Coluna do Pedro Zambarda
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Sim, Lula é a melhor opção do PT agora

Ao contrário do que se pensa frequentemente, esta não é uma opinião emocional sobre o momento político do ex-presidente. Trata-se de um vácuo absoluto da vida pública que, somado à polarização, exige um candidato mais experiente.

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(Fotos: Ricardo Stuckert/Lula.com.br/Divulgação)

Com um governo ilegítimo ocorrendo sob a gestão de Michel Temer, o assunto nacional são as expectativas sobre o futuro do Brasil. Num período de economia perdida e de corrupção sistêmica generalizada e exposta, todos querem saber quem será o futuro presidente. E, mais importante, o que um novo governo vai trazer a este país.

O jornalista Márcio Juliboni escreveu no Storia Brasil que o PT "erra ao insistir em Lula". Este texto é uma resposta a ele.

Sim, Lula é a melhor opção do PT agora

Luiz Inácio Lula da Silva começou sua turnê pelo nordeste brasileiro no dia 17 de agosto. O ex-presidente pretende ficar por 25 dias revisitando capitais e cidades interioranas para promover comícios e eventos online com a militância petista. Há, de fato, um "messianismo" em torno do nome de Lula. As pesquisas Datafolha, DataPoder360 e Paraná Pesquisas mostram ele com cerca de 30% das intenções de voto. Há também 40% de rejeição devido aos escândalos de corrupção do PT em 13 anos no governo federal. Mesmo assim, para a maioria dos brasileiros, o governo do petista foi o melhor no pós-ditadura militar.

Retornando ao seu berço eleitoral, o ex-presidente desce do pedestal e fala com brasileiros que foram beneficiados pelo Bolsa Família, pelo aumento do salário mínimo e as políticas que emanciparam cerca de 36 milhões de indivíduos, tirando-os da linha da miséria econômica.

A dificuldade de formar novos quadros

Sim, Lula é a melhor opção do PT agora

O ambiente político está viciado e polarizado. Após um processo de impeachment controverso envolvendo a ex-presidente Dilma Rousseff, Temer amarga menos de 5% de aprovação com a população, segundo os institutos de pesquisa, e colocou os adversários do PT, o PSDB, na base do seu governo. A delação de Joesley Batista e da JBS colocou ele e políticos do calibre de Aécio Neves a desvios de até R$ 50 milhões relacionados com a Operação Lava Jato.

Michel Temer teria pedido que Joesley pagasse cifras milionárias para que Eduardo Cunha e seu operador, Lúcio Funaro, permanecessem em silêncio e não fechassem delação premiada mesmo presos. Funaro já fechou delação e pode furar o bloqueio montado com propinas e agrados que estão na acusação envolvendo o presidente da República

Neste contexto, Lula foi condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro por favorecimento ilício no triplex do Guarujá. Tem ainda os processos do sítio de Atibaia e das palestras de seu instituto. Embora esteja tão envolvido em corrupção quanto Temer, o ex-presidente não carrega acusação em exercício de mandato e não será investigado se voltar ao comando do governo.

Sendo favorito nas pesquisas eleitorais pré-2018, aumenta a tensão se Lula irá para a cadeia ou para a cadeira da presidência.

Isso naturalmente polariza a eleição. E há um fator adicional: Michel Temer está privatizando a Eletrobras, cortando direitos trabalhistas, colocando tetos nos investimentos públicos e diminuindo programas sociais importantes como o Bolsa Família. Governa para que a Bovespa e os traders do mercado financeiro ultrapassem os 70 mil pontos. Não parece preocupado com o aumento da pobreza na maior recessão econômica criada por Dilma. Temer, portanto, governa para os ricos.

O sofrimento do pobre alimenta uma esperança praticamente "messiânica" com Lula. Mas a esperança tem um fundo de verdade. O projeto de desmonte do Estado brasileiro só encontra barreira na esquerda política nacional, que formalizou seu projeto desenvolvimentista com Luiz Inácio Lula da Silva.

Tais circunstâncias desfavorecem a criação de novos quadros. Fernando Haddad é um político promissor, mas amargou uma derrota em primeiro turno para João Doria Jr. na prefeitura de São Paulo. Ciro Gomes traz um projeto desenvolvimentista alinhado com a esquerda e carrega bom discurso, mas fez um governo autoritário no Ceará e só performa com 5% nas pesquisas. Gleisi Hoffmann, a nova presidente do PT, fez um apoio inconsequente ao regime ditatorial de Nicolás Maduro na Venezuela. Aloizio Mercadante, Jacques Wagner e outros nomes do petismo não têm qualquer apelo popular ou potencial eleitoral.

Em uma entrevista coletiva, o presidente estadual do PT em São Paulo, Luiz Marinho, disse que o partido não tem plano B. A ausência de outro nome alimenta um aspecto claro na candidatura Lula.

A crítica necessária à Lava Jato

Sim, Lula é a melhor opção do PT agora

Mesmo que você não seja fã de Lula ou do PT, qualquer pessoa deve admitir que a delação de Joesley Batista derrubou a tese mentirosa que os petistas criaram "o maior esquema de corrupção da história". A propinagem dos últimos 14 anos foi fruto, na realidade, de um consórcio no qual o PMDB de Temer atuava forte nas sombras. Um dos políticos mais fortes em articulações, Eduardo Cunha, foi cassado e preso para que outros nomes do seu partido não fossem investigados pela Força-Tarefa do Ministério Público ou pela Procuradoria-Geral da República.

Luiz Inácio Lula da Silva transformará sua campanha numa clara crítica a um sistema de apuração da corrupção baseado apenas nas chamadas delações premiadas, em que um ladrão confesso entrega outro esperando reduzir sua pena. Este sistema se transformou numa máquina de tritura da classe política, o que facilita novas corrupções de quem não foi investigado, como é o caso de Romero Jucá, Geraldo Alckmin e José Serra, citados na delação de Marcelo Odebrecht, na planilha de pagamentos e em outras denúncias que ainda não foram corretamente apuradas.

A candidatura Lula, portanto, pode ser a crítica necessária ao que está acontecendo. Se ele for eventualmente condenado em segunda instância pelo TRF4 de Porto Alegre, depois de Moro, é muito provável que algum nome forte do PSDB também caia em desgraça. A polarização esquerda e direita, portanto, circunda essa parte de efeitos nefastos da Lava Jato.

Refundação da esquerda a longo prazo

Sim, Lula é a melhor opção do PT agora

Embora seja um centralista incorrigível, Lula pertence à ideologia de centro-esquerda, conversa com as elites e não apela para teses extremistas como Jair Messias Bolsonaro, o extrema-direita. Sua candidatura pode revelar nomes que podem se fortalecer, dentro e fora do PT, para uma candidatura em 2020. Candidatos novos petistas ou esquerdistas de outras legendas não estão descartados, mas eles perderiam neste ambiente polarizado.

Sim, Lula é a melhor opção do PT agora

Além de autocrítica pelos escândalos do Mensalão e do Petrolão - o que nem o PT e nem Lula fizeram -, a esquerda precisa urgentemente se refundar e este processo pode acontecer mesmo com nomes antigos da política ainda em atuação. E, para fazer isso, ela não pode ter medo de afirmar que seu projeto político é o desenvolvimentismo, não o neoliberalismo de Temer e do PSDB.

Por isso, seu melhor nome no momento é Lula. E Lula é apenas o trampolim para que este espectro político volte a provar que é possível pensar num Brasil menos desigual.

E mais moderno, portanto.

Doria vai devorar Alckmin antes das eleições de 2018, se o governador deixar

Breve história do discípulo político que arquiteta a derrocada política do seu mentor antes mesmo das eleições de 2018. Será que João Doria Jr. não tem vergonha do papel que cumpre na disputa política entre tucanos? Seja como for, ele está avançando na criação de uma campanha.

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(Foto: Alexandre Carvalho/A2img/Fotos Públicas)

A crise do governo Michel Temer exibe as vísceras do PSDB, o partido de oposição ao PT que resolveu se tornar base. Desorganizados e vingativos, os tucanos não souberam lidar com a delação premiada de Joesley Batista incriminando Aécio Neves, o presidenciável da legenda em 2014. Tasso Jereissati assumiu a liderança do partido, enquanto José Serra tem um projeto pessoal para tentar as eleições junto a Temer, com auxílio de Aloysio Nunes. Mas, além destes caciques, há uma guerra nos bastidores rolando no tucanato de São Paulo.

Doria vai devorar Alckmin antes das eleições de 2018, se o governador deixar

(Foto: Alexandre Carvalho/A2img/Fotos Públicas)

João Doria Jr. estava em viagem pelo nordeste, onde recebeu ovada, e passou pelo interior de São Paulo. Na cidade de Barretos, prometeu trazer a Festa do Peão para a capital. E voltou atrás na proposta. Seguiu o padrão que já fez no começo do mandato, quando se vestiu de gari e apostou no populismo de direita.

Mas, para continuar fingindo que não está em campanha presidencial, Doria resolveu gravar um vídeo com seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin. Apelou pra propaganda no Facebook.

Doria vai devorar Alckmin antes das eleições de 2018, se o governador deixar

(Foto: LEON RODRIGUES/SECOM/Fotos Públicas)

No dia 13 de agosto, João Doria gravou um vídeo afirmando que é leal ao homem que o indicou para a prefeitura de São Paulo. De acordo com a jornalista Cristiana Lôbo, do G1/GloboNews, foi o medo de ser visto como um traidor que levou Doria a gravar a peça, com um quadro ao fundo que possui um cavaleiro com sua espada no pescoço de Alckmin.

"Reafirmo minha lealdade ao governador Geraldo Alckmin, com quem tenho uma estreita amizade há 37 anos. Especulações e notícias fantasiosas que vêm sendo divulgadas por alguns órgãos da imprensa não vão abalar nossa amizade e o respeito que temos um pelo outro", declarou o prefeito na gravação completa.

Dias depois, em 20 de agosto, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, deu mais detalhes dos bastidores do encontro. "Que ninguém se engane com as caras sorridentes que aparecem no vídeo. O ambiente está azedo. Para Alckmin, Doria está se excedendo", explicou o jornalista.

Motivos para o governador pensar desta forma não faltam.

As infidelidades

No mesmo mês, Doria recebeu de braços abertos Michel Temer em São Paulo, que o chamou de aliado, enquanto Geraldo Alckmin manteve encontros privados com nomes do PSDB paulista para fazer as investigações do presidente na Lava Jato avançarem. Enquanto o prefeito ensaia uma aproximação com o PMDB, Alckmin joga com o afastamento da legenda da base do atual governo federal, com pensamento de sobrevivência política de longo prazo.

Como alguém que acabou de assumir a prefeitura da maior cidade da América Latina, falta humildade a João Doria Jr. para focar na administração municipal. Seu desempenho pífio em oito meses de gestão, com aumento dos acidentes das marginais, faróis quebrados e o centro antigo abandonado mostram que Doria pode ser um José Serra piorado.

Para quem não lembra, Serra prometeu governar São Paulo e abandonou a cidade para tentar a presidência contra Dilma Rousseff em 2010.

A autodestruição

Além do duelo paulista entre Doria e Alckmin, o PSDB está no alvo de investigações da Operação Lava Jato e perdeu a aura de moralidade que conquistou nos anos de crise do PT em pleno Mensalão e Petrolão. Num cenário desolado e sem chances reais de ganhar a presidência da República, porque ainda aparece com 13% das intenções de voto, João Doria Jr. acha justo pensar fora do eleitorado tucano, tentando inclusive o nordeste brasileiro.

O populismo de direita do prefeito paulistano vai devorar o governador Geraldo Alckmin antes das eleições de 2018, se ele deixar. O tucanato mais parece um ninho de cobras criadas.

Uma pronta para devorar a outra. 

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.