Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Coluna do Pedro Zambarda
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Reinaldo Azevedo está certo quando associa Jair Bolsonaro com a "direita xucra"

Depois de ataques machistas à Joice Hasselmann e de incluir até o cineasta José Padilha na lista da "direita xucra", "Tio Rei" deu uma dentro nesta semana ao falar de Jair Bolsonaro, novo ícone direitista.

Reinaldo Azevedo está certo quando associa Jair Bolsonaro com a "direita xucra"
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Reinaldo Azevedo não está acostumado a debates que saiam muito do discurso que faça referência a ele mesmo ou às opiniões pessoais de adversários políticos. No entanto, no post em seu blog na Veja publicado no dia 2 de março, ele fugiu um pouco da regra.

Diz o Reinaldão:

"Oponho-me, sim, à chamada lei que 'criminaliza' a homofobia ou a que pune o chamado 'feminicídio' por uma questão de lógica elementar, de filosofia do direito. Aceito debater o aumento da pena para homicídio, mas repudio esse direito pautado por ideologia de gênero, classe ou ofício. Sou um liberal, não um comunista. Sou um liberal, não um fascista".

O colunista da Veja e da Folha está elencando no texto os princípios do liberalismo clássico, a saber, Adam Smith e a "Riqueza das Nações" do século 18. Reinaldo faz uma discussão conceitual. O liberalismo, uma doutrina capitalista típica da direita, não deveria se alinhar com o fascismo e com governos totalitários. Na época de Smith, a burguesia se opunha ao Antigo Regime (feudalismo) e, portanto, era uma opositora do Estado autoritário de seu tempo.

E ele arremata, antes mesmo de analisar, logo no começo do texto:

"Quando olho a qualidade daqueles que se alinham contra mim nas redes sociais, tendo Olavo de Carvalho como o candidato a Virgílio do inferno, eu me dou conta dos meus múltiplos acertos. Não fossem os meus amigos quem são, não fossem tão queridos, eu teria hoje em dia mais razão para me orgulhar dos que têm a pretensão de ser meus inimigos.

Constato o que querem e pensam. Observo a sutileza e a precisão dos argumentos. Deparo-me com a estupidez em estado bruto, com o raciocínio mais alvar, com a simplificação grosseira. Tudo isso, como se sabe, é marca do fascismo de direita. E o de esquerda? Não é mais inteligente. Apenas substitui a distopia despótica dos seus colegas do outro lado pela utopia despótica.

Tudo lixo.

Olavo, o 'mago' (se não me engano, está tentando ganhar uns trocos dando aula de ocultismo ou algo assim: ele é bom em ocultar coisa), tem como como arma Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e seus fanáticos".

Reinaldo Azevedo está certo quando se opõe a Jair Bolsonaro. Diz ele que defende o direito de Bolsonaro de "dizer suas tolices", como um verdadeiro liberal faria. Um direitista de centro, que frequentemente concorda com a centro-esquerda.

O problema é que, conceitualmente e pragmaticamente, eu não consigo concordar que o nosso "Tio Rei" não tenha fãs seguidores de Jair Bolsonaro. Tem aos montes.

Este é o atual mercado dele e da revista Veja nos dias atuais.

Eles podem tentar se livrar deste tipo de leitor. Mas é um processo longo e muito difícil de acontecer.

O que sabemos sobre a delação de Marcelo Odebrecht, até agora

Entenda o que a mídia está cobrindo na Operação Lava Jato, o que está em cheque na delação e o que pode acontecer nas próximas semanas (e meses).

O que sabemos sobre a delação de Marcelo Odebrecht, até agora
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

- As primeiras partes da delação de Marcelo Odebrecht, considerada como a "delação do fim do mundo", vieram a tona nesta quarta-feira, 1º de março. Quarta-feira de Cinzas pós-Carnaval;

- O depoimento foi feito em sigilo, conforme determinou o ministro Luiz Edson Fachin, que assumiu o caso depois da morte de Teori Zavascki. Em teoria, o teor da delação só deveria ir a público depois que ela fosse averiguada quanto a sua veracidade;

- Estavam presentes na sessão Luciano Feldens, advogado do empresário Odebrecht, Gustavo Guedes, de Michel Temer, José Eduardo Alckmin, advogado do PSDB no processo contra a chapa Dilma-Temer, e Renato Franco, que defende a ex-presidente Dilma Rousseff;

- Os primeiros veículos a divulgarem o teor da delação foi a coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, e o site Antagonista, da dupla Diogo Mainardi e Mario Sabino. Aparentemente as informações vazaram dos advogados, embora os jornalistas não abram suas fontes;

- Na delação, Marcelo fala de uma negociação em dinheiro para a campanha de Dilma Rousseff. O Antagonista crava que "Dilma sabia de tudo", e diz que uma das doações foi feita em 2009, ainda no governo Lula. A informação completa é que Marcelo Odebrecht tratou do tema com Antonio Palocci e, posteriormente, com Guido Mantega (italiano e pós-italiano, respectivamente);

- Marcelo Odebrecht comprova que existiu uma reunião com Michel Temer para acerto de caixa dois, mas desmente que valores foram tratados na reunião;

- A fala de Marcelo contradiz a do delator e ex-executivo da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que narrou um pedido de R$ 10 milhões vindo do próprio Temer. Em ambas as versões, os empréstimos foram feitos via Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil que passou por cirurgia na próstata e hoje está afastado;

- À agência Reuters, a defesa de Dilma Rousseff disse que Marcelo Odebrecht mentiu;

- Aécio Neves, candidato concorrente de Dilma, teria pedido R$ 15 milhões, que não foram entregues;

- Temer pediu a anulação da delação;

- A melhor coluna sobre o caso é de Kennedy Alencar, que atenta ao fato dos malefícios dos vazamentos seletivos na Lava Jato;

- O advogado de Marcelo Odebrecht disse que ele não tem mais nada a dizer. Mais pessoas da Odebrecht serão ouvidas. 

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.