for criticar os candidatos e até cidadãos comuns e tirando do ar conteúdos antes mesmo das apelações. Votaram contra a proposta somente PSOL, Rede e PCdoB. 

Vergonhosamente, o PT aprovou essa proposta de censura midiática, desonrando as bandeiras de esquerda. E o PSDB e o PMDB fizeram seu serviço para proteger os congressistas apelando para a censura.

O caso Helicoca

Em agosto de 2017, o senador Zezé Perrella pediu que o site Diário do Centro do Mundo tirasse do ar artigos e reportagens que associassem seu nome e o de Aécio Neves ao escândalo do Helicoca. A decisão foi criticada por sites que cobrem a imprensa, como o Comunique-se, e entidades como a Abraji.

Se os nossos deputados e senadores aprovarem isso durante o período eleitoral, o jornalismo sério e engajado em causas que apuram casos criminosos na política se tornará alvo. Dai passa a valer apenas as "fake news" que a classe política quer que os cidadãos acreditem.

Quando a comunicação é calada diante de autoridades e governos, sabemos que nome dar a um regime desses. E não é democracia.

São alguns passos para uma ditadura, mesmo que tenha feições democráticas. 

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.