Coluna do Pedro Zambarda
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Por que precisamos desconstruir o discurso de quem apoia Bolsonaro?

Algumas considerações sobre quem apóia o deputado carioca pró-militar e que quer ser presidente da República.

Por que precisamos desconstruir o discurso de quem apoia Bolsonaro?
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No final de maio de 2017, o deputado Jair Bolsonaro passou nervoso na rádio Jovem Pan. Num debate com o historiador Marco Antonio Villa, ele não conseguiu explicar por que recebeu R$ 200 mil da JBS-Friboi na sua campanha eleitoral pelo PP (partido mais investigado na Operação Lava Jato). No bate-boca, ele admitiu: "mas qual partido não recebe propina?".

Bolsonaro, em suma, confessa que esteve de acordo com práticas de corrupção do PP. Villa também mostra que ele desconhece história sobre a ditadura, sobre economia e sobre diferentes campos do conhecimento. Considerando tudo isso em conta, convido o leitor a desconstruir o candidato que promete ser o "mito" de muitos reacionários e da direita em 2018.

Por que precisamos desconstruir o discurso de quem apoia Jair Bolsonaro? Possíveis respostas abaixo:

- A sua defesa fascista, sem respeito a opiniões divergentes, vem do Macartismo. Trata-se de uma corrente norte-americana encabeçada pelo senador Joseph McCarthy entre 1950 e 1957. Ela perseguiu esquerdistas nos Estados Unidos e Bolsonaro apoia o mesmo no Brasil, contra uma suposta "ameaça vermelha". Pena que os apoiadores dele não sabem que os governos Lula e Dilma apoiaram políticas neoliberais de concessões públicas, entre outras.

- Bolsonaro já fez um atentado a bomba quando era capitão na cidade de Resende, no Rio de Janeiro. O objetivo era protestar por aumento salarial e o assunto rendeu uma entrevista do militar à revista Veja. Hoje ele se arrepende do episódio, mas é apenas uma das demonstrações do seu visível desequilíbrio emocional.

- Tudo o que Jair Bolsonaro sabe falar sobre economia é nióbio, grafeno e "riquezas do Vale do Ribeira".  O conhecimento do deputado rasteja em macroeconomia ou mesmo microeconomia. E ele não contrata um assessor capaz de integrar em sua chapa com propostas.

- Na votação do impeachment de Dilma Rousseff, Bolsonaro exaltou um torturador da ditadura militar: Carlos Alberto Brilhante Ustra, que teria sido o "terror" da presidente no DOI-Codi.

- Bolsonaro foi um dos maiores propagadores de mentiras a respeito do "kit gay" na Câmara, que foi pauta nos governos Lula e Dilma, inclusive quando o ex-prefeito Fernando Haddad era ministro da Educação.

- Por fim, Jair Bolsonaro defende o combate à corrupção dentro do PT e do PSDB, mas não consegue responder perguntas simples sobre o financiamento de sua própria campanha. Se fosse seriamente investigado, estaria tão enrascado quanto os demais.

Por que um governo Rodrigo Maia pode ser pior do que Temer?

Breves considerações sobre Maia, o próximo na linha sucessória de Michel Temer e um provável presidente numa eleição indireta.

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Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia tem 46 anos, é chileno de nascença e filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, que o teve quando estava no exílio durante a ditadura militar. Fez economia na Universidade Cândido Mendes.

Em 1990, antes de entrar para política, foi funcionário do Banco BMG e funcionário do Banco Icatu de 1993 a 1997. Foi posteriormente Secretário Municipal da Prefeitura do Rio de Janeiro de 1997 a 1998.

Rodrigo Maia foi eleito para seu primeiro mandato de deputado federal aos 28 anos, em 98, com 96385 mil votos. Fez carreira no conservador PFL até ele virar o DEM. Sempre ligado a questões trabalhistas, é defensor das reformas de Temer que vão obrigar trabalhadores e permanecerem em seus cargos até os 70 para receber o retorno de seus impostos.

Maia não tem experiência em cargos no Poder Executivo. Venceu Rogério Rosso do PSDB na votação da presidência da Câmara em agosto de 2016, mas nunca teve uma atuação fora dos bastidores da política.

Michel Temer pode ter o mandato cassado no TSE, no julgamento de sua chapa com Dilma, ou, com a delação de Joesley Batista da JBS, ele pode ainda ser forçado à renúncia pelo teor das denúncias. Fora isso, existe a possibilidade dos pedidos de impeachment protocolados por partidos como PSOL e Rede prosperarem. Caído Temer, assume Rodrigo Maia.

Numa eleição indireta no Congresso, cinco nomes são cogitados: Tasso Jereissati (PSDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Nelson Jobim (ex-ministro de Lula, próximo ao PT), Henrique Meirelles (atual ministro da Fazenda de Temer) e o próprio Maia.

O mercado financeiro já sinalizou positivamente caso Rodrigo Maia assuma, porque as reformas de Temer podem passar sem resistência política. Para o povo pobre, Maia pode cassar mais direitos do que Michel Temer. Será, portanto, pior para o país.

Outros fatores que mostram que um governo Maia será pior é justamente a sua inexperiência em cargos executivos. Um presidente da República, essencialmente, lida com pressões o tempo todo em seu cargo. Cobranças de governadores, de prefeitos, do Legislativo, do Judiciário e demandas da própria população. Ele dará conta? Se Michel Temer, político com dois mandatos na presidência da Câmara, não está dando, seria Rodrigo Maia capaz desta empreitada?

Quando mais dúvidas surgem a respeito de Rodrigo Maia, mais a sinalização positiva do mercado financeiro soa como falácia. Dos cinco presidenciáveis indiretos, o único com mais experiência para conduzir o cargo até as eleições diretas é FHC. Ele, no entanto, tem 85 anos e não tem o menor interesse pessoal e ficar com o cargo, embora defenda com unhas e dentes as alternativas com o PSDB no governo.

Rodrigo Maia não me parece apto para lidar com pressões. Não transmite confiança em suas falas. Parece um presidente por acidente. E surgem várias perguntas caso ele sente na cadeira presidencial.

A questão é: como ficará o Brasil até 2018 se Maia assumir com toda a sua inexperiência? Ele ainda não tem denúncias consistentes na Operação Lava Jato, mas já aparece em grampos e pode ser comprometido. Como ficaremos, no fim das contas? 

É isso que devemos nos questionar.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.