Coluna do Pedro Zambarda
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Por que um governo Rodrigo Maia pode ser pior do que Temer?

Breves considerações sobre Maia, o próximo na linha sucessória de Michel Temer e um provável presidente numa eleição indireta.

Por que um governo Rodrigo Maia pode ser pior do que Temer?
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Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia tem 46 anos, é chileno de nascença e filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, que o teve quando estava no exílio durante a ditadura militar. Fez economia na Universidade Cândido Mendes.

Em 1990, antes de entrar para política, foi funcionário do Banco BMG e funcionário do Banco Icatu de 1993 a 1997. Foi posteriormente Secretário Municipal da Prefeitura do Rio de Janeiro de 1997 a 1998.

Rodrigo Maia foi eleito para seu primeiro mandato de deputado federal aos 28 anos, em 98, com 96385 mil votos. Fez carreira no conservador PFL até ele virar o DEM. Sempre ligado a questões trabalhistas, é defensor das reformas de Temer que vão obrigar trabalhadores e permanecerem em seus cargos até os 70 para receber o retorno de seus impostos.

Maia não tem experiência em cargos no Poder Executivo. Venceu Rogério Rosso do PSDB na votação da presidência da Câmara em agosto de 2016, mas nunca teve uma atuação fora dos bastidores da política.

Michel Temer pode ter o mandato cassado no TSE, no julgamento de sua chapa com Dilma, ou, com a delação de Joesley Batista da JBS, ele pode ainda ser forçado à renúncia pelo teor das denúncias. Fora isso, existe a possibilidade dos pedidos de impeachment protocolados por partidos como PSOL e Rede prosperarem. Caído Temer, assume Rodrigo Maia.

Numa eleição indireta no Congresso, cinco nomes são cogitados: Tasso Jereissati (PSDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Nelson Jobim (ex-ministro de Lula, próximo ao PT), Henrique Meirelles (atual ministro da Fazenda de Temer) e o próprio Maia.

O mercado financeiro já sinalizou positivamente caso Rodrigo Maia assuma, porque as reformas de Temer podem passar sem resistência política. Para o povo pobre, Maia pode cassar mais direitos do que Michel Temer. Será, portanto, pior para o país.

Outros fatores que mostram que um governo Maia será pior é justamente a sua inexperiência em cargos executivos. Um presidente da República, essencialmente, lida com pressões o tempo todo em seu cargo. Cobranças de governadores, de prefeitos, do Legislativo, do Judiciário e demandas da própria população. Ele dará conta? Se Michel Temer, político com dois mandatos na presidência da Câmara, não está dando, seria Rodrigo Maia capaz desta empreitada?

Quando mais dúvidas surgem a respeito de Rodrigo Maia, mais a sinalização positiva do mercado financeiro soa como falácia. Dos cinco presidenciáveis indiretos, o único com mais experiência para conduzir o cargo até as eleições diretas é FHC. Ele, no entanto, tem 85 anos e não tem o menor interesse pessoal e ficar com o cargo, embora defenda com unhas e dentes as alternativas com o PSDB no governo.

Rodrigo Maia não me parece apto para lidar com pressões. Não transmite confiança em suas falas. Parece um presidente por acidente. E surgem várias perguntas caso ele sente na cadeira presidencial.

A questão é: como ficará o Brasil até 2018 se Maia assumir com toda a sua inexperiência? Ele ainda não tem denúncias consistentes na Operação Lava Jato, mas já aparece em grampos e pode ser comprometido. Como ficaremos, no fim das contas? 

É isso que devemos nos questionar.

Por que o PSDB demora para sair do governo Temer?

Duas razões: Aécio Neves e as reformas, claro!

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Ministro de Relações Exteriores do governo Michel Temer, o tucano Aloysio Nunes declarou no dia 2 de junho que o PSDB não é "Madame Bovary" e que não vai deixar a atual gestão. Além da referência à obra francesa de literatura, o político coloca barreiras no discurso forte da juventude do partido que pede sua retirada do governo Temer.

Aloysio é homem forte de José Serra, tem operadores dentro da Sabesp (hoje sob comando de Alckmin) e é um dos entusiastas das reformas trabalhista e da Previdência, que retiram direitos dos trabalhadores. Ele também é hoje o maior anti-esquerda dentro do tucanato, com posicionamentos firmes contra a Venezuela, embora tenha sido motorista do guerrilheiro Carlos Maringhella na juventude em plena ditadura militar.

A pressão de Aloysio Nunes vem de um impasse dentro do PSDB: queimar ou não de vez Aécio Neves? Pego em grampos telefônicos da JBS, o ex-candidato tucano à presidência aparece pedindo pelo menos R$ 2 milhões para quitar dívidas de campanha, negociando emendas parlamentares com Gilmar Mendes e operando o recebimento de propinas. Aécio está num momento particularmente desesperador, porque sua operadora em Minas Gerais, a irmã Andrea Neves, foi presa. Dimas Toledo, seu operador no setor elétrico em Furnas, também é investigado. 

Por que o PSDB demora para sair do governo Temer?

O desembarque do PSDB de Temer causaria, inevitavelmente, a prisão de Aécio e a investigação de outros esquemas, sobretudo envolvendo Alckmin e Serra - embora o governador se mantenha neutro na mesma questão. Por outro lado, um quarto tucano fez um comentário esclarecedor recentemente.

Por que o PSDB demora para sair do governo Temer?

"Nosso inimigo é o PT", disse o prefeito João Doria Jr. no dia 5 de junho. Doria, embora não admita em público, é potencial candidato tucano à presidência em 2018 se o seu padrinho Geraldo Alckmin deixar. Para ele, as investigações envolvendo grampos da JBS enfraquecem PMDB e PSDB.

Enfraquecer seu partido ou aliados juntos à legenda de Michel Temer, na lógica dos tucanos, é defender os petistas.

Na ótica do cidadão comum, as declarações recentes validam uma tese dos ditados populares: aos amigos tudo, aos inimigos a lei.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.