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PSOL, Lava Jato e a candidatura de 2018

Como o partido faz oposição de esquerda ao PT e tem uma simpatia à operação que investiga o Petrolão. Será que eles podem constituir um discurso consistente em 2018? E será que ele se converterá em votos?

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Luciana Genro, filha do petista Tasso, teve 1,6 milhão de votos em 2014 na disputa presidencial pelo PSOL. Ficou em quarto lugar, atrás de Marina Silva (22 milhões), Aécio Neves (51 milhões, em segundo turno) e Dilma Rousseff (54 milhões). Nos debates, Luciana bateu no financiamento de campanha dos adversários, hoje fonte de investigações na Operação Lava Jato.

Apelidou a tríade Marina, Aécio e Dilma de "gêmeos siameses" por receberem dinheiro de empreiteiras como Odebrecht e grandes empresas do setor de bens de consumo, como a Ambev. O partido dela, que milita pela esquerda e pela liberdade, em tese recusa o financiamento de grandes indústrias nacionais. Devota da crítica à desigualdade do economista Thomas Piketty, Luciana acredita num teto de financiamento de campanha, restrito a pessoas físicas.

Em 2014, Luciana Genro saiu gigante das eleições por fazer uma campanha propositiva. Entrevistei ela em duas ocasiões, além de acompanhar outras duas coletivas de imprensa. Seu único ponto fraco era não fazer o "discurso dos bancos" na economia, que o PT encampou no nível de fazer o governo de Aécio Neves com Dilma Rousseff. Ideologicamente, Luciana era coerente com o PSOL criado em 2004 das entranhas dos petistas indignados com o Mensalão.

A campanha à prefeitura de Porto Alegre em 2016 trouxe outra visão sobre Luciana Genro. Com apenas 12,06% dos votos, a socialista ficou em quinto lugar na disputa com 86 mil votos. A capital do seu estado natal rejeitou ela, muito provavelmente devido aos seus discursos mais recentes.

Em outubro de 2016, Luciana comemorou a prisão (inesperada) de Eduardo Cunha e deu "vivas" à Operação Lava Jato. Na ocasião da morte do juiz Teori Zavascki, em 2017, disse que a Lava Jato deveria ser defendida. Nenhuma ponderação de Luciana Genro sobre a parcialidade do juiz Sérgio Moro contra Lula foi conhecida.

E, desde a saída de Randolfe Rodrigues para a Rede de Marina Silva, a voz de Luciana Genro se intensificou dentro do PSOL, encontrando contrapontos somente com Jean Wyllys e Gilberto Maringoni, quadros mais próximos ao PT. 

No começo de abril, Luciana divulgou uma carta pedindo uma pré-candidatura urgente para o partido. "Diante das divergências é preciso escolher. Creio que o mais urgente é ter um nome do PSOL que faça o partido presente na disputa com a burguesia e o lulismo, para isso sugeri que o MES busque uma solução de compromisso. Como sei que Marcelo Freixo e outras lideranças querem Chico Alencar como candidato, sou da opinião de que este nome pode indicar um caminho de unidade. Somos sinceros em dizer que para nós o nome ideal é o de Marcelo Freixo, por sua representatividade social. Mas em política nem sempre o ideal é possível. E o mais grave é não ter candidatura já. Isso mataria o PSOL. Além disso, é preciso ser dito: respeitamos muito o nosso Deputado Chico Alencar. Ele tem uma posição sobre a Lava Jato muito próxima da minha. Tem uma trajetória de respeitabilidade, a qual tem como principal marca o compromisso ético e a recusa à lógica dominante da política de toma lá, dá cá. Por isso, foi escolhido diversas vezes como um dos melhores deputados federais. Teve papel muito importante contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos maiores corruptos do país, e nesta luta fortaleceu o PSOL. E sempre esteve entre os mais votados do partido no Rio".

Indicou, portanto, Marcelo Freixo e Chico Alencar para tentarem a presidência em seu lugar. Marcelo é um candidato de esquerda com expressão no Rio, embora tenha perdido a disputa na prefeitura. Chico, embora seja um bom parlamentar, foi visto na festa do jornalista Ricardo Noblat "beijando a mão" do tucano Aécio Neves.

Luciana Genro pode não ter falado, mas ela também é outra candidata possível pelo PSOL. Distancia-se, efetivamente, do discurso que Aécio usava para atacar o partido, de que ele era "linha auxiliar do PT". A postura de Luciana definitivamente a transforma numa opositora do Partido dos Trabalhadores e de Lula.

A questão é: Ela seria uma candidata consistente? Ela é um apoio consistente? 

A candidatura em Porto Alegre de 2016 fracassada depõe contra a força da trajetória de Luciana Genro para o ano que vem.

Qual vai ser o discurso do PT para 2018?

Sobre a pesquisa com as periferias feita pela Fundação Perseu Abramo, vinculada ao Partido dos Trabalhadores.

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"O comissariado ouviu o povo e assustou-se", brincou o jornalista Elio Gaspari em sua coluna. A Fundação Perseu Abramo do PT divulgou no dia 5 de abril a pesquisa "Percepções e Valores Políticos nas Periferias de São Paulo". Presidida pelo economista Marcio Pochmann, o centro de estudos entrevistou 63 moradores da periferia de São Paulo que votaram no PT de 2000 a 2012, mas não elegeram Dilma Rousseff em 2014 nem se identificaram com Fernando Haddad em 2016.

A pesquisa tentou contrastar os perfis periféricos e entender uma mudança neles nos anos de hegemonia petista. O resultado exibiu que estes eleitores não veem a existência de uma luta de classes em que patrões exploram trabalhadores. A opinião deles dentro do levantamento qualitativo percebe ricos e pobres no mesmo barco contra o Estado taxador e burocrático que não entrega serviços de qualidade.

A tal da "ideologia do mérito" de liberais com histórias de superação e sucesso reúne admiradores de Lula e até João Doria Jr, o que explica sua vitória esmagadora em primeiro turno contra Haddad. O candidato de Alckmin teria, seguindo esta lógica, reais chances contra o ex-presidente em 2018. A pesquisa acendeu o sinal vermelho dentro do PT.

Pochmann marcou uma reunião pública com o iFHC e com pessoas ligadas ao PSDB para discutir os resultados, conforme noticiou a repórter Fernanda mena da Folha de S.Paulo no dia 18. 

"Há material muito interessante para reflexão a partir desta tentativa do PT de entender como o cinturão vermelho se pintou de azul", disse Sérgio Fausto, diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso, ao se referir aos resultados de João Doria. "A ideologia dominante afeta os dominados, mas não se trata de uma reprodução pura e simples. Ela é reelaborada", completou Andréia Galvão, do departamento de ciência política da Unicamp.

O fato é que a pesquisa encomendada pelo instituto de Pochmann bate de frente com a propaganda do PT hoje na televisão, que mostra um Lula envelhecido e se defendendo das acusações da Lava Jato. Os petistas hoje apostam no medo real das ideias reacionárias de Jair Bolsonaro e numa aposta futura de que João Doria terá seus esquemas de corrupção revelados em breve.

Mas a periferia e os pobres já não engolem direito o discurso petista. As pesquisas mostram Luiz Inácio Lula da Silva com alguma chance de chegar ao Planalto. A pergunta é: Com que propostas? Mais alianças com o PMDB de Renan Calheiros? Mais repasses de dinheiro para acalmar os "golpistas"?

A periferia mandou um recado claro ao PT: Falamos línguas diferentes.

O problema é o que os pobres colocarão no lugar de um governo de centro-esquerda. O problema é como a elite aproveita a onda para não discutir os problemas reais de pobreza no Brasil. Foge-se ao debate econômico real, tanto entre petistas quanto tucanos. Interessa a governabilidade e, sobretudo, a grana que cada um leva nisso.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.