Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Por que Temer não puniu o general Mourão por seu discurso pró-golpe militar?

Um militar defende abertamente um golpe de Estado e um presidente da República não faz nada a respeito. Incompetência ou concordância?

Por que Temer não puniu o general Mourão por seu discurso pró-golpe militar?
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

(Foto: Divulgação/Exército Brasileiro)

O perigo de um golpe militar parece não assustar o presidente Michel Temer. Será que os movimentos militaristas estão, novamente, associando a corrupção com a esquerda? Nos mesmos moldes de 1964?

O general Antonio Hamilton Martins Mourão disse que o Exército vai "impor uma solução" se a crise política brasileira não acabar. A fala ocorreu numa loja maçônica em Brasília no dia 15 de setembro de 2017 e viralizou na internet.

Rapidamente, grupos pró-Bolsonaro e pró-golpe militar endossaram o militar no Facebook e em outras redes sociais. Convocado para uma entrevista no programa do jornalista Pedro Bial na TV Globo, o comandante das Forças Armadas, Eduardo Villas Bôas, minimizou as declarações do colega. O presidente Michel Temer não chegou a comentar sobre o assunto.

Gaúcho e na ativa dentro do Exército desde 1972, o general foi exonerado do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, e transferido para Brasília, em tese para um cargo burocrático sem comando sobre tropas armadas após fazer críticas ao governo de Dilma Rousseff. Um oficial sob seu comando também fez na época uma homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, acusado de inúmeros crimes de tortura e assassinatos na ditadura militar. A movimentação ocorreu em em outubro de 2015.

No seu discurso pró-impeachment de Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro dedicou seu voto pelo impedimento ao mesmo coronel Ustra.

A anarquia dos quartéis

Na sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, o jornalista Elio Gaspari relembra da "anarquia dos quartéis" que ocorreram na ditadura depois do golpe de 1964. Ele fala mais especificamente do "grupo dos porões" que promoveram torturas e que só começaram a ser impedidos o ex-ditador Ernesto Geisel exonerou o ex-ministro do Exército Sylvio Frota, restituindo a autoridade da Presidência da República e iniciando a abertura "lenta e gradual" do regime militar a partir de 1977.

Gaspari alega que Michel Temer, ao contrário de Geisel, "piscou" ao ver sinais de anarquia militar. E a ex-presidente Dilma Rousseff tentou corrigir os abusos políticos do grupo de Mourão.

Já o jornalista Kiko Nogueira, do DCM, pontuou que a saudade da ditadura militar é normal num país "que nunca puniu torturadores ou estabeleceu um limite civilizatório". Kiko compara a anistia da ditadura brasileira com a Argentina, que puniu seus torturadores, e o Uruguai, que hoje julga os abusos do seu regime autoritário.

Com o país convulsionando em escândalos de corrupção à esquerda e à direita, o Exército Brasileiro permite que um general defenda abertamente um golpe militar com intuitos morais controversos. 

E o que diz a Constituição?

Muitos dos apoiadores de um novo golpe militar alegam que ele pode acontecer constitucionalmente por causa do texto do artigo 142. Na Constituição, o aritgo afirma que "as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

Os militaristas acham que o Exército deve se voltar contra o governo se ele for corrupto pelo "bem da população". No entanto, o mesmo artigo afirma que existe a "autoridade suprema do Presidente da República".

Onde está Temer para comentar os recentes delírios golpistas de um de seus generais? E, se ele sabe disso, por que não puniu o general Mourão?

A pergunta permanece aberta.

Seria João Doria Jr. um novo José Serra?

Temos um novo político tucano megalomaníaco? Por que um partido tradicional tem tantos problemas para formar novos quadros?

Seria João Doria Jr. um novo José Serra?
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

(Foto: Cris Castelo Branco/Governo do Estado de SP/Fernando Pereira /SECOM-PMSP/Fotos Públicas)

Desde o final do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002, o PSDB busca um sucessor do ex-presidente. E desde aquele governo, o PT ganhou sucessivamente. Um dos discípulos do "Príncipe dos Sociólogos" tentou e perdeu. Será que outro oportunista conseguirá?

José Serra era prefeito de São Paulo em 2006, quando deixou o cargo para Gilberto Kassab, lançou-se para a campanha rumo ao governo do Estado e venceu. O tucano achou que aquilo foi um sinal, já que seu companheiro de partido, Geraldo Alckmin, perdeu para Lula que se reelegeu mesmo com o escândalo do Mensalão.

Naquela ocasião, o jornalista Gilberto Dimenstein, na época da Folha de S.Paulo, fez o ex-prefeito assinar uma carta se comprometendo a não descumprir o mandato. Ele não honrou promessa alguma, mirando cargos públicos mais altos.

Imaginando que seria mais fácil, Serra lançou-se para a Presidência da República em 2010 contra uma "invenção política de Luiz Inácio Lula da Silva", segundo os próprios tucanos. Para isso, largou o governo do Estado de São Paulo nas mãos de Alberto Goldman. 

Perdeu para a novata Dilma Rousseff, que conquistou 55 milhões de votos.

Derrotado, José Serra tentou novamente a prefeitura de São Paulo contra Fernando Haddad em 2012. Daquela vez o tucano perdeu para o PT na maior metrópole brasileira, berço natural do PSDB.

O fracasso de Serra como sucessor de FHC se reflete não somente na indecisão do partido para definir candidato em 2018, mas sobretudo na ganância entre os seus integrantes. Ser um sucessor político de Fernando Henrique Cardoso se tornou uma meta dentro da legenda.

Geraldo Alckmin, que enfrentou Lula em 2006, tenta ocupar o lugar de José Serra no ano que vem. Mas é outro nome, criado pelo atual governador de São Paulo, que parece imitar Serra nos seus métodos.

Doria, o homem da discórdia

Desde as prévias das eleições de 2016, o empresário João Doria Jr. causou controvérsias dentro do PSDB. Venceu com métodos escusos as prévias do PSDB contra Andréa Matarazzo. O outro pré-candidato saiu da legenda dos tucanos e foi para o PSD de Gilberto Kassab. Matarazzo, na época, acusou Doria e "pagar filiados" tucanos. A intriga chegou a descambar para agressões físicas entre os peessedebistas na unidade do partido do Tatuapé. Fora da legenda, Andréa Matarazzo se tornou vice de Marta Suplicy, a novata no PMDB que tentou disputar contra Doria e Haddad a prefeitura de São Paulo.

João Doria venceu com mais de um milhão de votos com a máxima: "sou gestor, não político". Vendeu um populismo de direita com a alcunha de "João Trabalhador". Se vestiu de gari, cadeirante e diversas profissões de classes mais humildes.

Mas manteve o jeito de empresário antes de ingressar na política. Viajou para os Emirados Árabes, percorreu o nordeste brasileiro e o interior de São Paulo. Não explicou, como prefeito, qual dinheiro usou nessas iniciativas. Agora, Doria é alvo de um inquérito aberto no Ministério Público pela bancada do PT na Câmara Municipal. Precisará se explicar perante às autoridades.

Só que o "gestor" não está preocupado. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo em setembro, Doria deu espaço para empresas do LIDE, seu antigo encontro de executivos, dentro da Prefeitura de São Paulo, o que configura um claro conflito de interesses.

O que interessa para ele é a meta. Isto é: a Presidência da República.

O último trampolim de Serra e a Revista Istoé

A última tentativa de José Serra para tentar a Presidência foi se tornar ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer. Devido a problemas de saúde, principalmente dores na coluna, ele teve que deixar o cargo assumido no mês de fevereiro de 2017.

Se o governo Temer resultasse num bom legado político e econômico, Serra almejava herdá-lo. Não aguentou até o fim do mandato. Aloysio Nunes assumiu seu cargo nas Relações Exteriores e ele retornou ao Senado.

Nos bastidores, o que contam é que Serra tentou imitar Fernando Henrique Cardoso. Em 1994, com a criação do Plano Real no governo Itamar Franco, FHC usou o cargo no Ministério da Fazenda para se lançar presidente da República, venceu e conseguiu aprovar a própria reeleição.

O tucanato parece seguir de forma quase copiada os passos do "Príncipe".

Doria, mesmo auxiliado por Alckmin nas eleições contra Haddad, parece se voltar contra os anseios políticos do governador. O prefeito de São Paulo deu uma entrevista à revista Istoé se vendendo como o anti-Lula. Por mais que ele negue, João Doria está em campanha ativamente pela Presidência. E isso desagrada quem via a candidatura Geraldo Alckmin como certa.

Neste aspecto, tanto Doria quanto Serra são iguais: o que vale é a oportunidade para chegar no mais alto cargo. Mas nenhum dos dois até o momento parece ter a mesma esperteza política de Fernando Henrique. 

Ou mesmo a resiliência de Lula, seu maior adversário, que perdeu três eleições presidenciais até chegar lá.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.