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Pobre Fred, o primo que Aécio Neves mataria antes de delatar

Precisamos falar sobre Fred, o parente do senador tucano que apareceu em delação premiada da JBS.

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Segundo a nova delação premiada da JBS, tornada pública neste dia 17 de maio, Aécio Neves pediu R$ 2 milhões aos donos do frigorífico. A denúncia registrada em grampo foi publicada no Globo.

No áudio, o presidente do PSDB surge pedindo milhões ao empresário Joesley Batista, justificando que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Lava Jato. No material que chegou às mãos de Fachin na semana passada, a Procuradoria-Geral da República diz que o dinheiro não foi repassado a advogado algum. As filmagens da PF mostram que o dinheiro chegou em malas em São Paulo para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zezé Perrella. Ele é aliado de Aécio e dono do Helicoca, escândalo de meia tonelada de pasta-base de cocaína em Minas que explodiu em 2014, durante as eleições.

O diálogo gravado durou cerca de 30 minutos entre Aécio Neves e Joesley Batista. Eles se encontraram no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo. Aécio citou de Alberto Toron, criminalista pode defendê-lo na Operação Lava Jato. A menção já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp.

Joesley quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. Deu-se, então, o seguinte diálogo, que é realmente absurdo:

"Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança", diz Joesley. "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho", respondeu Aécio.

Eis que surge um personagem curioso e dramático. Precisamos falar dele.

Fred é Frederico Pacheco de Medeiros, que foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Ele tocava a área de logística e é parente da família. É primo do senador.

Quem levou o dinheiro ao primo Fred foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. As entregas foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma e a PF filmou uma delas.

O Aécio Neves que emerge desta delação é um verdadeiro mafioso, um gangster que não hesita nem em ameaçar matar verbalmente seu primo. A história é tão absurda, e parecida com filmes como "O Poderoso Chefão", que eu dei risada de nervoso ao constatar o que estava rolando nesta denúncia.

Na delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ele menciona a Romero Jucá, aliado de Temer, que se a roubalheira de Aécio viesse a público, o senador seria "o primeiro a ser comido".

No pacto "com o Supremo, com tudo". Aécio Neves desejou muito o impeachment de Dilma após sua derrota nas eleições de 2014. Fez o que queria e até entregaria os parentes para que seus crimes de corrupção não o comprometessem.

Pobre Fred, o primo que Aécio Neves mataria antes de delatar

Visto como sucessor natural do avô Tancredo Neves, que fez história contra a ditadura militar, Aécio provou-se como uma fraude perigosa da família. Um falso e frustrado prodígio.

No Brasil do golpe, Aécio Neves mataria o próprio primo pra não aparecer numa delação premiada. 

Botaria um corpo boiando no rio para não pagar na Justiça o que o PT já enfrenta.

Michel Temer pode cair pela "Carne Fraca" da JBS

Sobre a delação de Joesley Batista e o seu irmão Wesley, da JBS, que pode explodir o governo Temer nos próximos dias.

Michel Temer pode cair pela "Carne Fraca" da JBS
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A Operação Carne Fraca da Polícia Federal foi deflagrada em 17 de março de 2017 e trouxe resultados controversos, apurando comida estragada de empresas como JBS e a Brasil Foods (BRF). As empresas são doadoras de partidos como PT e PMDB e os efeitos da apreensão de algumas carnes provocaram uma perda na escala de milhões de reais, além das suspeitas de ligações com a Lava Jato. O jornalista Luís Nassif explica as implicações desta operação no vídeo abaixo.

Na época, escrevi que rondaram boatos na imprensa de que Eduardo Cunha estava por trás da operação da PF direto da prisão, o que evidenciava os conflitos internos do PMDB. Me baseei em informações publicadas na Folha de S.Paulo e em outros veículos.

Eis que o jornal O Globo, no dia 17 de maio, e na coluna de Lauro Jardim (com Guilherme Amado), vieram com uma denúncia que dinamita Michel Temer, Eduardo Cunha, políticos do PMDB e, até, Aécio Neves. O escândalo foi divulgado em conjunto com o Jornal Nacional na TV Globo.

Na tarde de 10 de maio, Joesley e seu irmão Wesley Batista entraram apressados no Supremo Tribunal Federal (STF) e seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin. Eles são os donos da JBS, a maior produtora de proteína animal do planeta e envolvida na Operação Carne Fraca, como já descrevemos.

O Globo afirma que a dupla estava acompanhada de mais cinco pessoas, sendo todas do frigorífico. Deixaram diante de Fachin uma delação premiada, que pode ser homologada, por livre e espontânea vontade, sem coação.

E quais são as denúncias?

Governo Temer a um passo de cair

Eis os pontos do escândalo:

- O presidente Michel Temer foi gravado em um diálogo embaraçoso pelo dono da JBS. Na presença de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) para resolver um assunto da J&F, empresa holding que controla a JBS. Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados pelo dono do frigorífico. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?".

- Joesley também teria feito pagamentos de R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão. O valor seria referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária, dentro do setor de frango.

- Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, Frederico Pacheco de Medeiros, conhecido como Fred. Ele foi presidente da Cemig e foi flagrado numa filmagem pela Polícia Federal. Aécio disse que delegou a atividade a Fred porque poderia "matá-lo" antes dele delatar. A PF chipou (rastreou) o caminho do dinheiro. As verdinhas foram depositadas na empresa do senador Zezé Perrella, o mesmo do escândalo de meia tonelada de pasta base de cocaína num helicóptero em Minas Gerais, o Helicoca (assista o documentário do DCM abaixo para entender).

- Segundo a delação, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega era contato do PT com a JBS. Ele negociou dinheiro de propina de Dilma e Lula para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

A denúncia foi levada do Supremo para a Procuradoria-Geral da República. Para que as conversas não vazassem, a PGR adotou um procedimento incomum com Joesley entrando na garagem da sede dirigindo o próprio carro sem ser identificado, assim como os outros delatores.

Delação incomum na Lava Jato

A denúncia é a primeira de "ações controladas" com filmagem. Os registros são do mês de abril, o que implica diretamente o governo Michel Temer no exercício de mandato, o que cabe impeachment ou uma ação de cassação do seu cargo.

Se a delação da Odebrecht foi negociada durante dez meses e a da OAS se arrasta por mais de um ano, a da JBS foi feita em tempo recorde. No final de março, se iniciaram as conversas. Os depoimentos começaram em abril e na primeira semana de maio já haviam terminado. 

A JBS contratou o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe para tentar um acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), além da Justiça brasileira. A empresa tem 56 fábricas nos EUA, onde lidera o mercado de suínos, frangos e o de bovinos. Pelo que foi homologado por Fachin, os sete delatores não serão presos e nem usarão tornozeleiras eletrônicas. 

Da empresa será cobrada uma multa de R$ 225 milhões para livrá-los das operações Greenfield e LavaJato que investigam a JBS há dois anos. Essa conta pode aumentar na Justiça americana.

O papel da Globo

Nas redes sociais, militantes de direita, apoiadores do golpe contra Dilma e outras figuras acharam que a Rede Globo mostrou "neutralidade" ao dar o furo na coluna de Lauro Jardim. A estes, sugiro um exercício simples de lógica.

Se a reportagem exclusiva sobre a JBS saísse primeiro na Carta Capital ou no DCM, ou no Luís Nassif, ou no Renato Rovai (Revista Fórum), ou no Paulo Henrique Amorim, ou no Brasil247 seria tratado como "exagero da mídia petista". É infelizmente o preço que a imprensa de esquerda paga por se engajar por pautas sociais que contam com simpatia do PT.

Detalhe que estes sites citados já denunciaram outros diversos crimes fora da esfera esquerdista, o que é importante. Eles cobrem as denúncias envolvendo os trens em São Paulo e o PSDB, fora a Zelotes e outros escândalos fiscais de tucanos e peemedebistas.

No entanto, os delatores e as autoridades pensaram além da esquerda e focado no brasileiro médio que vê a grande mídia. A JBS, o STF e a PGR foram espertos em acionar a empresa dos Marinhos, que apoiou o governo Temer contra Dilma. Com essa bomba da delação voluntária, deram as informações diretamente pro jornalista Lauro Jardim do Globo. Se Lauro não publicasse, seria cúmplice dos crimes de Michel Temer. 

A Globo não fez isso de bom grado. Fez porque não tinha saída.

O governo Temer vai cair?

Não dá pra prever. Temer nega as acusações, apesar de confirmar o encontro com Joesley Batista. Aécio nega as acusações. Os senadores petistas Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann defendem uma PEC para antecipar as eleições de 2018 no mês de outubro de 2017.

Na linha sucessória, se Michel Temer for cassado ou impedido, há o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e a presidente do STF, Cármen Lúcia.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Brasília, militantes de esquerda e cidadãos insatisfeitos já pedem o Fora Temer com mais força. Podem repetir o MBL contra Dilma.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.