Coluna do Pedro Zambarda
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Quais são as ligações de Marcos Valério com a Lista de Furnas?

O principal réu do Mensalão aparece novamente como delator premiado do Petrolão, relacionando os dois escândalos.

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O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza foi condenado a 40 anos, quatro meses e seis dias, com multa de R$ 3 milhões pelos crimes de corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha no escândalo do Mensalão. Após o Supremo Tribunal Federal julgar e aceitar embargos infringentes para o crime de quadrilha, a pena diminui para 37 anos, cinco meses e seis dias. 

Ele era dono das agências DNA e SMP&B, que fizeram a campanha de Eduardo Azeredo para reeleição em 1998, criando o Mensalão tucano. Suas mesmas empresas criaram um novo esquema com os Correios e bancos para criar o caixa dois do PT na candidatura Lula em 2002 e para a compra de parlamentares no Congresso em 2004. Pelo menos R$ 120 milhões foram desviados, embora as penas tenham sido baseadas em apenas R$ 55 milhões pelo STF em 2012.

Valério voltou ao noticiário político porque começou a produzir documentos de sua delação premiada, tentando reduzir seus crimes no Mensalão. As informações chegam até o Petrolão, alvo de investigação da Lava Jato.

Lista de Furnas

Operada por um homem chamado Dimas Toledo desde 2000, quando Aécio Neves tornou-se governador, a lista na verdade era um esquema de pagamentos para políticos de apoio do antigo governo Fernando Henrique Cardoso. O dinheiro saía da estatal de energia Furnas, que desviava dinheiro em contatos fictícios. A soma da verba roubada seria de R$ 40 milhões.

O caso foi denunciado pelo lobista Nilton Monteiro, que mostrou uma lista com 156 nomes durante a CPI dos Correios que deu força ao Mensalão. Aécio, FHC, Alckmin e Serra teriam recebido caixa dois de furnas. O deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro teria recebido R$ 50 mil. Eduardo Cunha, o ex-deputado que arquitetou o impeachment de Dilma, seria um dos operadores do esquema junto com os desvios da Petrobras.

Embora Valério não tenha envolvimento direto, jornais como Folha de S.Paulo já relembram que a revista Veja afirmou que a lista de Nilton era falsa. O caso foi abafado em Minas Gerais em 2014, durante as eleições presidenciais, com a prisão do jornalista Aurélio Carone que deu curso às denúncias na mídia.

Carone ficou preso por nove meses sem motivo justo, acusado de formar uma quadrilha criminosa com Nilton Monteiro. Os dois possuem apenas relação entre fonte e repórter. Nilton foi acusado de ser um estelionatário.

O PSDB impune

Marcos Valério tem 56 anos. Eduardo Azeredo vai completar 70 anos e não foi condenado pelo caixa dois no Mensalão mineiro. Além de Azeredo, Valério promete falar que vai falar sobre esquemas de Aécio Neves.

Será a Lista de Furnas, seu maior propinoduto no estado mineiro? Se for, será que teremos alguma condenação de Aécio, Geraldo Alckmin e José Serra na Justiça.

E como ficam os processos de todos eles que já existem na Lava Jato? Ou vai tudo acabar em pizza pro tucanato? 

Como Temer destruiu a credibilidade da presidência?

Sobre pesquisas, um presidente "morto-vivo" e uma instituição que vale menos do que os partidos políticos, que enfrentam a pior crise desde a redemocratização.

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Colunista José Roberto de Toledo, do Estadão, publicou um texto chamado "Temer sepulta a política", sobre a situação desastrosa do presidente nas pesquisas de opinião. De acordo com o Ibope, de uma nota de 0 a 100, a confiança dos brasileiros no presidente Michel Temer despencou de 30 para 14, desde 2016. O índice é menor do que a confiança nos partidos pela primeira vez.

A pesquisa do Ibope encampa muito bem o que o jornalista Leonardo Sakamoto frisa em seu blog no UOL: "Deixar de confiar na política como arena para a solução dos problemas cotidianos é equivalente a abandonar o diálogo visando à construção coletiva. Caídas em descrença, instituições levam décadas para se reerguer – quando conseguem. No meio desse vácuo, vai surgindo a oportunidade para semoventes que se consideram acima das leis se apresentarem como a saída para os nossos problemas. Pessoas que prometem ser uma luz na escuridão, mas nos guiarão direto às trevas". 

Por isso, as ruas estão vazias.

Processo de autodestruição de Michel Temer

Detonado pela delação premiada de Joesley Batista da J&F/JBS, maior grupo de carne do mundo, Temer foi acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por aceitar propina de R$ 500 mil para Eduardo Cunha e Lúcio Funaro presos, para evitar delações premiadas. O presidente pediu para manter a propina em troca de aprovação de reformas.

O ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, fez parte da JBS. Joesley também relata propinas para Aécio Neves depois das eleições e caixa dois para campanhas de Dilma no PT.

Colocado no poder por um golpe parlamentar disfarçado de impeachment, Michel Temer tinha condições de ter mais aprovação do que Dilma, que caiu para 9%. Segundo o Vox Populi, Temer tem 2% de aprovação. O Ibope/CNI cravou 5%. O atual presidente da República, pela margem de erro de 3%, pode estar com aprovação negativa.

A desmoralização de Michel Temer pelo acúmulo de delações premiadas mencionando seu nome com crimes diretos, especialmente a  de Joesley. O PIB não crescerá 1% em 2017 e retraiu mais 3% em 2016. Ele destruiu a credibilidade a presidência da República como instituição e cravou que ela é um balcão de negócios privados de políticos corruptos que sacrificaram Dilma Rousseff.

O Palácio do Planalto comemora que não há protestos de rua, segundo reportagem do Globo de 29 de julho de 2017.

Se a população se revoltar a ponto de apelar pela violência, Temer não tem mesmo sustentabilidade para se manter. Os aliados o derrubam.

Ele é uma negação aritmética. Um fracasso numerado.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.