Coluna do Pedro Zambarda
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Qual é a real importância das pesquisas eleitorais de 2018?

Datafolha. Ibope. Paraná Pesquisas. DataPoder360. CNT/MDA. Vox Populi. O que são os institutos de pesquisa que abordam as intenções de voto em 2018? E até que ponto eles são realmente preocupantes para os políticos ou para a população que os elege?

Qual é a real importância das pesquisas eleitorais de 2018?
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(Imagem: Reprodução/Homepage do Datafolha)

Lula ou Bolsonaro na Presidência? Quem é o favorito na disputa eleitoral? Como anda a reprovação do governo Michel Temer? Quantas pessoas foram consultadas? Qual é a margem de erro?

Essas são as perguntas que envolvem os institutos de pesquisa que dominam o noticiário político hoje. Até que ponto as estatísticas que eles publicam representam de fato os anseios da população brasileira, que hoje soma mais de 200 milhões de pessoas? E os institutos em si? Eles atendem a interesses políticos ou econômicos?

Num momento de polarização política forte, com muitas pesquisas de opinião sendo divulgadas, é necessário entender a função dos institutos especificamente para as eleições do ano que vem.

Qual é a dinâmica entre as pesquisas e os veículos de comunicação?

Em julho de 2016, o jornalista americano Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, chamou de "fraude" a pesquisa Datafolha publicada no jornal Folha de S.Paulo apontando que 50% dos entrevistados queriam que Michel Temer sozinho terminasse na presidência no lugar de Dilma Rousseff. De acordo com Greenwald, a publicação ignorou que, no mesmo levantamento, 60% dos consultados queriam a cassação da chapa Dilma/Temer.

Naquela ocasião, eu entrevistei a socióloga Fátima Pacheco Jordão para o Diário do Centro do Mundo (DCM), que é especialista em pesquisas. Fátima é conselheira do Instituto Patrícia Galvão e diretora da Instituição D’Fatto, além de ter assessorado o setor de pesquisas da TV Cultura no passado.

A especialista explicou que o Datafolha e o jornal, embora tenham nomes similares, são instituições diferentes. A Folha de S.Paulo pode solicitar dados específicos para suas pesquisas e a responsabilidade do instituto é levantar os dados. O posicionamento editorial do jornal pode ter o viés que for conveniente aos seus donos, enquanto a competência da pesquisa é apenas apresentar amostras de dados que confirmem ou refutem as informações das reportagens.

"Nate Cohn do New York Times fez um texto sobre as pesquisas contraditórias a respeito da corrida entre Hillary Clinton e Donald Trump. Cada publicação pode destacar o que for conveniente para os seus interesses. Huffington Post fez isso, entre outros. O problema é justamente o Datafolha fornecer informações apenas a um jornal", frisou a socióloga em entrevista ao DCM.

Vários institutos contribuem para dados mais diferentes e amplos sobre a opinião dos brasileiros sobre a política. Fátima Pacheco Jordão também ressalta que as pesquisas podem ser "estimuladas", com perguntas pré-estabelecidas e fechadas (Lula ou Bolsonaro na Presidência, por exemplo), ou espontâneas.

A especialista elogia institutos – como o Ibope – que atendem diferentes publicações, desde o jornal O Estado de S.Paulo até a Rede Globo. "O Estadão tem mais jornalistas capacitados a lidar com pesquisas, ao menos na minha percepção, na geração do (colunista) José Roberto de Toledo. Apesar de serem repórteres que divulgam os dados do Ibope, é a edição do Toledo (José Roberto de Toledo, especialista em análise de dados) que faz a diferença na amostragem dos dados. A relação do Datafolha com a Folha, embora façam pesquisas há anos com metodologia própria com grandes amostragens e na rua, é fechada. O instituto é um fornecedor da Folha de S.Paulo. Datafolha tem pouca autonomia em relação ao Ibope, que tem dezenas de clientes", ressalta a socióloga.

Além do Ibope e do Datafolha, há levantamentos feitos pela Vox Populi, empresa mineira criada em 1984 e hoje vinculada com a revista Carta Capital e a Rede Bandeirantes. Os dois primeiros são mais vinculados com a grande imprensa, enquanto o Vox Populi já fez mais pesquisas com a esquerda em parceria com a CUT.

E os novos institutos de pesquisa?

Para as eleições presidenciais de 2018, a novidade é a entrada de institutos como o Paraná Pesquisas, CNT/MDA e DataPoder360.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) realiza pesquisas de opinão no Brasil em parceria com o MDA desde 2013. Os levantamentos do instituto incluem política, economia, emprego, renda, saúde, educação e segurança pública.

Paraná Pesquisas ganhou fama nas eleições presidenciais de 2014 por ser o único instituto que apontou vitória de Aécio Neves com 54% das intenções de voto. O tucano terminou com 48%, perdendo para Dilma com 51%. Apesar de ter 25 anos de atuação e mais de mil levantamentos de mercado, o instituto só apareceu mesmo na política a partir destas eleições.

DataPoder360 surgiu com o site de notícias do jornalista Fernando Rodrigues (ex-Folha), fundado em novembro de 2016. Com um grupo de repórteres em Brasília, Rodrigues passou a publicar levantamentos tanto de intenções de voto para 2018 quanto sobre os humores da capital federal sobre o governo Michel Temer.

Como confiar numa pesquisa de intenções de voto?

Pesquisas são ferramentas humanas que podem ser falhas e nem sempre correspondem à realidade dos fatos. As intenções de voto dos cidadãos podem mudar na frente da urna ou mesmo depois de um escândalo de corrupção inesperado na semana seguinte, embora a maioria de nós esteja anestesiado com tantas informações do meio político.

Para saber se você pode confiar numa pesquisa de intenções de voto, deve-se levar em consideração que os profissionais dos institutos fazem perguntas para um número limitado de cidadãos e as respostas coletadas possuem uma margem de erro em levantamentos qualitativos, que vaira de 2% até 3%. O Datafolha tem como critério, além de divulgar a margem de erro, consultar indivíduos de diferentes classes sociais e bairros, para garantir uma resposta mais heterogênea.

Em geral, as pesquisas de intenção de voto consultam no prazo de algumas semanas cerca de três mil pessoas com idades variadas. A pesquisa representa toda a sociedade brasileira? Não, ela é apenas um recorte de amostragem do povo.

"A diferença entre resultados de pesquisas políticas não é erro. E isso é uma coisa que precisa ser discutida mais abertamente no Brasil", afirma Fátima Pacheco Jordão. A socióloga defende que o nosso país precisa ter mais institutos publicando pesquisas para novas comparações. E ela complementa: "precisa existir um aperfeiçoamento no trabalho jornalístico para transmitir uma noção mais aprofundada do que é a política brasileira, e como ela não se reduz apenas aos partidos".

Nos Estados Unidos, Donald Trump venceu mesmo com praticamente todos os institutos de pesquisa apontando a vitória de Hillary Clinton. A realidade, portanto, não correspondeu de maneira uniforme às amostragens.

Por isso, antes de gritar vitória do pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva ou ovacionar o "mito" Jair Bolsonaro nas pesquisas, saiba que ser influenciado apenas por elas é uma compreensão muito superficial do que acontece.

As pesquisas eleitorais são retratos limitados em determinados indivíduos para dar um panorama de como o país está pensando nos seus políticos para discutir um novo governo. A sua real importância está nisso. Quem vence a eleição é quem, para além das pesquisas, vence a queda de braço da campanha na disputa pelo Palácio do Planalto.

Como a nova condenação de José Dirceu ameaça a candidatura de Lula?

Enquanto Palocci delata, Dirceu sofre mais uma condenação na Lava Jato. O quadro dos ex-ministros fortes de Lula afeta diretamente o ex-presidente.

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(Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil)

A queda dos homens fortes do lulismo está colocando a maior candidatura de centro-esquerda em xeque no ano de 2018. E o caso de Dirceu, de fato, dá sinais claros que o ex-presidente está em apuros jurídicos.

José Dirceu de Oliveira e Silva teve sua pena aumentada de 20 anos e 10 meses para 30 anos, nove meses e 10 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo foi julgado em segunda instância pelo TRF4, de Porto Alegre, na 18ª apelação criminal da Operação Lava Jato. O ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi absolvido e o tribunal manteve sua absolvição.

O TRF4 é o mesmo grupo que julgará a segunda instância do processo do triplex do Guarujá envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O juiz de primeira instância Sérgio Moro condenou Lula a nove anos e seis meses. Se for confirmada a segunda condenação, pelas mudanças executadas pelo STF, o ex-presidente fica impedido de concorrer nas eleições de 2018.

No processo do Mensalão, Dirceu foi condenado a 10 anos em 2012. No Petrolão, de acordo com as investigações da Operação Lava Jato, José Dirceu acumulou condenações de mais de 30 anos e foi preso em 2016. No dia 2 de maio deste ano, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal decidiu por três votos a dois conceder liberdade a Dirceu. Os argumentos usados pelos magistrados para libertá-lo foram de que, por ele já ter sido condenado em dois processos, "seria improvável que ele conseguisse interferir nas investigações por meio, por exemplo, da ocultação de provas ou intimidação".

Um delata. O outro articula

Através de aliados e em depoimentos vazados por seus advogados, José Dirceu deixa claro que continua pensando no projeto futuro do PT. Sua posição vai totalmente na contramão da de Palocci, que parece ter decidido trair Lula para diminuir seu tempo de prisão.

Os dois ex-ministros foram homens fortes de Luiz Inácio Lula da Silva. Antonio Palocci tinha o controle da economia no Ministério da Fazenda, permitindo que o Brasil fincasse bases para crescer 7,6% em 2010. Dirceu era o ministro-chefe da Casa Civil, era homem de confiança de Lula desde a campanha eleitoral e, nos bastidores, seu nome era citado como possível sucessor do ex-presidente no lugar de Dilma. O burburinho era tão forte que chegou a incomodar o dono da Editora Abril na época, Roberto Civita, que nunca simpatizou com José Dirceu ou com o próprio Lula, fazendo oposição forte através da revista Veja.

A informação consta na biografia do empresário escrita pelo jornalista Carlos Maranhão. A antipatia por Dirceu era compartilhada entre Civita e o então presidente do Grupo Abril, Maurízio Mauro, que geria uma editora em crise financeira que precisava de mais incentivos do governo federal. O PT não contribuía para os negócios na época.

Isso rendeu maior oposição de toda a grande mídia, começando pela Abril. Palocci, que não foi enrolado no processo do Mensalão, decidiu delatar assim que foi preso no Petrolão.

A amigos, Dirceu disse: "eu não sou Antonio Palocci". A informação consta numa notícia do Estadão. Desde que presidia o PT, José Dirceu nunca confiou no homem escolhido pelo então presidente para comandar a economia. Lula sempre preferiu Palocci e, não fosse o escândalo da quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa, seria ele o candidato à presidência da República e não Dilma Rousseff.

Dirceu, Palocci e Dilma, portanto, eram os nomes fortes que orbitavam em torno de Lula. Dos três, José Dirceu foi o mais severamente condenado pela Justiça por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Já Antonio Palocci decidiu fazer delação premiada e colocar Lula em maus lençóis. Dilma Rousseff, por enquanto, não tem nenhum problema jurídico grave.

Dirceu emite claramente um mau sinal da Justiça para Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. Se depender do TRF4, ao que tudo indica, o maior nome da centro-esquerda não poderá tentar a presidência. Lula pode de fato ser condenado e preso.

Será a hora de um plano B?

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.