Coluna do Pedro Zambarda
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Rafael Braga condenado: O que esta injustiça representa?

Preso nos protestos de 2013, o ex-morador de rua prova que preto e pobre é quem realmente sofre com a repressão do Estado. Não é nem a classe média, que às vezes toma umas borrachadas, e nem os ricos, que são intocáveis.

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O ex-catador de latas Rafael Vieira Braga foi condenado a 11 anos e três meses de prisão com multa de R$ 1687 por porte de droga e associação ao tráfico de drogas, informe o site Ponte Jornalismo no dia 21 de abril, feriado de Tiradentes. Braga foi preso em 2013 por "porte de artefato explosivo", quando a perícia constatou que ele apenas tinha Pinho Sol, produto de limpeza. A sentença foi dada pelo juiz Ricardo Coronha Ribeiro.

A sentença completa está aqui, executada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Rafael foi posto em liberdade pela primeira vez no final de 2015 e foi preso novamente em 12 de janeiro de 2016. Na época, ele estava com tornozeleira eletrônica.

Rafael Braga afirmou em audiência que policiais militares do Rio o forçaram a cheirar cocaína com o intuito de incriminá-lo. Os PMs caíram em contradição nos depoimentos, mas isso não impediu a condenação expedida pelo juiz Ribeiro.

A polícia e a Justiça não embasaram suas investigações e trazem uma presunção de culpa com o cidadão pobre e negro, sobretudo em zonas urbanas marginalizadas como é o subúrbio do Rio de Janeiro, corroído pelo tráfico de drogas e pelo crime organizado. Para dar números e "mostrar serviço", o Estado forja crimes para encarcerar mais pessoas.

O caso de Braga, no entanto, rompeu a barreira do noticiário policialesco para entrar no coração da cobertura política nacional. Ele foi preso no embrião dos maiores protestos nacionais contra deputados, senadores, prefeitos, governadores e a própria ex-presidente Dilma Rousseff. O ódio policial e o preconceito com negros ainda assim se manifestou num caso desta repercussão.

E culminou nesta sentença injusta e que expõe a pornografia do sistema político-judicial brasileiro.

Esquerdistas de São Paulo e do Rio organizaram vigílias em nome de Rafael Braga nos dias 24 e 25 de abril. No dia 28, marcado para a greve geral conduzida sobretudo pela classe sindical, o nome de Braga estará entre as denúncias na rua.

No entanto, mesmo com tantas palavras de ordem, a mão fria e injusta de juízes continua a condenar negros e pobres.

Para o olhar do Estado, pobre tem mais é que ir preso. É pra dar o exemplo como a história de Tiradentes, aproveitando o recente feriado de 21 de abril.

Rafael Braga é vítima de um sistema profundamente injusto, que não se intimida nem com manifestações políticas legítimas que denunciam sua própria injustiça social.

O que pode acontecer se Eduardo Cunha delatar?

Antonio Palocci já está negociando uma delação na Operação Lava Jato, enquanto o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, afirma que Lula destruiu as provas de que é dono do triplex. O que acontecerá se o ex-presidente da Câmara delatar?

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Eduardo Cosentino da Cunha foi preso em 19 de outubro de 2016 acusado de desvios de Fundo de Investimento do FGTS na Caixa, por sustentar conta no exterior num truste na Suíça, além de desvios em Furnas e navios-sonda da Petrobras. Ele e sua família teriam tentado fuga para o exterior e a Força-Tarefa da Lava Jato, junto ao juiz Sérgio Moro, colocou uma prisão preventiva em seus diferentes processos. Antes disso, Cunha teve o mandato de deputado cassado na Câmara.

Operador forte nos bastidores, sua prisão soava improvável justamente por contar com foro privilegiado no Supremo e uma rede de apoio entre os congressistas que acobertavam seus crimes. Foi desta forma que ele instaurou o impeachment contra Dilma Rousseff sem atropelos, aproveitando do regimento na Câmara após sofrer abandonos do PT em votações que ele considerava importantes.

Michel Temer posto no poder, os grupos leais ao presidente trataram de descartá-lo do cenário justamente por seu perigo. Chamado de "achacador" por Cid Gomes, ele arruma "encrencas" com carcereiros e é acusado em diferentes colunas do Painel do jornal Folha de S.Paulo de operar direto da cadeia.

Cunha agora ameaça negociar uma delação premiada. O que ele pode falar de fato, depois de ter operado por PC Farias e a Telerj nos anos 90, além de ter angariado eleitorado evangélico com Anthony Garotinho no Rio e ter articulado o golpe contra Dilma?

- Detonar uma nova Operação Carne Fraca da Polícia Federal: As denúncias no setor de carnes envolvem empresas que financiaram o atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, homem próximo a Cunha. Essas companhias foram acusadas de comercializar produtos estragados e com papelão. Para atingir Michel Temer, que o traiu, o ex-deputado pode apelar  denuncias envolvendo este segmento corporativo;

- Mercado financeiro: Assim como Antonio Palocci pelo PT, Eduardo Cunha pelo PMDB foi operador forte nas bolsas de valores. À Folha, ele teria dito que sua delação poderia "explodir o mundo empresarial". Ele pode se referir aos especuladores;

- Comprometer ainda mais Temer: O atual presidente da República tem uma imunidade temporária para não ser investigado por crimes de fora do seu mandato. Cunha pode denunciar novos crimes envolvendo Michel Temer como retaliação, passando dos R$ 30 milhões já delatados. Será o suficiente para provocar um segundo impeachment? 

- Delatar empresas privadas que estão tentando melar a Lava Jato: Cunha é suspeito em 2015 de ter contratado a companhia Kroll para comprometer as investigações a respeito do Petrolão. Será que ele pode estabelecer uma ligação do atual governo com estas manobras?

- Maior comprometimento de Moreira Franco e Eliseu Padilha: Colocados como novos operadores de Temer na Secretaria-Geral da Presidência e na Casa Civil, Eduardo Cunha pode retalhar ainda mais os aliados do ex-amigo em novas acusações;

- Por fim, ele pode trazer mais comprometimento a Aécio Neves: Apontado como operador em Furnas, a estatal de energia em Minas Gerais, Cunha pode detalhar mais operações do tucanato em um setor que cresceu nos governos Lula e Dilma, com laços na Petrobras e na corrupção sistêmica de construtoras como a Odebrecht.

Pesado, não?

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.